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Mercado privado tem nova previsão de vacina no Brasil, mas depende da Anvisa

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De acordo com associação de clínicas, a vacina será comercializada apenas para empresas vacinarem funcionários. Ainda não há previsão da disponibilidade para pessoas físicas

Vacina da Bharat Biotech. (Vishal Bhatnagar/NurPhoto/Getty Images)

Uma vacina contra a covid-19 deve chegar ao mercado privado no Brasil em meados de abril. Esta é a nova expectativa da Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas (Abcvac), que tinha previsão inicial de ter um imunizante ainda em março. A vacina será comercializada apenas para empresas que querem aplicar em funcionários. Ainda não há previsão da disponibilidade para pessoas físicas.

De acordo com o presidente da entidade, Geraldo Barbosa, todos os trâmites de negociação com o laboratório indiano Bharat foram encaminhados para a aquisição de 5 milhões de doses, mas ainda depende de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Tudo o que a gente podia fazer para que não fosse uma expectativa frustrada foi feito. Agora a gente espera que a Bharat consiga submeter os resultados da fase 3 de testes, para aprovar o mais rápido possível. Para que as associadas possam ofertar esta vacina o mais rápido possível para a população”

 

Representantes do mercado privado de vacinas do Brasil foram até a Índia no começo de janeiro para conhecer os processos de fabricação da chamada Covaxin. O laboratório indiano assinou um acordo com a empresa brasileira Precisa Medicamentos, para fazer a distribuição e venda no Brasil.

Por enquanto, a vacina da Bharat foi aprovada na Índia para uso emergencial, e ainda tem os testes da fase 3 em andamento, com 26.000 voluntários

No Brasil, pelas regras estipuladas pela Anvisa, para ter o uso emergencial aprovado, é necessário que os testes sejam realizados no país. Há a possibilidade de pedir o registro definitivo, que pode demorar até 60 dias.

“Estamos considerando a data de 15 de abril. Essa previsão quem nos passa é a Bharat, então estou trabalhando com o cronograma deles. Todas as vezes que eles mudarem o cronograma, vamos atualizar. Eu mantenho meu otimismo, mas dependemos da Anvisa”, explica Geraldo Barbosa.

Na semana passada,a Associação de Juízes Federais do Rio Grande do Sul (Ajufergs) abriu uma consulta a associados e familiares para reservar a vacina contra a covid-19. De acordo com o presidente, Rafael Martins Costa Moreira, a consulta está sendo feita com base em uma proposta da clínica Multivacinas – associada da Abcvac – a um custo previsto de 800 reais, considerando as duas doses.

Segundo Barbosa, as associadas estão sendo orientadas a não oferecerem a vacina a empresas ou entidades neste momento. “Nenhum associado está liberado para vender porque não tem o produto. Nada impede que eles consultem o mercado, mas a gente não orienta. Fazer especulação não faz bem a nenhum segmento”, diz.

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Saúde

Um ano de coronavírus no Brasil: os bastidores da descoberta do primeiro caso oficial

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Por mais que o primeiro caso tenha sido detectado no Brasil no dia 26 de fevereiro de 2020, hoje sabe-se que o coronavírus já circulava por aqui muito antes disso

 

O infectologista Fernando Gatti estava descansando em casa quando seu celular tocou por volta das 20h do dia 24 de fevereiro de 2020, uma Segunda-Feira de Carnaval.

Do outro lado da linha, um médico que trabalhava no plantão do pronto-socorro do Hospital Israelita Albert Einsten, na zona sul de São Paulo, tinha uma pergunta importante: ele deveria ou não pedir um teste de covid-19 para um paciente que apresentava sintomas de gripe e tinha acabado de voltar de uma viagem à Itália?

Gatti, que é coordenador médico do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Einstein, não teve dúvidas, e orientou seu colega a realizar o exame.

Em poucas horas, já no dia 25, o laudo deu a notícia que todo o Brasil sabia que viria, mais cedo ou mais tarde: o primeiro caso de covid-19 havia sido oficialmente detectado no país.

Mas antes de entrar nos detalhes desta história, é preciso retroceder algumas semanas para entender qual era o clima e o contexto no Brasil e no mundo.

Casa arrumada para o caos

As primeiras notícias sobre uma “pneumonia misteriosa” que estava afetando algumas partes da China começaram a surgir na mídia internacional no final de dezembro de 2019.

A informação de que a doença era causada por um novo tipo de coronavírus foi transmitida por cientistas chineses e divulgada a partir do dia 8 de janeiro de 2020.

