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Trabalhadores nascidos em abril podem sacar auxílio emergencial

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Parcela foi depositada em 24 de setembro

Prédio da Caixa Econômica Federal© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Trabalhadores informais e inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) nascidos em abril podem sacar, a partir de hoje (6), a sexta parcela do auxílio emergencial 2021. O dinheiro foi depositado nas contas poupança digitais da Caixa Econômica Federal em 24 de setembro.

Os recursos também podem ser transferidos para uma conta corrente, sem custos para o usuário. Até agora, o dinheiro apenas podia ser movimentado por meio do aplicativo Caixa Tem, que permite o pagamento de contas domésticas (água, luz, telefone e gás), de boletos, compras em lojas virtuais ou compras com o código QR (versão avançada do código de barras) em maquininhas de estabelecimentos parceiros.

Em caso de dúvidas, a central telefônica 111 da Caixa funciona de segunda a domingo, das 7h às 22h. Além disso, o beneficiário pode consultar o site auxilio.caixa.gov.br.

O auxílio emergencial foi criado em abril do ano passado pelo governo federal para atender pessoas vulneráveis afetadas pela pandemia de covid-19. Ele foi pago em cinco parcelas de R$ 600 ou R$ 1,2 mil para mães chefes de família monoparental e, depois, estendido até 31 de dezembro de 2020 em até quatro parcelas de R$ 300 ou R$ 600 cada.

Neste ano, a nova rodada de pagamentos, durante sete meses, tem parcelas de R$ 150 a R$ 375, dependendo do perfil: as famílias, em geral, recebem R$ 250; a família monoparental, chefiada por uma mulher, recebe R$ 375; e pessoas que moram sozinhas recebem R$ 150.

Regras

Pelas regras estabelecidas, o auxílio é pago às famílias com renda mensal total de até três salários mínimos, desde que a renda por pessoa seja inferior a meio salário mínimo. É necessário que o beneficiário já tenha sido considerado elegível até o mês de dezembro de 2020, pois não há nova fase de inscrições. Para quem recebe o Bolsa Família, continua valendo a regra do valor mais vantajoso, seja a parcela paga no programa social, seja a do auxílio emergencial.

O programa se encerraria com a quarta parcela, depositada em julho e sacada em agosto, mas foi prorrogado até outubro, com os mesmos valores para o benefício.

A Agência Brasil elaborou um guia de perguntas e respostas sobre o auxílio emergencial. Entre as dúvidas que o beneficiário pode tirar estão os critérios para receber o benefício, a regularização do CPF e os critérios de desempate dentro da mesma família para ter acesso ao auxílio. Agência Brasil

Economia

Guedes decide reestruturar equipe e criar nova secretaria especial

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O atual secretário da Receita, José Barroso Tostes Neto, deve ser nomeado para o cargo de adido do governo brasileiro na OCDE, em Paris

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Economia, Paulo Guedes, decidiu promover uma reestruturação na equipe da pasta, incluindo uma substituição no comando da Receita Federal e a criação de uma nova secretaria especial para reunir setores e órgãos relacionados a estudos econômicos, informou uma fonte com conhecimento do assunto.

O atual secretário da Receita, José Barroso Tostes Neto, deve ser nomeado para o cargo de adido do governo brasileiro na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris. Ainda não há decisão fechada sobre quem assumirá o comando da Receita, mas a tendência é que seja um nome de dentro do Fisco.

Na segunda-feira (29), a assembleia geral do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco) aprovou uma moção de desconfiança a Tostes. O documento critica o secretário por, segundo o sindicato, se omitir em temas como a reposição de postos de auditores e a regulamentação de teletrabalho.

Um membro do ministério afirma que não há relação direta entre esse episódio e a substituição do secretário.

Entre as mudanças definidas por Guedes, está a criação da Secretaria Especial de Estudos Econômicos, que reunirá o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Secretaria de Política Econômica (SPE) e parte da Secretaria de Produtividade e Competitividade. A nova estrutura será comandada pelo atual secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida.

Em outra alteração, o atual secretário de Produtividade e Competitividade, Carlos da Costa, deve ser enviado para a embaixada do Brasil em Washington. Ele ocupará posto a ser criado de adido comercial do Ministério da Economia.

