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‘O senhor que me demita’, diz Mandetta em briga com Bolsonaro por telefone

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Em uma dura conversa, ministro da Saúde disse ao presidente que ele deveria se responsabilizar pelas mortes na pandemia

No jantar que teve com Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia na noite desta quinta — como o Radar revelou mais cedo –, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, narrou aos chefes do Legislativo o tenso diálogo que travou com o presidente Jair Bolsonaro pelo telefone.

Durante a ligação, o presidente teria dito ao ministro da Saúde que ele deveria pedir demissão e deixar o governo. Mandetta rebateu de pronto: “O senhor que me demita, presidente”.

A partir desse momento, a conversa teria esquentado ainda mais, ao ponto de o ministro da Saúde recomendar ao presidente que ele se responsabilizasse sozinho pelas mortes causadas pelo coronavírus, que já infectou 8.230 brasileiros e matou 343 pessoas.

Apesar da tensa discussão, Mandetta trabalha normalmente nesta sexta e já participou de uma série de reuniões.

Como o Radar mostrou mais cedo, depois de ser atacado publicamente pelo presidente nesta quinta, o ministro da Saúde foi jantar com os presidentes do Senado e da Câmara na residência oficial do Senado.

Na conversa, o ministro estava inconsolável. Disse aos chefes do Congresso que a situação com o presidente era “insustentável”.

Seguidamente boicotado nos bastidores pelo Palácio do Planalto, atacado nas redes sociais por aliados de Bolsonaro e agora publicamente pelo próprio chefe da República, Mandetta revelou estar no seu limite.

Na conversa, que entrou a madrugada, Mandetta disse a Maia e Alcolumbre que, por ele, está fora do governo. Bolsonaro não mereceria o empenho dele e de seus técnicos. Os chefes do Legislativo apelaram para que ele resistisse o máximo possível no cargo.

Em uma videoconferência do Valor, Maia disse que Bolsonaro “não tem coragem de tirar o ministro e mudar oficialmente a política de enfrentamento à pandemia”.

Bolsonaro deixou claro nesta quinta que teme ficar com a conta das mortes da pandemia no Brasil, se realizar mudanças no plano de combate do ministério e dos governadores. Mesmo assim, bateu duro em Mandetta.

“Mandetta já sabe que estamos nos bicando. Ele está extrapolando. Mas não posso demitir ministro em meio ao combate. Nenhum ministro meu é indemissível”, disse Bolsonaro nesta quinta.

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Desmatamento cresce quase 30% na Mata Atlântica

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Segundo levantamento da Fundação SOS Mata Atlântica, entre 2018 e 2019, mais de 14.000 hectares foram eliminados; Situação é mais intensa em Minas Gerais

Mata Atlântica: área volta a ter alta no desmatamento após período de queda (Fundação SOS Mata Atlântica/Divulgação)

Bioma que mais perdeu floresta no Brasil, a Mata Atlântica teve aumento de 27,2% no desmatamento entre 2018 e 2019: foram 14.502 hectares desflorestados no período, contra 11.399 hectares eliminados entre 2017 e 2018.

O levantamento é do Atlas Mata Atlântica — iniciativa da Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A evolução do desmatamento volta a ocorrer após dois períodos de queda.

Realizada com base em estados, a análise destaca que a situação é mais intensa em Minas Gerais, que perdeu quase 5.000 hectares de floresta nativa. Na sequência estão Bahia (3.532 hectares) e Paraná (2.767 hectares).

Segundo Mario Mantovani, diretor de políticas públicas da SOS Mata Atlântica, a evolução do desmatamento nestas regiões mostra uma expansão das ações de destruição do meio ambiente, recentemente focadas com mais ênfase na região amazônica.

O quadro é alarmante, já que, hoje, restam pouco mais de 12% da Mata Atlântica.

