PAULO RICARDO MARTINS
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
As ações da Azul despencaram 36,27% nesta quinta-feira (19) após a empresa aprovar a emissão de um grande volume de novas ações para ajudar no processo de recuperação judicial nos Estados Unidos. No momento de maior queda no pregão, as ações chegaram a perder até metade do valor.
Ao final do dia, o preço das ações estava em R$ 162,50. A negociação das novas ações começará na próxima segunda-feira (23).
A decisão do conselho administrativo gerou a criação de 45,48 trilhões de novas ações ordinárias, vendidas a um valor muito baixo de R$ 0,0001096566 cada, resultando numa arrecadação total de R$ 4,99 bilhões.
Essa operação faz parte da reestruturação da empresa sob a proteção do Chapter 11 das leis americanas de falência. Os recursos obtidos serão usados para pagar uma dívida principal de financiamento DIP, uma modalidade financeira usada em processos de recuperação judicial.
Com essa emissão, o capital social da Azul agora soma R$ 21,76 bilhões, distribuídos em 54,73 trilhões de ações.
Especialistas afirmam que a forte queda se deve principalmente à diluição do valor para os acionistas já existentes causada pela quantidade enorme de novas ações emitidas.
Felipe Sant’Anna, especialista em mercado financeiro do grupo Axia Investing, explica que cada vez que a empresa aumenta o número de ações, o valor do capital social é dividido entre mais acionistas, o que é prejudicial para os atuais investidores, sobretudo neste volume gigantesco de emissão.
Sant’Anna comenta, porém, que sem essa emissão, a situação da Azul poderia ser ainda pior.
Segundo ele, a empresa consegue continuar operando, e os credores trocam dívidas por participação na empresa. No entanto, é incerto quanto tempo esse modelo se sustentará, já que os investidores tendem a perder interesse com muitas emissões de ações.
Gabriel Cecco, da Valor Investimentos, destaca que a queda está mais relacionada à estrutura de capital do que ao desempenho das operações, como demanda e receita.
Cecco afirma que essa queda expressiva reflete a diluição massiva e a transformação da ação em um ativo típico de reestruturação financeira, onde a empresa pode se recuperar, mas os acionistas menores terão ações com valor reduzido e dificilmente lucrarão.
A Azul entrou com pedido de recuperação judicial pelo Chapter 11 em 28 de maio de 2025, buscando reorganizar suas dívidas. Depois da Latam e da Gol, foi a última grande companhia aérea brasileira a recorrer a esse processo.
A expectativa da empresa é concluir a recuperação judicial no início de 2026.

