GABRIEL BARNABÉ
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
As relações entre Brasil e Estados Unidos têm passado por altos e baixos estratégicos e ideológicos desde que começaram há mais de 200 anos, mas agora enfrentam um desgaste significativo, o maior desde a redemocratização brasileira na década de 1980. As críticas e ameaças feitas pelo presidente Donald Trump enfraquecem as relações bilaterais e dificultam a comunicação entre os dois países.
Embora as ações do republicano surpreendam, esta não é a maior crise na história das relações entre Brasil e EUA. O momento mais tenso aconteceu durante os governos de John F. Kennedy e Lyndon B. Johnson, quando apoiaram o golpe militar de 1964 que derrubou a democracia brasileira.
Anteriormente, os Estados Unidos mudaram sua postura em relação a Getúlio Vargas, que liderava um governo autoritário e colaborava com os Aliados na Segunda Guerra Mundial, pressionando-o a abrir caminho para uma democracia no Brasil.
Desde o reconhecimento da independência brasileira em 1824, a relação entre os dois países tem sido marcada por avanços e recuos. Nas duas últimas décadas, especialmente de 2017 a 2025, com a influência de Donald Trump, a relação tem se deteriorado devido a ataques ao sistema eleitoral e às instituições democráticas brasileiras que foram semelhantes aos observados durante o governo de Jair Bolsonaro.
Este declínio ocorre depois de quase 40 anos em que Brasil e EUA buscaram manter um respeito mútuo. Desde a redemocratização iniciada em 1985, as relações diplomáticas e comerciais se desenvolveram de maneira paralela e constante.
Um ponto de virada ocorreu em 2013, quando o WikiLeaks revelou que a Agência Nacional de Segurança dos EUA estava espionando a então presidente Dilma Rousseff, seus ministros e a Petrobras. Apesar desse incidente, os países seguiram aliados após negociações e ajustes nos protocolos de segurança.
A situação piorou com as eleições de Donald Trump em 2016 e Jair Bolsonaro em 2018, quando a relação se tornou mais pessoal e baseada em alinhamentos ideológicos conservadores, negacionismo ambiental e discurso contra a globalização.
A breve tentativa de reaproximação durante o governo do democrata Joe Biden entre 2023 e 2024 foi insuficiente para superar as tensões. A volta de Trump à presidência dos EUA em 2025 agravou ainda mais o conflito diplomático.
Especialistas afirmam que Donald Trump adota uma postura agressiva e instável ao ameaçar parceiros históricos com tarifas comerciais, refletindo mais sua posição ideológica do que a proteção do país. Por outro lado, Lula enfatiza a defesa da soberania nacional para tentar minimizar os impactos econômicos. A tensão continua crescendo, e a diplomacia surge como a única saída possível para reduzir o conflito.

