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Álcool e gestação: nada a ver! Vamos mudar o final desta novela!

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O cérebro do feto é o órgão mais suscetível aos efeitos da exposição pré-natal ao álcool

A média de consumo das grávidas pesquisadas foi de 163,7g de álcool nos nove meses de gestação

A Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), pouco conhecida dos brasileiros é uma das principais causas de anomalias fetais.

No capítulo da última quinta-feira 11 de outubro, na véspera do “Dia das Crianças”, a novela “Segundo Sol”, da Rede Globo, exibiu uma cena em que a personagem “Rosa” (Letícia Colin), grávida, para em um boteco durante a noite e começar a beber até desmaiar.

Na novela, o “porre” parece não ter tido nenhuma consequência para a saúde da gestante e do feto. Mas na vida real a situação é bem mais complicada e pode ter consequências irreversíveis. Estamos falando da Síndrome Alcoólica Fetal(SAF), pouco conhecida dos brasileiros, mas uma das principais causas de anomalias fetais, com repercussões para a vida toda, principalmente para quem sofreu os efeitos do “porre” passivamente, ou seja, o feto, mas também para toda a família e a sociedade.

A ingestão de álcool na gravidez coloca o feto e o futuro indivíduo em alto risco!

O álcool é historicamente reconhecido como um potente agente causador de ruptura do desenvolvimento normal do embrião e do feto. Ele compromete o fluxo sanguíneo para a placenta, além de circular livremente por todos os compartimentos líquidos do corpo, fazendo com que na gestação o líquido amniótico permaneça impregnado de álcool, e assim, a concentração de álcool é a mesma na gestante e no feto.

Para o feto ainda pior, pois este possui metabolismo e mecanismos de desintoxicação mais lentos que os de um indivíduo adulto. O cérebro do feto é o órgão mais suscetível aos efeitos da exposição pré-natal ao álcool, uma vez que todos os trimestres da gestação são críticos para o seu desenvolvimento. Em 1973, a SAF foi definida do ponto de vista médico como uma condição irreversível caracterizada por anomalias craniofaciais típicas, deficiência de crescimento intra e extrauterino, disfunções do sistema nervoso central (incluindo anormalidades neurológicas, alterações comportamentais, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e deficiência intelectual) além de várias malformações associadas, principalmente cardíacas, oculares, renais e de coluna vertebral.

Como evitar que seu filho tenha SAF?

Em primeiro lugar é importante alertar para o fato de que 50% das gestações não são planejadas. Assim, quando a mulher vem a saber que está grávida, já está na quarta ou quinta semana de gestação, o que eleva a possibilidade de exposição fetal ao álcool mesmo nas mulheres que compreendem os riscos da ingestão de álcool na gravidez.

Portanto, é recomendado que as mulheres em idade reprodutiva que ingerem bebidas alcoólicas ocasionalmente ou habitualmente, conversem sempre com o(a) ginecologista sobre o assunto, e peçam orientação sobre métodos anticoncepcionais, no intuito de evitar gestações não planejadas. É fundamental suspender a ingestão de álcool não só quando uma gravidez está confirmada, mas em qualquer suspeita de gravidez.

Qual a dose mínima de ingestão de álcool segura na gestação?

Até o momento não foi estabelecida nenhuma dose segura para ingestão de álcool durante a gestação, em nenhum período da mesma. Existem casos em que um único drinque levou a SAF. Na dúvida se uma dose pequena pode ou não ser inócua, a recomendação mundial é que mulheres em idade fértil que estejam planejando engravidar, ou aquelas que já estejam grávidas, se abstenham completamente da ingestão de álcool, em qualquer quantidade, em qualquer etapa da gestação.

Há riscos para a própria gestante que ingere álcool?

Sim, o consumo de álcool também traz problemas à própria gravidez, com elevação do risco de abortos, descolamento prematuro de placenta, hipertonia uterina e parto prematuro. Em sua tese de mestrado a Psicóloga Sheila Carla de Souza, orientada pelo Médico Geneticista Decio Brunoni, investigou em um município da Grande São Paulo, 71 gestações de 16 mulheres alcoolistas, e detectou 3 filhos nascidos mortos, 4 abortos espontâneos, e 5 abortos provocados.

Claro que a maioria das mulheres que ingerem álcool na gestação não são alcoolistas, e, portanto, o reconhecimento do perfil de mulheres que fazem uso inadequado do álcool durante a gestação deveria ser utilizado para priorizar ações de educação em saúde voltadas para parcela da população mais vulnerável. Além disso, considerando que o risco de repetição de SAF em futuras gestações da mesma gestante é em torno de 50 a 75%, identificar consumo abusivo de álcool entre mulheres em idade fértil é muito importante como medida de prevenção de novos casos de SAF em futuras gestações.

