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Petrobras ainda não vale o risco, apesar de momento positivo, diz analista

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Incertezas sobre política de preços e venda de refinarias devem manter ação distante de valor justo, segundo Marcel Zambello

Logo da Petrobras em sede no Rio de Janeiro | Foto: Sergio Moraes/Reuters

Embora vista como altamente descontada por parte do mercado, analistas do BTG Pactual digital avaliam que ainda não é o momento de comprar ações da Petrobras (PETR3/PETR4).

Nesta quinta-feira, 25, a direção da companhia irá apresentar alguns de seus planos para o mercado em seu Investor Day. Na última noite, a estatal já revelou alguns números que devem ser apresentados. Um dos principais é o plano de desinvestimento de 15 a 25 bilhões de dólares, que segundo a empresa, deve contribuir “para para a eficiência operacional, o retorno sobre o capital e a geração de caixa necessária para manter a dívida em patamar adequado”.

Porém, para Marcel Zambello, analista do BTG Pactual digital, a empresa deve sofrer maior resistência para a venda de suas refinarias. “Esse era um catalizador bem importante para as ações da Petrobras e muito provavelmente, olhando para o curto e médio prazo, a companhia deve ter um pouco mais de dificuldade para executar o desinvestimento”, diz o analista na Abertura de Mercado desta quinta-feira, 25.

Zambello também pontua que a próprio política de paridade internacional de preços da Petrobras pode estar comprometida, tendo em vista as eleições do ano que vem. “Não sabemos como vai ser a política de preços, principalmente no ano eleitoral, com pressões políticas e sociais.”

Apesar das incertezas em relação à companhia, o analista pontua que a empresa atravessa um momento favorável. “As métricas de retorno estão muito fortes. A Petrobras pode chegar a um dividend yield de 15% no ano que vem, que é um patamar bem elevado. Considerando o preço atual do petróleo e o foco no pré-sal, onde a empresa é mais competitiva, a companhia está em um momento operacional muito bom.”

Na última noite, a Petrobras ainda divulgou que pretende gastar 68 bilhões de dólares em investimentos nos próximos 5 anos, sendo 84% na exploração e produção de petróleo e gás natural. Segundo Zambello, o investimento “faz sentido” pensando no longo prazo. Ainda que com recomendação neutra para os papéis, o BTG vê o preço dos papéis da Petrobras distantes do valor justo, que seria de 36 reais para as ações preferenciais. Pelo preço-alvo do banco, o potencial de alta é de 27%.

 

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Comissão do Senado aprova projeto para segurar preço da gasolina

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A política de preços da Petrobras, adotada em 2016, no governo Temer, que se baseia nas cotações internacionais do petróleo e na taxa de câmbio, tem sido criticada por parlamentares e pelo presidente Jair Bolsonaro (PL)

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou ontem, por unanimidade, projeto de lei que propõe a taxação de exportações de petróleo cru e a criação de um fundo de estabilização dos preços dos combustíveis. A proposta visa criar uma folga para os consumidores e evitar mudanças bruscas nos preços da gasolina e demais derivados. Agora, o texto segue para votação no Plenário da Casa.

De acordo com o senador Jean Paul Prates (PT-RN), relator do projeto, a proposta é baseada em um “tripé” que, além da criação do fundo, estipula uma nova política de preços de venda a distribuidores e empresas que comercializam derivados do petróleo produzidos no país. Mas ainda há divergência entre os parlamentares sobre o subsídio. “Estamos tentando criar um sistema de amortecimento para que um país grande produtor de petróleo assegure ao investidor a receita, mas que atenue os impactos para o comprador de gás de cozinha, diesel e gasolina. É a solução possível”, afirmou o Prates.

A política de preços da Petrobras, adotada em 2016, no governo Temer, que se baseia nas cotações internacionais do petróleo e na taxa de câmbio, tem sido criticada por parlamentares e pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), que tem intensificado os ataques à empresa. O presidente da estatal, Joaquim Silva e Luna, defende a paridade internacional de preços, medida que possibilitou a redução do endividamento da empresa, turbinado nos governos petistas. No mês passado, em audiência pública no Senado, Luna, afirmou ser contrário à taxa de exportação sobre óleo bruto, medida que, segundo ele, traria insegurança jurídica e “desestimularia investimentos no Brasil”.

