Cerca de 40% dos casos de câncer podem ser prevenidos, segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O estudo publicado na revista Nature, antes do Dia Mundial do Câncer, revela que 37,8% dos novos casos em 2022, cerca de 7,1 milhões, estavam relacionados a causas que podem ser evitadas.
Especialistas em saúde pública e oncologia destacam a importância de controlar esses riscos para evitar o surgimento do câncer, focando em causas evitáveis, diferente de outros estudos que analisam a mortalidade.
A última pesquisa global da OMS mostra que 44% das mortes por câncer são causadas por fatores evitáveis, embora não tenha incluído infecções nesse cálculo.
Foram considerados 30 fatores de risco que podem ser evitados, incluindo tabaco, álcool, obesidade, sedentarismo, poluição do ar, exposição ao sol e nove tipos de infecção ligados ao câncer.
O tabaco foi identificado como a principal causa evitável de câncer no mundo, responsável por 15% dos casos, seguido pelas infecções (10%) e pelo consumo de álcool (3%).
Quase metade dos cânceres evitáveis está concentrada em três tipos: pulmão, estômago e colo do útero.
O câncer de pulmão está relacionado ao tabagismo e à poluição do ar; o de estômago, associado à bactéria Helicobacter pylori; e o câncer do colo do útero, causado em grande parte pelo Vírus do Papiloma Humano (HPV).
Existem diferenças significativas entre homens e mulheres, assim como entre diferentes regiões do mundo.
A proporção de cânceres evitáveis é maior entre homens do que entre mulheres.
Para os homens, o tabagismo responde por cerca de 23% dos casos novos, seguido por infecções (9%) e álcool (4%).
Nas mulheres, as infecções representam 11%, superando o tabagismo (6%) e a obesidade (3%).
As porcentagens de cânceres evitáveis entre mulheres variam de 24% no norte da África e oeste da Ásia a 38% na África subsaariana.
Entre os homens, a maior proporção está na Ásia oriental (57%) e a menor, na América Latina e Caribe (28%).
Essa análise reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção e controle dos principais fatores de risco para o câncer.
AFP