Rapidamente, a cidade de Wuhan, capital da província de Hubei, foi identificada como epicentro da crise sanitária e teve seus aeroportos, portos, ferrovias e rodovias bloqueadas, numa tentativa de conter a disseminação do agente infeccioso.

Mas já era tarde demais: logo apareceram casos em outras partes da China e o agente infeccioso foi identificado em países próximos, como Japão e Tailândia.

Wuhan

Getty Images Primeiro caso de uma ‘pneumonia por causa desconhecida’ foi registrado em Wuhan no início de dezembro de 2019

Os episódios de covid-19 se espalharam rapidamente para outros continentes e foram detectados na Europa e na América do Norte.

Portanto, havia a certeza quase absoluta que o vírus chegaria em algum momento ao Brasil ainda no primeiro trimestre de 2020.

“E nós sabemos que o público que utiliza os serviços do Einstein e de outros hospitais particulares costuma fazer muitas viagens internacionais, então já imaginávamos que o primeiro caso poderia ser diagnosticado aqui”, aponta Gatti.

Foi justamente pensando nessa possibilidade que o infectologista liderou uma verdadeira força-tarefa para organizar a instituição para o que viria pela frente.

“Desde o início de janeiro de 2020 nós fizemos treinamentos para deixar toda a equipe preparada e reforçamos os estoques de equipamentos de proteção, como as máscaras, os aventais, as luvas, os óculos e o face shield”, lembra.

Segundo Gatti, outra decisão importante foi a de ampliar a suspeita de covid-19 para todos aqueles que tivessem feito viagens internacionais e apresentassem sinais sugestivos de uma infecção respiratória.

“Naquele momento, a Organização Mundial da Saúde só preconizava a realização de exames para aqueles indivíduos com sintomas que tinham retornado da Ásia”, diz.

A orientação para todos os médicos que faziam plantões no Einstein era uma só: ligar para o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar caso tivessem qualquer dúvida sobre a necessidade de fazer o teste para detectar o novo coronavírus nos pacientes que ingressavam pelo pronto-socorro da instituição.

O primeiro de 10 milhões

E esse protocolo foi seguido à risca naquela noite de 24 de fevereiro.

Poucas horas depois, já na madrugada do dia 25/02, Gatti recebeu uma nova ligação em seu telefone: o Laboratório de Biologia Molecular do Einstein havia concluído a análise da amostra de material colhida do paciente e tinha encontrado o novo coronavírus ali.

Entre janeiro e fevereiro, os cientistas da instituição haviam examinado cerca de 20 a 30 casos suspeitos por semana, mas todos voltavam com resultados negativos.

A virologista Rúbia Anita Santana, coordenadora do Setor de Biologia Molecular do Einstein, se recorda da dificuldade em encontrar materiais e insumos num momento em que as informações sobre o novo coronavírus estavam absolutamente desencontradas.

“Não existia no mercado nenhum kit de detecção pronto. Nós tivemos que desenvolver um novo produto do zero, para estarmos preparados quando a doença chegasse no Brasil”, conta.

Santana mal sabia que, passados alguns meses dessas primeiras experiências, ela e sua equipe precisariam fazer até 80 mil testes de covid-19 ao mês. “Reestruturamos completamente nosso espaço e nosso fluxo de trabalho. Foi muito desafiador”, destaca.

Ao receber a informação do laudo positivo, Santana, Gatti e a equipe do laboratório repetiram o exame novamente, para ter certeza de que não havia acontecido algum percalço no procedimento ou algum problema nos equipamentos do laboratório.

“Esse segundo teste foi processado durante a madrugada e, na manhã do dia 25, eu já estava no hospital quando ficamos sabendo que o resultado era mesmo positivo”, diz o infectologista.

Após a confirmação, o imunologista Luiz Vicente Rizzo, diretor do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, ficou responsável por levar a notícia ao alto comando do hospital.

“O protocolo já estava pronto e, quando o resultado saiu, as lideranças foram notificadas para seguir com o plano de divulgação”, descreve.

Antes de comunicar a imprensa e a sociedade, porém, as amostras do paciente foram enviadas para o Instituto Adolfo Lutz, que é o laboratório referência para a análise de doenças infecciosas no Estado de São Paulo.

Uma terceira rodada de testes, que se alongou pela tarde e pela noite da terça-feira (25/02), confirmou mais uma vez que se tratava mesmo do primeiro caso de covid-19 no Brasil.

O anúncio oficial foi feito no dia seguinte, na manhã da quarta-feira de cinzas, 26 de fevereiro, por Luiz Henrique Mandetta, o então ministro da Saúde.