Como reconhecer SAF após o nascimento?

Na prática médica, identificar com segurança que os problemas de saúde de uma pessoa são consequências da SAF não é uma tarefa fácil, em especial quando as mães não informam que ingeriram bebida alcoólica na gestação ou quando consideram que a ingestão de dose pequena nem precisaria ser mencionada aos médicos.

Quando uma pessoa com SAF apresenta sinais físicos, entre eles retardo de crescimento e peso, microcefalia, fissuras palpebrais estreitas, filtro nasal longo, sulco nasal liso e lábio superior fino, um médico especializado consegue fazer o diagnóstico de SAF, mesmo que não haja uma história clara de ingesta de álcool pela mãe quando gestante. Porém a maior parte dos indivíduos com SAF não apresenta estes sinais físicos, mas sim as consequências a médio e longo prazo sobre o comportamento e a inteligência.

Os sinais e sintomas da SAF são variados (‘espectro”), desde sinais sutis e inespecíficos, até óbitos fetais e quadros devastadores. Estão dentro do espectro das consequências da SAF muitos indivíduos com déficits intelectuais, com coeficiente de inteligência médio na faixa limítrofe, deficiências em diferentes componentes da função executiva e da atenção, deficiências no processamento de informações e no processamento numérico, deficiências no raciocínio espacial, na memória visual, na linguagem e nas funções motoras. Como se não bastassem tão amplas e severas consequências, recai sobre a mãe, os afetados e seus familiares a espada cruel da estigmatização.

Tendo a SAF ocorrido, é fundamental, ao invés de simplesmente “carimbar” o paciente com o diagnóstico de SAF, iniciar um processo amplo e multidisciplinar de intervenção precoce, no intuito de melhorar a performance cognitiva e comportamental do indivíduo, tentando o melhor ajuste possível dentro da família, na escola, e junto a sociedade.

Quando as anomalias congênitas, incluindo a SAF, serão finalmente consideradas um problema de saúde pública prioritária no brasil?

Há 20 anos, as Anomalias Congênitas passaram a ser a segunda maior causa de mortalidade infantil no Brasil. Desde 2015, as Anomalias Congênitas correspondem à principal causa de morte infantil nos estados das regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste — com exceção de Minas Gerais e Goiás, onde ocupam o segundo lugar. No Norte já é a principal causa de mortalidade infantil em Amazonas e Rondônia, e segunda maior causa nos outros estados. No Nordeste já é a principal causa de mortalidade infantil em Pernambuco e Paraíba, e segunda maior causa nos outros estados.

Some-se as dificuldades de gestão da Saúde, culturais e diagnósticas, ao fato que dados epidemiológicos sobre a SAF e outras anomalias congênitas no Brasil são pouco confiáveis, e pode-se compreender que devem existir em nosso país muito mais casos de SAF do que se imagina. Um trabalho recente coordenado pela Médica Geneticista e pesquisadora Debora Gusmão Melo, demonstrou mais uma vez que no Brasil os riscos de SAF são alarmantes!

A pesquisadora e seu grupo entrevistaram 818 gestantes no município de São Carlos, localizado no centro geográfico do Estado de São Paulo. Aplicando um questionário para identificar o padrão de consumo alcoólico das mulheres, identificaram 7,3% das gestantes como consumidoras de álcool. No estudo de São Carlos, 107 gestantes convidadas recusaram-se a participar, o que representou uma frequência de não consentimento de 11,6%.

As recusas foram principalmente atribuídas a cansaço, dores relacionadas ao puerpério e ocupação com atividades maternas, no entanto, é possível que também tenham colaborado para uma menor prevalência de consumo de álcool na amostra investigada. As mulheres temem a falta de sigilo, o estigma do diagnóstico de alcoolista e até mesmo repercussões legais como a perda da guarda dos filhos. A pesquisa identificou que as mulheres mais susceptíveis ao consumo de álcool na gravidez são aquelas sem companheiro fixo.

Outros estudos realizados no Brasil, com diferentes metodologias e em outras localidades, estimam a frequência de consumo de álcool ainda maior, em torno de 10% a 40% das gestantes!!

A SAF é totalmente prevenível e considerada a principal causa de deficiência intelectual e comportamental em humanos!

Como trata-se de uma condição totalmente evitável, e que já é considerada a principal causa de deficiência intelectual e comportamental em humanos, preveni-la, sem sombra de dúvida, seria a estratégia mais eficiente e menos cara, visto que por envolver atendimento médico, psicológico, social e ações legais, o cuidado com os indivíduos com SAF implica em custos muito elevados para o sistema de saúde, para as famílias e para a sociedade em geral.

