O acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia deve trazer benefícios comerciais ao Brasil apenas a médio prazo, pois inicialmente a entrada de produtos agrícolas no mercado europeu ficará limitada por cotas sem impostos.
Segundo um relatório do departamento de pesquisa econômica do Bradesco, o estudo analisou as condições para a venda de vários produtos no mercado europeu com o tratado de livre comércio assinado recentemente pelos dois blocos econômicos. Espera-se um aumento no comércio entre eles, mas não de forma imediata.
Os especialistas do Bradesco destacam que o acordo prevê períodos longos para a redução das tarifas entre os blocos e que os parlamentares europeus ainda encaminharam o tratado para revisão jurídica.
Os principais produtos que o Brasil exporta para a União Europeia são petróleo e café em grãos, que já têm tarifas zeradas no mercado europeu. Outros produtos agrícolas, que também têm importância na pauta, terão impostos eliminados dentro de limites de cotas definidos.
A soja, um dos produtos mais exportados pelo Brasil, já está isenta de tarifas e cotas para entrada na Europa, por isso, segundo o relatório do Bradesco, o acordo não traz mudanças significativas na competitividade e no volume exportado desse produto.
Em relação ao açúcar, o acordo prevê uma cota anual de 180 mil toneladas sem tarifas. Se a produção ultrapassar esse limite, o açúcar brasileiro enfrentará tarifas muito elevadas, reflexo da proteção forte da União Europeia aos produtores locais de beterraba sacarina.
Se a União Europeia usar o mecanismo de salvaguarda, que permite suspender benefícios tarifários em caso de ameaça aos produtores locais, o impacto para os produtores brasileiros de açúcar deve ser baixo, pois o volume exportado para a Europa é pequeno e pode ser desviado para a Ásia com facilidade.
