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Relatório do Fed reduz ganhos dos índices americanos após alta acentuada

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O tom do documento – que menciona “incertezas extraordinárias” – fez com que os investidores ficassem mais cautelosos. Indicadores subiram menos de 1%

Wall Street: volatilidade é o novo normal (Alexander Spatari/Getty Images)

O relatório semestral de política monetária do banco central americano (Fed, na sigla em inglês), enviado ao Congresso, reduziu a escalada dos índices americanos nesta sexta-feira. Mais cedo, os indicadores operavam em alta acentuada em contraste com o tombo de ontem. Mas o tom do documento – que menciona “incertezas extraordinárias” – fez com que os investidores ficassem mais cautelosos. Com isso, o Dow Jones encerrou com alta de 0,90%, o S&P 500, 0,44%, e Nasdaq, 0,18%.

O motivo para a renovada cautela dos investidores é o medo de uma trajetória frágil na recuperação dos empregos. “A sinalização foi de que não dá para sair comprando uma recuperação em V da economia, pois a crise pode estar criando problemas estruturais”, comenta. Sobre a alta mais cedo, o especialista diz que era uma correção técnica, não uma mudança de tendência. Tanto é que outros ativos como petróleo – que ontem caiu 8% – não tiveram uma recuperação tão extraordinária quanto a das ações mais cedo.

Além da questão técnica de preços, ontem representante do governo disse que não haverá um novo fechamento da economia mesmo se houver uma segunda onda da doença nos Estados Unidos. Isso, segundo Lucas Carvalho, analista de investimentos da Toro Investimentos, ajudou na alta de hoje. “É importante que os investidores saibam que a volatilidade é o novo normal. O mercado não encontrou o seu ponto de equilíbrio e a cada notícia vai variar para cima ou para baixo”, explica.

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Economia

Na pandemia, inflação pesa três vezes mais no bolso dos mais pobres

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Inflação fechada camufla impacto desigual no bolso das famílias; enquanto IPCA acumula alta de 2,13% em 12 meses, alimentos subiram 7%

INFLAÇÃO: para o UBS, a queda da Selic deve parar em 6,75%, sob risco de repetirmos a história de 2007 (Pilar Olivares/Reuters)

Impacto desigual no bolso das famílias, e os preços podem pesar três vezes mais no caso das mais pobres.

A taxa oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula alta média de 2,13% nos últimos doze meses, bem abaixo da meta oficial, de 4%.

“Esse número, no entanto, não reflete a variação do custo de vida dos mais humildes, para quem o que importa é a inflação de alimentos, cuja trajetória conta uma história muito diferente da do índice geral”, diz André Braz, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

Isolados do IPCA, os preços dos alimentos subiram 7% nos últimos doze meses. O avanço tomou mais fôlego a partir da segunda quinzena de março, quando começou o isolamento social.

Houve pressão pelo medo de um possível desabastecimento, que levou uma a uma corrida aos supermercados. Passado esse efeito inicial, os preços seguiram pressionados, já que, durante a quarentena grande parte das refeições das famílias foi feita em casa.

Quanto maior é a renda de uma família, mais diversificada é sua cesta de consumo, explica Braz. No caso das mais pobres, grande parte do orçamento vai para a compra de alimentos, o que significa que a pressão que elas sentem é mais próxima de 7% do que dos 2,5%.

A tendência do peso maior dos preços no bolso de famílias de menor renda pode ser verificado no INPC, também medido pelo IBGE. Ele mede a “inflação dos mais pobres” por considerar na cesta básica de consumo os itens mais consumidos por famílias com até cinco salários mínimos de renda.

Nos últimos doze meses, o INPC apresentou alta de 2,35%, 022 ponto percentual a mais do que o IPCA:

“Mesmo assim, nada comparado com o que seria o índice se a gente focasse exatamente nas famílias que vivem com maior restrição, com renda pouco acima de um salário mínimo”, diz Braz.

São pessoas que vivem nas periferias, interior de cidades e com pouco acesso ao mercado de trabalho, diz o especialista, como diaristas, guardadores de carro, serventes de obras:

“Essa são as famílias que percebem uma inflação muito mais alta, porque a cesta delas é formada basicamente por comida. Há muito pouco espaço para roupas ou algo mais sofisticado, nem que seja comer fora de casa”.

Mais de 16 milhões de famílias ganham uma renda de até R$ 1.908 por mês no Brasil, segundo a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), divulgada pelo IBGE em outubro do ano passado.

Vilões para quem?