Inércia

A Federação única dos Petroleiros (FUP) apoia o projeto. De acordo com o coordenador geral da entidade, Deyvid Bacelar, a proposta é “um avanço”. Ele critica a constante alta dos combustíveis e a disparada da inflação, provocada pela “inércia do governo federal”. “Não é mais possível conviver com essa situação. É possível reduzir o que o brasileiro paga hoje nas bombas de gasolina e diesel e no gás de cozinha”, disse.

Na avaliação de William Baghdassarian, professor de finanças do Ibmec, ainda que os parlamentares tenham boa intenção, a iniciativa perdeu o timing. Ele disse que os preços dos insumos que compõem a gasolina caíram em todo o mundo. Além disso, não valeria a pena adotar uma medida estrutural sendo que os preços são variáveis. “Essas propostas têm eficácia limitada, pois o que faz a gasolina subir são os insumos e o preço do dólar. Já passamos pelo pior momento e, nos próximos meses, a tendência é de os combustíveis terem uma queda significativa”, disse.

De acordo com o especialista, tornar o preço da gasolina mais rígido pode dificultar futuras quedas dos preços. “O preço não é dado pelo custo e, sim, pelo valor que as pessoas estão dispostas a pagar. Se as pessoas que estão consumindo pagam o valor que for, quem vende não tem incentivo para diminuir”, afirmou. (Colaborou Maria Eduarda Angeli)

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Tesouro junta colchão para cobrir quase todo vencimento de 2022

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O colchão de liquidez brasileiro, que atingiu R$ 1,01 trilhão em outubro, deve terminar o ano ainda mais reforçado

O volume está pouco abaixo da máxima histórica, de R$ 1,2 trilhão em agosto de 2021, e próximo ao total de vencimentos do Tesouro em 2022

O Tesouro Nacional se preparou para 2022 com munição robusta para gerir a dívida pública, ano de eleição presidencial. O colchão de liquidez brasileiro, que atingiu R$ 1,01 trilhão em outubro, deve terminar o ano ainda mais reforçado.

O valor pode chegar a R$ 1,1 trilhão no encerramento de 2021, segundo cálculos do ex-secretário do Tesouro Carlos Kawall, hoje diretor da Asa Investments, e do ex-chefe do Demab do BC Sergio Goldenstein, atual estrategista-chefe da Renascença. O volume está pouco abaixo da máxima histórica, de R$ 1,2 trilhão em agosto de 2021, e próximo ao total de vencimentos do Tesouro em 2022, de R$ 1,14 trilhão.

Isso não significa que o Tesouro “não precise fazer nada” durante o próximo ano, diz Kawall, já que uma queda no caixa também pode gerar estresse no mercado. O governo passa a ter, no entanto, um poder muito grande de suavização quando o mercado estiver ruim, e de acelerar as emissões quando houver mais demanda, diz ele.

“Se houver momentos de volatilidade, ou de estresse no mercado de juros, seja por fatores domésticos, seja por externos, o Tesouro tem espaço para reduzir suas emissões, tanto de prefixados, quanto de NTN-B”, diz Goldenstein.

Além da volatilidade historicamente mais elevada em ano de disputa para presidente, o Brasil passa ainda por um cenário de inflação alta e perspectiva de crescimento baixo. Tudo isso pode ainda ser agravado por esperadas altas de juros nos Estados Unidos e fortalecimento do dólar.
Um ano de cobertura

O patamar suficiente para honrar quase um ano inteiro em vencimentos é relativamente novo na estratégia do Tesouro. Até 2015, o governo costumava ter em caixa o suficiente para cobrir entre três e seis meses de dívida. Esse valor foi sendo elevado ao longo dos anos, chegando a 12,7 meses em 2016 e 12,6 meses em 2018.

A atuação recente do Tesouro se favoreceu do aumento da demanda por títulos pós-fixados, as LFT, na medida em que a taxa Selic vem sendo elevada pelo Banco Central. As ofertas expressivas de LFT têm permitido o alongamento do perfil da dívida e uma distribuição de títulos com um equilíbrio melhor.

