JULIA CHAIB
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS)
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou mais uma vez em sua rede social Truth Social, na noite de terça-feira (8), uma mensagem em defesa do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro.
“Deixem o grande ex-presidente do Brasil em paz. CAÇA ÀS BRUXAS!!!”, escreveu Trump, usando letras maiúsculas para enfatizar.
Essa fala foi um reforço à mensagem que ele compartilhou na segunda-feira (7), também sobre o Brasil. Naquela ocasião, Trump falou sobre uma “caça às bruxas” e defendeu que qualquer julgamento sobre Bolsonaro deveria acontecer através do voto do povo brasileiro.
“Isso é nada mais que um ataque a um adversário político — algo que eu entendo muito bem! Passei por isso dez vezes pior, e hoje nosso país está muito tenso!”, explicou o presidente dos EUA, sem nomear a pessoa, nesta crítica.
“O povo brasileiro não vai aceitar o que fazem com seu ex-presidente. Estarei atento à perseguição contra Bolsonaro, sua família e milhares de seus apoiadores. O único julgamento válido é o realizado nas urnas. Isso é eleição. Deixem Bolsonaro em paz”, frisou Trump na primeira publicação.
Em resposta, o presidente Lula declarou que o Brasil é soberano e não aceita interferências externas em suas decisões políticas. “A defesa da democracia no Brasil é responsabilidade dos brasileiros”, afirmou em nota.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também criticou a declaração do americano, dizendo que o processo judicial brasileiro não pode ser influenciado do exterior.
Essa movimentação de Trump acontece em meio à pressão de apoiadores de Bolsonaro que desejam que os Estados Unidos apliquem sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do STF. A estratégia conta com aliados próximos a Trump, como o ex-assessor Jason Miller.
Figuras ligadas a Trump, como o ideólogo da extrema direita Steve Bannon, afirmam que a única maneira de evitar sanções seria se as acusações contra Bolsonaro fossem arquivadas. Eles enxergam uma tentativa do Judiciário brasileiro para favorecer o governo Lula.
Bolsonaro está inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral e enfrenta um processo no STF, acusado de planejar um golpe nas eleições de 2022.
Apesar da pressão internacional, ministros do STF garantem que o processo continuará normalmente e que o julgamento de Bolsonaro deve ocorrer entre agosto e setembro.

