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Primeira imagem de buraco negro pode ser revelada na próxima quarta-feira

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Desde de 2017, seis telescópios de diferentes partes do mundo apontam para dois buracos negros que nunca foram vistos

Buraco negro: o projeto Event Horizon Telescope (EHT) tenta registrar buracos negros (Science Photo Library – MARK GARLICK./Getty Images)

Será que, enfim, poderemos ver um buraco negro? Uma colaboração internacional de radiotelescópios e observatórios, o projeto Event Horizon Telescope (EHT), que procura capturar a primeira imagem de um desses “monstros” do espaço, anuncia “um resultado sem precedentes” para a próxima quarta-feira.

O mistério é total sobre o que será revelado, mas a mobilização é excepcional: “Seis grandes coletivas de imprensa serão realizadas simultaneamente no mundo: na Bélgica (Bruxelas), Chile (Santiago), China (Xangai), Japão (Tóquio) Taipei (Taiwan) e Estados Unidos (Washington)”, afirma o Observatório Europeu Austral (ESO).

Em abril de 2017, oito telescópios em diferentes partes do mundo apontaram simultaneamente para dois buracos negros: Sagitário A* no centro da Via Láctea e seu congênere no centro da galáxia M87. O objetivo: tentar obter uma imagem.

Porque embora se fale de buracos negros desde o século XVIII, nenhum telescópio permitiu “ver” um.

“Nós acreditamos que o que chamamos de buraco negro existe no universo, apesar de nunca termos visto um”, disse à AFP Paul McNamara, cientista responsável da Agência Espacial Europeia (ESA) de LISA Pathfinder, um futuro observatório espacial.

Buracos negros são corpos celestes que têm uma massa extremamente importante em um volume muito pequeno. Como se o Sol tivesse apenas 6 quilômetros de diâmetro ou a Terra fosse comprimida até o tamanho de um dedo.

São tão maciços que nada lhes escapa, nem matéria nem luz, independentemente do seu comprimento de onda. O outro lado da moeda é que eles são invisíveis.

Mas a ciência progride. “Os principais avanços recentes estão no campo da observação”, lembrou à AFP no mês passado o astrofísico britânico Martin Rees, ex-parceiro de Stephen Hawking, da Universidade de Cambridge.

Telescópio virtual gigante

O Event Horizon Telescope, ao conseguir criar um telescópio virtual do tamanho da Terra, com cerca de 10.000 quilômetros de diâmetro, ilustra bem os avanços da radioastronomia.

Com um diferencial inegável, porque quanto maior o telescópio, mais detalhes permite ver.

“Em vez de construir um telescópio gigante (que correria o risco de afundar sob seu próprio peso), vários observatórios são combinados como se fossem pequenos fragmentos de um espelho gigante”, explicou à AFP em 2017 Michael Bremer, astrônomo do Instituto de Radioastronomia Milimétrica (IRAM) e responsável pelas observações EHT em telescópios europeus.

Com o telescópio do IRAM em Sierra Nevada (Espanha), o poderoso rádiotelescópio ALMA no Chile e estruturas no Havaí (Estados Unidos) e Antártica, o Event Horizon Telescope cobre grande parte do planeta.

Com suas múltiplas observações, os astrônomos buscam identificar o ambiente imediato de um buraco negro.

Segundo a teoria, quando a matéria é absorvida pelo monstro, emite uma luz. O projeto EHT, capaz de captar as ondas milimétricas emitidas pelo ambiente do buraco negro, tinha como objetivo definir o contorno do corpo celeste, o chamado horizonte de eventos.

Sagitário A*, o primeiro dos dois alvos do projeto, está localizado a 26.000 anos-luz da Terra. Sua massa é equivalente a quatro milhões de vezes a do sol.

Seu congênere da galáxia M87 é “um dos buracos negros conhecidos mais massivos, 6 bilhões de vezes mais que nosso Sol e 1.500 vezes mais que Sgr A*”, diz o EHT. Está localizado a 50 milhões de anos-luz da Terra, “a proximidade na escala cósmica, mas 2.000 vezes mais distante que Sgr A*”, acrescenta.

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Ciência

Cientistas brasileiras quebram um recorde da genética

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Projeto da USP representa o maior, mais completo e mais rápido mapeamento genético já feito da cana-de-açúcar

O açúcar vindo da cana é um dos produtos mais exportados pelo Brasil (InfoMoney/Reprodução).

No último dia 29, foi publicado na revista científica GigaScience o mais novo avanço brasileiro na área da ciência. No artigo, um grupo internacional liderado por cientistas do Brasil anunciou ter completado o sequenciamento mais completo do genoma da cana-de-açúcar. A pesquisa resultou no mapeamento de 373.869 genes, o equivalente a 99,1% do total.

Financiado pela FAPESP em parceria com a Microsoft, que forneceu o sistema computacional necessário ao trabalho, o estudo marca a primeira vez em que a enorme maioria dos genes desse vegetal é investigada. A evolução pode ter aplicações em biotecnologia e melhoramento genético, afirmam os pesquisadores.

