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O que está acontecendo com o mercado editorial em cinco perguntas

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As duas principais livrarias do Brasil pediram ajuda à Justiça para sobreviver e penaram para conseguir reabastecer suas lojas para o Natal

Livraria Cultura: empresa fecha lojas e amarga crise do mercado editorial (Foto/Wikimedia Commons)

Livraria Cultura atrasa e depois suspende seus pagamentos. Fecha as duas lojas que tinha no Rio, outra no Recife. Fecha todas as lojas da Fnac no Brasil – pouco mais de um ano antes, ela assumiu a operação da rede francesa e o dinheiro recebido para encerrar as atividades dela no País, acreditaram editores, poderia ser usado para quitar parte das dívidas. Mas não.

Saraiva, na mesma situação da Cultura, atrasa, suspende, fecha 19 livrarias na última segunda-feira de outubro, cinco dias depois de a Cultura entrar com pedido de recuperação judicial. Os rumores de que a maior rede do País, até outubro com cerca de 100 lojas, iria pelo mesmo caminho, começou a rondar o mercado editorial. E foi o que aconteceu.

Em pouco mais de um mês, as duas principais livrarias do Brasil pediram à Justiça ajuda para sobreviver – e sofreram mais um pouco para conseguir reabastecer suas lojas para o Natal (Saraiva ainda ofereceu pagamento à vista; Cultura pediu consignação; ou seja, mais crédito).

“O negócio do livro não vai voltar a ser como era há 10, 20, 50 anos independentemente do quão forte o livro impresso seja”, diz o consultor americano Mike Shatzkin. Ele completa: “A maioria dos títulos disponíveis nas grandes lojas não são vendidos com lucro; eles estão lá para gerar tráfego. Mas, na era digital, isso não funciona mais”. O futuro da livraria pequena e média, para ele, passa pela existência de uma estrutura atacadista que simplifique a vida dos livreiros. E pela aceitação de um negócio menos lucrativo.

Shatzkin é um dos especialistas ouvidos pela reportagem na tentativa de responder a perguntas que mobilizam o setor e leitores no momento: O que está acontecendo com as livrarias? O que vai acontecer com as editoras? O audiolivro pode vingar? Afinal, o brasileiro lê e compra livro? E o que o mercado internacional pode ensinar?

A livraria do passado, presente e futuro em fase de reavaliação

Depois de anos investindo em grandes lojas que ofereciam não apenas livros, mas televisão, telefone, games, DVDs, CDs, lápis e caderno, a conta chegou para as duas principais redes de livrarias do Brasil – a Saraiva e a Cultura. Com uma dívida cada vez mais alta e sem credibilidade perante os editores, elas entraram com pedido de recuperação judicial entre outubro e novembro.

O que vai acontecer num futuro próximo ninguém é capaz de prever. Se não conseguirem cumprir com o plano de recuperação, elas quebram, deixando para trás R$ 365 milhões em dívidas apenas com as editoras, que perdem também dois grandes clientes. Sem contar que isso representaria o fechamento de quase 100 livrarias no Brasil – hoje, são cerca de 2.500 (em 2012, eram 3.481; 20 mil é o número ideal para a Unesco).

Havia esperança de que a Casa Civil gostasse do projeto lei do preço fixo, que limitaria o desconto dado a lançamentos por um determinado período – isso não resolveria a atual crise, mas colocaria as livrarias independentes no jogo. Mas ele foi rejeitado agora e as entidades do livro terão que começar a conversa do zero com o novo governo.

As pequenas livrarias vêm sofrendo nos últimos anos com a hiperconcentração do varejo, algo do qual as editoras, por sua política de desconto, também são responsáveis. “A atual crise não é só das grandes. Trata-se de um processo iniciado nos anos 1980 que conjuga a tendência econômica à hiperconcentração com o advento das novas tecnologias e as modalidades de consumo delas decorrentes”, diz Bernardo Gurbanov, presidente da Associação Nacional de Livrarias.

