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Nobel de Medicina vai para estudos sobre adaptação do corpo ao oxigênio

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Premiação na categoria Medicina consagrou os trabalhos dos cientistas William Kaelin, Gregg Semenza e Peter Ratcliffe

Nobel: Thomas Perlmann, secretário geral do Comitê do Nobel apresenta os vencedores William G. Kaelin Jr, Sir Peter J. Ratcliffe and Gregg L. Semenza (Pontus Lundahl/TT News Agency/Getty Images)

O Prêmio Nobel de Medicina foi atribuído nesta segunda-feira a dois americanos, William Kaelin e Gregg Semenza, ao britânico Peter Ratcliffe por suas pesquisas sobre a adaptação das células aos níveis variáveis de oxigênio, que abrem perspectivas no tratamento do câncer e da anemia.

O prêmio de Medicina inicia a temporada do Nobel, que prosseguirá nesta terça-feira com o de Física, quarta-feira com o vencedor de Química. Na quinta-feira será a vez de Literatura e na próxima segunda-feira (14) Economia.

Na sexta-feira 11 de outubro, em Oslo, será revelado o nome ou nomes dos premiados com o Nobel da Paz.

Os americanos Kaelin e Semenza e o britânico Ratcliffe venceram o Nobel de Medicina por suas “pesquisas que revelam os mecanismos moleculares produzidos na adaptação das células ao aporte variável de oxigênio” no corpo, destacou a Assembleia Nobel do Instituto Karolinska em Estocolmo.

“A importância fundamental do oxigênio é conhecida há muitos séculos, mas o processo de adaptação das células às variações do nível de oxigênio foi durante longo tempo um mistério”, explicou a Assembleia.

Estes mecanismos também estão implicados nos tumores, cujo crescimento depende do aporte de oxigênio ao sangue, em particular alguns tipos de caso de progressão rápida, como o de fígado, que consomem tanta energia que queimam todo o oxigênio disponível ao redor deles.

Bloqueio

“Os intensos esforços atualmente em curso em laboratórios universitários e empresas farmacêuticas estão concentrados em desenvolver medicamentos capazes de interferir em diferentes fases de uma patologia, ativando ou bloqueando o mecanismo de captação de oxigênio”, explicou o júri do Nobel.

Kaelin, 61 anos, trabalha no Howard Hughes Medical Institute nos Estados Unidos; Semenza, 63, coordena o programa de pesquisa vascular no John Hopkins Institute de pesquisas sobre engenharia celular; Ratcliffe, 65, é diretor de pesquisa clínica no Francis Crick Institute de Londres e do Target Discovery Institute de Oxford.

Os premiados receberão no dia 10 de dezembro uma medalha de ouro, um diploma e um cheque de 9 milhões de coroas (830.000 euros, 910.00 dólares), valor que será dividido entre os vencedores.

A data de entrega é o aniversário da morte do inventor sueco Alfred Nobel, que idealizou os prêmios e destinou os fundos para sua criação, ao deixar boa parte de sua grande fortuna para uma fundação que leva seu nome.

Em 2018, o prêmio de Medicina foi concedido ao americano James P. Allison e ao japonês Tasuku Honjo por suas pesquisas sobre a imunoterapia, especialmente eficazes no tratamento de casos de câncer agressivos.

Favorita

Na sexta-feira, em Oslo, será revelado um dos prêmios mais aguardados, o Nobel da Paz. A ativista sueca Greta Thunberg, criadora do movimento “Sextas-feiras para o Futuro” contra a mudança climática, é a favorita nas casas de apostas.

Para cada prêmio há muitas especulações, mas qualquer previsão é arriscada, pois as listas de candidaturas permanecem em sigilo por 50 anos.

Para o Nobel da Paz, o comitê norueguês, que entrega o prêmio, registrou este ano 301 candidaturas.

Além disso, o ano de 2019 deve marcar o recomeço da Academia Sueca que entrega o Nobel de Literatura, exposta no ano passado a um escândalo de tráfico de influência e denúncias de agressão sexual.

