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Será que Trump finalmente passou do ponto?

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As tarifas que o presidente norte-americano ameaçou impor ao México podem ser a gota d’água para seus apoiadores do partido Republicano

DONALD TRUMP: a obsessão do presidente por tarifas parece estar causando mais problemas políticos a ele do que qualquer outra ação que ele esteja fazendo / REUTERS/Lucas Jackson (/)

A vida não é justa, e a política é ainda menos justa que o resto da vida. Donald Trump tem feito e continua a fazer muitas coisas terríveis – acolher interferências de outros países nas eleições dos EUA, arrancar crianças de seus pais e botá-las em jaulas, envenenar o meio ambiente, idolatrar ditadores sanguinários e mais. Em termos de pura horripilância, as políticas comerciais protecionistas dele estão muito abaixo na lista – e eu digo isso apesar de ser alguém cuja carreira se baseou em grande parte no estudo do comércio internacional, e que tem todos os incentivos para inflar a importância desse tema.

No entanto, a obsessão de Trump por tarifas parece estar causando mais problemas políticos a ele do que qualquer outra coisa que ele esteja fazendo. Pode ser até o suficiente para causar um rompimento com seus seguidores escravizados no Congresso. A célebre declaração de Trump de que poderia atirar em alguém na Quinta Avenida e seus seguidores não se importariam pode ser ou não falsa quando se trata dos eleitores republicanos, mas é certamente verdadeira para os integrantes do Partido Republicano no Congresso. No entanto, parece haver uma possibilidade real de uma ação do Legislativo para barrar as novas tarifas que ele ameaçou impor recentemente ao México.

Então, por que é que essa vigarice em especial é o ponto em que os canalhas do partido dele mostram sinais de estar desenvolvendo uma moralidade rudimentar? Há dois pontos principais.

Primeiro, a política comercial de confronto de Trump – ao contrário de seu racismo, a determinação dele em enfraquecer os direitos dos trabalhadores, seus esforços em degradar o meio ambiente e por aí vai – não têm nenhum eleitorado importante apoiando-a. Nem os grandes doadores de campanha e nem os caras com tochas cantando “Judeus não vão nos substituir” estão implorando por taxas. O lance das tarifas é basicamente uma obsessão pessoal de Trump.

Segunda coisa, há, de fato, partes importantes do eleitorado – partes importantes da coalizão de Trump – que, de verdade, verdade verdadeira, não gostam da perspectiva de uma guerra comercial. Os fazendeiros já foram bastante prejudicados pelo embate do governo com a China, que fez despencar os preços de commodities como a soja. A indústria americana, que vem investindo grandes quantias em uma cadeia de distribuição que se expande tanto em nossas fronteiras ao norte quanto ao sul, está horrorizada diante da ideia de um confronto que atrapalhe o comércio com o México.

Até recentemente, empresas e investidores de fato estavam apostando que, com tanto dinheiro em jogo, mesmo Trump conteria os impulsos dele, e que na questão comercial ele falaria grosso mas afinaria depois. É basicamente o que parecia ter acontecido com o Nafta, o Acordo de Livre Comércio das Américas; depois de denunciá-lo como o pior acordo comercial já feito, Trump negociou um novo acordo tão parecido com o que já existia que qualquer um precisaria de uma lupa para notar as diferenças.

Porém, agora ele está efetivamente renegando o próprio acordo que costurou, ameaçando impor tarifas a menos que o México faça alguma coisa, que Trump não sabe qual é, para impedir aqueles que pedem asilo de pedirem asilo.

Será mesmo que ele vai fazer isso? As várias newsletters que eu recebo não parecem acreditar nessa possibilidade. O Citibank, por exemplo, escreveu que “as consequência desta política poderiam ser tão extremas que nós a encaramos como algo improvável de acontecer”.

Só que Trump tem alguma coisa com tarifas, e ele realmente odeia parecer um perdedor. Ou seja, sim, talvez isso realmente esteja para acontecer. E talvez até o Partido Republicano esteja finalmente chegando ao seu limite.

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Macri sofre quatro novas derrotas nas eleições regionais da Argentina

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O governo tem 17 derrotas nas eleições regionais desde que o calendário eleitoral começou em março passado

O partido do presidente Mauricio Macri teve mais quatro novas derrotas eleitorais nas eleições provinciais de domingo, entre elas a vitória do peronismo em Santa Fé, o terceiro distrito mais povoado do país.
As eleições aconteceram em meio a uma apagão que deixou a Argentina e o Uruguai no escuro por várias horas, e cujas causas ainda estão sendo investigadas.
O senador Omar Perotti, da frente peronista Juntos, venceu por 18 pontos de vantagem sobre o candidato de Macri e conseguiu derrotar o socialismo que governou Santa Fé nos últimos 12 anos.
Em San Luis e em Formosa o peronismo também venceu e em Tierra del Fuego ganhou um candidato kirchnerista.
Macri tentará a reeleição na disputa eleitoral de 27 de outubro. Sua chapa, que integra junto com o peronista de direita Miguel Ángel Pichetto, competirá, entre outras, com a de Alberto Fernández e a ex-presidenta Cristina Kirchner (2007-2015) como candidata a vice-presidente.
O governo tem 17 derrotas nas eleições regionais desde que o calendário eleitoral começou em março passado.
A única vitória foi obtida há uma semana na pequena província de Jujuy (norte).
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China respalda líder de Hong Kong após protestos populares