Alguns estados, no entanto, apresentaram desmatamento zero — entre eles, os estreantes Alagoas e Rio Grande do Norte. A diretora executiva da fundação, Marcia Hirota, alerta, no entanto, para a possibilidade do “efeito formiga”, quando há pequenos desmatamentos que seguem ocorrendo, mas não são detectáveis por satélite.

Flexibilização de normas

O estudo é publicado dias depois da divulgação, por decisão do Supremo Tribunal Federal, do vídeo da reunião ministerial. Na ocasião, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, falou em aproveitar o foco da imprensa na pandemia da covid-19 para “ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas”.

A fala sugere uma possível intenção de flexibilização das normas ambientais, o que foi posteriormente negado pelo ministro. O vídeo teve repercussão internacional: a ativista sueca Greta Thunberg chegou a postar notícia sobre o assunto no Twitter, com o comentário “Imagine as coisas que foram ditas longe da câmera… Nosso futuro comum é apenas um jogo para eles”.

No início de maio, Salles fez um despacho para recomendar aos órgãos ambientais a seguir as normas do Código Florestal, e não da Lei da Mata Atlântica — esta mais rigorosa.

Em agosto de 2019, o Brasil se viu no centro de uma crise ambiental que teve como estopim uma série de alertas de desmatamento gerados pelo INPE. Em um movimento polêmico, o instituto chegou a ter seu comando trocado. A má gestão das ações para evitar o desmatamento teve impacto internacional, e fez com que a Alemanha bloqueasse doações ao Fundo Amazônia.

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Desigualdade e alfabetização desafiam educação na pandemia da covid-19

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Professores, alunos, pais e autoridades avaliam que covid-19 escancarou desigualdades e trará impactos, ainda desconhecidos, para as crianças do país

Educação: 55% das redes estaduais e 60% das redes municipais não desenharam estratégias para garantir o acesso à conteúdos durante a quarentena (Leonardo Fernandez Viloria/Getty Images)

“Estou exausto e trabalhando facilmente cerca de 15 horas diárias. No ensino à distância não é só dar a aula. Você trabalha muito fora do seu horário; são muitas demandas novas o tempo todo”.

Essa rotina foi relatada  por um professor de gramática de uma escola particular na cidade de São Paulo, mas a sensação é compartilhada entre diferentes atores educacionais. Diante da pandemia do novo coronavírus, eles se viram obrigados a adaptar, em questão de dias, o modelo secular das escolas tradicionais.

No Brasil, o avanço da covid-19 forçou o fechamento das unidades de ensino já no início de março. A atividade foi uma das primeiras a serem suspensas, por conta da orientação das autoridades de saúde indicando a urgência do distanciamento social.

Segundo monitoramento da Unesco, agência da ONU para educação, 52 milhões de estudantes brasileiros ainda estão fora das salas de aulas. Com exceção das turmas mais infantis, a maioria, contudo, enfrenta os desafios do ensino remoto. Na avaliação de especialistas, a pandemia vai mudar para sempre o modelo educacional em todo o mundo.

Mas há motivos importantes que explicam por quê até hoje, mesmo com os avanços tecnológicos, a educação básica não migrou para o ambiente virtual. Para além da discussão sobre a qualidade das aulas presenciais, o ensino à distância tem limitações para garantir o aprendizado de crianças e jovens.

A falta de acesso universal à internet e a inexperiência de professores, alunos e pais com a educação virtual, principalmente para a fase de alfabetização, são dois dos principais desafios enfrentados.

“A escolha prioritária por plataformas digitais já tende a excluir camadas da sociedade. O que a rede privada pode fazer, o setor público não pode se dar ao luxo, mesmo com o intenso e dedicado esforço dos educadores. Essa crise escancara as desigualdades que já existem no sistema de ensino”, diz Ricardo Henriques, superintendente do Instituto Unibanco.