A academia se viu obrigada a adiar o anúncio do Nobel de 2018 – algo inédito em 70 anos – ante a ausência do quorum necessário após uma série de renúncias.

Por este motivo, na quinta-feira, dia 10, serão anunciados os vencedores do Nobel de Literatura de 2018 e 2019. Alguns nomes são especulados, como a polonesa Olga Tokarczuk, o queniano Ngugi Wa Thiong’o, o albanês Ismail Kadaré, a americana Joyce Carol Oates, o japonês Haruki Murakami.

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Ciência

Poluição do ar está ligada a abortos espontâneos na China, diz estudo

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Os abortos espontâneos não percebidos ocorrem quando um feto morre ou para de crescer no início da gravidez enquanto permanece no útero

China: Os níveis atuais de PM2,5 – pequenas partículas que podem penetrar profundamente nos pulmões – em Pequim ainda são quatro vezes maiores do que os recomendados pela Organização Mundial da Saúde (Jing Xuan TENG/AFP)

A exposição a poluentes transportados pelo ar na China aumenta o risco de abortos espontâneos não percebidos, nos quais o feto morre sem que a mulher grávida sinta nenhum sintoma perceptível, disseram pesquisadores nesta segunda-feira.

Estudos anteriores mostraram uma correlação entre poluição do ar e complicações na gravidez, mas a nova pesquisa – publicada na revista Nature Sustainability por uma equipe de pesquisadores de universidades chinesas – lança luz sobre um impacto pouco estudado da poluição.

O estudo constatou que a exposição a concentrações mais altas de material particulado no ar, bem como dióxido de enxofre, ozônio e monóxido de carbono, foi associada a um maior risco de aborto espontâneo não percebido no primeiro trimestre de gravidez.

Além disso, “o aumento do risco não é linear, mas se torna mais grave quanto maior a concentração de poluentes”, afirmou o estudo.

Os abortos espontâneos não percebidos ocorrem quando um feto morre ou para de crescer no início da gravidez enquanto permanece no útero, e normalmente são detectados durante exames de rotina de ultrassom semanas depois.

Pesquisadores de quatro universidades e da Academia Chinesa de Ciências acompanharam a gravidez de mais de 250.000 mulheres em Pequim de 2009 a 2017, entre elas 17.497 que sofreram abortos.

Os pesquisadores usaram medições de estações de monitoramento do ar próximas às casas e locais de trabalho das mulheres para medir a exposição dos sujeitos à poluição.

“A China é uma sociedade em envelhecimento e nosso estudo fornece uma motivação adicional para o país reduzir a poluição do ar ambiente, a fim de aumentar a taxa de natalidade”, disseram os autores do artigo.

Embora o estudo mostre uma ligação quantitativa entre poluição e abortos espontâneos não percebidos, confirmar uma ligação causal exigiria experimentação de laboratório eticamente carregada em embriões humanos, disse Shaun Brennecke, professor do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade de Melbourne, que não participou do estudo.

Os autores do artigo “tiveram a vantagem de basear o estudo em Pequim, que teve ao longo do estudo uma ampla gama de níveis de poluição e onde os níveis diminuíram com o tempo”, disse Brennecke à AFP.

Os autores do estudo não responderam ao pedido de comentário da AFP.

Os níveis de poluição do ar na capital da China caíram significativamente nos últimos anos, apesar das leituras de poluição diferirem drasticamente de dia para dia e entre partes da cidade.

Mas os níveis atuais de PM2,5 – pequenas partículas que podem penetrar profundamente nos pulmões – em Pequim ainda são quatro vezes maiores do que os recomendados pela Organização Mundial da Saúde.

A leitura média de PM2,5 por hora da cidade foi de 42,6 microgramas por metro cúbico de ar nos primeiros oito meses de 2019, de acordo com a AirVisual, o braço de pesquisa da empresa de tecnologia de purificação de ar suíça IQAir.

As descobertas do estudo são “consistentes com outros estudos sobre poluição do ar e aborto espontâneo, e também com outros estudos que documentam associações significativas entre poluentes do ar e parto prematuro”, ddise à AFP Frederica Perera, professora de saúde pública da Universidade de Columbia, que não participou do estudo.

