O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, que languidecia há 25 anos, foi finalmente aprovado, colocando um marco importante nas relações internacionais desses blocos econômicos. A expectativa é que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viaje em breve ao Paraguai, país que atualmente detém a presidência rotativa do Mercosul, para oficializar a assinatura do tratado.
Este acordo, envolvendo os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia — e os 27 membros da União Europeia, visa criar uma zona de livre comércio entre os blocos. Isso facilitará o acesso dos produtos brasileiros a um mercado composto por cerca de 450 milhões de consumidores europeus, o que significa uma oportunidade significativa para as exportações do continente sul-americano.
O pacto contempla a eliminação gradual dos impostos de importação sobre produtos agrícolas e industriais, beneficiando especialmente setores como carnes, açúcar, etanol, suco de laranja e grãos. A expectativa é que isso aumente a competitividade das empresas nos dois mercados, estimulando também investimentos estrangeiros no Brasil, especialmente em setores como infraestrutura, indústria e tecnologia.
Entretanto, o texto ainda enfrenta resistência na Europa, principalmente de países como França, Itália, Polônia e Hungria, que apresentam preocupações sobre os impactos na agricultura local e questões ambientais e sanitárias. A França, liderando a oposição, requer garantias adicionais para a rastreabilidade dos produtos e preservação ambiental.
Após a assinatura, o acordo ainda precisará ser ratificado pelos parlamentos nacionais dos países membros da União Europeia e do Mercosul, um processo que pode ser demorado e sujeito a novos obstáculos.
Para o Brasil, o acordo é uma estratégia crucial para diversificar mercados e reduzir a dependência da Ásia, além de ser um instrumento para atrair investimentos e fortalecer a indústria nacional. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatiza que não aceitará reabrir negociações nem incluir exigências ambientais unilaterais adicionais, afirmando que o país já fez concessões consideráveis.
Em resumo, o acordo entre a UE e o Mercosul representa uma oportunidade significativa para expansão comercial e cooperação entre Europa e América do Sul, apesar dos desafios políticos e ambientais que ainda deverão ser superados.