Um levantamento do Centro de Inovação para Educação Brasileira, feito com 21 estados e 3.000 municípios, revelou que 55% das redes estaduais e 60% das redes municipais não desenharam estratégias para garantir o acesso à conteúdos durante a quarentena.

Dos que adotaram medidas, há uma diversidade na distribuição de conteúdos, que vão desde plataformas online, vídeo-aulas e redes sociais até o uso da TV aberta e emissoras de rádio, entre outras.

“Dou aula para crianças na rede municipal e adultos na Escola de Adultos e Jovens. Todos têm dificuldades, seja pelas próprias famílias que são analfabetas ou pela falta de acesso à internet. Muitos não têm celular, e outros são idosos que não sabem mexer em nada”, relata a professora Catarina Lopes, que trabalha em Jundiaí, no estado de São Paulo.

Segundo ela, o WhatsApp foi a forma mais acessível que as escolas encontraram para passar pelo menos exercícios aos estudantes. Algumas, no entanto, precisaram comprar chips até para professores. “Esse mínimo de contato não vai ser perdido, mas não será possível exigir na volta à escola um avanço como se estivessem ficado nas salas de aula”, diz.

Cauê Vitorasso, de 17 anos, estuda em uma escola estadual de tempo integral em Guarulhos. Ele se prepara para prestar medicina por meio do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, e se esforça para tentar ter o mesmo desempenho nas aulas à distância que teria nas presenciais. “É cansativo e mais complicado de entender alguns conteúdos, mesmo com o suporte do professor, pois ele não está ali do seu lado”, conta.

Em sua casa, Cauê mora com mais seis pessoas, algo que desafia diariamente a sua concentração. “Preciso de fone e tentar ficar na mesa sem me distrair”. A pandemia, relata, trouxe um desequilíbrio tanto emocional quando acadêmico, mas ele tenta não ver o ensino à distância como um inimigo. “Muita gente não tem nem isso”.

Processo de alfabetização

Apesar da desigualdade educacional, há desafios em comum que escolas públicas e particulares estão enfrentando com a suspensão forçada das aulas. Crianças em idade de alfabetização é um deles.

“É importante lembrar que pai não é professor. Professor é uma profissão complexa, que demanda uma formação especializada. Hoje, vários pais estão se desdobrando e estão angustiados, porque todo o despreparo social para lidarmos com uma pandemia está dentro de casa”, diz Cláudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Mãe solo de uma criança de sete anos e responsável por uma importante área no seu trabalho, que consome grande parte de seu dia, Aline vive essa angústia desde o início da quarentena. Seu filho, estudante de uma escola particular da cidade de São Paulo, tem tido aulas por vídeo de uma hora duas vezes por semana. Diariamente, no entanto, há tarefas que ele precisa cumprir.

“É muito pouco tempo de aula para o tanto que ele precisa fazer. Diversos assuntos eu não sei explicar e precisei pedir para que a professora me ajudasse. Me preocupo com o processo de alfabetização dele. Sou separada, dispensei a babá, tenho que cuidar da casa, acompanhar aula online, fazer a lição, cuidar do meu filho e trabalhar diariamente”, conta.

João Marcelo Borges, diretor de estratégia política do Todos pela Educação, explica que o processo de alfabetização não encontra uma resposta única, já que cada criança precisa de um tipo de atividade e estímulo direcionado para avançar nesse processo. “Requer um nível de especialização que mesmo pais com boa escolaridade não têm”, diz.

O tamanho do impacto na alfabetização das crianças no Brasil, no entanto, só poderá ser medido nos próximos anos, explica o secretário de Educação do Maranhão, Felipe Camarões. Ele, que também é professor, relata estar focado no período pós-pandemia. “Nosso maior receio hoje não é a falta de avanço na educação, mas o retrocesso da aprendizagem”.

A rede estadual está disponibilizando aulas em diversos canais, como YouTube, TV aberta, rádio, podcast, Instagram, Facebook e WhatsApp, mas segundo dados coletados pela secretaria, durante a quarentena, 35% dos alunos não estão conseguindo acompanhar os conteúdos.