“Agora, com o primeiro caso confirmado no Brasil, vamos ver como o vírus vai se comportar em um país tropical em pleno verão. É um vírus novo, que pode ou não manter o mesmo padrão de comportamento de transmissão que tem no hemisfério norte, com o frio”, discursou Mandetta naquele dia.

No mesmo evento, o então ministro da Saúde também descartou a possibilidade de fechar as fronteiras ou fazer testagem em aeroportos. “[Isso] não tem eficácia nenhuma, porque os pacientes podem ter o vírus sem apresentar sintomas. Essa é mais uma doença que a humanidade vai ter que enfrentar.”

Vale dizer, no entanto, que o caso identificado no Einstein, como descrito acima, foi o primeiro detectado de forma oficial.

Estudos posteriores divulgados a partir de maio de 2020 mostraram que o vírus já circulava pelo país muito antes dessa data — e se aproveitou das aglomerações e da falta de medidas de restrição para criar cadeias de transmissão Brasil adentro.

Evoluções e recaídas

À época, o primeiro diagnosticado com covid-19 no Brasil estava com 61 anos, morava em São Paulo e havia retornado de uma viagem pela Itália, onde permanecera entre os dias 9 e 21 de fevereiro.

A situação da Itália, mais especificamente na região da Lombardia, foi bastante dramática nos primeiros meses da pandemia. Cenas de caminhões militares transportando caixões pelas ruas da comuna de Bergamo foram um dos símbolos mais fortes da crise de saúde pública que abateu a Europa naquele momento.

Com incômodos como tosse, febre, dor de garganta e coriza, o paciente foi avaliado pelos médicos do Einstein e, como não apresentava sinais de complicação, acabou liberado para seguir o tratamento em casa, com orientações de quarentena bastante restritas.

Seu estado clínico era checado várias vezes ao dia por meio de conversas telefônicas e mensagens de WhatsApp.

“Uma semana depois, ele precisou ser internado porque a febre persistia. Durante a hospitalização, nós encontramos uma pneumonia bacteriana, que costuma ser um quadro associado a covid-19 em cerca de um terço dos casos”, estima Gatti.

Caminhões do exército italiano em comboio pelas ruas de Bergamo, na Itália

Getty Images Em Bergamo, na Itália, caminhões do exército foram recrutados para recolher os caixões dos mortos pela covid-19 e levá-los até os cemitérios e crematórios de cidades próximas

Após o tratamento adequado, a infecção nos pulmões acabou controlada e logo a alta hospitalar foi dada.

Gatti lembra que o paciente se mostrou bastante incomodado com a cobertura jornalística de sua condição de saúde. Ele sentia que as reportagens o apontavam como culpado por trazer a covid-19 ao Brasil — e hoje em dia não há dúvidas que o coronavírus já circulava por aqui antes de 26/02 e teve múltiplas entradas no país, com vários passageiros que retornaram já infectados de viagens internacionais.

O outro lado do consultório

Mas as complicações após o primeiro diagnóstico não se limitaram ao paciente. O médico também acabou sentindo abalos na própria saúde.

“Em março, eu tive um episódio de burnout e precisei tirar uma licença do trabalho durante dez dias”, revela Gatti.

Burnout é uma enfermidade psiquiátrica marcada pelo completo esgotamento físico e emocional que impede a pessoa de trabalhar ou fazer qualquer atividade.

O infectologista diz que parte de sua condição se deveu à frustração de lidar com uma doença nova, em que não havia conhecimento suficiente para oferecer o melhor tratamento a quem precisa de ajuda.

“Nós perdemos muitas vidas e é muito difícil comunicar a família. Depois de cada dia, sempre ficava pensando o que podia ter feito de diferente, de melhor, e não encontrava respostas”, comenta.

A crise só foi superada graças ao apoio psiquiátrico. “Nós precisamos falar mais sobre o esgotamento e a sobrecarga de trabalho que afetam todos os profissionais de saúde que estão na linha de frente da pandemia”, alerta Gatti.

Um ano depois, as lições

Passados 12 meses do primeiro diagnóstico oficial, o Brasil contabiliza mais de 10,2 milhões de casos e quase 250 mil mortes pela covid-19.

Até o momento, o Brasil é o país com o segundo número mais alto de óbitos de todo o mundo e o terceiro na quantidade de infectados em números absolutos.

Mas o que será que um ano de pandemia nos deixou de ensinamento? A BBC News Brasil fez essa pergunta para os três profissionais que estiveram envolvidos com o episódio dos dias 24, 25 e 26 de fevereiro de 2020.

Para Rizzo, a covid-19 escancarou a necessidade de investimentos na ciência colaborativa dentro do Brasil e no mundo.

