Pular para o conteúdo
Dólar R$ 5,08 ▼ 0,57% Euro R$ 5,87 ▼ 0,00% Libra R$ 6,84 ▼ 0,18% Bitcoin R$ 333.134 ▲ 0,34%
Economia

Novo cenário na negociação com Trump buscando acordo com Brasil, diz ministro

Márcio Elias Rosa, ministro do Mdic. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

MARCOS HERMANSON E ISABELLA MENON
FOLHAPRESS

Brasil e Estados Unidos encerraram a reunião desta segunda-feira (31) sem avanços concretos, porém concordaram que a negociação está em um “novo cenário”. O presidente Donald Trump recomendou aos representantes americanos a busca de um acordo com o governo do presidente Lula (PT), informou o ministro Márcio Elias Rosa (Indústria).

“Existe um compromisso político renovado para fazer um acordo e o reconhecimento de que estamos diante de uma nova situação”, disse o ministro em entrevista após o encontro. Ele esteve presente junto com o ministro Mauro Vieira (Itamaraty) na reunião com o representante de Comércio dos EUA.

De acordo com o ministro, a mudança de postura dos Estados Unidos é motivada pela imposição de novas tarifas americanas sobre produtos brasileiros. Até julho, as conversas tentavam evitar essas sobretaxas, mas agora, com elas em vigor, o Brasil defende que a relação tarifária está desequilibrada a favor dos EUA.

“Com a aplicação da tarifa de 37,5%, a desigualdade beneficia ainda mais os Estados Unidos. Qualquer concessão do Brasil só ampliaria esse déficit”, explicou Márcio Elias Rosa.

A principal conquista da reunião foi o reinício formal das negociações, sem discussão de propostas, setores específicos ou concessões de ambas as partes. Equipes técnicas dos dois países devem se reunir em breve para continuar as conversas, que ocorrerão de maneira virtual e presencial nas próximas semanas.

“A boa notícia é que retomamos o diálogo para negociar, e isso é muito importante”, afirmou o ministro. Ele creditou a retomada à ligação telefônica entre os presidentes Lula e Trump. Segundo Rosa, a orientação de Trump foi clara: buscar entendimento com o Brasil.

O ministro destacou que o retorno dos americanos ocorreu sem que o Brasil fizesse concessões. Brasília permaneceu aberta à negociação mesmo após a paralisação em julho. “Algo precisou ocorrer para que eles voltassem sem que o Brasil oferecesse nada, e isso aconteceu”, comentou.

Mesmo com a retomada, o governo brasileiro voltou a contestar os argumentos dos EUA para justificar as tarifas, como críticas à política ambiental brasileira e questões relacionadas ao Pix, ambos incluídos em investigação americana sob a Seção 301.

Márcio Elias Rosa afirmou que o funcionamento do Pix não será discutido na negociação. “O Pix é um patrimônio nacional usado por mais de 80% dos brasileiros e sua operação não está em negociação”, ressaltou.

O Brasil também apresentou dados sobre a redução do desmatamento e pediu que temas sem relação econômica ou comercial sejam excluídos das negociações.

“Não aceitaremos negociar nada que possa prejudicar os interesses econômicos do país”, afirmou o ministro.

Quando questionado sobre a possibilidade de as tarifas americanas serem retiradas, ele explicou que isso dependerá das próximas rodadas e concessões feitas por ambas as partes. “O tempo e as conversas dirão até onde cada lado está disposto a ceder”, concluiu.

Publicidade
Boletim Imprensa Pública

Comece o dia bem informado

O essencial do DF, do Entorno e do Brasil, de graça, no seu e-mail.