Hewdy Lobo, psiquiatra que já atendeu Flordelis e Carla Zambelli, acredita que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tenha passado por um quadro psíquico intenso e recomenda que ele cumpra sua pena de 27 anos em prisão domiciliar humanitária.
Segundo o especialista, o possível episódio ocorrido quando Bolsonaro tentou violar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda indica uma alteração mental, embora não caracterize um delírio, já que o comportamento apresentou certo método e organização.
Hewdy Lobo ressalta que o histórico médico do ex-presidente sustenta essa hipótese, que é plausível e explicável por profissionais que o acompanham há longo prazo.
Além disso, devido à facada sofrida e problemas intestinais enfrentados por Bolsonaro, a absorção de medicamentos pode estar comprometida, favorecendo alterações mentais semelhantes às mencionadas na defesa que solicitou prisão domiciliar.
O especialista explica que idosos com múltiplas doenças e medicamentos têm maior probabilidade de apresentar reações físicas e psíquicas adversas, incluindo distorções temporárias da realidade, condição conhecida como Delirium, embora essa última pareça menos provável devido à elaboração do comportamento observado.
Bolsonaro está cumprindo pena na Superintendência da Polícia Federal em Brasília e alega ter seis doenças que dificultariam o cumprimento da pena no Complexo Penitenciário da Papuda, conforme documentos apresentados ao Supremo Tribunal Federal entre 2019 e 2025, que evidenciam um quadro de alta complexidade envolvendo diversos sistemas do corpo.
A família defende que ele cumpra a prisão em residência no Jardim Botânico (DF), por ser um ambiente mais adequado.
Laudos Médicos
A defesa relata que Bolsonaro apresenta refluxo gastroesofágico com esofagite, hipertensão arterial essencial, doenças cardiovasculares, problemas respiratórios graves e câncer de pele.
Também sofre de soluços persistentes causados pelas cirurgias abdominais realizadas após a facada durante as eleições de 2018, o que já provocou episódios de falta de ar e desmaios, levando-o diversas vezes ao hospital.
Os laudos indicam que o tratamento exige ajustes diários nos medicamentos que agem no sistema nervoso central. O relatório destaca as consequências irreversíveis do atentado e das sucessivas cirurgias, como:
- atrofia parcial da parede abdominal;
- hérnias residuais;
- aderências intestinais extensas;
- perda significativa do intestino grosso;
- risco constante de obstrução intestinal;
- dor abdominal frequente;
- efeitos psicológicos duradouros.