A mensagem é clara: No que se refere a ingestão de álcool, não existe dose segura, nem momento de gestação seguro, ou tipo de bebida alcoólica segura durante a gravidez ou quando a mulher está tentando ficar grávida ou em idade reprodutiva sem uso de anticoncepção. Simples assim. Na dúvida, em prol do feto!!!

O importante papel das sociedades de especialidades médicas e da mídia na educação em saúde no Brasil

Cientes do grave problema de saúde pública que é a SAF, de que os gestores de Saúde ainda não conseguiram visualizar o tamanho deste problema, e de que ao contrário de outras drogas a ingestão de álcool é lícita no Brasil, várias Sociedades de Especialidades Médicas vem fazendo seu papel na luta contra a SAF, com brilhantismo e união.

A Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, a Sociedade de Pediatria de São Paulo e a Sociedade Brasileira de Pediatria, uniram forças e lançaram em parceria a segunda edição do livro “Efeitos do Álcool na Gestante, no Feto e no Recém-Nascido”. O objetivo da publicação foi atualizar para os médicos de todo o Brasil as informações mais recentes sobre a SAF.

Para conscientizar a população sobre os riscos da ingestão de álcool durante a gravidez, a Sociedade Brasileira de Pediatria divulgou um mês atrás uma série de vídeos informativos em alusão ao Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcóolica Fetal, lembrado em 9 de setembro.

A iniciativa faz parte da campanha “Gravidez Sem Álcool”, iniciada pela Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) e promovida nacionalmente pela Sociedade Brasileira de Pediatria, desde 2017. Fundado em 1990, o SIAT ( Sistema Nacional de Informação sobre Agentes Teratogênicos) é um projeto público do Departamento de Genética e do Programa de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Presta atendimento de altíssima qualidade e confiabilidade, gratuito, tanto para a comunidade como para profissionais da área médica. O site gravidez-segura.org é mantido pelo SIAT, e a página sobre SAF pode ser acessada em http://gravidez-segura.org/alcool.php.

Já a Sociedade Brasileira de Genética Médica e Molecular, alerta e preocupadíssima com a mensagem subliminar errada que a cena da novela pode passar (“os efeitos de um “porre” em uma mulher grávida se encerram quando os efeitos do álcool cessam em quem ingeriu”), imediatamente lançou esta semana uma Nota de esclarecimento à população, em seu site e em suas redes sociais.

Os materiais educativos das Sociedades de Especialidades já foram e serão vistos e lidos por centenas, talvez milhares de pessoas. Porém a novela das 21 horas da Rede Globo é tradicionalmente o programa de maior Ibope na Televisão brasileira. O capítulo no qual a gestante se embriagou foi visto por cerca de 26 milhões de pessoas em 9,3 milhões de lares…

“Segundo Sol” ainda tem quatro semanas para chegar ao fim. O último capítulo será exibido no dia 9 de novembro, e a Rede Globo ainda tem tempo de usar o seu enorme potencial de alcançar a casa de milhões de futuras gestantes, e passar a mensagem correta. Será que o filho da personagem “Rosa” vai nascer com a Síndrome Alcoólica Fetal, e então milhões de brasileiros passarão a compreender o perigo da ingestão de álcool na gravidez? Ou será que o filho da personagem vai nascer saudável, sinalizando que a ingestão de bebida alcoólica na gestação é inócua? A novela logo acaba, mas no dia seguinte a vida real continua!

Salmo Raskin

Quem faz Letra de Médico

Adilson Costa, dermatologista
Adriana Vilarinho, dermatologista
Ana Claudia Arantes, geriatra
Antonio Carlos do Nascimento, endocrinologista
Antônio Frasson, mastologista
Artur Timerman, infectologista
Arthur Cukiert, neurologista
Ben-Hur Ferraz Neto, cirurgião
Bernardo Garicochea, oncologista
Claudia Cozer Kalil, endocrinologista
Claudio Lottenberg, oftalmologista
Daniel Magnoni, nutrólogo
David Uip, infectologista
Edson Borges, especialista em reprodução assistida
Fernando Maluf, oncologista
Freddy Eliaschewitz, endocrinologista
Jardis Volpi, dermatologista
José Alexandre Crippa, psiquiatra
Ludhmila Hajjar, intensivista
Luiz Rohde, psiquiatra
Luiz Kowalski, oncologista
Marcus Vinicius Bolivar Malachias, cardiologista
Marianne Pinotti, ginecologista
Mauro Fisberg, pediatra
Miguel Srougi, urologista
Paulo Hoff, oncologista
Raul Cutait, cirurgião
Roberto Kalil, cardiologista
Ronaldo Laranjeira, psiquiatra
Salmo Raskin, geneticista
Sergio Podgaec, ginecologista