Para substituir Costa, também deve ser encontrada uma solução interna na pasta. O relato de uma fonte é que seria muito difícil trazer profissionais do setor privado para trabalhar no ministério às vésperas de ano eleitoral.

Procurado, o Ministério da Economia não comentou.

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Economia

Metade dos donos de bares e restaurantes está em débito com o governo

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Se saírem do Simples Nacional, muitos negócios ficam inviabilizados pela carga tributária; setor busca aprovação do Refis da Covid na Câmara

(Pilar Olivares/Reuters)

Em um setor em que quase todos os empresários estão enquadrados no Simples Nacional, 46% dos bares e restaurantes estão em atraso com os pagamentos e 84% desses temem ser desenquadrados do regime por conta disso. O pedido mais urgente é pelo Refis da Covid, que espera apreciação da Câmara dos Deputados desde agosto.

A pesquisa foi feita pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) entre os dias 17 e 26 de novembro com 1.315 empresários e publicada pelo O Globo.

Matheus Daniel é um dos empresários que estão em débito com o Simples. Ele mantém há 12 anos, junto com sua mãe, a marmitaria BH, um restaurante que trabalha com delivery na capital de Minas Gerais.

A história dele nesses últimos dois anos é de frustração. Logo no início de 2020, eles haviam feito um investimento grande para expandir a cozinha e melhorar o atendimento, mas não contavam com a chegada da pandemia. Em março de 2020, a primeira parcela do Simples ficou para trás.

“A gente descapitalizou totalmente, nós passamos de seis para dez funcionários na época que inauguramos e logo depois veio a pandemia. Por estarmos descapitalizados, já não conseguimos pagar o Simples do mês de fevereiro”, conta o empresário, que até hoje tem faturamento 40% inferior ao da pré-pandemia.

Ele conta que sem o Refis, o negócio que sustenta a família fica inviabilizado para 2022.

“Não conseguimos mais ter o faturamento que tínhamos, caiu em torno de 40% e isso inviabiliza. Se formos desenquadrados, sinceramente não sei, é quase melhor fechar e procurar emprego”, disse.

O projeto, que foi aprovado pelo Senado em agosto, prevê a possibilidade de parcelamento de débitos tributários em até 144 vezes (12 anos), além de desconto de até 90% nos juros e multas.

O texto ainda estabelece que empresas que tiveram mais perdas no faturamento tenham descontos maiores.

Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, defendeu a aprovação rápida do Refis porque caso as empresas saiam do Simples, elas terão uma carga muito maior de impostos a pagar, além do que já está atrasado.

Segundo Solmucci, a não aprovação do Refis causaria uma grande insolvência no setor, porque 35% das empresas já estão operando no prejuízo e outras 35% no equilíbrio.

“Essas que estão no equilíbrio vão todas cair no prejuízo, dois terços das empresas em situação de prejuízo é obviamente uma coisa que não se sustenta”, pontuou.

A pesquisa da Abrasel mostra que a situação melhorou em relação ao resto do ano, mas o setor ainda vê dificuldades. Dos empresários ouvidos, 39% terão dificuldade de pagar o 13º e 22% das que pegaram empréstimos, estão com o pagamento atrasado.

Notificações

Segundo a Receita Federal, 440.500 empresas foram notificadas em setembro de que poderiam ser desenquadradas do Simples por conta da inadimplência. Elas teriam até a primeira quinzena de dezembro para regularizar com pagamento à vista ou parcelamento ordinário em até 60 meses.

Caso o débito for com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), há mais opções para quitar a dívida, com desconto de até 100% nos acréscimos legais e prazo ampliado de até 133 meses, entrada facilitada ou, se for um pequeno valor, desconto de até 50% sobre o total.

Ana Cláudia Utumi, especialista em direito tributário da Utumi Advogados, explica que caso o negócio seja desenquadrado do Simples, ele poderia voltar só no outro ano se estiver cumprindo as condições para o enquadramento. Ou seja, seria um ano inteiro de pagamento de impostos com alíquota mais alta por empresas que já estavam com dificuldades.