Os próximos anos pós pandemia da covid-19 serão de transformações sociais importantes, e a área de educação deve ser uma das mais impactadas pelas mudanças. Há oportunidades importantes que podem ser aproveitadas para diminuir o abismo das desigualdades educacionais, e um bom ensino à distância pode ser uma delas.

 

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Iniciar flexibilização em SP agora pode ser prematuro, dizem especialistas

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Especialistas defendem a flexibilização da quarentena quando a curva de mortes por coronavírus está descendente e a taxa de contágio em torno de 1

São Paulo: Doria deve anunciar nesta quarta (27) o plano de saída da quarentena de coronavírus (Eduardo Frazão/Exame)

Especialistas dizem que pode ser cedo para iniciar a flexibilização em São Paulo. Isso porque a curva do número de casos e mortes por coronavírus ainda é ascendente e uma pessoa infectada pode transmitir a covid-19 para outras três. O ideal, segundo os especialistas, seria flexibilizar a quarentena com a curva descendente e com a taxa de contágio em torno de 1.

“Não acredito que já estejamos prontos. Não só São Paulo, mas o Brasil todo. Não está na hora de flexibilizar o isolamento. Não temos nenhum indicativo de que estejamos no pico de infecção. Temos a vantagem de olhar para trás e ver o que funcionou e o que não funcionou em outros países. O principal critério que vem dando certo é flexibilizar no declínio da curva. Os países europeus começaram a flexibilizar agora e estão mais ou menos um mês na nossa frente”, afirmou o presidente do comitê científico da Sociedade Brasileira de Imunologia, João Viola.

O epidemiologista Airton Stein, professor titular de saúde coletiva da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), lembra que é preciso definir estratégias para flexibilizar a quarentena. “Não tem solução mágica, as medidas de isolamento social são necessárias. Hoje a taxa de transmissão é muito alta, e as restrições só deveriam ser afrouxadas com a taxa em torno de 1. É preciso testar para detectar os casos precocemente. O problema é fazer a flexibilização sem essas estratégias.”

A nova quarentena em São Paulo será “heterogênea”, com regras diferentes para as distintas regiões. Interior e litoral devem ter as medidas afrouxadas mais brevemente – na capital e região metropolitana as restrições devem permanecer por mais tempo. Para Elize Massard da Fonseca, coordenadora de projeto que analisa as medidas de enfrentamento ao coronavírus, a estratégia de dividir o Estado pode não funcionar.

“Não adianta se não houver controle na circulação das pessoas. Acho importante entender quais evidências o governo teve para adotar as novas medidas, não acredito que tomariam uma decisão sem informação. Mas pelo histórico temos visto que essas decisões não têm sido bem planejadas, como as medidas do rodízio e do bloqueio de vias que duraram uma semana. Esperamos que desta vez tenha alguma evidência que embase as novas medidas”, disse.

O professor Sérgio Roberto de Lucca, da área de saúde do trabalhador do departamento de saúde Coletiva da Unicamp, alerta para o baixo número de testes de coronavírus. “Estamos trabalhando no escuro, faltam dados do que realmente está acontecendo.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Brasil lidera registro diário de mortes por coronavírus no mundo

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Pelo segundo dia consecutivo, Brasil supera os Estados Unidos no número diário de mortes por coronavírus

Coronavírus: no total, 24.512 mortes foram confirmadas no Brasil desde o início da pandemia (Bruno Kelly/Reuters)

Com 1.039 novas mortes pelo coronavírus registradas nesta terça-feira, 26, o Brasil se consolidou como o país com o maior número diário de óbitos do mundo, superando os Estados Unidos, que ocupavam até domingo essa posição. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil já acumula 24.512 mortes desde o início da pandemia e chegou à marca de 391 mil infecções – 16.324 em um dia.