“Como as emissões passaram a ser mais equilibradas, com o aumento da participação relativa de LFT, o Tesouro não vai exercer uma pressão relevante sobre a curva de juros no próximo ano nas suas ofertas públicas”, diz o estrategista-chefe da Renascença.
Riscos

Em um contexto de elevação de juros pelo Fed e de agitação pelas eleições no Brasil, não dá para se descartar a possibilidade de que uma turbulência no mercado possa obrigar o Tesouro inclusive a partir para a recompra de seus títulos, como já aconteceu antes. “A chance de um episódio desses ocorrer em 2022 é bastante razoável e essa ‘gordura’ que o Tesouro está tendo vai ser muito importante no ano que vem”, diz Kawall.
O maior risco para o Tesouro, no entanto, é doméstico, especialmente se houver sinais de descontinuidade fiscal ainda maior em 2023, com aumento de gastos e continuidade do populismo. Nesse caso, não será um colchão de R$ 1 trilhão que vai resolver todo o problema, na avaliação do ex-secretário.

Um aumento da percepção do risco de crédito, devido a uma deterioração aguda do cenário fiscal, poderia afetar o mercado secundário de dívida, chegando ao mercado primário, segundo Goldenstein.
O Tesouro, na situação atual, pode ser comparado a um bombeiro que está bem abastecido de água para apagar um incêndio, diz Kawall, mas tudo depende também do tamanho do fogo. “O problema é que no Brasil as pessoas fazem o que fizeram agora com o fiscal: viram que melhorou um pouco e já querem gastar mais e estragar tudo.”

 

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Ibovespa opera entre altas e baixas em dia de decisão do Copom

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Bolsas globais avançam com notícia de que terceira dose da Pfizer pode neutralizar Ômicron

Painel de cotações da B3 | Foto: Germano Lüders/Exame

 

Ibovespa opera entre perdas e ganhos por volta das 9h10 desta quarta-feira, 8, em leve alta de 0,07%, aos 107.634 pontos. O principal índice da B3 fica dividido entre um movimento de correção após quatro pregões de ganhos, e mais um dia de influência positiva do mercado internacional, que reage à diminuição das preocupações com a variante Ômicron do coronavírus.

Os futuros dos índices americanos operam em alta de 0,2% nesta manhã após novos dados das farmacêuticas Pfizer e BioNTech mostrarem que três doses da vacina contra o coronavírus neutralizam a Ômicron. Na véspera, o S&P 500 e o Nasdaq já registraram sua melhor performance desde março.

Por aqui, investidores também devem estar atentos à última reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

O Copom anuncia no fim da tarde, às 18h30, sua decisão sobre a taxa básica de juros, a Selic, e a política monetária. A expectativa consensual do mercado aponta para uma alta de 1,5 ponto percentual (p.p.), levando a taxa Selic de 7,75% para 9,25% ao ano.

Mais importante, investidores e analistas vão ficar atentos ao teor do comunicado que sai junto com a decisão em busca de sinais na comunicação do BC sobre os próximos passos: a dúvida é saber qual a taxa de juros necessária no primeiro trimestre de 2022 para trazer as expectativas de inflação para a meta em 2022 e para o centro da meta em 2023 sem deteriorar mais ainda a atividade econômica no próximo ano.

Para boa parte do mercado, a aposta hoje aponta para uma Selic a 11,25% ao ano ao fim do ciclo de aperto.

 No campo político, o governo editou na noite de terça uma medida provisória que libera o pagamento da primeira parcela do Auxílio Brasil, no valor de 400 reais, já a partir da sexta-feira, dia 10, mesmo sem a esperada promulgação da PEC dos Precatórios.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e o da Câmara, Arthur Lira, disseram ontem que chegaram a um acordo para promulgar fatiar a PEC e promulgar partes aprovadas pelas duas casas sem alterações.