“A Câmara dos Deputados deveria levar adiante, seria uma ajuda importante para retomada dos negócios, porque as dívidas tributárias podem causar uma série de inconvenientes que no limite podem acabar travando os negócios”, disse.

Outra empresária que está vivendo a incerteza para o próximo ano é Lorenna Bezerra. Dona da Galeto Cuiabano, na capital do Mato Grosso, ela sofreu perdas de faturamento durante a pandemia, precisou demitir, e só está conseguindo retomar neste final de ano.

Nesse período, ela conta que precisou priorizar algumas contas em detrimento de outras e preferiu deixar os pagamentos de funcionários em dia a pagar os impostos. Agora, ela está analisando se precisará dar um jeito de quitar todas as obrigações neste ano ou se espera para ver a ação do Congresso. Sem o Simples, ela conta que terá de fechar a empresa.

“A gente tem de ver se vai para o lucro real, presumido, se faz o Simples, se pega mais dinheiro emprestado para pagar imposto. A grande dificuldade disso é que vai virando uma bola de neve”, disse.

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Economia

Previsão de que Brasil não vai crescer em 2022 é equívoco, diz Guedes

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Paulo Guedes defendeu que os economistas estão sistematicamente errando seus prognósticos sobre o Brasil

Marcos Corrêa/PR (Fotos Públicas)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quinta-feira que previsões de que o Brasil não vai crescer em 2022 são um equívoco e “conversa de maluco”, embora tenha reconhecido que haverá desaceleração em meio ao avanço de preços na economia.

“Vamos crescer um pouco menos porque vamos estar combatendo inflação”, disse ele, em palestra em evento sobre os dez anos de concessões aeroportuárias no país.

Nesta manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou contração de 0,1% para a economia no terceiro trimestre, abaixo da estabilidade esperada para o período, resultado que na visão de muitos agentes reforça a perda de ímpeto da atividade.

A leitura é de que o cenário para o ano que vem fica ainda mais turvo em meio a incertezas políticas e fiscais e diante da perspectiva de juros básicos mais altos para conter a inflação, o que já levou alguns bancos a projetar queda do PIB em 2022.

Guedes, no entanto, defendeu que os economistas estão sistematicamente errando seus prognósticos sobre o Brasil. Ele avaliou ainda que há muitos que estão fazendo atividade política “disfarçados” de economistas.

“Vai crescer de qualquer jeito, pergunta é se vai ter um pouco mais ou um pouco menos de inflação e isso vai depender justamente de como é que nós vamos combater essa inflação”, afirmou.

Ecoando falas públicas recentes, o ministro voltou a dizer que o governo Jair Bolsonaro conseguiu a aprovação do Banco Central independente, frisando que pela primeira vez a autoridade monetária terá esse status em ano eleitoral.

Para o desempenho da economia este ano, Guedes projetou alta de 5%.

O ministro avaliou ainda que há “conversa fiada” de que o país perdeu controle sobre o fiscal, o que classificou como “narrativa política” e “fake news”.

A despeito de os dados do IBGE terem indicado o ingresso em recessão técnica dois trimestres consecutivos no vermelho, a bolsa subiu, motivada pela aprovação da PEC dos Precatórios no Senado, disse Guedes.

Ele defendeu que a Proposta de Emenda à Constituição não constitui um calote, acrescentando que, com a investida, o governo quer os precatórios também embaixo do teto de gastos.

O ministro voltou a defender a privatização de estatais, afirmando que há centenas de bilhões de reais que querem entrar no Brasil e não o fazem “porque governo é dono e manda em tudo”.

Criação de empregos

Após nova revisão em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrar que o Brasil fechou postos de trabalho em 2020, em vez de ter criado como divulgado anteriormente, Guedes buscou ressaltar que esta foi a primeira vez que não houve destruição em massa de empregos em meio a uma recessão.

“Na verdade (Caged) errou 50 mil, 100 mil. Mas nós estamos falando da criação de 3,5 milhões de empregos desde o fundo do poço”, disse ele, afirmando que o IBGE também reviu recentemente seus cálculos para o mercado de trabalho, apontando uma figura melhor.

“O Caged subestimou a perda de empregou e o IBGE superestimou o desemprego”, acrescentou o ministro.