Como sair dessa? “Temos que voltar à origem – fazer o simples, o feijão com arroz na administração do negócio -, e repensar a comunicação com o cliente. Uma livraria pequena precisa se diferenciar mais do que nunca. Ela nunca poderá concorrer em preço com o comércio online. E ninguém vai comprar na livraria do bairro porque é amigo do dono. Vai comprar onde mais o convier”, responde.

A Saraiva está tentando voltar à origem. Em comunicado, disse à reportagem que “passa a se centrar na categoria de livros, que é e sempre será sua principal área de atuação”. Segue vendendo outras coisas, mas no site.

Um cenário desolador, que coloca em xeque o modelo de negócio e faz pensar em alternativas para o futuro, mas que tem boas notícias também. A Martins Fontes Paulista, focada em livro, registrou até a véspera do Natal crescimento de 56% no faturamento em relação ao mesmo período de 2017. Alexandre Martins Fontes, que sempre teve a Cultura do Conjunto Nacional como modelo, diz que “uma livraria física deve oferecer tudo aquilo que uma livraria virtual não oferece: atendimento personalizado, ambiente aconchegante, eventos culturais, café, etc.”. A Travessa, do Rio, chega a SP e a Lisboa em 2019. E a Leitura se espalha pelo interior do Brasil, aeroportos e rodoviárias.

Uma tragédia anunciada e o que a crise pode ensinar

Com a crise da Saraiva e da Cultura, as editoras enxugaram os lançamentos de 2018 e 2019, diminuíram as tiragens, demitiram. Por causa da recuperação judicial das duas, a Companhia das Letras começa o ano com menos R$ 26 milhões na conta. A Record, com menos R$ 22 milhões e a Sextante, com menos R$ 18 milhões. Vai ser um ano difícil, mas elas têm condição de sair dessa.

A dívida com a Dublinense (R$ 30 mil de cada uma) é muito menor, mas os efeitos podem ser mais devastadores para uma editora independente. “Contávamos com esse dinheiro (e também o da BookPartners, o de outras livrarias menores e distribuidores que nos calotearam e sumiram) pra cumprir os compromissos assumidos de adiantamentos, traduções e publicações. Nosso fluxo é bem justo e não tem espaço para um desfalque desse tamanho. Vamos ter que cortar na carne, desistir de projetos. Não tenho como estalar os dedos e injetar essa grana que foi para o espaço”, diz Gustavo Faraon.

“Vimos o tsunami chegando e não nos preparamos. Há quatro anos o mercado entrou em recessão, e não fizemos nada. Tratamos esse assunto como estatística. Vimos o mercado cair 20%, o preço do livro se deteriorar, a inflação, a sociedade mudando o perfil de consumo, as livrarias pequenas desaparecendo, distribuidores indo à falência, os balanços negativos da Cultura e Saraiva, a Fnac saindo do Brasil. Os sinais estavam todos aí e preferimos não acreditar. 2018 vai ficar como um marco – mas que seja o de refundação do mercado”, diz Marcos da Veiga Pereira, presidente do Sindicato Nacional de Editores de Livros e sócio da Sextante.

Este ano ensinou que as editoras não podem se concentrar em poucos canais de venda, diz Pereira. Sônia Jardim, presidente do Grupo Record, conta que voltou a considerar a venda direta. “Precisamos de criatividade para buscar outros canais, independentes dessas livrarias”, diz. Nessa linha, Darkside e FTD acabam de lançar seus e-commerces e a JBC inaugurou a JaporamaStore na Vila Madalena. Companhia das Letras e Todavia fizeram feiras em suas sedes. A Festa da USP, onde editoras oferecem desconto de pelo menos 50%, foi um sucesso. E muitas casas estão buscando ter um marketplace em sites como o Mercado Livre.

Ler ouvindo é a nova aposta das editoras

O audiolivro tem se mostrado uma tendência nos EUA e em alguns países da Europa. Aqui, desde 2013, a Ubook tenta criar um mercado. Quando Eduardo Albano apresentou sua ideia para editores, ouviu que era melhor pensar em outra coisa. Vindo da área de tecnologia, ele não deu ouvidos. Hoje, a Ubook, serviço de assinatura de audiolivro, começa sua expansão para a América Latina e foi imprescindível para a entrada do Google no negócio aqui (antes da Amazon, que parece não ter pressa), ao fornecer seus 3 mil títulos em português à empresa, que os vende a la carte.