Em abril e maio, a inflação foi negativa, o que em tese poderia amenizar este problema. Os itens que fizeram o IPCA cair nestes meses, porém, são importantes para o consumo da população de forma geral, mas nem tanto para o público de mais baixa renda, explica o economista.

A alimentação, decisiva para este segmento, representa algo em torno de 20% da inflação geral. Os outros 80% são de itens com preços pressionados para baixo pela pandemia, seja pela interrupção das atividades não essenciais ou pela queda da demanda internacional.

Foi o caso do petróleo, por exemplo. a gasolina, cujo preço depende do barril do petróleo e do câmbio, teve peso determinante para o IPCA ficar negativo em abril e maio.

Os preços do petróleo vinham caindo com força desde antes do início da pandemia, depois de a Arábia Saudita, em conflito comercial com a Rússia, anunciar aumento na oferta da commodity. O recuo foi potencializado pela redução da demanda global com a crise do coronavírus. A queda no preço da gasolina só não foi maior por conta da grande desvalorização cambial registrada no período.

A expectativa é que os alimentos continuem a subir no curto prazo, segundo Braz, impondo mais alguns meses desafiadores para famílias mais humildes. O processo, porém, não deve durar para sempre.

“O pior da pandemia já passou e daqui para frente a situação pode ir normalizando gradualmente, com o aparecimento de novos empregos”, diz.

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Economia

Prévia de índice da FGV mostra que incerteza da economia diminuiu em julho

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Prévia de índice da FGV mostra que incerteza da economia diminuiu em julho

Reabertura do comércio em São Paulo: se o resultado for confirmado na divulgação final de julho, o IIE-Br terá devolvido em três meses de quedas 46% da alta (PATRICIA BORGES/Estadão Conteúdo)

O Indicador de Incerteza da Economia Brasileira (IIE-Br) caiu 7,3 pontos na passagem de junho para julho, segundo a prévia do indicador deste mês divulgada em edição extraordinária pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta segunda-feira. Se confirmado o índice descerá a 166,3 pontos.

Se o resultado for confirmado na divulgação final de julho, o IIE-Br terá devolvido em três meses de quedas 46% da alta de 95,4 pontos observada nos meses de março e abril, em meio ao agravamento da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.

“Após a terceira queda consecutiva, o nível do IIE-Br de julho se aproxima do nível de março, de 167,1 pontos, primeiro momento em que o País precisou forçar paralisações e iniciar o isolamento social para conter o avanço da pandemia. As dificuldades de se prever cenários para o futuro da economia continuam muito grandes, como reflete o componente de Expectativas, que, no nível apurado nesta prévia, recuperaria, até julho, apenas 7% da alta ocorrida entre março e maio. Uma queda mais acelerada da Incerteza daqui para a frente dependerá da evolução da pandemia no País e da velocidade de normalização das atividades econômicas e do apaziguamento das tensões políticas, avaliou Anna Carolina Gouveia, economista do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), em nota oficial.

O IIE-Br é composto por dois componentes: o IIE-Br Mídia, que faz o mapeamento nos principais jornais da frequência de notícias com menção à incerteza; e o IIE-Br Expectativa, que é construído a partir das dispersões das previsões para a taxa de câmbio e para o IPCA.

O componente de Mídia recuou 7 pontos na prévia de julho, para 145,5 pontos. O componente de Expectativa caiu 5,6 pontos, para 222,4 pontos. No entanto, ambos ainda estão em patamares considerados extremamente elevados, com destaque para o de Expectativas, que permanece pelo quarto mês consecutivo acima dos 200 pontos, ressaltou a FGV.

A prévia do Indicador de Incerteza da Economia Brasileira coletou dados de 30 dias terminados em 9 de julho. O resultado fechado do mês será divulgado no próximo dia 31.

 

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O IMK é um dos acertos do governo

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O IMK atua em 6 áreas: infraestrutura, mercado de seguros e de previdência, garantias, tributos, instrumentos financeiros e ambiente de negócios

Roberto Campos: presidente do Banco Central é quem avalia os estudos do IMK (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Poucas vezes na história brasileira se viu um eleitorado tão polarizado como durante esses 18 meses de governo Bolsonaro. Para alguns, está tudo errado. Para outros, no entanto, o grau de acerto é total. Nesta guerra de narrativas, são muito poucos aqueles que conseguem enxergar equívocos e sucessos com isenção e equilíbrio. À parte a torcida contra ou a favor, pode-se dizer que um dos acertos que se enxerga nessa administração é o esforço em tentar modernizar algumas áreas que sofrem de atraso crônico há décadas.