Guedes diz que dado do PIB está no “retrovisor” e destaca investimento e crédito

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que os números do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados nesta quinta-feira apontando retração da economia no terceiro trimestre são um “espelho retrovisor” e que os dados de investimento e crédito mostram um cenário mais favorável à frente.

Ainda assim, Guedes previu que as estimativas para o crescimento em 2021 devem sofrer uma pequena diminuição. “Quem estava com 5,1% vai para 4,9% ou 5%”, afirmou em entrevista à Reuters.

“Quando se fala em crescimento tem que ver como está a taxa de investimento, e ela está no pico de oito anos. A formação bruta de capital fixo está em 20%, e é um grande número”, disse Guedes.

“Olhando o resultado (do PIB) você vê lá queda da agropecuária por conta do clima, e olhando para frente você vê um crescimento da taxa de investimento”, acrescentou.

A economia brasileira entrou em recessão técnica ao registrar dois trimestres consecutivos de contração. No terceiro trimestre a queda foi de 0,1%, com a agropecuária como principal destaque negativo, em declínio de 8%.

Os dados do IBGE mostram que a Formação Bruta de Capital Fixo, uma medida de investimento, recuou 0,1% no terceiro trimestre sobre os três meses anteriores, mas tem alta de 22,7% no acumulado deste ano.

O ministro ressaltou, ainda, que o comportamento positivo dos mercados financeiros brasileiros nesta quinta reflete o avanço da PEC dos Precatórios no Senado, que aprovou o texto em dois turnos, e mostra que investidores teriam entendido que o governo não descumprirá a regra do teto de gastos.

“O fato de o mercado crescer hoje é mais importante, o aspecto fiscal que está sendo resolvido hoje, do que a queda da agro”, disse. O dólar à vista caía 0,3%, o Ibovespa subia 2,6%, e os juros futuros negociados na B3 tinham alívio de até 24 pontos-base.

Para 2022, Guedes destacou que aqueles que falam que a economia brasileira não vai crescer estão errados.

“Temos duas forças na mesa: a dos investimentos para cima e a dos juros mais altos (que restringem a atividade). (Mas) não tenho menor dúvida de que vamos crescer”, disse ele.

“Poderia ser 4% de PIB olhando para investimento, mas quando você olha para juros para combater inflação pode ser 1,5% ou 2%.”

Segundo especialistas, a economia brasileira perdeu ritmo e deve continuar mostrando fragilidade por pelo menos mais um ano, com uma melhora dependendo de uma virada da inflação e de uma política econômica que estabilize as expectativas para a situação fiscal.

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Economia

Sem retomada: PIB mostra que Brasil segue preso ao baixo crescimento

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A adesão da população à vacinação e a reabertura das atividades não foram capazes de salvar o Brasil da estagnação na economia. Números fracos do PIB mostram que problemas são muito mais profundos

Consumidora em feira no Rio de Janeiro: inflação e desemprego pioram cenário econômico, mesmo com vacinação em alta (Ricardo Moraes/Reuters)

O Brasil está oficialmente em recessão técnica, segundo os números do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre divulgados nesta quinta-feira, 2. A queda de 0,1% na economia entre julho e setembro, confirmou, na teoria, o cenário de recessão técnica, que acontece quando há recuo no PIB em dois trimestres consecutivos.

Na prática, no entanto, os problemas que ficaram escancarados nos números baixos do PIB já estavam aí há muitos meses, da inflação ao desemprego alto e falta de confiança para investimentos.

“O conceito decorre de uma convenção estatística, mas seu significado econômico é muito relevante: a recuperação em 2021 de fato perde muito da sua força, e os números fechados do ano – que serão expressivos, muito provavelmente acima de 4% – decorrerão em essência da baixíssima base de comparação de 2020”, diz o economista André Biancarelli, diretor do Instituto de Economia da Unicamp.

Embora haja uma deterioração global das expectativas, com inflação subindo em países desenvolvidos e choques de oferta, o Brasil tem tido alguns dos piores resultados econômicos do mundo.