O Brasil já é o segundo colocado em todo o mundo em relação ao número acumulado de infecções – atrás apenas dos Estados Unidos, que vêm registrando, nos últimos dias, números inferiores na comparação com o início do mês. Até ontem, era 1,6 milhão de casos nos EUA, com 98,2 mil mortes, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças. Foram 592 novos óbitos nos EUA em 24 horas. Enquanto os números começam a cair por lá, por aqui a expectativa é de alta.

O aumento em dados diários de óbitos no Brasil ocorre em um contexto no qual a América do Sul é considerada novo epicentro da pandemia. Países europeus, como Itália e França, têm tido queda nos registros. O fracasso na adoção do isolamento social, o déficit de testagem e a posição negacionista de parte dos líderes políticos são apontados por especialistas como fatores que levam ao agravamento do quadro no País.

Na opinião de Mario Scheffer, professor da Faculdade de Medicina da Universidade São Paulo (USP), o País atingiu esse patamar por causa do fracasso no distanciamento social e da falta de testes para identificar os infectados. “Não foi estruturada uma rede de testagem para detectar e isolar os sintomáticos, persistindo a infecção intra e extra domiciliar”, diz. “Três meses depois de decretada a emergência nacional, ainda é improvisada e insuficiente a rede de terapia intensiva e de suporte a casos graves.”

O virologista Rômulo Neris, mestre em Microbiologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), atuou na Universidade da Califórnia como pesquisador visitante até a semana passada. Mas decidiu retornar ao Brasil para trabalhar na força-tarefa contra a covid-19. O especialista afirma que os dois países mostraram trajetórias similares no início do enfrentamento à pandemia, mas depois se distanciaram.

“No início da pandemia, os dois países tinham déficit na capacidade de exames, mas os EUA conseguiram aumentá-la. Eles adquiriram respiradores e máscaras, em alguns casos de maneira até questionável. Mas se preocuparam em acumular recursos para enfrentar a pandemia. O Brasil continua com déficit na capacidade de exames a ponto de não conseguir fazer previsões sobre o surto”, opina.

O epidemiologista Paulo Lotufo também vê similaridades entre EUA e Brasil nas dificuldades de enfrentamento. “Brasil, Estados Unidos e outros países que tomaram atitudes baseadas no desejo político dos governantes, minimizando os efeitos da pandemia, estão se dando mal”, opina. “O negacionismo dos presidentes (Donald Trump e Jair Bolsonaro) e a demora em adotar a quarentena são algumas semelhanças entre os países. Lá pesou um sistema privado fragmentado e aqui, um SUS sucateado”, analisa Scheffer.

Depois que os EUA se transformaram no epicentro mundial do vírus Trump mudou a atitude, negociou com o Congresso um pacote financeiro para resgatar a economia e estendeu as restrições. No Brasil, Bolsonaro critica a quarentena.

A maneira como a doença se expandiu foi semelhante nos dois territórios, opina Márcio Bittencourt, mestre em Saúde Pública e médico do Hospital Universitário da USP. “No Brasil, tivemos surtos separados e independentes acontecendo paralelamente”, enumera. “Nos EUA, tivemos um surto em Seattle, quase um mês antes de Nova York. Depois tivemos New Orleans e Chicago.”

Isolamento

Agora o desafio brasileiro é desacelerar o avanço da doença, diz Neris. “Na falta de vacina, a maior parte das alternativas para tentar controlar a dispersão do vírus está relacionada ao isolamento. O ‘lockdown’ não pode ser para remediar. Tem de ser preventivo, e a ideia é que seja imediato.