“Enquanto cientistas, precisamos estar mais abertos para trabalhar em conjunto e entender que é impossível viver sem pesquisa. Se nós tivéssemos mantido os estudos sobre o Sars-CoV, o vírus causador da Síndrome Aguda Respiratória Grave (Sars) de 2003, talvez hoje entendêssemos um pouco melhor o coronavírus atual e já tivéssemos tratamentos para ele”, analisa.

O especialista destaca a façanha do desenvolvimento de uma vacina em menos de um ano e do esforço para estudar e conhecer os possíveis efeitos de diversos medicamentos contra a covid-19.

Santana sublinha a necessidade de lidar com o imprevisível e, de certa maneira, estar preparado para isso.

“O coronavírus fez a gente voltar ao jardim de infância da virologia e reaprender muito do que sabíamos sobre doenças infecciosas. Ele tem características únicas, muito diferentes daquilo que já tínhamos visto”, raciocina.

Por fim, Gatti entende que a comunicação e o trabalho em equipe foram decisivos para salvar muitas vidas.

“A pandemia deixou ainda mais nítida a noção de que a saúde não depende só do médico. A equipe multidisciplinar composta de enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, nutricionistas e os demais profissionais é decisiva para a melhora do paciente”, defende o infectologista.

No cenário em que a vacinação contra a covid-19 está disponível e sinaliza que a pandemia acabará (num futuro ainda distante), os exemplos do passado recente nos permitem lembrar o início de um ano que mudou o Brasil e o mundo para sempre.

 

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Com decisão do STF, estados começam movimentação para comprar vacinas

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Os governos de São Paulo, do Pará e de Goiás confirmam que iniciaram negociações para adquirir imunizantes, além dos incorporados ao Programa Nacional de Imunização (PNI)

(crédito: THOMAS KIENZLE / AFP)

Após o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizar, por maioria, a aquisição de vacinas contra a covid-19 por parte dos estados e municípios quando a oferta do governo federal for insuficiente, os entes federativos começam a movimentar compras cujas tratativas estavam em andamento. Enquanto a Frente Nacional dos Prefeitos (FNP) anunciou a criação de um consórcio para garantir doses extras aos municípios, os governos de São Paulo, do Pará e de Goiás, por exemplo, confirmam a contribuição para adquirir imunizantes além dos incorporados ao Programa Nacional de Imunização (PNI).

Em comunicado, o governador do Pará, Helder Barbalho, anunciou a importação de 3 milhões de doses de vacinas de laboratórios que tenham aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Estamos acompanhando o plano nacional e, lamentavelmente, a oferta de vacina ainda é muito pequena, o que impede que possamos avançar rapidamente”. O objetivo, segundo o governo, é vacinar o maior número possível de pessoas nos 144 municípios paraenses.

O governador do Goiás, Ronaldo Caiado, também informou pelas redes sociais que já busca negociar com laboratórios para imunizar a população goiana. “Vacina já e para todos sempre foi o meu objetivo frente a essa pandemia. E agora que o STF autorizou, já estou em negociação com laboratórios para que em breve possamos ter o todo povo goiano imunizado e protegido da covid-19”, disse.

O governo do estado de São Paulo havia informado anteriormente a decisão do Supremo que busca fechar um contrato com a Sinovac, empresa desenvolvedora da vacina CoronaVac, para a aquisição de mais 20 milhões de doses para imunizar a população paulista.

“O governo do estado de São Paulo tomou a decisão de adquirir sob sua responsabilidade, sob seu custo, mais 20 milhões de doses da vacina”, disse o governador paulista, João Doria, em coletiva em 5 de fevereiro.

Prefeitos também vão atrás de vacinas

Nessa terça-feira (23), diante da decisão do STF, a Frente Nacional dos Prefeitos (FNP) anunciou a criação de um consórcio para organizar as aquisições de novas vacinas contra covid-19, de forma a complementar a oferta do Programa Nacional de Imunização (PNI), caso ela seja insuficiente para atender à demanda.

O objetivo, segundo a frente, é buscar alternativas que não estão sendo adquiridas pelo governo federal. Pelas redes sociais, a FNP declarou: “Diante da decisão do STF, vamos liderar a constituição de um consórcio público com finalidade específica para aquisição de vacinas contra a covid-19”. Os detalhes de como funcionará esta articulação serão anunciados nos próximos dias.

