A crise política na Bolívia teve um novo capítulo nesta quarta-feira (30/9) com a prisão do procurador-geral do Estado, Roger Mariaca, no Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz. A detenção ocorreu dois dias após o governo dos Estados Unidos retirar seu visto diplomático, acusado de corrupção e vínculos com o narcotráfico.
O presidente Rodrigo Paz Pereira confirmou na quinta-feira (1º/10) a prisão de Roger Mariaca e outras 13 pessoas. O ministro do Governo, Marco Antonio Oviedo, declarou que a captura foi parte da desarticulação de uma organização criminosa dentro do sistema judiciário, liderada pelo procurador-geral, que facilitava e protegia o narcoterrorismo no país.
Durante as operações, 14 pessoas foram detidas, incluindo quatro altos funcionários do Ministério Público, da Procuradoria de Santa Cruz e da Procuradoria de La Paz. Também foram presos indivíduos que retiravam grandes quantias em dinheiro da residência de Roger Mariaca, dinheiro proveniente de extorsões a cidadãos que buscavam justiça.
O governo destacou que o financiamento obtido por essa organização criminosa era responsável por bloqueios de 53 dias que causaram isolamento, intimidação e mortes em rodovias bolivianas. A ação das autoridades bolivianas integra uma ofensiva contra o crime transnacional alinhada com os Estados Unidos.
Roger Mariaca negou as acusações e afirmou que as sanções americanas configuram interferência política. A prisão gerou protestos na Procuradoria-Geral, que classificou a operação como um ‘sequestro’ institucional sem observância das garantias legais do cargo.
Por outro lado, setores do governo apoiam a ação policial, ressaltando a importância de investigar com rigor as denúncias internacionais e o envolvimento de autoridades no crime organizado.