Fonte: Portal Veja

 

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Saúde

Novo estudo pode decepcionar entusiastas da vitamina D

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Pesquisa com mais de 25 mil pessoas não encontrou resultados significativos

São Paulo – Considerada uma grande aliada recente nos cuidados com a saúde, a vitamina D é vendida como um suplemento capaz de fortalecer os ossos, prevenir obesidade, diabetes e até evitar ataques cardíacos e doenças auto-imunes. Uma pesquisa recente, publicada no anuário da Associação Americana do Coração, pode decepcionar os entusiastas dos altos potenciais da vitamina D.

Há algum tempo, os pesquisadores já sabem que passar um longo período com níveis baixos de vitamina D no sangue pode aumentar os riscos de ataque cardíaco, derrame, insuficiência cardíaca e batimento cardíaco irregular, conhecido como fibrilação atrial.

Uma equipe da Escola de Medicina de Harvard decidiu testar o efeito do aumento dos níveis da vitamina no sangue por meio de suplementação e concluiu que não há diferença significativa na redução do risco de câncer ou ataque cardíaco entre quem costuma ingerir vitamina D por suplementos e quem permanece apenas com a alimentação regular.

O estudo clínico, chamado VITAL, acompanhou mais de 25 mil homens (com mais de 50 anos) e mulheres (com mais de 55) por seis anos. Um grupo ingeriu suplementos de vitamina D diariamente, e o outro era administrado com pílulas de efeito placebo. Ao longo do acompanhamento, 396 participantes que tomavam vitamina D tiveram ataque cardíaco, derrame ou morte por doença cardiovascular, e 793 foram diagnosticados com algum tipo de câncer invasivo (como mama, próstata e colorretal). Já no grupo do placebo, 409 tiveram doenças do coração e 824 desenvolveram um câncer invasivo.

O ligeiro aumento do número de casos no segundo grupo não é significativo para afirmar que a vitamina D tenha algum efeito nas doenças analisadas. Embora estudos anteriores já comprovem esse resultado, a nova pesquisa traz uma análise em escala bem mais ampla.

Falta de vitamina D indica saúde pobre no geral

Um segundo estudo, conduzido na Nova Zelândia e publicado em outubro, investigou os efeitos da vitamina na saúde dos ossos, como a prevenção de fraturas e melhoria da densidade óssea. Os resultados também mostraram que a suplementação não é capaz de apresentar diferenças positivas.

O que parece acontecer, segundo os pesquisadores ligados ao tema, é que a baixa de vitamina D em um organismo indica apenas que uma pessoa está em um estado de saúde que exige atenção. Adotar uma alimentação balanceada e manter a saúde estável ainda parece ser a melhor maneira de prevenir problemas.

Fonte: Portal Exame

 

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Saúde

Grupo de médicos cubanos luta na Justiça por trabalho no Brasil

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Grupo de ao menos 150 médicos do programa moveu ações contra o Ministério da Saúde, o governo cubano e a Organização Panamericana de Saúde

Profissionais cubanos do Mais Médicos participam de palestra na Bahia

Especialistas do Mais Médicos (foto de arquivo): com a decisão de Cuba de sair do programa, mais profissionais devem tentar permanecer no Brasil.

Pelo menos 150 médicos cubanos desertores do programa federal lutam na Justiça para poder clinicar no Brasil de forma independente, fora do acordo entre Brasil e Cuba, ganhando salário integral. Esse grupo de profissionais moveu ações contra o Ministério da Saúde, o governo cubano e a Organização Panamericana de Saúde (Opas), segundo o advogado André de Santana Corrêa, que defende os estrangeiros.

Ele diz que, com a decisão de Cuba de sair do Mais Médicos, mais profissionais devem tentar permanecer no Brasil. “Desde ontem (anteontem, quarta-feira, 14), recebi muitas ligações de interessados em entrar com processo para ficar no Brasil”, afirmou.

De acordo com o advogado, o principal argumento usado é o respeito ao princípio da isonomia. “Por que eles recebem um salário menor que os outros estrangeiros se fazem exatamente o mesmo trabalho que os outros médicos?”, questionou o defensor.

Do total de ações movidas por ele, cinco já tiveram liminares favoráveis aos médicos. “O problema é que quando chega nas instâncias superiores, indeferem porque sabem que causaria colapso econômico ao governo ter que pagar o salário integral a todos os médicos”, disse.