A Califórnia estabeleceu “lockdown” logo no início e não confirmou a previsão de que seria um dos centros da epidemia.” Lotufo também defende o “lockdown” e recomenda isolamento radical de pelo menos 15 dias em São Paulo e no Rio. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

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Datafolha: lockdown tem apoio de 60%, mas cai adesão ao isolamento

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Percentual de entrevistados que dizem que se cuidam, mas estão saindo de casa, subiu de 27% para 35%

A adoção de um lockdown, medida mais radical de restrição à circulação para conter o avanço do coronavírus, é apoiada por 60% da população, mostrou pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira pelo jornal Folha de S.Paulo.

Mas a pesquisa indicou, ao mesmo tempo, queda na adesão das pessoas ao isolamento social, ferramenta defendida por governos de Estados e municípios para frear a covid-19, doença respiratória causada pelo vírus.

De acordo com o levantamento, 60% dos entrevistados consideram um lockdown recomendável, ao passo que 36% são contrários à medida, 2% não souberam responder e 1% afirmaram ser indiferentes.

Ao mesmo tempo, no entanto, a pesquisa apontou queda na adesão ao isolamento social.

O percentual dos que dizem que se cuidam, mas estão saindo de casa, subiu para 35%, contra 27% na pesquisa anterior, no dia 27 de abril. Os que dizem que só saem de casa quando é inevitável se mantiveram em 50%. Os que se mantêm totalmente isolados são 13%, ante 16% na pesquisa anterior, e os que afirmam que estão vivendo normalmente sem mudar nada na rotina somam 3%, contra 4% na pesquisa anterior.

O Datafolha ouviu 2.069 pessoas por telefone entre a segunda e a terça-feira e a margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais.

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Mortes por síndrome respiratória têm alta de 649% em Minas Gerais

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Grande aumento no número de mortes por síndrome respiratória indica substantificação dos casos de coronavírus, aponta estudo

Coronavírus: de acordo com dados oficiais, MG está com o número de casos e mortes controlados (Mauricio Bazilio/Getty Images)

Estudo feito pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) aponta uma elevada subnotificação de mortes pela covid-19 no Estado de Minas Gerais. A pesquisa mostra ainda que o primeiro óbito pela doença em Minas pode ter ocorrido no início de março, e não no dia 30 daquele mês, conforme diz o governo.

Os pesquisadores, em levantamento que considerou registros de óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) de 2017 a 2020, afirmam que, entre janeiro e abril deste ano, em comparação com a média dos anos anteriores, foi verificado aumento de 649% nas mortes por doenças desse tipo, ou seja, aquelas que apresentam sintomas parecidos com os da covid-19.

Conforme o trabalho, entre janeiro e abril de 2020, 201 mortes em Minas tiveram como causa na certidão de óbito a covid-19. No mesmo período, 539 pessoas morreram de SRAGs. Na média dos anos de 2017 a 2019, foram registradas, segundo o estudo, 72 óbitos por SRAGs.

Dados oficiais divulgados pelo Estado invariavelmente apontam Minas com resultados que poderiam ser considerados satisfatórios no enfrentamento à covid, sobretudo se considerados os vizinhos São Paulo e Rio. A explicação apresentada pelo governo é a rapidez na adoção de medidas como o isolamento social e sua aceitação pela população. Mas especialistas criticam também o baixo índice de testagem no Estado.

Segundo o professor Stefan Vilges de Oliveira, um dos responsáveis pelo estudo, o excesso de casos de SRAGs começou a ser notado a partir da semana entre 1.º e 7 de março. “Fomos atrás das séries históricas de meses anteriores e, de fato, o que observamos foi excesso no número de mortes.” Segundo ele, é fundamental a realização dos diagnósticos precisos. “Números subestimados podem causar falsa sensação de segurança, e acarretar afrouxamento por parte da população”, afirmou.

Resposta

A Secretaria de Estado da Saúde afirmou que os testes, seguindo determinações do Ministério da Saúde, são realizados atualmente em todos os óbitos suspeitos, pacientes hospitalizados com SRAGs e também em profissionais da linha de frente de combate à pandemia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

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