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“Temos sido muito duros, e eles têm sido mais”, diz Pazuello sobre Pfizer

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Segundo o ministro da Saúde, a pressão por parte do governo para que a farmacêutica afrouxe as cláusulas não tem surtido resultado. Por isso, a pasta aguarda lei para flexibilizar responsabilidade do governo em relação a eventuais efeitos colaterais

(crédito: AFP / JACK GUEZ)

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou, nesta quarta-feira (24/2), que aguarda a flexibilização de leis para poder comprar a vacina contra a covid-19 produzida pela Pfizer/BioNTech, que teve o registro definitivo aprovado no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na última terça-feira (23). O Ministério da Saúde questiona cláusulas, como isenção de responsabilidade sobre efeitos colaterais por parte da farmacêutica, e por isso diz que ainda não foi possível adquirir o imunizante.

Nós estamos negociando com os laboratórios, basicamente os americanos, com a Pfizer e Janssen, já há seis meses, e essas negociações implicam em discussões das cláusulas exigidas. Nós temos sido muito duros e eles têm sido mais duros do que a gente. Eles não afrouxam uma vírgula. Nós levamos o problema ao governo e o governo está tratando isso junto ao Congresso, e está se discutindo a possibilidade de termos flexibilização de lei para isso”, informou o general, durante coletiva de imprensa realizada durante visita do gestor ao Acre.

As informações foram ditas pelo ministro em visita ao Acre ao lado de outros ministros e do presidente da República, Jair Bolsonaro, que complementou reforçando a cláusula do contrato com a Pfizer que a isenta de responsabilização.

“Uma coisa de extrema responsabilidade quem por ventura no Brasil tiver que dar a palavra final. Se sou eu como presidente, se é parlamento derrubando possível veto ou se é o Supremo Tribunal Federal(STF). Agora, todas as cláusulas serão mostradas à população para que, na ponta da linha, cada um saiba o que está sendo aplicado”, afirmou Bolsonaro.

Questões legislativas brasileiras

Segundo a Pfizer, as cláusulas apresentadas ao governo brasileiro “estão em linha com os acordos fechados em outros países do mundo, inclusive na América Latina”. O imunizante da farmacêutica já é aplicado em diversos países, como Estados Unidos, Canadá, Israel e Chile. A farmacêutica atribui o impasse a questões legislativas brasileiras. Em comunicado, a Pfizer admite que, ao longo das negociações, “ficou claro que é necessária uma adequação legislativa para que o país tenha, assim como outros países, um amplo acesso às vacinas”.

Pazuello afirmou que “se vier uma autorização clara”, que flexibilize as cláusulas, irá comprar os imunizantes da Pfizer e da Janssen. No âmbito do Congresso Nacional, parlamentares têm atuado para que o Brasil passe a aplicar a vacina da Pfizer, buscando soluções em relação às cláusulas. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), apresentou um projeto de lei na última terça-feira (23) que permite que a União assuma os riscos, com a intenção de solucionar os entraves relativos à cláusula que não está sendo aceita pelo Palácio do Planalto.

A proposta abre margens para que o poder público assuma riscos de ser responsabilizado por eventuais efeitos negativos provocados por vacinas contra a covid-19. A medida valeria enquanto durar a emergência em saúde pública nacional em razão da pandemia e só serviria de subsídio para iniciativas que receberem o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), como é o caso da Pfizer, primeira farmacêutica a ter o registro definitivo de uma vacina contra a covid-19 no Brasil.

 

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Vacina contra Covid-19: postos do DF param de aplicar 1ª dose; Saúde nega suspensão da campanha

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Funcionários de unidades disseram que têm vacinas apenas para segunda dose; idosos também relatam que não conseguiram imunizante. Governo diz que material está sendo aplicado ‘no público-alvo estabelecido, que está numericamente reduzido’.

Profissionais de saúde aplicam vacina contra Covid-19 no DF — Foto: Breno Esaki/Agência Saúde DF

Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Distrito Federal deixaram de aplicar a primeira dose da vacina contra a Covid-19 nesta terça-feira (23). Apesar de a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) afirmar que há estoque disponível e que a campanha continua, funcionários de UBSs afirmam que foram orientados a aplicar apenas a segunda dose, em pacientes que já receberam a inicial.

Também nesta terça, a Diretoria Regional de Atenção Primária à Saúde da região central, que inclui o Plano Piloto e outras áreas, afirmou que os postos não devem mais aplicar a primeira dose. A reportagem recebeu ainda relatos de pacientes que tentaram receber a vacina, mas foram informados que a campanha estava suspensa (veja mais abaixo).

Apesar dos relatos e documentos, a SES-DF afirma que “a aplicação da primeira dose (D1) não será suspensa. Elas estão sendo aplicadas no público-alvo estabelecido, que está numericamente reduzido”.

“Algumas faltas pontuais e localizadas são resolvidas com remanejamento de doses. A redução do quantitativo de vacinas da primeira dose é acompanhada pela redução também do público a ser vacinado”, diz a pasta.