Não é a primeira tentativa de fazer o modelo pegar. Discos nos anos 1980, CDs nos 1990 – vendidos em livraras. “Mas a hora é agora”, acredita Andrea Fontes, do Google. A aposta é no smartphone sempre à mão e na grande adesão às plataformas de áudio.

Custa caro fazer um audiolivro – ¤ 300 a hora finalizada na Europa e, aqui, caminha-se para tentar ficar em ¤ 200. Se o narrador foi uma celebridade, o preço vai à altura. Só para se ter uma ideia, 21 Lições para o Século 21, de 432 páginas, dura quase 14 horas.

Como ocorreu no início do livro digital, quando algumas das principais editoras fundaram a distribuidora DLD, hoje extinta, para ter mais controle, algumas casas estão se unindo na criação de uma empresa de produção e distribuição de audiolivro – o lançamento deve ser entre abril e maio. Enquanto isso, o digital segue seu crescimento e representa algo como 7% do faturamento para a média das editorias atendidas pela Bookwire, chegando a 15% em alguns casos.

Crise é de modelo, e não de consumo

“O clima que toma conta do mercado editorial proíbe falar em otimismo, mas o fato é que, apesar de tudo, os números ainda estão favoráveis, próximos da estabilidade”, conta Ismael Borges, coordenador da Bookskan, ferramenta da Nielsen que mede a venda de livros em livrarias.

Os dados de 2018 não estão fechados, mas o resultado será positivo. Perto do zero, mas positivo. A conta não fecha pela falta de pagamento da Cultura, da Saraiva e de outras empresas em dificuldade. Borges explica que parte desse desempenho resulta de um bom primeiro semestre, seguido de meses mais difíceis.

“Teria sido um ano excepcional”, diz o sócio da Sextante, Marcos da Veiga Pereira.

“O brasileiro lê, sim – e cada vez mais. E tem uma parte do negócio, não auditada, que cresce e se torna pujante, que é da autopublicação e de novos modelos, como os serviços que assinatura”, explica Ricardo Garrido, gerente de aquisição da Amazon.

“Especialistas falam em modelo desatualizado de comercialização, velhas práticas, vícios e pouca inventividade. O mercado precisa se reinventar: a crise não é de consumo”, finaliza Borges.

O negócio do livro não será como antes

Mike Shatzkin acompanha o mercado editorial americano e internacional há mais de 40 anos. As incertezas que pairam sobre as empresas brasileiras são antigas conhecidas nos EUA, que assistiram ao colapso da Borders – ela tinha cerca de 450 megastores quando quebrou, em 2011.

“Duas coisas estão acontecendo simultaneamente. Mais e mais leituras estão sendo feitas nas telas. E o que tem sido lido em papel é cada vez mais comprado online e não numa loja física. Essa mudança ocorreu por muitas razões, mas ela é inexorável e há um longo caminho até que se encontre um equilíbrio”, explica o consultor.

Ele diz que isso não é “culpa” de ninguém, mas que não se pode administrar uma livraria do mesmo jeito quando mais da metade das pessoas que ainda leem livros impressos não consideram ir até a sua loja para comprar um livro.

E quem vai sobreviver? “Os proprietários-gestores que estiverem dispostos a ganhar menos dinheiro”, responde. “Mas o que vai acontecer depois do ‘auge’ das livrarias depende muito de existir uma infraestrutura atacadista para possibilitar a administração de uma pequena livraria”, completa. Fonte: Portal Exame

 

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Economia

IGP-M tem alta de 3,28% em novembro, diz FGV

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Com a taxa de novembro, o IGP-M acumula inflação de 21,97% em 2020 e de 24,52% em 12 meses

Vila Nova Conceição; Casas; Prédios; Jardins Foto: Germano Lüders 09/04/2016 (Germano Lüders/Exame)

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu 3,28% em novembro, informou nesta sexta-feira, 27, a Fundação Getulio Vargas (FGV). A inflação medida pelo indicador acelerou na comparação com outubro, quando houve alta de 3,23%. O resultado superou a mediana da pesquisa Projeções Broadcast com 28 instituições, de 3,19%, mas ficou dentro do intervalo de 2,81% a 3,50%.