Uma dessas ações, sem dúvida, é o IMK (Iniciativa Mercado de Capitais), que completou um ano no mês passado. Trata-se de um grupo de trabalho que atua em seis áreas: financiamento da infraestrutura, mercado de seguros e de previdência, garantias, tributos, modernização dos instrumentos financeiros e melhoria no ambiente de negócios. No total, foram analisadas 15 mudanças dentro deste universo. Dessas, nove foram implementadas integralmente. Quatro foram parcialmente introduzidas e somente duas ficaram para o exercício 2020/2021.

As mudanças são elaboradas por equipes técnicas que avaliam as diversas propostas e consolidam-nas em um documentos apresentados ao colegiado presidido por Roberto Campos Neto, do Banco Central. “Em algumas vezes, é difícil chegar à redação de uma proposta final”, diz Júlio Cesar Costa Pinto, diretor de programas da Secretaria Especial de Fazenda e coordenador do IMK. “Mas na maioria das ocasiões, todos os integrantes estão de acordo logo no início do processo sobre quais devem ser as mudanças necessárias”.

Na agenda de 2020/2021, há também quinze itens de trabalho. E um deles chama a atenção, sobre o mercado de resseguros. A ideia, que veio da Susep, é a de que esse mercado tenha melhores condições de exportar serviços – ou seja, possa vender contratos no exterior, em especial na América Latina. Para isso, no entanto, o IMK trabalha para turbinar a capacidade competitiva do setor no Brasil, que hoje abriga cerca de 15 resseguradoras.

Um dos maiores desafios, neste sentido, é deixar as apólices brasileiras no mesmo patamar fiscal que as internacionais. Os contratos brasileiros, por exemplo, são taxados em aproximadamente 40 % sobre o lucro líquido. Na Inglaterra, apenas a título de comparação, a alíquota total não chega a 20 %. Mas a Receita Federal aceitaria abrir mão de metade de seus recolhimentos? “Com essas mudanças, as empresas brasileiras deverão obter um número muito maior de contratos e a arrecadação total deve até aumentar”, afirma Vinicius Brandi, diretor técnico da Susep, o órgão que regula o mercado segurador.

Iniciativas como essas são necessárias e não podem ficar restritas ao mercado de capitais. Depois de muitos anos de atraso, precisamos aproveitar o momento de reconstrução que haverá nos meses pós-pandemia para tentar retirar todo o lixo que foi varrido para debaixo do tapete nos últimos anos.

A tentativa de se criar governos de coalizão, no passado, acabou propiciando soluções que não mexiam fortemente nos problemas estruturais brasileiros em nome da estabilidade política. Hoje, entretanto, precisamos modernizar rapidamente o Estado, reduzindo seu tamanho e interferência excessiva na iniciativa privada. Com isso, poderemos reduzir a carga tributária de pessoas físicas e jurídicas, o que causará maiores investimentos produtivos e um crescimento significativo no consumo e na poupança nacional. Além disso, necessitamos alinhar os demais poderes para evitar a instabilidade jurídica e criar aquilo que os empresários mais sonham – um mínimo de previsibilidade.

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Economia

Dólar recua após Gilead afirmar que remédio teve eficácia contra Covid-19

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Segundo farmacêutica, remdesivir reduz em até 62% chance de mortalidade por coronavírus

Dólar: moeda americana deve fechar semana em alta contra o real (Pixabay/Reprodução)

O dólar recua na tarde desta sexta-feira, 9, refletindo o otimismo dos investidores com o anúncio da Gilead de que seu medicamento remdesivir teve eficácia contra o coronavírus. Segundo a farmacêutica, o remédio reduziu a mortalidade da Covid-19 em 62%.

Às 16h10, o dólar comercial permanecia caía 0,4% e era vendido por 5,322 reais. O dólar turismo, com menor liquidez, recuava 0,5%, cotado a 5,61 reais.

“A eficácia do remédio reduz a chance de o sistema de saúde colapsar. O pessoal também perde o medo sair de casa, o que ajuda a economia a voltar mais rápido”, comentou Bruno Lima, analista de renda variável da Exame Research. Nos EUA, o medicamento, ainda em fase experimental, teve seu uso autorizado pelo órgão fiscalizador (FDA, na sigla) para casos graves de Covid-19.

No exterior, o dólar também se desvaloriza em relação a algumas moedas emergentes, como o peso mexicano e o rublo russo.