Em análise da Austin Ratings, o PIB brasileiro no terceiro trimestre ficou somente em 26º em uma lista de 33 países. Países vizinhos como Chile, Colômbia e Peru cresceram mais de 3% ou até 5%

Neste trimestre, pesaram na queda do PIB brasileiro as exportações e contribuição negativa do agro, diz André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos.

Para o quarto e último trimestre do ano, entre outubro e dezembro, há sinais negativos vindos da alta de juros e do comércio ainda em atividade abaixo das expectativas, apesar da reabertura econômica sustentada pela vacinação.

Não é novo que o Brasil tem crescido menos do que outros países. No ano passado, este cenário já ocorreu em meio à pandemia, lembra Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados – ainda que o IBGE tenha revisado, também hoje, a queda do PIB de 2020 de 4,1% para 3,9%.

No acumulado de 2021, muitos países desenvolvidos devem crescer acima de 5%, caso da zona do euro, ou 6%, nos Estados Unidos. A OCDE, clube dos países ricos, escreveu em seu último relatório que teme uma recuperação pós-covid “desigual” no mundo, com países em desenvolvimento ficando para trás, sobretudo os que ainda não se vacinaram.

Uma série de casas de análise já revisam para baixo a projeção de crescimento brasileiro neste ano, que começou janeiro acima de 5% e hoje paira em 4,78% no boletim Focus.

“Para 2022, será ainda pior, com o mundo crescendo 4,5% e o Brasil, zero ou 1%”, diz Vale. A projeção da MB até agora é de crescimento zero do PIB no ano que vem.

No caso do Brasil, os riscos políticos e as eleições em 2022 também atrapalham. “Temos um governo em que a dificuldade deixou de ser só econômica. O governo abdicou de fazer política econômica porque há um cenário eleitoral no ano que vem”, diz o economista da MB.

Desemprego e inflação freiam retomada

Nem a boa adesão dos brasileiros à vacinação foi capaz de salvar o cenário econômico. Após o atraso na massificação da vacinação devido à falta de doses, o Brasil passou a ter algumas das melhores taxas de imunizados no mundo exatamente a partir do terceiro trimestre – o que tem garantido uma reabertura constante das atividades pela primeira vez em quase dois anos.

Mas economistas apontam que a inflação alta, somada ao desemprego, corroem a renda da população e prejudicam a volta do crescimento e da confiança de empresários e consumidores, mesmo com a reabertura.

O IPCA, principal índice inflacionário, chegou aos dois dígitos em setembro e outubro e teve algumas de suas piores variações mensais desde o Plano Real.

Fatores como a alta do dólar desde o ano passado, acentuada pelo risco político e fiscal no Brasil, o preço dos combustíveis no mercado internacional e a crise hídrica que afeta os preços da energia elétrica estão entre os principais responsáveis.

Biancarelli, da Unicamp, aponta o que classifica como um “cenário nada convidativo” para decisões de investimento no país, com demanda patinando em meio ao desemprego alto e “instabilidade em várias dimensões”.

“Estruturalmente, isso é mais um sinal de uma economia sem tração, sem motor de crescimento já há vários anos, que para ter algum dinamismo depende de fontes externas, impulsos pontuais ou de efeitos estatísticos”, diz.

Na frente fiscal, há um debate em todo o mundo sobre o quanto os países devem gastar. Países no mundo desenvolvido têm aportado bilhões de dólares em estímulos, e organismos internacionais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional avaliaram em relatórios que o auxílio emergencial distribuído pelo Brasil em 2020, por exemplo, foi também um mecanismo importante para a economia.

Mas o anúncio recente de projetos como o Auxílio Brasil e fim do Bolsa Família, com comunicação atrapalhada, imbróglios no governo e riscos políticos e fiscais, não têm ajudado na frente de estímulos à confiança. “Não só não estamos caminhando para um processo mais acelerado de reformas, como essa aceleração da política fiscal, em vez de trazer estímulos, tem trazido resultados negativos”, diz Vale.

Selic nas alturas

Para 2022, as projeções até agora são de PIB em baixa e inflação ainda alta, mas com tentativas de controle, sobretudo, pela alta de juros.

A última projeção no boletim Focus é de inflação em 5% em 2022, pior do que nas previsões anteriores para o período, mas ainda assim, metade da atual.

