BÁRBARA SÁ
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
No Brasil, a maior parte dos feminicídios acontece dentro de casa e é cometida pelo parceiro atual ou ex-companheiro. As mulheres negras são as mais afetadas, segundo um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgado recentemente. Em 2025, o país registrou 1.568 feminicídios, o que representa um aumento de 4,7% em comparação ao ano anterior.
O estudo avaliou 5.729 casos de feminicídio entre 2021 e 2024 e revelou que 62,6% das vítimas eram negras, enquanto 36,8% eram brancas. Esses números mostram que a violência contra as mulheres está ligada também às desigualdades raciais e sociais.
Mulheres negras geralmente enfrentam mais dificuldades econômicas e têm menos acesso a serviços públicos de proteção.
A violência ocorre em todas as idades, mas concentra-se principalmente na fase adulta. Entre os casos analisados, 29,4% das vítimas tinham entre 18 e 29 anos, 50% entre 30 e 49 anos, e 15,5% tinham mais de 50 anos.
Na maioria dos crimes, o agressor tem uma relação próxima com a vítima: 59,4% foram mortos pelo parceiro atual e 21,3% pelo ex-parceiro. A grande maioria dos autores dos feminicídios são homens, representando 97,3% dos casos. Apenas 4,9% dos casos foram praticados por desconhecidos.
Casos recentes em São Paulo exemplificam essa realidade. Tainara Souza Santos, 31 anos, faleceu após quase um mês internada devido a um atropelamento e arrastamento por um carro dirigido pelo ex-parceiro Douglas Alves da Silva. Pouco tempo depois, sua amiga Priscila Versão, 22 anos, também foi morta, supostamente pelo ex-companheiro Deivit Bezerra Pereira. Priscila chegou a participar de uma manifestação pedindo justiça para Tainara.
Quanto aos instrumentos utilizados, 48,7% dos feminicídios foram cometidos com armas brancas, como faca ou machado, e 25,2% envolveram arma de fogo.
A diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, explica que esses crimes geralmente acontecem com objetos comuns que estão dentro de casa, como facas de cozinha e machados, reforçando o caráter doméstico da violência.
A residência é o principal local dos feminicídios, ocorrendo 66,3% dentro de casa e 19,2% em vias públicas.
Desde que o feminicídio foi tipificado na lei brasileira em 2015, pelo menos 13.703 mulheres foram assassinadas por razões relacionadas ao gênero, segundo o Fórum. Parte do aumento registrado nos últimos anos se deve a melhorias na forma de registrar esses casos.
A defensora pública de Mato Grosso e pesquisadora em violência de gênero, Rosana Leite Antunes de Barros, destaca o desafio da sociedade em acreditar nas mulheres. Ela ressalta que muitas vezes as vítimas não são levadas a sério e suas histórias são apagadas.
Ela reforça que a gravidade da situação não deve depender de evidências visuais, como vídeos, e que as mulheres precisam de proteção efetiva quando afirmam estar sofrendo violência.

