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sábado, 14/02/2026

Advogada argentina que fez gesto racista reencontra família e relata ameaças

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São Paulo, SP (UOL/FolhaPress)

A advogada argentina Agostina Páez, 29 anos, que responde por injúria racial contra funcionários em um bar em Ipanema, Rio de Janeiro, reencontrou seus familiares e afirmou estar recebendo ameaças de morte.

A advogada negou ter mentido sobre o caso, mas preferiu não dar detalhes do processo. “Há muita crueldade, eles querem me matar. Gostaria de contar tudo, mas não posso”, disse em entrevista ao canal argentino Todo Noticias, no sábado, sem revelar quem estaria fazendo as ameaças.

Agostina revelou que não quer mais mostrar o rosto publicamente por estar muito exposta. “Não quero mais meu rosto em nenhum lugar, pelo menos aqui no Brasil. Existe uma campanha com minhas imagens. Estou em perigo, recebo ameaças constantemente. Não posso sair de lugar algum por estar muito exposta”, afirmou à emissora, conforme o jornal Clarín.

Ela reencontrou a irmã de 16 anos e o pai, Mariano Páez, que disse ter ficado preocupado com a segurança da filha: “agora estou mais tranquilo por ela estar acompanhada”.

O pai afirmou que os familiares ficarão no Rio de Janeiro por algumas semanas para dar apoio a Agostina. Ela deve continuar usando tornozeleira eletrônica, permanecer no endereço informado à Justiça e está proibida de deixar o país. “Vamos conversar com os advogados e talvez com o cônsul argentino no Rio. Meu desejo é que ela possa retornar à Argentina. Foi um gesto impensado, ela está muito arrependida”, declarou Mariano Páez.

Agostina reclamou do tratamento recebido após ser presa na última semana. Ela foi solta horas depois, quando a Justiça revogou a prisão. Disse ter enfrentado muitos obstáculos no processo e sente-se desprotegida. “Muitas pessoas me odeiam”, afirmou.

Na semana anterior, Agostina publicou nas redes sociais que estava “desesperada” e “morta de medo” ao ser notificada pela Justiça do Rio sobre a prisão preventiva, que foi revogada poucas horas após sua detenção.

A polícia do Rio de Janeiro ainda não se posicionou sobre as declarações da advogada.

O caso começou quando Agostina foi gravada praticando ofensas racistas na saída de um bar em 14 de janeiro. Ela prestou depoimento três dias depois, momento em que teve o passaporte apreendido para impedir sua saída do país.

A vítima, funcionário do bar, registrou boletim de ocorrência no mesmo dia. Segundo a polícia, ele relatou que Agostina apontou o dedo e usou termos pejorativos e racistas ao chamá-lo de “negro”.

A confusão teve início após uma reclamação de Agostina sobre um erro no pagamento da conta. O gerente solicitou que ela aguardasse enquanto verificava as imagens das câmeras de segurança para confirmar o consumo, momento em que começaram os xingamentos e ofensas racistas.

Parte dos atos foi registrada em vídeo, onde Agostina imita macaco e reproduz sons do animal em direção à vítima. Ela também usou a palavra “mono” em um sentido ofensivo.

Em depoimento, a advogada alegou que os gestos foram feitos em tom de brincadeira para suas amigas, não para a vítima, e negou intenção discriminatória. Também afirmou não saber que tal comportamento é crime no Brasil e relatou ter sido provocada pelos funcionários com gestos obscenos.

O Ministério Público denunciou Agostina e apresentou provas como relatos de vítimas, testemunhas e imagens das câmeras internas do bar. A Justiça decretou prisão preventiva que foi posteriormente revogada.

A Lei de Racismo brasileira prevê punição de 1 a 5 anos de prisão para crimes de discriminação com base em raça, cor, etnia, religião ou origem. O crime é inafiançável e imprescritível. Já a injúria racial refere-se a ataques individuais que usam elementos relacionados à raça ou origem para ofender alguém.

Para denunciar crimes como este, é possível procurar delegacias especializadas ou registrar boletins de ocorrência em delegacias físicas ou online. Em casos de flagrante, deve-se ligar para o número 190, ou utilizar os canais Disque 100 ou Disque Denúncia para denunciar.

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