25.5 C
Brasília
quarta-feira, 28/01/2026

Abdib: otimismo cresce para investimentos em infraestrutura; saneamento lidera retomada

Brasília
trovoada
25.5 ° C
27.3 °
25.5 °
61 %
4.6kmh
75 %
qua
27 °
qui
27 °
sex
25 °
sáb
24 °
dom
23 °

Em Brasília

Mais da metade dos profissionais do setor de infraestrutura vê boas perspectivas para novos investimentos no Brasil nos próximos seis meses, segundo a 14ª pesquisa Barômetro da Infraestrutura, feita pela Abdib em parceria com a EY-Parthenon. A pesquisa aponta que 54,6% dos empresários estão esperançosos. O saneamento básico voltou a ganhar destaque entre os setores mais procurados para receber investimentos.

Este índice positivo mostra uma melhora significativa em relação à pesquisa anterior, feita seis meses atrás, quando apenas 40,6% dos entrevistados tinham uma visão favorável. O pessimismo, por sua vez, diminuiu de 30,7% para 20,4%, indicando maior confiança no mercado, mesmo com dúvidas econômicas e políticas vigentes.

Gustavo Gusmão, sócio da EY-Parthenon para Governo e Infraestrutura, destaca a firmeza do setor. “Apesar das incertezas, a maioria ainda enxerga um ambiente bom para investir, com uma redução grande no pessimismo”, comenta.

Ele acrescenta que os projetos de infraestrutura são planejados para longo prazo, o que ajuda a diminuir os efeitos de mudanças políticas. “Muitos projetos já estão prontos ou à espera de leilões, o que minimiza impactos de eleições. Além disso, espera-se queda da taxa Selic durante o ano e existe um volume alto de concessões recentes”, completa.

A pesquisa também mostra que 21,3% dos executivos continuam investindo mesmo com a taxa de juros em 15% ao ano, usando principalmente recursos próprios. Isso sugere que as empresas estão se adaptando a um crédito mais difícil.

Roberto Guimarães, diretor de Planejamento e Economia da Abdib, comenta que isso representa uma mudança importante. “Historicamente, o setor dependia de dinheiro de terceiros, mas agora algumas empresas mantêm os investimentos com seus próprios recursos”, explica.

O estudo destaca o bom desempenho da iniciativa privada em 2025, ano que teve recorde de investimento em infraestrutura, com R$ 234,9 bilhões aplicados. Desse total, 84% vieram do setor privado, mostrando sua importância no financiamento dos projetos.

“Esse valor é similar ao investido entre 2012 e 2013 e cria um ambiente favorável para as concessões, além de permitir usar melhor o orçamento público por meio das PPPs”, comenta Guimarães.

PPPs

Sobre Parcerias Público-Privadas e concessões, a União teve a maior mudança. Pela primeira vez, a percepção positiva foi maior que o ceticismo, com 46,4% dos pesquisados achando que o governo federal usa parcialmente esse potencial.

Gusmão explica que isso mostra um maior esforço do governo na preparação dos projetos. “O mercado reconhece avanços em rodovias e no apoio a estados e municípios por meio de órgãos como PPI, BNDES e Caixa”, diz.

Nos estados, 59% dos empresários acham que as concessões e PPPs são parcialmente aproveitadas. Já nos municípios, essa opinião cai para 22,1%, indicando dificuldades locais.

“Isso mostra que a capacidade dos municípios de preparar projetos continua sendo um dos principais obstáculos para aumentar os investimentos em infraestrutura”, alerta Gusmão.

Setores em destaque

Entre os setores com maior expectativa de investimentos, o saneamento básico voltou a estar no topo, com 49,2% das intenções, depois de ter ficado atrás das rodovias na pesquisa anterior. Rodovias ficaram em segundo lugar, com 47,8%, seguidas por energia elétrica, com 38,5%.

Gusmão observa que esses três setores se mantêm como prioridade pelo sétimo estudo consecutivo. “A mobilidade urbana também está ganhando importância, especialmente nas grandes cidades, e há estudos do BNDES quase prontos para liberar investimentos nessa área”, comenta.

Na área de empregos, 47,5% dos entrevistados veem boas chances para novas contratações, um aumento de 11,3 pontos percentuais. Porém, a falta de profissionais qualificados continua sendo um problema, com 87,5% apontando impactos negativos para seus negócios.

Fonte: Estadão Conteúdo.

Veja Também