Com a taxa de novembro, o IGP-M acumula inflação de 21,97% em 2020 e de 24,52% em 12 meses. Nesta base, o índice também superou a mediana das projeções, de 24,40%, mas ficou dentro do intervalo de 23,0% a 24,80%.

O avanço do IGP-M de novembro foi sustentado pela aceleração do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M), que subiu 4,26% nesta leitura, de 4,15% em outubro. Com o resultado, o índice de preços do atacado acumula crescimento de 30,46% em 2020 e de 34 16% em 12 meses.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) desacelerou, de alta de 0,77% em outubro para 0,72% em novembro, e acumula inflação de 3 56% em 2020 e de 4,42% em 12 meses.

O Índice Nacional de Custos da Construção (INCC-M) arrefeceu de alta de 1,69% para 1,29% e acumula inflação de 7,71% no ano e de 7,86% em 12 meses.

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Economia

Novo recorde: Taxa de desemprego bate 14,6% no 3° tri, com 14 mi na busca

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Resultado é reflexo do constante aumento da procura por trabalho após a flexibilização das medidas de contenção ao coronavírus

Desemprego: pandemia da covid-19 tem deixado milhões de trabalhadores sem meios de sustento no país (Mario Tama/Getty Images)

O Brasil tinha 14,1 milhões de desempregados ao final do terceiro trimestre, com a taxa de desemprego em nova máxima recorde, reflexo do constante aumento da procura por trabalho após a flexibilização das medidas de contenção ao coronavírus.

A pandemia de Covid-19 causou profundos danos no mercado de trabalho, que costuma ser o último a se recuperar de crises, com a taxa de desemprego chegando a 14,6% nos três meses até setembro, de 13,3% no segundo trimestre.

O dado divulgado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) nesta sexta-feira renovou o recorde da série iniciada em 2012, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“O cenário de 2020 é muito complicado por conta do impacto da pandemia. Acho pouco provável se esperar que de um trimestre para o outro vai zerar tudo que se perdeu nos dois primeiros trimestre de 2020″, afirmou a analista da pesquisa, Adriana Beringuy.

DESEMPREGO3TRI-IBGE

perda de empregados foi tão grande na pandemia que precisamos de muito tempo pela frente”, completou.

A taxa, entretanto, ficou ligeiramente abaixo daquela esperada em pesquisa da Reuters junto a especialistas, de 14,9%.

O Brasil tinha um total de 14,092 milhões de desempregados ao final do terceiro trimestre, um aumento de 10,2% em relação ao período entre abril e junho e de 12,6% sobre o mesmo período do ano anterior.

Com o relaxamento das medidas de isolamento, as pessoas passaram a sair mais para procurar emprego, o que pressiona o mercado.

O número de pessoas ocupadas, por sua vez, recuou 1,1% entre julho e setembro sobre o trimestre anterior e 12,1% na comparação anual, somando um total de 82,464 milhões, menor patamar da série histórica.

Com isso, o nível de ocupação foi de 47,1% no período, também o menor da série, de 47,9% no trimestre anterior. Segundo o IBGE, o nível de ocupação está abaixo de 50% desde o trimestre encerrado em maio, o que indica que menos da metade da população em idade para trabalhar está ocupada no país.

Os empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada somavam 9,013 milhões nos três meses até setembro, de 8,639 milhões nos três meses imediatamente anteriores.

Os que tinham carteira assinada no período eram 29,366 milhões, de 30,154 milhões antes, segundo os dados do IBGE.

Construção

Entre as atividades, somente construção e agricultura apresentaram no terceiro trimestre aumento da população ocupada. Na construção, o aumento foi de 7,5% –ou 399 mil pessoas a mais trabalhando no setor. Na agricultura, a alta foi de 3,8% — 304 mil trabalhadores a mais.