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Manifestantes protestaram nas últimas duas semanas contra a líder de Hong Kong, Carrie Lam, e a projeto de lei que prevê extradição à China

Hong Kong: milhares de manifestantes pedem a renuncia de Carrie Lam (Tyrone Siu/Reuters)

Hong Kong — A China reiterou seu apoio à líder de Hong Kong, Carrie Lam, nesta segunda-feira depois de dias de protestos na cidade contra um projeto de lei de extradição, e uma fonte próxima de Lam disse que Pequim dificilmente a abandonará, mesmo que ela tente renunciar.

As tentativas de Lam de aprovar um projeto de lei que permitiria que moradores de Hong Kong fossem extraditados à China para serem julgados desencadearam os maiores e mais violentos protestos na ex-colônia britânica em décadas.

No início da segunda semana da crise política, manifestantes e políticos de oposição enfrentaram uma chuva intermitente para se reunirem perto dos escritórios do governo e pedir que o projeto de lei seja descartado e que ela renuncie.

Os protestos ocorrem em um momento delicado para o presidente chinês, Xi Jinping, que lida com uma guerra comercial crescente com os Estados Unidos, o enfraquecimento da economiae uma tensão estratégica regional.

Hong Kong vem sendo governada mediante a fórmula “um país, dois sistemas” desde sua devolução a Pequim em 1997, o que inclui garantias de liberdades inexistentes na China continental, como um Judiciário independente, mas sem eleições plenamente democráticas.

Muitos moradores estão cada vez mais irritados com o controle cada vez mais rígido de Pequim e com o que veem como a erosão de tais liberdades, temendo que mudanças no Estado de Direito coloquem em risco sua condição de funcionar como um dos centros financeiros globais.

“O governo chinês, o governo central, sempre apoiou plenamente o trabalho da executiva-chefe, Carrie Lam, e do governo de Hong Kong”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lu Kang, em uma coletiva de imprensa.

“O governo central continuará a apoiar com firmeza a executiva-chefe e o governo da RAE (região administrativa especial) de acordo com a lei.”

Os comentários ecoaram declarações feitas pelo governo de Hong Kong e pelo escritório de formulações de políticas de Macau no final de semana.

Os organizadores dos protestos disseram que quase dois milhões de pessoas –dos cerca de sete milhões de habitantes de Hong Kong– compareceram no domingo para exigir que Lam renuncie, o que está se tornando o maior desafio ao relacionamento da China com o território desde 1997.

As manifestações coincidiram com a saída de Joshua Wong, ativista de Hong Kong que é o rosto do clamor da cidade pela democracia plena, da prisão nesta segunda-feira, prometendo se unir ao movimento de protestos em massa.

 

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Candidatos a premiê do Reino Unido fazem primeiro debate na TV

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Boris Johnson, líder das intenções de voto, não participou de debate ocorrido no domingo (16)

Os candidatos a líder do partido conservador britânico se enfrentaram neste domingo (16) no primeiro debate na televisão da disputa. O líder das intenções de voto, no entanto, decidiu ficar de fora. Boris Johnson não compareceu ao programa da estatal Channel Four.

A justificativa foi uma já conhecida: quem está ganhando não precisa se expor e correr o risco desnecessário de perder votos. Pragmático ao extremo, é verdade. Pouco democrático e um tanto quanto obscuro, criticaram os adversários.

Os outros cinco que compareceram tiveram que se engalfinhar sobre o principal tema que domina o país: a separação da União Europeia. A maioria bateu na tecla de que é possível renegociar um acordo com o continente, mas que é importante entregar o Brexit em 31 de outubro.

A verdade é que não há muito espaço para renegociar nada – a Europa inclusive insiste que o acordo é esse que já está aí.

No mais, o debate entre os candidatos conservadores foi apenas um programa para cumprir tabela e não mudou a sensação de que o Reino Unido já tocou o ponto morto e vai empurrar a situação com a barriga para ver no que vai dar.

As projeções para a economia refletem isso. A entidade Câmaras de Comércio Britânicas, BCC em inglês, por exemplo, alertou: a economia do Reino Unido deve crescer apenas 1% no ano que vem e os empresários do país estão represando investimentos de maneira não sustentável, ressalta a entidade.

Enquanto essa desventura chamada Brexit não for resolvida, pouca gente parece interessada em arriscar dinheiro por aqui.

Na terça-feira (18), será realizado o debate da BBC, com a presença de todos os candidatos. Mas parece pouco provável que algum deles consiga reduzir a vantagem do ex-prefeito de Londres.

*Com informações do repórter Ulisses Neto

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