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Para economistas, mudar “RH do Brasil” é essencial

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Na visão deles, a reforma administrativa é que deve ser privilegiada no momento

Congresso: “Depois da Previdência, a reforma administrativa é a mais importante”, diz a economista Ana Carla Abrão, sócia da Oliver Wyman (Paulo Whitaker/Reuters)

São Paulo — Na agenda do governo, o novo pacto federativo e a reforma tributária parecem receber uma atenção especial. Mas, na visão de economistas ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, a reforma administrativa é que deve ser privilegiada no momento.

“Depois da Previdência, a reforma administrativa é a mais importante”, diz a economista Ana Carla Abrão, sócia da Oliver Wyman, empresa de consultoria americana, e coautora do estudo Panorama Brasil: Reforma do RH do Estado, realizado em parceria com o também economista Arminio Fraga, sócio da Gávea Investimentos e ex-presidente do Banco Central, e Ari Sundfeld, advogado especializado em Direito público e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

“Essa é uma discussão que precisa ser feita para ontem”, afirma o economista Luís Eduardo Assis, presidente da Fator Seguros e ex-diretor de Política Monetária do Banco Central. “Nenhuma empresa privada conseguiria ter o mínimo de eficiência se tivesse de cumprir as regras da gestão de pessoas do governo federal: os salários iniciais são muito altos, quase não existe chance de adotar a meritocracia e é praticamente impossível penalizar as pessoas que não têm bom desempenho.”

De acordo com Ana Carla, a maior parte da população depende do Estado para ter chance de melhorar de vida, mas a “máquina” não entrega serviços básicos de saúde, educação e segurança de boa qualidade. “A gente gasta cada vez mais, mas os serviços públicos não melhoram”, diz. “É preciso reinventar essa máquina, principalmente por uma questão de justiça social, mas também por questões de produtividade e fiscais, porque o gasto de pessoal é o segundo maior do governo, logo após a Previdência.”

Na avaliação de Assis, que chama a proposta de “a reforma esquecida”, não tem sentido mudar a Previdência, que afeta toda a população, e comprimir os investimentos em infraestrutura, para cumprir a lei do teto de gastos, sem discutir o problema da folha de pagamento do funcionalismo. “Como 93% das despesas são obrigatórias, acaba sobrando para o investimento, que é aquilo que pode ser comprimido, mas é o que deveria ser fomentado.”

Ana Carla discorda do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para quem os servidores atuais devem ser poupados. “Não dá para fazer omelete sem quebrar os ovos”, afirma. “É positivo construir regras mais racionais daqui para a frente, mas não pode deixar de enfrentar uma questão que está presente e esperar 40 anos até os atuais servidores se aposentarem, para que o efeito do novo regime se faça sentir plenamente.”

Ela teme a “contaminação” do novo sistema e diz, com base em estudo feito com o advogado Jairo Saddi, que o Judiciário é “muito suscetível” às causas do funcionalismo. “O Estado perde todas as causas referentes aos servidores nos tribunais superiores”, afirma.

Assis preocupa-se com a resistência do funcionalismo, num quadro em que o governo tem “enormes dificuldades” de articulação no Congresso. “A gente não pode subestimar os obstáculos”, diz. “O funcionalismo é uma categoria bem articulada e certamente vai resistir às mudanças, mas essa é uma questão que tem de ser enfrentada rapidamente.”

 

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Economia

Dólar recua após recorde, mas segue acima de R$ 4,30

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Às 9:06, o dólar recuava 0,11%, a 4,3163 reais na venda em meio a temores generalizados sobre o impacto econômico do surto de coronavírus

Dólar: contrato mais líquido da moeda futura tinha queda de 0,15%, (Anadolu Agency/Getty Images)

São Paulo — Depois de fechar na máxima histórica de 4,3210 reais no último pregão, o dólar inciava a semana em queda contra o real, mas seguia acima de 4,30 em meio a temores generalizados sobre o impacto econômico do surto de coronavírus na China.

Às 9:06, o dólar recuava 0,11%, a 4,3163 reais na venda. O contrato mais líquido de dólar futuro tinha queda de 0,15%, a 4,319 reais.