“A atividade da construção foi a que mais aumentou no período. Isso porque pedreiros ou outros trabalhadores por conta própria, que tinham se afastado do mercado em função do distanciamento social, retornaram no terceiro trimestre com a reabertura das atividades e a demanda por pequenas obras, como reformas de imóveis”, disse Beringuy.

“Não sabemos se há reação econômica, até porque apenas agricultura e construção geraram vagas, e os demais setores seguiram com perdas”, disse a analista da pesquisa.

Na véspera, o Ministério da Economia divulgou que o Brasil abriu 394.989 vagas formais de trabalho em outubro, melhor resultado mensal da série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), iniciada em 1992.

O ministério atribuiu o resultado à força da retomada econômica, mas fortemente amparado por programa de manutenção de empregos que já consumiu mais de 30 bilhões de reais da União.

“O Caged tem uma metodologia diferente da Pnad –aqui temos pesquisa domiciliar, usamos trimestres móveis e o Caged olha isoladamente um mês. Enquanto o Caged mostra recuperação da carteira de trabalho, a gente mostra um mercado que ainda não se recupera”, explicou Beringuy.

Apesar dos níveis recordes de desemprego, o ministro da Economia, Paulo Guedes, avaliou ser possível que o país chegue ao final de 2020 sem perda de empregos formais, mesmo em meio à gravidade da crise desencadeada pelo coronavírus e que deverá levar o Brasil a sua maior retração econômica já registrada.

Vale destacar que o mês de dezembro é tradicionalmente marcado por fechamento expressivo de vagas formais de trabalho.

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Economia

Confiança da indústria sobe a 113,1 pontos em novembro, diz FGV

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Resultado colocou o indicador no maior nível desde outubro de 2010, quando esteve em 113,6 pontos

FGV: “Pelo lado das expectativas, houve ajuste, mas a maioria dos segmentos ainda apresenta otimismo” (Getty Images/Getty Images)

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) chegou a 113,1 pontos em novembro, subindo ante a pontuação de outubro (111,2), conforme informou nesta sexta-feira, 27, a Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado colocou o indicador no maior nível desde outubro de 2010, quando esteve em 113,6 pontos. Dos 19 segmentos pesquisados, 12 registraram aumento da confiança e 15 estão acima do nível de fevereiro, no pré-pandemia.

O resultado da sondagem de novembro mostra recuperação surpreendente da confiança do setor industrial, principalmente devido às avaliações muito positivas sobre o momento atual. De maneira geral, a demanda foi considerada como forte e o indicador de estoques bateu novo recorde”, afirma Renata de Mello Franco, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV).

O Índice de Situação Atual (ISA) aumentou 4,5 pontos e foi a 118 2 pontos, maior valor desde dezembro de 2007 (118,9 pontos), mostrando a melhora da satisfação do empresariado com a situação corrente. Por outro lado, o Índice de Expectativas (IE) recuou 0 7 ponto e chegou a 107,9 pontos.

“Pelo lado das expectativas, houve ajuste, mas a maioria dos segmentos ainda apresenta otimismo. Apesar da queda dos indicadores de produção prevista e emprego previsto, ambos permanecem em nível elevado, sugerindo que tanto a produção como o pessoal ocupado continuariam aumentando nos próximos três meses”, explica Renata.

O indicador que afere o nível de estoque das empresas chegou a 126,2 pontos, subindo 12 pontos e atingindo o maior valor da série histórica. Cresceu de 10,6% para 15,7% o total de empresas que consideram insuficientes seus estoques, enquanto as que consideram seus estoques excessivos são 8,0%, ante 9,6% no mês passado.

A perspectiva para o ambiente de negócios nos seus meses seguintes subiu, sendo o único composto do IE a variar positivamente: passou de 100,8 pontos para 104, pontos. Preveem melhora no ambiente de negócios 49,0% das empresas – eram 45,7% na pesquisa anterior -, e 8,2% acreditam em piora – ante 11,0% em outubro.

Houve relativa estabilidade no indicador de emprego previsto, que passou de 110,9 pontos para 110,3 pontos, e recuo de 4,8 pontos no indicador de produção prevista, que chegou a 108,8 pontos.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) também ficou relativamente estável, passando de 79,8% para 79,7%. Considerando as médias móveis trimestrais, o Nuci subiu 1,4 ponto porcentual, de 77,8% para 79,2%.

