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França lascada: efeito ‘coletes amarelos’ deixa as feras à solta

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Greve de caminhoneiros, secundaristas incendiários e movimento para voltar a taxar fortunas criam uma situação infernal para Macron

É preciso fazer um certo esforço para não comemorar as diversas maneiras que Emmanuel Macron está quebrando a cara.

A prepotência do presidente francês, além das ambições de liderança internacional incompatíveis com a realidade, não o tornam uma figura muito simpática. Mas a situação desencadeada a partir da explosão de violência dos “coletes amarelos”, cidadão comuns revoltados com a criação de uma “taxa ecológica” para combustíveis, é prejudicial para toda a França.

Nem a extinção do imposto, um raro recuo de Macron, serviu para acalmar a situação. Ao contrário, as forças do atraso viram a brecha para voltar a pressionar o governo com exatamente as mesmas reivindicações que atravancam o crescimento econômico de um país notavelmente bem posicionado como a França.

O maior símbolo desse regressionismo é o Imposto de Solidariedade sobre Fortunas, uma obsessão francesa que Macron eliminou no ano passado. Ele também estabeleceu uma alíquota única de 30% sobre os ganhos de capital. Por causa disso, passou a ser chamado de “presidente dos ricos”, embora a ideia, universalmente aceita pelo liberalismo econômico, seja incrementar os investimentos na economia e, assim, a criação de empregos.

Só para fazer uma comparação: o PIB americano está bombando justamente porque Donald Trump conseguiu reduzir a carga fiscal das empresas de 35% para 20%, entre outras medidas de incentivo aos investimentos.

O presidente Emmanuel Macron, o ministro do Interior da França, Christophe Castaner, o secretário de Estado Laurent Nunez e o prefeito da polícia de Paris Michel Delpuech chegam para visitar bombeiros e policiais no dia seguinte às manifestação em Paris - 02/12/2018

“Não vou ceder à inveja dos franceses porque esta inveja paralisa o país”, espetou Macron, na época, com certa crueldade – embora expondo com precisão um sentimentos muito arraigado na cultura francesa.. “Meu antecessor taxou os mais ricos e bem sucedidos como nunca antes. E o que aconteceu? Eles foram embora”.

“Não podemos criar empregos sem empreendedores.”

Calcula-se que cerca de 60 mil franceses na faixa atingida pelo ISF deixaram o país desde o ano 2000.

O imposto sobre fortunas foi criado por François Mitterrand em 1982, com consequências deletérias. Jacques Chirac aboliu-o em 1987, mas a coisa voltou no ano seguinte. François Hollande atingiu o ápice. O imposto tem mais um peso simbólico: em 2016, 351 mil domicílios com renda acima de 1,3 milhão de euros, num total de 5 bilhões de euros – menos de 2% da
arrecadação francesa.

Agora, sob o impacto do furor dos “coletes amarelos”, uma ministra de Macron, Marlène Schiappa, da pasta da igualdade entre homens e mulheres – ah, a França – cogitou publicamente que o ISF poderia ser restabelecido. Foi cortada imediatamente pelo presidente – “enfurecido”, segundo descrição de uma fonte próxima.

Macron suspendeu e depois cortou de vez a “taxa ecológica” sob o impacto chocante dos atos de violência cometidos pelos “coletes amarelos”, não mais nas estradas regionais onde concentravam seus protestos, mas no coração de Paris.

Foi um susto tremendo ver o Arco do Triunfo pichado e vandalizado, as avenidas chiques em volta da Étoile cheias de carros queimados, lojas de luxo saqueadas.

Nem a Marianne, a figura feminina que representa a república francesa, escapou. A escultura que fica no Arco do Triunfo, o marco zero da vida cívica francesa, foi vandalizada não pelos infiltrados profissionais de sempre, mas por cidadãos comuns que começaram a fazer protestos pacíficos e terminam gritando “revolução” e botando fogo na Champs Elysées.

Para lembrar: a Marianne já teve os traços de beldades famosas, como Brigitte Bardot, Cathérine Deneuve e a modelo Létitia Casta. “Quebrar a cara” dela, no sentido literal e no simbólico, retrata a típica anomia da turba malta.

Os “coletes amarelos” têm a simpatia da população e um motivo concreto bem fácil de ser explicado – chega de impostos sobre combustíveis! -, mas a bronca sem controle se volta até contra eles mesmos. Representantes indicados para dialogar com o governo sofreram ameaças de morte. Uma prefeitura do interior foi incendiada no “sábado negro”.

E no próximo, o que vai acontecer? Os “coletes” dizem que vão continuar protestando e no mesmo centro de Paris. Vão aderir sindicatos ferroviários, caminhoneiros, produtores rurais e, claro, estudantes, especialmente secundaristas contrários às recentes reformas no ensino.

Parafraseando Mussolini sobre a inocuidade de governar a Itália, seria possível dizer que reformar a França não é difícil, é inútil? Queiram os numes republicanos que não. E que Marianne proteja os pagadores de impostos – aliás, campeões na categoria.