O cubano R. abandonou o programa em 2017 e foi um dos que entraram na Justiça para tentar trabalhar como médico fora do acordo de cooperação. “Não achava justo ficarmos apenas com 25% do salário. Além disso, casei com uma brasileira e tive um filho. Queria continuar aqui”, disse ele, que hoje vive em um município da região Norte. Enquanto espera a resposta judicial, sobrevive com a renda de um pequeno comércio que montou na cidade com a esposa.

R. diz que, por ter abandonado o programa, é considerado um desertor pelo governo cubano e está impedido de entrar em seu país pelos próximos oito anos. “Tenho um filho lá e não posso visitá-lo nem tenho condições financeiras para trazê-lo”, contou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Saúde

Saiba por que músicas natalinas podem prejudicar sua saúde mental

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As canções de Natal podem ser um lembrete constante dos problemas de fiM de ano, como gasto com presentes e dívidas

O período das festas de fim de ano – Natal e Ano-Novo –  é quando fazemos um balanço da vida, pensamos nos momentos felizes com pessoas queridas e planejamos o futuro. Para algumas pessoas, essa é a época favorita do ano, especialmente por causa dos presentes e das reuniões familiares. As músicas natalinas também fazem parte do pacote especial uma vez que estimulam a nostalgia e despertam para o clima festivo.

Entretanto, segundo especialistas, a repetição incessante das canções de Natalcomo Bate o Sino, Então é Natal, Noite Feliz, We Wish You A Merry Christmas” e o clássico Jingle Bells, pode ser prejudicial à saúde mental. O contato repetitivo com essas músicas pode gerar aborrecimentos, tédio e até angústia.

“Acho que no começo a música natalina é boa, nostálgica e me deixa no espírito natalino. Mas depois ela fica velha e pode parecer uma estratégia comercial para me estimular a comprar até não restar mais um centavo no meu bolso”, comentou a escritora americana Shana McGough à rede americana NBC.

Nem tudo é festa

A explicação para esse fenômeno está na supersaturação do cérebro, que fica exausto de receber as mesmas informações (nestes caso, as mesmas músicas) o tempo todo. Isso dificulta a capacidade de concentração, já que remete constantemente ao Natal e aumenta dificuldade de pensar em outro assunto que não esteja relacionado a esse momento.

Além disso, apesar de o Natal ser um período feliz e de confraternização, o evento também pode trazer à mente os gastos extras com presentes, festas e viagens, assim como as obrigações que virão no início do próximo ano (IPTU, IPVA, etc).

Essas inquietações despertadas pelas músicas festivas podem reforçar o stressem vez de aliviá-lo. “Indivíduos que já estão estressados por causa das preocupações de final de ano, pensando em dinheiro, viagem ou encontrar parentes, podem considerar as músicas como uma notificação indesejada”, disse Victoria Williamson, da Universidade de Londres, na Inglaterra, à NBC.

Uma pesquisa realizada pelo Consumer Reports descobriu que 23% dos entrevistados temiam canções natalinas, enquanto 37% das pessoas pensavam nas dívidas que iriam adquirir. Os dados ainda mostraram que 12% das pessoas detestavam o “ter que ser legal” durante as festas de final de ano – sensação estimulada não só pelas festividades, mas pelas melodias que pregam a afeição, a generosidade e amor ao próximo, por exemplo.

A notícia também é ruim para os lojistas: o ritmo musical constante pode atrapalhar o rendimento dos funcionários e irritar os consumidores, especialmente se as canções mais aceleradas tendem a afastar os clientes. “Certos tipos de música são mais eficazes do que outros. Melodias lentas desaceleram os consumidores, o que significa que eles permanecerão nas lojas por mais tempo”, explicou Eric Spangenberg, professor de marketing, à NBC.

Fadiga sensorial

Ouvir as mesmas músicas natalinas durante toda a temporada pode induzir à fadiga sensorial, causada pelo excesso de informações visuais e auditivas. Apesar de ser um problema que afeta especialmente o cérebro, promovendo stress, os sinais também podem ter manifestações físicas, como dores de cabeça, desconforto gástrico, diarreia, constipação, perda de apetite e insônia. Para evitar essas consequências, tente não exagerar na playlist natalina.

No caso do comércio, que precisa chamar a atenção do consumidor, os especialistas sugerem variar a lista de reprodução e manter o volume sob controle. Também é possível investir em aromas, como pinheiro e canela, que despertam o olfato e ajudam a conjurar emoções felizes.

Fonte Portal Veja

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