Sem vacinas
Na UBS 1 do Guará, funcionários disseram à TV Globo que estão aplicando apenas a segunda dose da CoronaVac para quem tem a data prevista no cartão. A reportagem encontrou situação similar na UBS1 da Candangolândia e na UBS 1 do Riacho Fundo I.

Já na UBS 5 de Taguatinga Sul, o empresário Jair Magalhães afirma que não conseguiu vacinar a mãe, de 79 anos, e o pai, de 80 anos. Ele conta que, na segunda (22), procurou atendimento no posto drive-thru de Águas Claras e foi orientado a ir à UBS, já que no outro posto estava sendo aplicada apenas a segunda dose.

No entanto, ao chegar na UBS nesta terça, foi informado de que a aplicação da primeira dose estava interrompida no local (veja vídeo acima). Em conversa gravada por Jair, um funcionário da unidade afirma que a imunização “de fato está suspensa”.

“Recebi determinação [ao] meio-dia que a D1 não é mais para ser feita”, disse o profissional.

“É uma palhaçada. Meus pais nem estão saindo de casa e eu os levei até lá. [Os funcionários] não me falaram absolutamente nada. Tinha dose lá, mas disseram que não podiam aplicar a primeira dose”, reclama Jair.

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Ministério da Saúde começa a receber mais vacinas nesta terça

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Ministério terá à disposição 4,7 milhões de doses previstas para o cronograma de fevereiro do Programa de Imunização. Butantan calcula repassar 2,7 milhões até o fim do mês. Outros 2 milhões, mas com o selo da Oxford/AstraZeneca, chegam prontas da Índia

(crédito: Claudio Cruz/AFP)

A partir de hoje, o Ministério da Saúde começa a receber as 4,7 milhões de doses de vacinas previstas para dar continuidade ao Programa Nacional de Imunização (PNI), conforme o cronograma estabelecido para fevereiro. O Instituto Butantan planeja entregar, por dia, uma média de 426 mil doses, totalizando 2,7 milhões de unidades da CoronaVac até o final do mês. Outras 2 milhões de doses do imunizante Oxford/AstraZeneca chegam prontas da Índia, ainda hoje, mas precisam passar por checagem e rotulagem pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) antes de serem despachados para as unidades da Federação.

Com isso, a estimativa é de que as primeiras remessas cheguem aos estados e ao Distrito Federal a partir de amanhã. Assim como já ocorria no caso da Oxford, a orientação do Ministério da Saúde, a partir desta nova distribuição, é de que os gestores locais passem a não fazer mais estoques da CoronaVac para assegurar a segunda dose, que ocorre no intervalo de quatro semanas. Isso porque, conforme o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, garantiu na semana passada, a chegada do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) assegura o fluxo de produção, não sendo mais necessária estocar por segurança.

Mas, para cumprir com a determinação, os prefeitos aguardam a oficialização da mudança, anunciada na última reunião de Pazuello com a Frente Nacional dos Prefeitos (FNP).

Antes do fim de fevereiro, a Fiocruz espera a chegada de mais dois lotes de IFA para produção de cerca de 12 milhões de doses da vacina de Oxford. Em relação aos fármacos prontos, o Brasil deve receber um total de 10 milhões de doses, além dos dois milhões entregues ao PNI em 24 de janeiro. “O restante de oito milhões de doses será importado ao longo dos próximos dois meses, em cronograma ainda a confirmar”, informou a Fiocruz.

Já no caso das vacinas da Pfizer e da Janssen, o ministério está com negociações emperradas sob a alegação de “falta de flexibilidade” dos laboratórios. A pasta aguarda esta semana uma orientação do Palácio do Planalto para prosseguir com as tratativas, pois, segundo o secretário-executivo da pasta, Elcio Franco, “as duas empresas fazem exigências que prejudicam os interesses do Brasil”.

O impasse é relativo a garantias de pagamento e da isenção das empresas da responsabilidade por eventuais efeitos graves que as vacinas possam causar. A Pfizer ressaltou necessidade de alterações legislativas para haver consenso com o governo e, por isso, representantes da farmacêutica se reuniram ontem com parlamentares, entre eles, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para tratar do assunto.

Nova investigação

A Procuradoria da República no Distrito Federal (PRDF) instaurou, ontem, um inquérito civil para investigar supostos atos de improbidade administrativa de Pazuello –– que é alvo de uma investigação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, que apura a atuação dele e da pasta na crise de oxigênio, no começo de janeiro, em Manaus. Há, também, a possibilidade de o Congresso criar uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a condução que o general faz do ministério.

