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Economia

A polarização do trabalho e o surgimento de uma Classe Obsoleta

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Como a automação e a inteligência artificial criam bombas-relógio que podem explodir em agitação social e sofrimento

Futuro do trabalho: surgimento de uma classe obsoleta no Brasil é ainda mais grave devido à gritante desigualdade social existente (Germano Lüders/Exame)

O impacto da pandemia sobre a economia é visível, gera bastante ansiedade nas pessoas, preocupadas com a manutenção dos seus empregos e com a própria sobrevivência em ambiente de grande incerteza. Os motivos para tamanha inquietação são reais, presentes e crescentes. Esta é a má notícia.

Antes da pandemia já havia uma preocupação de estudiosos do trabalho sobre o papel da disrupção causada pela tecnologia, especialmente a “uberficação” de atividades e profissões. O tema passou a ter ainda mais relevância dado à ênfase colocada no papel da tecnologia como principal catalisador na redução de custos e ganho de eficiência.

A Uber começou a atuar em um segmento no qual as habilidades do motorista (saber dirigir e conhecer a geografia do local) eram fundamentais ao desempenho do trabalhador. A solução do aplicativo tornou irrelevante a habilidade referente ao conhecimento do local e criou uma concorrência brutal ao trazer novos “motoristas” para o mercado.

O movimento criou ganhadores – acionistas, executivos e funcionários da Uber – e perdedores – milhares de motoristas de táxi que tiveram redução significativa de ganhos, com o futuro da atividade colocado em risco.

O resultado foi a polarização do trabalho: de um lado poucos trabalhadores bem remunerados (engenheiros de software, webdesigners, cientistas de dados), do outro uma grande massa de trabalhadores com remuneração inferior àquela que existia.

O problema é que a uberficação de atividades e a consequente polarização do trabalho se espalha vertiginosamente em muitos outros setores. Escritórios de advocacia atuantes em causas trabalhistas para grandes bancos concorrem com soluções de inteligência artificial capazes de identificar padrões de comportamento de juízes, tipos de sentença, resultados e propor decisões óptimas; motoristas de caminhões que podem ser substituídos por veículos autônomos; radiologistas que são substituídos por programas de I.A. treinados em identificar doenças em imagens.

Onde houver uma atividade baseada em regras que podem ser quantificadas, ela será automatizada ou terá um algoritmo que torne sua execução mais eficiente. As tecnologias para tais mudanças já existem – em diversas fases – e seu progresso é geométrico e inexorável. Caminhamos aceleradamente para uma Sociedade Algorítmica e nesta a polarização do trabalho é inevitável.

A questão central é o impacto que tal polarização trará e suas consequências, especialmente no Brasil, onde o nível de formação educacional da força de trabalho é baixo, o que implica pouca flexibilidade e capacidade de ajuste, além de que já existe alto desemprego – 13 milhões de pessoas – e a reforma da Previdência demanda que as pessoas trabalhem ainda mais tempo até a aposentadoria.

O surgimento de uma imensa Classe Obsoleta, como prevê o Professor Yuval Noah Harari, em seu livro Homo Deus, está mais próximo do que imaginamos. No caso brasileiro, o problema é ainda mais grave devido à gritante desigualdade social existente.

De maneira simplificada, a economia é o que nós, como sociedade, queremos que ela seja e esta deve atender a sociedade, não o oposto. Todavia, a crença no determinismo tecnológico – em que a tecnologia leva a mudanças estruturais, sociais e culturais – tem feito com que responsáveis por políticas públicas apenas reajam aos efeitos das mudanças provocadas por ela.

Se não tivermos clareza sobre quem deve servir a quem e onde desejamos chegar, de maneira a tratar essa questão com políticas públicas, testemunharemos o crescimento vertiginoso dessa Classe Obsoleta, com seus efeitos sobre o desgaste do tecido social, a potencial pandemia de doenças psíquicas e até convulsão social.

O problema existe, é grave e não há tempo a perder.

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Economia

Impacto da Covid na economia alemã pode ser menor do que o temido

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Alemanha agiu rapidamente para aumentar os gastos e esse dinheiro, junto com outro impulso do BCE, parece ter amortecido o impacto da pandemia

Terminal portuário em Haburgo, Alemanha (Fabian Bimmer/Files/Reuters).

 

A Alemanha pode resistir à recessão provocada pela pandemia melhor do que o esperado, sugeriram indicadores do setor privado nesta terça-feira, em um sinal de esperança para a economia que tradicionalmente serve como motor de crescimento da Europa.

Com boa parte da atividade econômica ainda restringida pela Covid-19, o governo da Alemanha agiu rapidamente para aumentar os gastos e esse dinheiro, junto com outro impulso do Banco Central Europeu, parece ter amortecido o impacto da pandemia.

A projeção para o Produto Interno Bruto agora é de contração de apenas 5,2% neste ano, disse o instituto Ifo, mais otimista do que sua estimativa anterior de queda de 6,7% e da previsão do banco central de contração de 7,1%.

