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segunda-feira, 13/04/2026

Petróleo sobe e ultrapassa US$ 100 após notícia de morte de comandante ligado ao fechamento de Hormuz

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O preço do petróleo voltou a subir, ultrapassando a marca de US$ 100 nesta quinta-feira (26), após ter caído no dia anterior. O barril do tipo Brent, referência global, foi negociado a US$ 102,48 (R$ 536,36) por volta das 13h30 (horário de Brasília), uma alta de 5,36% em relação ao dia anterior.

O contrato para junho iniciou a sessão em torno de US$ 98 e começou a subir por volta das 4h, ultrapassando os US$ 100. O barril WTI, usado como referência nos Estados Unidos, avançou para US$ 95,10 (R$ 497,73), valorização de 5,30%, às 14h05.

O aumento no preço ocorreu logo depois que o ministro de Defesa de Israel anunciou que ataques do país resultaram na morte do chefe da guarda naval da Guarda Revolucionária, Alireza Tangsiri, responsável por coordenar a militarização e o bloqueio virtual do estreito de Hormuz. Essa informação ainda não foi confirmada pelo Irã.

Segundo o governo israelense, um ataque de precisão matou Tangsiri e outros comandantes navais, possivelmente em Bandar Abbas, sede da principal base da Guarda Revolucionária em Hormuz.

Tangsiri era o responsável pela tática que mantém o estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e GNL (gás natural liquefeito), praticamente bloqueado desde 28 de fevereiro.

O Irã impede a passagem de navios considerados inimigos, ameaçando explodi-los, e possivelmente colocou minas na região. No Irã, a Guarda Revolucionária funciona separadamente das Forças Armadas, que até agora têm sido menos afetadas na guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel há quase um mês.

Antes do anúncio de Israel, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irã estava “implorando” para fechar um acordo e encerrar o conflito. Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, reafirmou que o país não pretende negociar.

Esse cenário incerto fez os investidores se preocuparem com possível falta de oferta de petróleo, elevando os preços da commodity.

Uma interrupção longa no estreito pode manter os preços da energia e da inflação altos, forçando os bancos centrais a apertar as políticas econômicas, avaliou Pascal Koeppel, diretor de investimentos da Vontobel SFA.

Na quarta-feira, o jornal The New York Times noticiou que o Pentágono ordenou o deslocamento de cerca de 2.000 soldados da 82ª Divisão Aerotransportada do Exército dos EUA para o Oriente Médio, oferecendo opções militares adicionais para possíveis ações contra o Irã.

“Se víssemos tropas terrestres americanas em ação, isso me deixaria muito mais nervoso”, disse Koeppel. Se isso ocorrer, “reduziríamos o risco e migraríamos para títulos governamentais de curto prazo e ouro”.

Matthias Scheiber, gestor sênior de portfólio da Allspring Global Investments, comentou que os objetivos dos EUA, Israel e Teerã são muito difíceis de conciliar.

Esse quadro também impactou as principais bolsas do mundo, que caíram nesta quinta após três dias de alta. O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, caiu 1,3%, com quedas em Frankfurt (-1,64%), Londres (-1,31%), Paris (-0,98%), Madri (-1,21%) e Milão (-0,71%).

Nos EUA, as bolsas também apresentaram perdas: Nasdaq caiu 1,52%, S&P 500 caiu 1,1% e Dow Jones 0,69%, às 14h10.

Na Ásia, os principais índices encerraram em baixa. Os índices CSI300 e SSEC da China caíram 1,32% e 1,09%, respectivamente. A bolsa de Tóquio perdeu 0,27%, Seul caiu 3,22%, Taiwan 0,3% e Hong Kong 1,89%.

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