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Moradores e pesquisadores escrevem dicionário online sobre favelas

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Parecido com o Wikipedia, o Wikifavela já reúne mais de 250 verbetes elaborados por moradores sobre sua realidade na periferia do Rio de Janeiro

Rio de Janeiro: “Essa é uma oportunidade de as pessoas conhecerem as favelas pelos olhos daqueles que vivenciam e estudam aquela realidade riquíssima”, diz Sônia Fleury (Photo Patrick Altmann/Getty Images)

Um dicionário online com verbetes sobre favelas, escrito por moradores e pesquisadores, está pronto para entrar no ar. Pensado para funcionar como o Wikipedia, que permite a edição online, e coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o wikifavela é uma experiência em construção que já reuniu 284 termos, elaborados por 79 colaboradores.

Batizado como Dicionário de Favelas Marielle Franco, em homenagem à vereadora executada há um ano, foi pensado com o objetivo de apresentar o Rio de Janeiro para o Rio de Janeiro e reunir diferentes pontos de vista sobre um mesmo tema.

“A cidade do Rio jamais será uma cidade culturalmente integrada e democrática se continuar ignorando o lado que está ao lado, como se não existisse”, critica a coordenadora da iniciativa, a socióloga e cientista política Sônia Fleury. Segundo ela, o dicionário é uma forma de compartilhar e difundir conhecimento adquirido em estudos de campo, além de abrir portas para o registro da história das comunidades, passadas geralmente de geração para geração. “Essa é uma oportunidade de as pessoas conhecerem as favelas pelos olhos daqueles que vivenciam e estudam aquela realidade riquíssima, aliás. É ali que surgem as modas, as danças, a cultura, que depois vão para a zona sul”.

Verbetes

Quem acessar o dicionário vai se deparar com verbetes sobre baile funk, rolezinho, turismo em favela, lan house e mutirão da laje. E também com iniciativas com menos visibilidade, como o do movimento artístico Poesia de Esquina, o Museu da Maré, a história da Cruzada São Sebastião, o teatro contra a intolerância, as iniciativas de comunicação popular e muito mais.

Há também surpresas para aqueles que acham que conhecem uma comunidade, mas podem estar errando feio. “A imprensa, por exemplo, fica chamando de Dona Marta a favela Santa Marta (a primeira a receber uma Unidade de Polícia Pacificadora), e isso incomoda os moradores”, disse Sônia Fleury. “O desconhecimento mostra desprezo com a história da comunidade”, completa Fleury. O wikifavela explica que o morro se chama Dona Marta e a favela Santa Marta.

Muitas vezes, complementados com imagens, os verbetes têm mais de uma versão. É o caso de milícias. Um deles é assinado pelo sociólogo e cientista social Marcelo Burgos, um dos primeiros investigadores do fenômeno na favela Rio das Pedras, na capital fluminense, que começou com ex-policiais e bombeiros cobrando por serviços de segurança, e hoje administra uma série de negócios ilegais.

O outro verbete é de autoria do professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e sociólogo José Cláudio de Souza Alves. Ele comenta a existência dos grupos paramilitares sob ótica do fenômeno na Baixada Fluminense, onde estão relacionados a grupos de extermínio.

A vereadora Marielle Franco, além de batizar o dicionário, assina um dos verbetes sobre as unidades de polícia pacificadora. Marielle narra como as UPP se tornaram uma “política de repressão e controle dos pobres”, tema que abordou na dissertação de mestrado apresentada em 2014, na Universidade Federal Fluminense (UFF) e que virou livro. Na conclusão, ela destaca que as UPP deveriam ter sido “unidades de políticas públicas”, mas o que se viu foi o uso do discurso de paz para “centralizar o controle de vidas pelo Estado nas mãos das polícias”.

Há verbetes ainda para Mães Vítimas de Violência Estatal, para as chacinas da Candelária, de Acari, de Vigário Geral e do Borel, militarização e religiosidade nas comunidades.

Cadastro

Qualquer pessoa pode se cadastrar na wikifavela, acrescentar verbetes e explicações para cada um deles, contanto que se inscreva na plataforma e que a proposta esteja relacionada ao universo das favelas. O conteúdo é submetido a um conselho editorial formado por instituições de pesquisa e movimentos sociais, coordenado pela Fiocruz, com objetivo de deixar o texto claro.

O próximo passo é organizar o acervo de memória das favelas. “Há uma demanda muito grande para tornar esses acervos públicos. Têm fitas gravadas com os primeiros moradores a ponto de se perder, recortes de jornais sobre remoções, no caso de Cidade de Deus (formada a partir de outras favelas), tudo. Muitas vezes, as pessoas guardam precariamente e, agora, queremos pensar formas de guardar e disponibilizar esse material”, disse Sônia.

 

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Câmara de SP aprova proibição de canudo plástico na capital

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Projeto segue agora para sanção do prefeito; PL que proíbe que pessoas condenadas por corrupção sejam homenageadas com nomes de ruas também foi aprovado

Canudos de plástico: projeto diz que, no lugar deles, poderão ser fornecidos canudos de papel reciclável ou de material comestível ou biodegradável (Rosley Majid / EyeEm/Getty Images)

São Paulo – A Câmara de Vereadores de São Paulo aprovou nesta quarta-feira (17), em segunda votação, um projeto de lei que proíbe o fornecimento de canudos plásticos em estabelecimentos comerciais, como restaurantes, bares, padarias e hotéis. O projeto segue agora para sanção do prefeito Bruno Covas (PSDB).