Segundo o mais recente relatório da OCDE, a França passou para o primeiro lugar no quesito peso da carga tributária sobre o PIB: 46,2%. Deixou para trás até a Dinamarca. (No Brasil, é de 33,6%. Nem é preciso comparar o que os brasileiros recebem de volta).

O pior, para os franceses que gostam de ganhar dinheiro e empreender, é que agora nem o Canal da Mancha é a saída mais próxima: o caos sobre o Brexit na Grã-Bretanha não está deixando muitas opções. Se Paris está em chamas, Londres está em transe. Fonte: Portal Veja

 

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Trump diz que Fed não deveria elevar juros

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“Acho que seria insensato, mas o que posso dizer”, disse Trump

Imagem de arquivo de Donald Trump: presidente é contra aumento de juros (Mark Wilson/Getty Images)

Washington – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na terça-feira que será um erro se o Federal Reserve elevar a taxa de juros quando se reunir na próxima semana, como esperado, dando continuidade às críticas ao banco central dos Estados Unidos.

“Acho que seria insensato, mas o que posso dizer”, disse Trump à Reuters em entrevista.

Trump afirmou que precisa da flexibilidade de taxa de juros mais baixa para sustentar a economia dos EUA em meio à batalha comercial conta a China, e potencialmente contra outros países.

“É preciso entender, estamos disputando algumas batalhas e estamos vencendo. Mas preciso de expansão também”, disse ele.

Trump escolheu Jerome Powell como chairman do Fed, mas tem se oposto repetidamente a ele desde que Powell assumiu o comando do banco central norte-americano em fevereiro. Em agosto, Trump disse à Reuters que não estava “animado” com as altas de juros promovidas por Powell. Fonte: Portal Exame

 

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Partido Conservador decide hoje se Theresa May continua no poder

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O presidente do comitê do partido recebeu as 48 mensagens dos deputados para convocar a votação sobre liderança britânica

Theresa May: primeira-ministra britânica terá liderança escrutinada em votação (Simon Dawson/Reuters)

Londres, 12 dez (EFE).- A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, terá que enfrentar nesta quarta-feira uma moção de censura, depois que o Partido Conservador recebeu as cartas necessárias para iniciar esse processo, anunciou o Comitê 1922, que reúne este grupo na Câmara dos Comuns.

O presidente do comitê, Graham Brady, recebeu as 48 mensagens necessárias dos deputados para convocar a votação.

Brady comunicou que a votação será realizada hoje, entre 18h e 20h (horário local, 16h e 18h de Brasília), na sala número 14 da Câmara Baixa, mas se Theresa May vencer a votação, não poderá ser realizado no período de um ano outro processo similar interno, de acordo com as regras do partido.

“Os votos serão contados imediatamente depois e o resultado será anunciado quando possível esta noite”, acrescentou.

No entanto, se a premier perder a votação, o partido no poder iniciará um processo interno para escolher um novo líder.

As cartas foram enviadas no meio da crise que vive o governo pela decisão de Theresa May de atrasar a importante votação que aconteceria ontem sobre o acordo do “brexit” nos Comuns.

A primeira-ministra conservadora decidiu adiar a votação, que ela tinha grandes chances de perder, dada a rejeição que o pacto gerou entre os “tories” eurocéticos e muitos da oposição.

Diante desta situação, a primeira-ministra iniciou ontem intensos contatos com líderes europeus com o objetivo de conseguir algum tipo de concessão da União Europeia (UE) que permita que o acordo ultrapasse o processo parlamentar em Londres.

Após conhecer o anúncio, o ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Jeremy Hunt, afirmou em sua conta do Twitter que apoiará Theresa May, pois ela está realizando “atualmente o trabalho mais difícil” e acrescentou que “a última coisa que o país precisa é um processo (interno) longo e prejudicial”.

“O ‘brexit’ nunca seria fácil, mas ela é a melhor pessoa para garantir que deixemos a UE no dia 29 de março”, afirmou Hunt.

Os eurocéticos manifestaram sua oposição ao acordo do “brexit” por referência à salvaguarda destinada a evitar uma fronteira física entre as duas Irlandas. Fonte: Portal Exame

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Terremoto atinge região de Magallanes e Antártica no Chile

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Terremoto de magnitude 5,2; ainda não há informações sobre vítimas ou danos materiais

Bandeira do Chile: abalos atingem região do país (Jorisvo/Thinkstock)

Santiago do Chile – Um terremoto de magnitude 5,2 na escala Richter na terça-feira a região de Magallanes e Antártica Chilena, no Chile, mas até o momento não há informações sobre vítimas ou danos materiais.

De acordo com o Centro Sismológico Nacional da Universidade do Chile, o tremor foi sentido às 21h32 (hora local) e seu epicentro estava localizado a 167 quilômetros de Puerto Edén e 1.771 quilômetros de Santiago.

O hipocentro, por sua vez, foi localizado a 37,6 quilômetros de profundidade.

Nas últimas 24 horas, o instituto sismológico relatou 12 terremotos de magnitudes entre 3,1 e 5, a maioria no norte do Chile. EFE. Fonte: Portal Exame

 

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