A PRDF vai apurar se houve utilização de recursos públicos para comprar e recomendar medicamentos sem eficácia comprovada contra a covid-19, inclusive por meio da plataforma TrateCov. Também levantará se houve omissão na aquisição de vacinas, além de buscar detalhes sobre a baixa execução orçamentária em ações de ajuda a estados e municípios contra a crise sanitária. (*Estagiários sob a supervisão de Fabio Grecchi)

Chanceler critica fechamento na ONU

Durante a participação no 46º encontro anual do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, criticou as medidas de lockdown adotadas durante a pandemia do novo coronavírus. A ministra da Família, da Mulher e dos Direitos Humanos, Damares Alves, também representou o país no encontro e ressaltou as ações do governo federal no enfrentamento da covid-19. As falas dos dois ministros causaram polêmica, sobretudo a do chanceler que disse que “sociedades inteiras estão se habituando à ideia de que é preciso sacrificar a liberdade em nome da saúde” e que “não se pode aceitar um lockdown no espírito humano”. A medida foi adotada em diversos países como contenção da covid-19.

Cidades voltam a recorrer ao lockdown
A crescente pressão da covid-19 sobre os leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) levou gestores a retornarem com medidas rígidas de controle, como lockdown em Araraquara (SP). Ontem, o estado de São Paulo registrou o maior número de pessoas internadas em UTIs direcionadas ao atendimento de covid-19, desde o início da pandemia. Estavam ocupados 6.410 leitos, superando o recorde de 6.257 vagas preenchidas, em julho de 2020.

Esse aumento, segundo o secretário de Saúde do estado, Jean Gorinchteyn, reforça a alta circulação do vírus na região, “impactando no número de pessoas doentes e, consequentemente, doentes graves que merecem acolhimento na UTI”. O fechamento da semana epidemiológica 8 também demonstrou um incremento de 5,6% no número de internações, no comparativo entre as semanas anteriores.

O coordenador-executivo do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo, João Gabbardo, destacou que a característica dos aumentos nas ocupações atuais podem ser explicadas pela maior gravidade da doença nos assistidos. No estado, foi identificada a circulação de 25 cepas do novo coronavírus, nove delas variantes da linhagem P.1, detectada, inicialmente, em Manaus.

Toque de recolher
Em Salvador, o prefeito Bruno Reis anunciou medidas complementares ao novo toque de recolher determinado pelo governador Rui Costa, ontem. Pelos próximos sete dias, contados a partir de hoje, todos os campos e quadras da cidade serão fechados e a iluminação desses locais será retirada para que não possam ser utilizados e ferir a determinação da prefeitura. Já praias e clubes sociais voltarão a ser fechados, mas a partir de amanhã e também por sete dias.

Segundo Bruno Reis, a cidade sofre com a elevação no número de casos e internações –– resultado, sobretudo, das festas e aglomerações clandestinas durante o carnaval. Na última sexta-feira (19), 10 leitos de UTI foram abertos na tenda de apoio à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro de Valéria, e estão todos ocupados.

Outra cidade a adotar a medidas restritivas é Uberlândia, no Triângulo Mineiro, que terá toque de recolher e lei seca a partir de hoje. As medidas foram anunciadas, ontem, pelo prefeito Odelmo Leão (PP), e serão publicadas no Diário Oficial do Município.

Conforme anunciou, Uberlândia será fechada das 20h às 5h e só estará permitido o funcionamento de hospitais e farmácias durante o período. Nem o transporte público funcionará nesse horário e, por causa disso, o comércio fechará mais cedo para que os trabalhadores do setor possam ir para casa. Odelmo anunciou, ainda, a abertura de um hospital de campanha, com 108 leitos dentro do hospital municipal. (BL com colaboração de Fabio Grecchi)

 

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Covid-19: novas doses de vacinas devem chegar ao DF até o início de março

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Em reunião com o governo federal, na segunda-feira (22/2), gestores da Secretaria de Saúde do DF receberam a informação de que o lote de vacinas previsto para chegar nesta terça-feira (23/2) será entregue até o início de março. Contudo, não há prazo definido nem previsão de quantidade

Com 6 mil unidades em estoque para a primeira dose, vacinação corre o risco de ser interrompida nesta terça-feira (23/2); distritais vão ao STF para pedir compra direta – (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

A população do Distrito Federal esperava receber, hoje, mais doses de vacina contra a covid-19. No entanto, após a Secretaria de Saúde (SES-DF) ter a informação de que o repasse de novas unidades deve sofrer atrasos, a campanha de imunização corre risco de ser interrompida nesta semana. O informe saiu ontem, após reunião entre representantes da pasta e do Ministério da Saúde — que garantiram o envio dos imunizantes até o início de março.

