Paula Pinho, porta-voz da União Europeia (UE), informou nesta sexta-feira que houve avanços nas negociações do acordo comercial com o Mercosul nas últimas duas semanas durante coletiva em Bruxelas.
Quando questionada sobre a possibilidade de assinatura na próxima semana, Paula Pinho afirmou que, apesar do progresso, ainda não há data definida, mas que o acordo deve ser fechado em breve.
O anúncio acontece após o adiamento da assinatura inicialmente prevista para 20 de dezembro, agora remarcada para o início deste mês. O avanço ocorre mesmo diante de resistência interna, principalmente na França e na Itália, embora a maioria dos países europeus apoie o acordo.
Em carta ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, reforçaram o compromisso de assinar o acordo em janeiro, explicando que o adiamento é por questões internas no conselho europeu.
A resistência da Itália, alinhada à França, vem de pressões do setor agrícola que exige garantias maiores. Para atender essas demandas, o Parlamento Europeu aprovou medidas de proteção para produtos sensíveis, um fundo de compensação de 1 bilhão de euros e controles fitossanitários reforçados. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, sinalizou que Roma pode aprovar o acordo em até um mês.
Protestos
Em 18 de dezembro, agricultores de vários países europeus protestaram em Bruxelas bloqueando ruas com tratores e queimando pneus perto do Parlamento Europeu durante reunião de líderes. A polícia precisou usar gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar os manifestantes.
Na França, o presidente Emmanuel Macron enfrenta forte oposição dos agricultores, preocupados com o impacto da chegada de carne, arroz, mel e soja do Mercosul, produtos considerados mais competitivos por terem normas de produção diferentes.
O acordo criaria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, eliminando tarifas sobre produtos como carros e vinhos da UE, e facilitando a entrada de carne bovina e açúcar do Mercosul.
A assinatura estava prevista para a Cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu, Paraná, mas não ocorreu devido à oposição de França e Itália.
No período, a discordância europeia causou tensões com o Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a dizer em Brasília, no dia 17 de dezembro, que o país pode desistir do acordo se ele não for concluído logo, criticando a política interna italiana e francesa como obstáculos.
Estadão Conteúdo