A explicação para tamanha queda está em fatores como a melhora na crise hídrica com as chuvas das últimas semanas, o que pode atenuar os preços da energia, e a projeção de que os preços dos combustíveis não tenham novas altas bruscas como neste ano. O câmbio, após altas fortes neste ano e em 2020 frente ao real, também deve seguir abaixo de 6 reais ou 5,50 reais no ano que vem, com muitos dos riscos já precificados.

Também há expectativa de uma boa safra no agro, o que ajuda tanto no PIB (o agro responde por quase um terço do produto interno bruto brasileiro) como controle do câmbio com exportações, aumento da oferta de produtos e preço dos alimentos.

O Banco Central seguirá subindo as taxas de juros para controlar a inflação, o que tende a controlar em parte os índices de preços. Para 2022, a projeção no boletim Focus é de que a Selic chegue a 11,25%, ou até 12% em algumas casas de análise.

Embora deva ajudar no controle da inflação, a movimentação do BC terá efeitos negativos no crescimento da economia, o que leva às projeções cada vez menores para o PIB em 2022.

Por alguns parâmetros, o Brasil já estava, na verdade, em recessão há muito mais tempo. O Comitê de Datação de Ciclos Econômicos da Fundação Getúlio Vargas, por exemplo, havia divulgado parecer em 2020 apontando que o Brasil estava em recessão desde março de 2020, segundo parâmetros do National Bureau of Economic Research (NBER), usado no PIB dos EUA.

A última vez em que o Brasil esteve em recessão técnica foi no período da crise de 2015 e 2016.

No ano passado, houve picos de crescimento, como as altas acima de 7% (no terceiro trimestre) e 3% (no quarto), após a queda brusca no começo da pandemia, no segundo trimestre. Mas a trajetória não se manteve.

“A leitura preliminar dos dados confirma a hipótese de ‘raiz quadrada’ que venho argumentando há algum tempo; após uma recuperação forte a economia não encontra sustentação, anda de lado e até cai”, diz André Perfeito, da Necton.

Estatísticas à parte, os brasileiros já sentem no bolso e no supermercado os resultados da deterioração econômica. E novos problemas no cenário internacional, como a chegada de novas variantes ou inflação global, poderiam atrapalhar ainda mais a já desafiadora economia brasileira.

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Economia

Ibovespa avança 2,5% com expectativa de aprovação da PEC dos Precatórios

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Senadores devem votar proposta nesta quinta, após adiamentos para conseguir apoio

Painel de cotações da B3 | Foto: Germano Lüders/Exame

Ibovespa sobe 2,64% para 103.432 pontos às 12h desta quinta-feira, 2, com investidores atentos ao Senado, onde deve ser votada a PEC dos Precatórios ainda hoje. O mercado de câmbio também reage positivamente, com o dólar operando em queda de 0,59%, a 5,638 reais.

A votação já foi adiada duas vezes nesta semana para que parlamentares conseguissem maior apoio. A expectativa é de aprovação da proposta, que libera espaço fiscal em 2022 para o pagamento do novo programa social do governo, o Auxílio Brasil, por meio de uma manobra no cálculo da regra do teto de gastos. A aprovação é vista como positiva pelo mercado, que teme piores alternativas para as contas públicas caso a PEC não seja aprovada.

Economistas também avaliam os dados do PIB do terceiro trimestre, que apontou nova retração de 0,1%, assim como no período anterior. A expectativa era de leve crescimento de 0,1%. Na comparação anual, a expansão foi de 4%, abaixo dos 4,2% projetados pelo mercado.

“Era esperado que o setor agro fosse o impacto negativo no trimestre e de fato foi. Já o destaque positivo foi o setor de serviços, dado que foi o trimestre de reabertura, com a maior vacinação no período”, diz Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos.

Nos Estados Unidos, os principais índices de ações abriram em alta, recuperando parte das perdas, após caíram na véspera, com a primeira constatação da variante Ômicron no país e falas do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que avalia acelerar a retirada de estímulos para conter a inflação. Apesar do tom positivo, o índice Nasdaq, com maior concentração de empresas de tecnologia, tem o pior desempenho, subindo 0,64% contra 0,92% do S&P 500 e 1,08% do Dow Jones. Em tese, perspectivas de aperto monetário tendem a pesar mais sobre ações do setor, muitas vezes negociados com múltiplos mais altos, dada a perspectiva de crescimento.