 

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Cesta básica de alimentos custa mais no Norte e Nordeste

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Pesquisa foi feita pelo Dieese em 17 capitais

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

O custo médio da cesta básica de alimentos aumentou em nove cidades brasileiras, de acordo com a pesquisa de novembro do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). As maiores altas foram registradas em cidades do Norte e do Nordeste, como Recife (8,13%), Salvador (3,76%), João Pessoa (3,62%), Natal (3,25%), Fortaleza (2,91%), Belém (2,27%) e Aracaju (1,96%). O estudo levou em consideração os preços em 17 capitais.

A elevação também foi percebida em Florianópolis (1,40%) e Goiânia (1,33%). As reduções mais importantes ocorreram em Brasília (-1,88%), Campo Grande (-1,26%) e no Rio de Janeiro (-1,22%).

Cestas mais caras
Segundo a pesquisa, a cesta mais cara foi a de Florianópolis (R$ 710,53), seguida por São Paulo (R$ 692,27), Porto Alegre (R$ 685,32), Vitória (R$ 668,17) e Rio de Janeiro (R$ 665,60). Apesar da alta em novembro, as capitais do Norte e Nordeste obtiveram valores menores: Aracaju (R$ 473,26), Salvador (R$ 505,94) e João Pessoa (R$ 508,91).

Em relação a novembro de 2020, a cesta básica subiu em todas as capitais, com maiores percentuais anotados em Curitiba (16,75%), Florianópolis (15,16%), Natal (14,41%), Recife (13,34%) e Belém (13,18%). No acumulado de janeiro a novembro deste ano, todas as capitais também registraram alta.

O Dieese estima que o salário mínimo necessário para manter uma família no país deveria ser R$ 5.969,17, o que corresponde a 5,42 vezes o piso nacional vigente: R$ 1.100,00. Em outubro, o valor deveria ter sido de R$ 5.886,50. Agência Brasil

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CAE pode votar projeto que busca conter alta dos combustíveis nesta terça

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Proposta sugere mudança na política de preços da Petrobras, pela adoção de regra que leve em conta os custos internos de produção, as cotações médias do mercado internacional e os custos de importação

Logotipo da Petrobras no edifício sede da companhia, no Rio de Janeiro (Sergio Moraes/Reuters)

 

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado deve retomar nesta terça-feira, 7, a discussão do projeto de lei que muda a política de preços da Petrobras para venda de gasolina, diesel e gás de cozinha, com o objetivo de reduzir a volatilidade dos preços. Os senadores pediram vista coletiva da proposta na última terça-feira, 30.

O texto, relatado por Jean Paul Prates (PT-RN) na CAE, foi proposto por Rogério Carvalho (PT-SE) em abril, quando a gasolina acumulava alta de 54% no ano. Em outubro, a alta acumulada já era de 73,4% ao longo de 2021. A Petrobras reajustou gasolina e diesel 11 vezes entre janeiro e outubro.

Atualmente, a Petrobras adota a política de paridade de importação (PPI), pela qual os preços variam de acordo com a cotação internacional do petróleo e os custos de importadores. A proposta muda a lógica de preços, pela adoção de uma nova regra que leve em conta os custos internos de produção, as cotações médias do mercado internacional e os custos de importação, desde que aplicáveis.

O governo deverá regulamentar o uso de bandas de preços, ou seja, estabelecer limites para a variação dos preços de combustíveis, definindo a frequência de reajustes e mecanismos de compensação. O objetivo, ao limitar os repasses dentro de determinado período, é evitar variações abruptas.

Pela proposta inicial, as bandas seriam viabilizadas por um fundo de estabilização, que contaria com receitas da própria dinâmica de preços e de um novo imposto sobre exportação do petróleo bruto. O dinheiro dessa cobrança poderia ser usado para bancar subsídio temporário em caso de reajuste de preços superior ao autorizado pela banda.

No parecer, no entanto, Prates afirma que, “apesar do mérito incontestável, há vício de competência legislativa” no artigo que cria o fundo de estabilização. Por isso, ele diz que vai propor um ajuste de redação, mantendo o objetivo da proposta, de dispor de instrumentos para a estabilização de preços de derivados de petróleo.