“O declínio no segundo trimestre e a recuperação estão atualmente se desenvolvendo mais favoravelmente do que esperávamos”, disse o economista-chefe do Ifo, Timo Wollmershaeuser.

Para 2021, o instituto cortou sua previsão de crescimento de 6,4% para 5,1%, mas mesmo isso indica que a economia da Alemanha pode ficar próxima do nível pré-crise ao final do próximo ano. O BCE ainda espera que a zona do euro como um todo precise de mais um ano para compensar o declínio.

Parte da melhoria prevista partiu do consumo inesperadamente resiliente, e a associação de varejo HDE disse que espera que as vendas nominais no varejo cresçam 1,5% este ano, uma revisão para cima acentuada de sua estimativa anterior de queda de 4%.

(Reportagem de Michael Nienaber)

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Ex-presidente do Banco Central do Brasil, Ilan Goldfajn: “A taxa de juros não ficará em 2%, mas não voltará mais a dois dígitos” (Adriano Machado/Reuters)

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PIB argentino sofre queda histórica de 19,1% no 2º tri

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Bandeira argentina com a frase: “força, Argentina” em rua com comércio fechado em Buenos Aires. 20 de junho de 2020. (Ricardo Ceppi/Getty Images)

O Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina registrou contração de 19,1% no segundo trimestre deste ano, em comparação com igual período de 2019, de acordo com cálculos preliminares do Instituto Nacional de Estatísticas e Censo (Indec), divulgados nesta terça-feira, 22.

Em relação ao primeiro trimestre, a atividade econômica teve retração de 16,2%. No semestre como um todo, a queda foi de 12,6%.

Segundo a instituição, o desempenho negativo foi puxado pelos setores de hotéis e restaurantes, que tiveram tombo anualizado de 73,4%, seguido por atividades de serviços comunitários sociais e pessoais (-67,7%).

“As restrições globais à circulação de pessoas com objetivo de mitigar a pandemia de covid-19 afetam a um conjunto significativo de atividades econômicas em todos os países”, destaca o Indec, em relatório.

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Economia

Proposta de reforma administrativa pode ser ampliada, diz secretário

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Segundo o secretário especial de Desburocratização, o próprio Congresso poderá ampliar o escopo da reforma durante sua tramitação

Secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Caio Paes de Andrade (Leandro Fonseca/Exame)

O secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Caio Paes de Andrade, afirmou nesta terça-feira que o governo optou por não encaminhar uma reforma administrativa que afetasse todos os servidores dos demais Poderes (Legislativo e Judiciário) para evitar o que chamou de “judicialização precoce”, mas ele afirmou que o próprio Congresso poderá ampliar o escopo da reforma durante sua tramitação.

“Não mandamos uma reforma (administrativa) pronta, mandamos um arcabouço para que aconteça o que chamamos de uma reforma da nova administração pública”, afirmou Paes de Andrade em live promovida pela corretora Necton.

A proposta de reforma apresentada pela equipe econômica no início deste mês poupou parlamentares, magistrados e militares de medidas destinadas a restringir uma série de benefícios, como férias de mais de 30 dias e aposentadoria compulsória como punição.

 

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Economia

Espanha enfrenta problema incomum: como gastar bilhões contra a crise

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Absorver dinheiro extra repentinamente é um desafio para o país, que não consegue aprovar orçamento anual desde 2016 por causa de uma paralisia política

Madri, Espanha 31/7/2020 (Javier Barbancho/Reuters)

Depois de garantir uma porção generosa dos fundos de recuperação da União Europeia para combate à crise do coronavírus, a Espanha enfrenta um problema inusitado — como fazer uso de todo o dinheiro, disseram fontes do governo à Reuters.

“Esta não é uma crise de dinheiro, é uma crise de ideias”, disse uma das fontes, referindo-se a projetos de investimento concretos para ajudar a economia a sair de uma recessão recorde.

Em um país que não conseguiu aprovar um orçamento anual desde 2016 por causa de uma prolongada paralisia política, a necessidade de absorver dinheiro extra repentinamente é um desafio, disseram as fontes.

A Espanha foi especialmente atingida pela pandemia. O país registrou mais de 640 mil casos de Covid-19, o maior número de infecções na Europa Ocidental, e a doença matou mais de 30 mil vidas espanholas.

A economia espanhola despencou 18,5% no segundo trimestre, contração superada na Europa apenas pelo Reino Unido.

Para ajudar a Espanha a se recuperar, o país receberá cerca de 140 bilhões de euros em subsídios e empréstimos do pacote de recuperação do coronavírus da UE, de 750 bilhões de euros.

Isso inclui 43 bilhões de euros em subsídios apenas nos próximos dois anos — o equivalente a cerca de 8% das despesas anuais.

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sexta-feira, 25 de setembro de 2020

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