No mercado europeu, os impactos estão sendo precificados somente hoje, já que as bolsas já estavam quando os índices americanos viraram para queda, na véspera. Por lá, o Stoxx 600 recua 1,7%, com destaque para o índice Dax, da Alemanha, que recua 1,8%.

Na bolsa brasileira, as ações de energia elétrica figuram entre as maiores altas do pregão, com CPFL (CPFE3), Eletrobras (ELET6) e Taesa (TAEE11) subindo 6,45%, 5,43% e 5%, respectivamente. No radar, está o anúncio de proventos aos acionistas da Taesa, que irá pagar 523 milhões de reais aos investidores, sendo 202 milhões em JCP e 320 milhões em dividendos. Investidores também repercutem a notícia de que o governo irá limitar o uso de termoelétricas, com a melhora das perspectivas climáticas para os próximos meses.

“A diminuição no custo marginal elétrico deve retirar ao menos em parte a pressão de custos em cima das distribuidoras. Ademais, a melhora na hidrologia também deve se refletir em menores preços de liquidação de diferenças para os geradores, diminui o seus custos com compras energéticas e contribuindo para a obtenção de melhores margens”, avaliam em nota analistas da Ativa.

Agitando as notícias do setor, a Energisa (ENGI3) também soltou um fato relevante, em que informa sobre a compra de 100% da SPE Paranaíta por 100,7 milhões de reais. De fora do Ibovespa, as units da companhia sobem 4,7%.

O setor de saúde é outro a apresentar forte valorização, com NotreDame (GNDI3), Qualicorp (QUAL3) e Hapvida (HAPV3) registrando altas de mais de 5%.

O dia também é de recuperação das ações de tecnologia, que estiveram entre as maiores perdas dos últimos pregões, com o aumento da expectativa de aperto monetário nos Estados Unidos. Nesta quinta, as ações da Totvs (TOTS3) sobem 5,20%, as da Locaweb (LWSA3), 2,50% e as da Méliuz (CASH3) 3,20%.

Com poucas ações sendo negociadas em queda, os papéis da Suzano (SUZB3) são destaque negativo. Nesta sessão, as ações da companhia exportadora de celulose caem 3,2%, após ter sido uma das poucas a fecharem em alta no último pregão, acompanhando a valorização do dólar. Já as ações da PetroRio (PRIO3) caem 0,98% em linha com a queda do petróleo no exterior. O movimento ocorre enquanto traders aguardam pela decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP+), que irá definir os novos ritmos de produção em meio às incertezas sobre a nova cepa do coronavírus.

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Economia

Bolsonaro sanciona lei que cria crédito para micro e pequenas empresas

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Poderão ser beneficiados empresários com receita anual de até R$ 4,8 milhões

(Getty Images/Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro sancionou uma lei que cria um programa de estímulo ao crédito, destinado a microempreendedores individuais (MEI), a micro e pequenas empresas e a produtores rurais. Poderão ser beneficiados os empresários com receita anual de até R$ 4,8 milhões.

A sanção foi publicada nesta quinta-feira no Diário Oficial da União (DOU). O programa foi criado por meio de uma medida provisória (MP), editada em julho, com validade provisória. O texto foi votado na Câmara e no Senado, onde sofreu alterações, e agora vira uma lei.

Os bancos que aderirem ao programa poderão gerar o chamado crédito presumido. Trata-se de um benefício fiscal que concede desconto às instituições no pagamento de impostos.

As operações de crédito terão que ser contratadas até 31 de dezembro de 2021. O crédito presumido, contudo, poderá ser apurado até o fim de 2026.

Os empréstimos “não contarão com qualquer garantia da União ou de entidade pública, e o risco de crédito será integralmente das instituições”, diz a lei.

Uma das alterações feitas durante a tramitação no Congresso foi a inclusão de cooperativas e associações de pesca e de marisqueiros entre os beneficiados pelo programa.

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