O Projeto de Lei 99/2018 tem autoria do vereador Reginaldo Tripoli (PV). Pelas suas redes sociais, ele comemorou a aprovação. “Uma decisão muito importante para combater o excesso de lixo na cidade e criar uma nova visão sobre o consumo do plástico desnecessário. Agradeço à população engajada na questão, que já entendeu a urgência na mudança de hábitos.”

O projeto diz que, no lugar dos canudos, poderão ser fornecidos canudos de papel reciclável ou de material comestível ou biodegradável. Para quem descumprir o determinado, a multa imposta a partir da segunda autuação é de R$ 1 mil, e pode chegar até a R$ 8 mil em caso de reincidência, com fechamento administrativo do estabelecimento flagrado.

O vereador Fernando Holiday (DEM) votou contra o projeto, sustentando que a proibição “apenas esconde o problema real de descarte irregular de lixo”. São Paulo poderá se juntar a outras cidades que já proíbem o canudo, como o Rio de Janeiro.

Ruas

A Câmara também aprovou nesta quarta o Projeto de Lei 695/2017 que proíbe que pessoas condenadas por corrupção, entre outros crimes, possam ser homenageadas com nomes de ruas, avenidas, praças ou de equipamentos públicos como escolas e teatros na cidade de São Paulo.

“A Lava Jato vai criar uma velha geração de políticos condenados por crimes contra o Brasil, que assim que morrerem, poderão ser homenageados com nomes de ruas, já que a lei atual é subjetiva. Vemos nas ruas, pessoas defendendo condenados por corrupção e provas robustas, sem qualquer pudor”, disse o vereador Rinaldi Digilio (PRB).

 

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Morre catador baleado em ação na qual Exército disparou 80 tiros

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Nove militares foram presos preventivamente por decisão da Justiça Militar depois que o Exército abriu investigação sobre o tiroteio

Tiros: Luciano foi baleado no dia 7 de abril, quando tentava ajudar o músico Evaldo dos Santos Rosa, de 51 anos (Nacho Doce/Reuters)

Rio de Janeiro — O catador de material reciclável Luciano Macedo, baleado durante ação de militares em Guadalupe, na zona oeste do Rio de Janeiro, morreu na madrugada desta quinta-feira (18), depois de 11 dias internado.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, ele faleceu às 4h20, no Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes.

Luciano foi baleado no dia 7 de abril, quando tentava ajudar o músico Evaldo dos Santos Rosa, de 51 anos, que estava dentro de seu carro e havia sido atingido por diversos tiros disparados por militares do Exército. O músico morreu no local.

Os militares também atingiram o sogro de Evaldo, Sérgio Araújo, que foi atingido nas costas, mas já recebeu alta hospitalar.

Em uma nota divulgada à imprensa, no dia da ocorrência, o Comando Militar do Leste disse apenas que um pedestre tinha sido atingido em um tiroteio, mas não assumiu a autoria dos tiros que atingiram o catador, apesar de ter assumido a responsabilidade pelos disparos que mataram Evaldo e feriram Sérgio.

Nove militares foram presos preventivamente por decisão da Justiça Militar depois que o Exército abriu investigação sobre o tiroteio, devido a inconsistências na versão dos militares envolvidos.

Segundo o Ministério Público Militar, “em tese” eles deverão responder por homicídio doloso e tentativa de homicídio. De acordo com o Comando Militar do Leste, foram constatadas inconsistências entre os fatos inicialmente reportados pelos militares envolvidos e as informações que chegaram posteriormente ao Exército.

Ação do Exército

No dia 7 de abril, militares do Exército mataram o músico Evaldo dos Santos Rosa, de 51 anos, depois de atirar 80 vezes contra seu carro. Segundo investigações, o veículo teria sido confundido com o de bandidos que estavam agindo na região.

Além do músico, também estavam no carro seu sogro, sua esposa e seu filho, de sete anos. A família estava a caminho de um chá de bebê, quando a ação começou.

Quase uma semana depois da operação, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que foi um “incidente” a morte do músico. Em entrevista, ele disse que o Exército “não matou ninguém” e que a instituição não pode ser acusada de ser “assassina”.

“O Exército é do povo. A gente não pode acusar o povo de assassino. Houve um incidente. Houve uma morte. Lamentamos ser um cidadão trabalhador, honesto”, afirmou.

 

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Número de mortos em desabamento de prédios no Rio sobe para 20

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Corpo de Bombeiros busca por pelo menos três desaparecidos nos escombros. Os dois prédios desabaram na manhã de 12 de abril

Muzema: número de mortos no desastre chega a 20 pessoas (Sergio Moraes/Reuters)

Os bombeiros resgataram na manhã de hoje (18) o corpo de uma mulher dos escombros dos prédios que desabaram na comunidade da Muzema, na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro. Com isso, o número de mortos no desastre chega a 20 pessoas. Oito pessoas ficaram feridas.

O Corpo de Bombeiros busca por pelo menos três desaparecidos nos escombros. Os dois prédios desabaram na manhã de 12 de abril.

Os edifícios não tinham autorização da prefeitura e tiveram suas obras embargadas em novembro do ano passado. A Polícia Civil investiga agora os responsáveis pela obra e pela venda dos imóveis.

 

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