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Ciência

Entenda a descoberta sobre baterias que venceu o prêmio Nobel de Química

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Criadores da bateria de lítio vencem Prêmio Nobel de Química em 2019

Nobel: vencedores do Prêmio de Química deste ano são os desenvolvedores da bateria de lítio (Johan Jarnestad/Academia Real das Ciências da Suécia/Reprodução)

São Paulo – Se hoje podemos utilizar os celulares e outros aparelhos eletrônicos portáteis o dia inteiro, é graças aos cientistas John B. Goodenough, M. Stanley Whittingham e Akira Yoshino – que receberam o prêmio Nobel de Química de 2019 pela criação das baterias de íons de lítio. Quando os pesquisadores começaram a desenvolver a bateria, na década de 1970, eles optaram pelo uso do lítio exatamente pela reatividade do metal – porém, após alguns testes, perceberam que teriam que estabilizar o material para evitar possíveis explosões ao recarregarem a bateria.

Por isso, os pesquisadores decidiram trocar o ânodo – que é o polo negativo – por outro elemento. Foi John Goodenough quem teve a ideia de utilizar os íons positivos do lítio para constituir a bateria, o que acarretaria em cerca de 4 volts de potencial.

Assim que começaram a utilizar o cátodo – polo positivo – do metal lítio sugerido por Goodenough, foi Akira Yoshino que conseguiu desenvolver a primeira bateria que poderia ser comercializada, a partir de um material feito de carbono que conseguiria armazenar os íons positivos do lítio. Nesse momento, em 1985, os cientistas estavam deixando de utilizar titânio na constituição das baterias.

 

Quando testaram a bateria desenvolvida por Yoshino, os cientistas perceberam que a bateria poderia ser recarregada cerca de 100 vezes seguidas sem que começasse a falhar. Uma das maiores vantagens desse tipo de bateria é que suas reações químicas não se atrapalham, portanto, a chande de ocorrer uma espécie de choque interno é pouca, deixando-as mais duráveis.

A potência e durabilidade são fatores que tornaram essas baterias extremamente importantes para a vida moderna, pelo fato de conseguirem garantir energia para aparelhos eletrônicos – smartphones, videogames portáteis, entre outros – durante um dia inteiro ou até mais. Confira, abaixo, uma representação em inglês postada pelo Twitter oficial do Prêmio Nobel sobre o funcionamento das baterias:

 

Os vencedores do Nobel de Química repartirão, entre em si, um prêmio de cerca de R$ 3,7 milhões de reais.

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Ciência

Revelado mistério das caixas que apareceram nas praias brasileiras

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Descoberta, feita durante pesquisa sobre derramamento de óleo no Nordeste, elucidou mistério que começou há um ano

Cargueiro transportava principalmente fardos de borracha bruta. (THYRONE/Getty Images)

Fortaleza – Enquanto tentavam decifrar as causas do derramamento de óleo no Nordeste, pesquisadores da Universidade Federal do Ceará descobriram que centenas de caixas de borracha, que começaram a aparecer misteriosamente nas praias brasileiras há um ano, pertenciam a um navio alemão abatido em 1944.

O navio foi torpedeado por tropas americanas perto do Recife, em janeiro daquele ano, durante a 2.ª Guerra Mundial. Os pesquisadores identificaram inscrições em alemão na placa metálica de uma das caixas. Foi a partir daí que uma pesquisa histórica elucidou o enigma.

“Conseguimos identificar um cargueiro, chamado Rio Grande, em um banco de dados americano sobre naufrágios no Atlântico Sul durante a 2.ª Guerra. Esse cargueiro transportava principalmente fardos de borracha bruta”, disse o oceanógrafo físico Carlos Teixeira.

Para confirmar a hipótese, pesquisadores fizeram uma simulação numérica computadorizada, em que são liberadas partículas no lugar do naufrágio. O resultado mostra que elas chegam exatamente ao litoral nordestino. Qualquer relação dos fardos com as manchas de petróleo está descartada.

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