 

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Economia

Guedes: Brasil poderá ter zero de perda de empregos formais em 2020

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Guedes afirmou que o número de vagas abertas em outubro foi o maior para um mês da série histórica do Caged

(Marcos Corrêa/PR/Divulgação)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quinta-feira que o país poderá chegar ao final do ano com zero de perda de empregos formais no acumulado de 2020.

Em fala à imprensa, Guedes disse que o número de vagas abertas em outubro — de 394.989 — foi o maior para um mês da série histórica do Caged (cadastro de empregos formais), iniciada em 1992.

“Se terminarmos o ano com zero de perda de empregos no mercado formal, terá sido um ano histórico para a economia brasileira”, disse Guedes.

 

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Economia

Confiança do comércio cai 2,3 pontos em novembro, diz FGV

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A segunda queda consecutiva na confiança do comércio mostra que voltam a surgir obstáculos para recuperação do setor

(Lucas Landau/Reuters)

O Índice de Confiança do Comércio (Icom) caiu 2,3 pontos na passagem de outubro para novembro, para 93,5 pontos, a segunda queda consecutiva, informou nesta quinta-feira, 26, a Fundação Getulio Vargas (FGV). Em médias móveis trimestrais, o indicador recuou 1,2 ponto.

O problema já existia muito antes de chegar a crise do coronavírus, mas vai se agravar em 2021, devido a serviços represados durante a pandemia, sobretudo na área de saúde.

“O segundo resultado negativo da confiança do comércio, em novembro, mostra que voltam a surgir obstáculos para recuperação do setor. A piora no mês foi influenciada pela percepção de redução do ritmo de vendas e ligeiro aumento das expectativas em relação aos próximos meses, mas ainda em patamar baixo. A dificuldade na recuperação da confiança do consumidor, a redução dos benefícios do governo e o cenário ainda negativo do mercado de trabalho sugerem que a retomada do comércio ainda pode encontrar mais obstáculos e que o ritmo pode ser mais lento do que o observado nos últimos meses”, avaliou Rodolpho Tobler, coordenador da Sondagem do Comércio no Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), em nota oficial.

Em novembro, houve piora na confiança em quatro dos seis principais segmentos do comércio.

O Índice de Situação Atual (ISA-COM) recuou 5,4 pontos, para 99 7 pontos. Já o Índice de Expectativas (IE-COM) subiu 0,9 ponto, para 87,5 pontos.

A coleta de dados para a edição de novembro da Sondagem do Comércio foi realizada entre os dias 3 e 24 do mês, com informações de 802 empresas.

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Economia

Ibovespa futuro abre em queda e perde os 110 mil pontos antes de Caged

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Em sessão de baixa liquidez por feriado nos Estados Unidos, investidores realizam lucros após índice tocar maior pontuação em 9 meses

Bolsa: Ibovespa recua após fechar na maior pontuação desde fevereiro (Germano Lüders/Exame)

O Ibovespa futuro abriu em queda nesta quinta-feira, 26, com os investidores realizando lucros, após o índice fechar pela primeira vez acima dos 110.000 pontos desde meados de fevereiro. Com o mercado americano praticamente inativo devido ao feriado de Ação de Graças, é esperado um pregão de baixa liquidez. No radar dos investidores estão os dados do Caged referentes ao mês de outubro, que serão divulgados somente às 16h. Acompanhe a cobertura abaixo.

A mediana das expectativas do mercado compilada pela Bloomberg é de que o Caged revele criação de 220.000 empregos formais. Caso confirmada a estimativa, o  dado será o quarto mês consecutivo de recuperação do mercado de trabalho formal. Por outro lado, representará uma desaceleração, tendo em vista que os dados de setembro apontaram para a criação de 313.564 empregos.

Ao menos o ministro da Economia, Paulo Guedes, está otimista com os dados que serão revelados nesta tarde. “Tivemos Caged positivo nos últimos meses e amanhã tem mais”, disse o ministro em encontro com investidores na quarta-feira, 25.

 

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sexta-feira, 27 de novembro de 2020

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