Na última sessão, na sexta-feira, o dólar interbancário disparou 0,82%, a 4,3210 reais na venda, máxima recorde para um encerramento.

Entre 11h30 e 11h40 desta segunda-feira o Banco Central ofertará até 13 mil contratos de swap cambial para rolagem do vencimento abril de 2020.

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Economia

Mercado financeiro reduz estimativa para a inflação de 2020

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Pesquisa Focus, do Banco Central, também aponta que o mercado financeiro prevê a Selic mantida em 4,25% neste ano

INFLAÇÃO: para o UBS, a queda da Selic deve parar em 6,75%, sob risco de repetirmos a história de 2007 (Pilar Olivares/Reuters)

São Paulo — As instituições financeiras consultadas pelo Banco Central (BC) reduziram a estimativa para a inflação este ano, pela sexta vez seguida. Desta vez, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA – a inflação oficial do país – caiu de 3,40% para 3,25%. A informação consta do boletim Focus, pesquisa semanal do BC, que traz as projeções de instituições para os principais indicadores econômicos.

Para 2021, a estimativa de inflação se mantém em 3,75%. A previsão para os anos seguintes também não teve alterações: 3,50% em 2022 e 2023.

A projeção para 2020 está abaixo do centro da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. A meta, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é 4% em 2020. Para 2021, a meta é 3,75% e para 2022, 3,50%. O intervalo de tolerância para cada ano é 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, em 2020, por exemplo, o limite mínimo da meta de inflação é 2,5% e o máximo, 5,5%.

Selic

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 4,25% ao ano. Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic, pela quinta vez seguida, com corte de 0,25 ponto percentual.

Para o mercado financeiro a Selic deve ser mantida no atual patamar até o final do ano. Em 2021, a expectativa é de aumento da taxa básica, encerrando o período em 6% ao ano. Para o final de 2022 e 2023, a previsão é 6,5% ao ano.

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Já a manutenção da Selic indica que o Copom considera as alterações anteriores suficientes para chegar à meta de inflação.

Atividade econômica

A projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços produzidos no país – foi mantida em 2,30% em 2020. As estimativas das instituições financeiras para os anos seguintes – 2021, 2022 e 2023 – permanecem 2,50%.

A previsão do mercado financeiro para a cotação do dólar está em R$ 4,10 para o fim deste ano e subiu de R$ 4,05 para R$ 4,10, ao final de 2021.

 

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Economia

Coronavírus fará economia global parar pela 1ª vez após 10 anos

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De acordo com a consultoria Capital Economics, primeiro trimestre da economia global não deve ter crescimento devido a um prejuízo de mais US$ 280 bilhões

China: baixa demanda chinesa deve impactar economia global (Billy H.C. Kwok/Bloomberg)

Londres — A propagação do coronavírus custará à economia mundial mais de US$ 280 bilhões nos primeiros três meses do ano, pondo fim a uma série de 43 trimestres de expansão global, de acordo com a Capital Economics. Ou seja, pela primeira após 10 anos de crescimento,  a economia global vai parar.

Com base nessas previsões, “o PIB global não crescerá em termos trimestrais pela primeira vez desde 2009”, segundo relatório de autoria de Simon Macadam, economista global da empresa com sede em Londres.

O economista espera que o vírus seja contido e que, durante o resto do ano, “a produção perdida seja compensada nos trimestres subsequentes para que o PIB mundial atinja o nível que teria alcançado em meados de 2021, caso não houvesse acontecido a epidemia”.

O número de mortes causadas pela doenças atingiu 910 nesta segunda-feira, quando o presidente da Organização Mundial da Saúde (OMS) manifestou preocupação com a propagação do vírus entre pessoas sem histórico de viagens para a China.

A Capital Economics espera que as consequências na Ásia sejam maiores do que as ocorridas durante a epidemia da SARS em 2003.

Uma grande queda do número de visitas de turistas chineses e interrupções nas cadeias de suprimentos globais de manufatura afetarão as economias asiáticas emergentes em particular. Na Índia, na Indonésia e nas Filipinas o impacto deve ser limitado, uma vez que esses países são menos integrados à China.

Já entre as nações ricas, uma das mais atingidas será a Austrália, devido à sua dependência de exportações para a China e dos gastos de turistas chineses no país.

 

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