Apesar tom positivo no mercado de câmbio, pela manhã, o dólar abriu em alta contra o real, com  a aior aversão a risco, após os Estados Unidos voltarem a registrar novo recorde diário de casos de coronavírus

De acordo com o The Wall Street Journal, os novos casos de coronavírus registrados em um único dia superaram 63.000. Por lá, hospitais de estados, como Texas e Califórnia, enfrentam dificuldades para acomodar novos pacientes. Ao todo, o país já tem mais de 3,1 milhões infectados e 133.291 mortos pela doença, segundo dados da Universidade Johns Hopkins.

Os investidores temem que o contínuo avanço do coronavírus nos Estados Unidos prejudique a recuperação econômica, conforme processos de reabertura são adiados em estados mais atingidos pelo vírus.

No cenário interno, as atenções se voltaram ao do IPCA de junho, que ficou em 0,26%, levemente abaixo das projeções de mercado de alta de 0,29% em relação ao mês anterior. Já dados sobre o setor de serviços ficaram muito abaixo do esperado, apontando para uma contração de 0,9% em maio contra o mês anterior. A expectativa era de uma expansão de 5,2%.

“O resultado de serviços tira o peso da probabilidade de manutenção do juro na próxima reunião do Copom. Mas até lá ainda teremos dados do mercado de trabalho brasileiro, que será fundamental para a decisão. Hoje ainda vemos um corte de 0,25 ponto percentual”, afirmou Arthur Mota, economista da Exame Research.

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Economia

Câmara aprova MP de crédito para MEI e microempresa através de maquininha

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MP também mantém programa de R$ 20 bi para empréstimos a empresas que faturam até R$ 300 milhões

Maquininha: proposta inclui a possibilidade de que MEI e pequenos negócios tomem empréstimos por meio de maquininhas de cartão (boonchai wedmakawand/Getty Images)

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira o texto-base da medida provisória (MP) 975, de incentivo ao crédito durante a crise do coronavírus. O texto ainda precisa ser analisado pelo Senado.

A proposta inclui a possibilidade de que microempreendedores individuais (MEI) e pequenos negócios tomem empréstimos por meio de maquininhas de cartão.

A medida foi editada pelo governo no início de junho e, originalmente, previa apenas um programa de crédito para empresas com faturamento entre R$ 360 mil a R$ 300 milhões, por meio de um fundo de R$ 20 bilhoes.

A Câmara manteve essa modalidade, mas inseriu no texto a modalidade aos negócios de menor porte. O crédito aos pequenos foi incluído pelo relator do texto na Câmara, Efraim Filho (DEM-PB).

A nova modalidade permite que MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte contratem financiamentos diretamente nas maquininhas.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que a mudança melhorou o texto.

“(A MP) não veio completa. Agora, com o deputado Efraim, governo e equipe construíram um texto muito positivo, entraram no microcrédito com máquinas (de cartão)” — afirmou Maia, durante conversa com investidores transmitida ao vivo.

Para o parlamentar, a medida precisava focar no crédito aos pequenos: “Demos solução junto com o BNDES para problemas jurídicos de ajuda a grandes empresas. Pelo que ouvi de ex-presidente do BC (Banco Central) a matéria ficou muito boa e, aprovada, vai enfim garantir – e essa foi a grande preocupação – crédito pro pequeno micro e médio empresário”.

A medida também é bem avaliada pela equipe econômia. Em entrevista ao GLOBO, o assessor especial do Ministério da Economia, Guilherme Afif Domingos, afirmou que a ideia pode ter ‘vindo para ficar’.

Regras do programa

O novo sistema com maquininhas permite que vendas futuras feitas por meio dos aparelhos funcionarão de garantia para os empréstimos. A taxa de juros será de até 6% ao ano e o limite de cada operação será de R$ 50 mil.

O prazo para começar a pagar as parcelas será de seis meses. Tomadores terão até 36 meses para quitar o financiamento, incluindo a carência.

A medida prevê um aporte de R$ 10 bilhões do Tesouro Nacional, que deverão ser repassados ao BNDES, que será responsável por coordenar o programa.

Para participar do programa, interessados devem ter vendido bens ou prestado serviços por meio das maquininhas em pelo menos um dos meses entre janeiro e março. Além disso, não podem ter comprometido vendas futuras como garantia para outras operações de crédito.

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Economia

Inflação interrompe dois meses seguidos de queda e sobe 0,26% em junho

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Alimentos foram a maior fonte de pressão junto a combustíveis, que subiram após apresentarem quedas nos últimos quatro meses, em especial da gasolina

Pedestre usando máscara protetora passa por pessoas sentadas em um restaurante no bairro Vila Madalena, em São Paulo. Segunda-feira, 6 de julho de 2020. (Jonne Roriz/Getty Images)

A inflação no Brasil interrompeu dois meses seguidos de queda com variação de  0,26% em junho, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A taxa medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) veio levemente abaixo da expectativa do mercado (0,29%). Com o resultado, o índice reverteu tendência de queda que vem sendo registrada desde o início do ano.