O trabalho foi ainda coordenado por mulheres brasileiras. Glaucia Mendes Souza, professora de química da USP, e Marie-Anne Van Sluys, especialista em genética da mesma universidade, foram as autoras principais do artigo.

Ao identificar praticamente a totalidade dos genes da cana-de-açúcar e relacioná-los às suas funções, o estudo permite que os cientistas manipulem o DNA para, por exemplo, fazer com que a planta produza mais açúcar ou fibra. Desse modo, a produtividade de cada planta pode crescer muito.

Apesar do grande sucesso resultante da pesquisa, o sequenciamento genético da cana-de-açúcar é um processo longo e complexo. Os diversos cruzamentos já realizados com a planta para chegar no espécime que consumimos atualmente tornou seu genoma extremamente complicado de analisar. Por isso, ainda não há previsão para o mapeamento dos 0,9% restantes do DNA vegetal.

O estudo também pode ter influência no setor nacional de produção de energia. A cana pode ser queimada como biomassa, processo que gera energia. Assim, se a pesquisa culminar em um crescimento significativo da produtividade da planta, uma porção ainda maior da eletricidade brasileira pode ser fruto dessa queima. Atualmente, cerca de 9% da energia consumida no Brasil advém da biomassa — número muito significativo, mas passível de grandes aumentos.

 

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Ciência

Estudo contra infecção generalizada (sepse) avança no Brasil

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País tem 600.000 pacientes atingidos todos os anos, sendo 30% em UTIs

País tem 600.000 pacientes atingidos todos os anos, sendo 30% em UTIs (iStock/Getty Images).

O Brasil gasta cerca de 17 bilhões de reais com o tratamento de pessoas com infecções hospitalares generalizadas, conhecidas como “sepse”.

São 600.000 pacientes atingidos todo ano, sendo 30% em UTIs.

Um estudo do médico Alexandre Nowill conseguiu aumento de 500% na sobrevida de camundongos – hoje, a taxa de mortalidade em humanos supera 50%.

Os próximos passos são testes em porcos e, então, em humanos.

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Ciência

Desenvolvimento de bebês modificados geneticamente preocupa cientistas

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O chinês He Jiankui revelou em 2018 que tinha modificado embriões para criar uma mutação que lhes daria imunidade natural contra o HIV

Bebê: em experimento, cientista modificou geneticamente embriões (twomeows/Getty Images)

As gêmeas, chinesas nascidas em 2018 de embriões modificados geneticamente provavelmente têm mutações imprevistas em seu genoma resultante de sua manipulação, afirmaram nesta terça-feira (3) cientistas após a publicação de uma versão não divulgada do estudo que detalha o experimento.

O anúncio do nascimento surpreendeu o mundo inteiro em novembro de 2018. O cientista He Jiankui revelou em Hong Kong que tinha modificado embriões no âmbito de uma fertilização in vitro para um casal, com a finalidade de criar uma mutação de seu genoma que lhes daria imunidade natural contra o HIV, o vírus causador da aids, durante sua vida. O procedimento não tinha nenhuma justificativa médica, visto que já existem técnicas para impedir sua contaminação pelo pai soropositivo.

Nasceram gêmeas e foram chamadas Lulu e Nana, e mais não se sabe. Seus pais quiseram manter sua vida em segredo.

A comunidade científica internacional e as autoridades criticaram duramente o experimento de He Jiankui e o caso avivou os chamados a proibir bebês modificados com as tesouras moleculares “Crispr”.

Um jornalista da revista MIT Technology Review recebeu o manuscrito do estudo que o cientista chinês tentou fazer publicar por revistas científicas prestigiosas e que detalha seu método e seus resultados.

Mas o texto do estudo confirma o que muitos especialistas suspeitavam: na verdade, demonstra que a mutação tentada, em parte do gene CCR5, não teve êxito, segundo geneticistas consultados.

O estudo diz que a mutação realizada é “similar” à que confere a imunidade, mas não idêntica.

Dados incluídos nos anexos apontam, ainda, que as gêmeas sofreram mutações em outros lugares de seu genoma e provavelmente distintas entre uma célula e outra, o que pode ter consequências imprevisíveis.

“Crispr” é uma técnica revolucionária de modificação do genoma inventada em 2012, muito mais simples de usar que tecnologias anteriores. Mas as tesouras cortam frequentemente do lado do lugar desejado e os geneticistas repetem que a tecnologia ainda está longe de ser perfeita para ser usada com fins terapêuticos.

“Há muitos problemas no caso das gêmeas Crispr. Todos os princípios étnicos estabelecidos foram afetados, mas também há um grande problema científico: não controlou o que fazia a Crispr e isto teve muitas consequências imprevistas”, disse o professor de genética Kiran Musunuru, da Universidade da Pensilvânia, em entrevista recente à AFP.

 

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