“Trata-se de um fundo especial de natureza contábil e, sendo assim, não pode ser criado por PL de iniciativa parlamentar”, justificou Prates, no parecer apresentado na semana passada. Esse foi o entendimento da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

O texto também deixa claro que não haverá vinculação dos recursos do imposto de exportação, mas apenas a possibilidade de uso do tributo para fins de estabilização de preço de derivados, “como uma fonte de recursos e abertura de espaço fiscal”. A vinculação dos valores, segundo o relator, afrontaria a Constituição, que impede a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa.

O Programa de Estabilização de preços de derivados de petróleo poderá contar com o sistema de bandas e utilizar como fonte de receita “um cardápio à disposição do gestor público”, diz o parecer. Entre elas, o imposto de exportação sobre o petróleo bruto. “A redação remete ao uso do tributo apenas como possível fonte para abertura de espaço fiscal, e não como vinculação de receita”, reforça.

O imposto sobre exportação será progressivo, variando entre 0% e 12,5%, com alíquota maior na medida em que cresçam as cotações do petróleo. A proposta é de 0% sobre o petróleo bruto com valor até 80 dólares por barril, de 7,5% para o produto acima de 80 dólares e abaixo ou igual a 100 dólares por barril, e, se o preço for maior que 100 dólares por barril, a alíquota será de 12,5%.

 

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Sob pressão dos bancos, governo aumenta juros no consignado para 2,14%

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A partir do próximo ano, esse teto, que era de 1,80%, voltará para o patamar de 2,14% ao mês

(Getty Images)

O Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) aprovou nesta segunda, 6, por unanimidade, o aumento do teto de juros para empréstimo consignado para aposentados e pensionistas do INSS – aquele com o desconto já na folha de pagamento. A medida era cobrada pelos bancos. A partir do próximo ano, esse teto, que era de 1,80%, voltará para o patamar de 2,14% ao mês, que vigorou até o início da pandemia. Nas operações realizadas com cartão de crédito, a taxa vai sair de 3% para 3,06% ao mês.

“Importante destacar que, aqui no conselho, nós definimos o teto de juros do consignado, não a taxa que será aplicada”, afirmou em nota o secretário de Previdência do Ministério do Trabalho e Previdência, Leonardo Rolim.

Segundo o ministério, essa alta na taxa foi motivada pelo aumento da taxa básica de juros, a Selic, e da inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) nos últimos meses. De acordo com o órgão, os conselheiros reconheceram a necessidade de mudar a taxa para se adequar às oscilações do mercado financeiro. O CNPS deverá publicar uma resolução com a recomendação para o INSS alterar o teto das operações de crédito.

Também a partir de 2022 aposentado ou pensionista do INSS poderá comprometer até 35% de sua renda mensal com o consignado, sendo 30% para o empréstimo e 5% para o cartão de crédito consignado. Durante a pandemia, esse limite foi ampliado para 40%, no empréstimo, e 5% no cartão de crédito. Já o prazo máximo para quitar o empréstimo cairá dos atuais 84 meses (sete anos) para 72 meses (seis anos) também a partir de janeiro de 2022.

Bancos

Em nota, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) afirmou que a alta no limite dos juros vai permitir uma ampliação da oferta dos financiamentos, que têm custo mais baixo, já que são atrelados à folha de pagamento.

“Os bancos entendem ser importante evitar que o custo de captação e as despesas do crédito consignado inviabilizem a concessão de benefícios a uma parcela significativa destes aposentados e pensionistas, particularmente neste período de final e início de ano”, afirmou a entidade. “O retorno ao patamar de 2,14%, que valeu de março de 2017 a março de 2020, mitigará esse problema.”

Os bancos vinham pedindo uma revisão do teto anterior, válido desde o começo da pandemia, diante do ciclo de aperto da taxa básica de juros. Como os custos de captação das instituições são atrelados à Selic, houve uma pressão de custos, de acordo com os bancos, que desestimulou a oferta do consignado.

Segundo a Febraban, citando dados do Banco Central, as concessões de empréstimos consignados caíram nos últimos meses, recuando de R$ 9,37 bilhões, em abril, para R$ 7,18 bilhões em outubro.

 

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