No acumulado de 12 meses até junho, o IPCA teve alta de 2,13%, bem abaixo da meta de inflação de 4% do governo para 2020, que tem tolerância de 1,5 ponto percentual baixo (2,5%) ou para cima (4,5%). No ano, o índice acumula alta de 0,10%.

Alimentos e combustíveis foram a maior fonte de pressão. Os combustíveis tiveram aumento em junho depois de quedas nos últimos quatro meses, em especial da gasolina, que teve o maior impacto individual (0,14 p.p.), com alta de 3,24%, disse o instituto. E a expectativa é que essa tendência siga sendo vista nos próximos meses:

“Esperamos que a recuperação dos preços internacionais do petróleo, bem como a recomposição da demanda chinesa por carnes continuem a impactar os preços ao consumidor no curto prazo”, diz a consultoria 4E em relatório.

O dado dá um sinal ao mercado sobre os próximos passos da política monetária do Banco Central. Nesta semana, Roberto Campos Neto, presidente da instituição, disse que o impacto da atividade econômica no índice será determinante para decidir sobre outro corte na taxa básica.

Os sinais de que o pior da crise ficou para os meses de abril e que o ritmo de retomada tem aumentado – sobretudo após o relaxamento das medidas de distanciamento social. -, foi visto também no estirão do varejo de 14% em maio, anunciado nesta semana, e na indústria, apesar da base de comparação baixa.

Para o fim de 2020, a expectativa do mercado medida pelo Boletim Focus aponta para inflação de 1,63% em 2020 e de 3% em 2021.

Mesmo com o sinal de aceleração e perspectivas positivas para os preços no curto prazo, no entanto, as perspectivas para o crescimento da economia ainda são muito fracas, o que não impediria novos cortes na Selic, apesar de improvável, diz Alberto Ramos, economista-chefe paraAmérica Latina do Goldman Sachs, em relatório:

“Preocupações com a dinâmica cambial, fluxos de capital, pressões entre fundos de renda fixa, risco político e fiscal de médio prazo e o fato de a taxa já estar em um nível acomodatício sem precedentes podem limitar severamente (ou até eliminar) as possibilidades de flexibilização adicional”, diz.

Grupos

Sete dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE apresentaram alta no mês, com destaque para Transportes, que vinham apresentando queda há quatro meses e em junho deram a segunda maior contribuição para a alta do índice, de 0,06 pontos porcentuais (veja na tabela).

O movimento do setor está intimamente ligado com a alta de preços dos combustíveis, que chegou nas bombas e impactou o consumidor final, explica Pedro Kislanov, gerente da pesquisa, no material de divulgação.

A principal contribuição para a alta do IPCA foi do grupo Alimentos e bebidas (0,38%), que vem apresentando aumentos em função da demanda elevada durante a pandemia, quando a atenção do consumidor esteve mais voltada para a compra de produtos essenciais. Em maio, o segmento já havia subido 0,24%. Além disso, a política de isolamento fez com que mais pessoas cozinhase em casa.

O item consumo no domicílio passou de 0,33% em maio para 0,45% em junho, pressionado por esse movimento e influenciado sobretudo pelos preços das carnes (1,19%) e do leite (2,33%).

Outro grupo que apresentou alta foi o Saúde e cuidados pessoais (0,35%). No lado das quedas, o instituto destaca a variação de Vestuário (-0,46%), que contribuiu com -0,02 p.p. no índice de junho.

Variação em maio (%) Variação em junho (%)
Índice Geral -0.38 0.26
Alimentação e Bebidas 0.24 0.38
Habitação -0.25 0.04
Artigos de Residência 0.58 1.3
Vestuário -0.58 -0.46
Transportes -1.9 0.31
Saúde e Cuidados Pessoais -0.1 0.35
Despesas Pessoais -0.04 -0.05
Educação 0.02 0.05
Comunicação 0.24 0.75
Impacto em maio (%) Impacto em junho (%)
Índice Geral -0.38 0.26
Alimentação e Bebidas 0.05 0.08
Habitação -0.04 0.01
Artigos de Residência 0.02 0.05
Vestuário -0.03 -0.02
Transportes -0.38 0.06
Saúde e Cuidados Pessoais -0.01 0.05
Despesas Pessoais 0 -0.01
Educação 0 0
Comunicação 0.01 0.04

(Com a colaboração de Alex Halpern)

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terça-feira, 14 de julho de 2020

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