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quinta-feira, 22/01/2026

ações do brb caem 36% após recusa do bc na compra do banco master

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Em Brasília

JÚLIA MOURA
FOLHAPRESS

As ações do Banco de Brasília (BRB) têm sofrido uma queda significativa na bolsa de valores desde que o Banco Central (BC) impediu a compra do Banco Master, em agosto de 2025, registrando uma perda de 36,5%. Durante o mesmo período, o índice Ibovespa teve um aumento de 25%.

A desvalorização das ações acelerou após a prisão de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e a liquidação dessa instituição em novembro. Naquele mês, as principais agências de classificação de risco rebaixaram a nota de crédito do Master devido a problemas de governança, o que fez com que as ações do banco caíssem ainda mais, em 11,4%.

Antes da rejeição da compra pelo BC, o BRB comprou carteiras de crédito do Banco Master, que, conforme investigações, continham empréstimos fraudulentos, inclusive empréstimos que não existiam. A polícia federal estima que essa fraude possa chegar a R$ 12,2 bilhões.

Segundo depoimento do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, uma parte significativa desse valor foi devolvida ao BRB pelo Master, reduzindo o prejuízo para cerca de R$ 2 bilhões. A transação ainda está sob investigação.

Devido às investigações, parte da liderança do BRB foi afastada e o banco planeja renovar seu conselho de administração.

A agência Fitch alertou que as investigações e a saída dos executivos aumentam o risco para o banco, podendo afetar negativamente seu balanço financeiro, capitalização e operações.

A Fitch ainda reduz a classificação de crédito do BRB de B- para CCC e afirmou que há incertezas sobre a extensão e o impacto financeiro da fraude, deixando o banco em observação negativa.

A Moody’s também rebaixou a nota do BRB, de A para BBB-, e retirou suas avaliações a pedido do próprio banco. Em relatório, a agência destacou que, apesar da investigação, o BRB deverá manter sua liquidez devido a recursos de servidores públicos, entidades do Governo do Distrito Federal e depósitos judiciais.

A Moody’s chamou atenção para o fato de o capital regulatório do banco estar enfraquecido, com um índice de capital nível 1 pouco acima do mínimo exigido.

De acordo com dados do Banco Central do terceiro trimestre de 2025, o BRB possui patrimônio líquido de R$ 4,3 bilhões e uma carteira de crédito de R$ 49,9 bilhões, tendo registrado lucro líquido de R$ 181 milhões no período.

No final de novembro, a agência S&P também rebaixou a nota do BRB, mantendo uma observação negativa. A agência teme que as investigações possam se prolongar, desviando o foco do banco de suas operações principais.

A S&P destacou que o risco à reputação do banco, combinado com a governança fragilizada, deve afetar a confiança de clientes e investidores, dificultando a manutenção de margens financeiras, elevando o custo para captar recursos e limitando o crescimento do BRB.

Analistas esperam maior volatilidade nos custos de financiamento, com dificuldade para captar recursos nas mesmas condições pré-investigação, o que pode elevar as despesas operacionais do banco.

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