A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) informa que atualmente não existe risco de faltar produtos químicos no Brasil devido ao conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel. “A oferta mundial continua ampla e a indústria química brasileira tem uma capacidade ociosa alta – cerca de 40% da capacidade total – permitindo resposta rápida a variações do mercado”, explica a Abiquim.
Os efeitos mais importantes do conflito são indiretos e afetam especialmente os setores de energia, fertilizantes e transporte marítimo global.
“O conflito eleva custos globais significativos, principalmente em energia e fertilizantes. Entretanto, para os produtos químicos, o Brasil tem capacidade industrial suficiente para garantir o abastecimento”, afirma o presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro.
O Irã produz cerca de 3,5 milhões de barris de petróleo por dia, e o Estreito de Ormuz é responsável por cerca de 20% da oferta mundial e 25% do comércio marítimo de petróleo. Assim, qualquer restrição prolongada na região tende a aumentar o preço do barril Brent e impactar a nafta petroquímica, principal matéria-prima da indústria química brasileira.
Mesmo sendo exportador de petróleo, o Brasil ainda importa derivados como diesel, GLP e nafta. Com o aumento do preço do Brent, os custos industriais, fretes internacionais e a inflação tendem a subir.
O impacto direto do conflito se destaca no mercado de fertilizantes nitrogenados, principalmente ureia e amônia. O Irã é um grande exportador desses fertilizantes, e a instabilidade local, junto com os problemas logísticos no Golfo, causam forte variação nos preços. Desde o início do conflito, a ureia no Brasil já subiu mais de 33%.
O Brasil depende de importações para cerca de 85% dos fertilizantes que usa, o que o torna vulnerável a choques nos preços e na logística internacional, alerta a Abiquim. “Se as restrições na navegação e no comércio regional se prolongarem, podem surgir problemas no fornecimento de fertilizantes nitrogenados e ainda mais aumentos de preços”, acrescenta a associação.
Além disso, ameaças a embarcações e limitações na travessia do Estreito de Ormuz estão causando mudanças importantes na logística marítima global. Isso inclui aumento no custo do gás natural, frete marítimo e seguros, além de reajustes nas rotas de transporte.
Dentre cenários analisados pela Abiquim, o mais provável é um “conflito limitado”, com alta temporária no preço do petróleo, flutuação moderada no câmbio e impacto inflacionário controlável.
Existem também dois cenários possíveis: um com restrições duradouras no Estreito de Ormuz, que levaria a maiores custos e volatilidade nos mercados de energia e fertilizantes; e outro com escalada regional significativa, causando choque energético prolongado, alteração nas cadeias globais de suprimentos e forte impacto na indústria química mundial.
Estadão Conteúdo.