Até ontem, a capital federal tinha em estoque, aproximadamente, 6 mil unidades para aplicação da primeira dose. A quantidade é suficiente para mais um dia de vacinação, considerada a média diária. Caso fosse entregue na data esperada, o novo lote permitiria ampliar a campanha para, ao menos, pessoas com 78 anos. No entanto, com o atraso e sem um indicativo do total de novas vacinas que chegarão, integrantes da SES-DF não sabem quando novos grupos farão parte do processo de imunização.

Os gestores da SES-DF também se preocupam com uma possível pausa forçada na aplicação da primeira dose, devido à falta de imunizantes. No estoque, restam 23.435 vacinas ao todo — sendo 17.249 reservadas para o reforço. Para o infectologista do Hospital Sírio-Libanês de Brasília Alexandre Cunha, a notícia do atraso é ruim . “Quanto mais demorarmos para avançar na imunização da população, mais a pandemia vai se estender. Todo atraso é relevante”, destaca.

Alexandre Cunha acrescenta que o DF não está em uma situação confortável em relação à pandemia. “Não estamos em meio ao caos igual a outras unidades da Federação, mas, também, não está tranquilo. Neste momento, é importante reforçarmos as medidas de segurança sanitária, para evitar mais proliferação da covid-19”, completa o médico.

Pressão

Após saber do atraso na entrega de mais doses e, consequentemente, da ampliação da campanha, representantes do Legislativo se pronunciaram. A Comissão da Vacinação da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), por exemplo, informou que recorrerá ao Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir celeridade no julgamento de uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI) do governo da Bahia. O objetivo é pedir a anulação da medida provisória (MP) que centraliza no Ministério da Saúde a compra de imunizantes.

Integrantes da bancada do DF na Câmara dos Deputados informaram que devem levar a pauta da vacinação à reunião com o governador Ibaneis Rocha (MDB), nesta quarta-feira (24/2), e que cobrarão respostas do governo federal em relação à disponibilidade de vacinas em todo o país. Os senadores que representam a capital federal pretendem reforçar na agenda questões relacionadas à vacinação.

O Ministério da Saúde informou que o cronograma de envio das vacinas contra a covid-19 será divulgado após a entrega dos produtos pelos laboratórios fornecedores. A pasta acrescentou que está prevista para esta semana a chegada de 2 milhões de doses da Covishield — da AstraZeneca/Oxford — importadas da Índia. Outra remessa, com 2,7 milhões de doses da CoronaVac, deve ser entregue ao governo federal nesta semana, pelo Instituto Butantan, em São Paulo. O Ministério teria adotado estratégia para priorizar as unidades da Federação em situação mais crítica, segundo fontes informaram ao Correio. Entre elas, estariam estados com mais casos, mortes e maior ocupação de leitos por pacientes com covid-19.

Pandemia

Entre domingo e segunda-feira (22/2), a SES-DF confirmou 951 novos casos da doença e mais nove mortes. O total de registros chegou a 290.771, sendo que cerca de 280 mil (96,5%) se recuperaram e 4.766 (1,6%) não resistiram às complicações da infecção. A ocupação de leitos em unidades de terapia intensiva (UTIs) voltadas ao tratamento de pacientes com o novo coronavírus chegou a 90,3% na capital federal. Atualmente, há 172 vagas na rede pública e 220, na particular. Do total, 310 estão ocupados, 64 livres e 18 bloqueados, aguardando liberação.

A secretaria informou, por meio de nota, que ativou 40 leitos no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) e 15 no Hospital Daher. Até quarta-feira (24/2), a pasta pretende abrir 13 vagas, sendo sete no Hospital Regional de Samambaia (HRSam), com inauguração de nova ala, e seis no Hospital de Campanha da Polícia Militar. Em relação à quantidade de vacinas disponíveis até a noite de ontem, o total era suficiente para meio dia de atendimento hoje, com aplicação da primeira dose. No caso do reforço, as disponíveis no estoque permitem a vacinação por 19 dias. Segundo balanço mais recente divulgado pela SES-DF, 116.604 pessoas receberam a primeira dose no DF, e 23.791, a segunda.

Aplicação por agendamento

 

Em unidades básicas de saúde (UBSs) vistadas pela reportagem, quantidade disponível acabou pela manhã -  (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

Mesmo com as incertezas que envolvem a campanha de vacinação no Distrito Federal, ontem, teve início a aplicação da segunda dose da CoronaVac em pessoas que haviam recebido a primeira e tinham o reforço agendado para até a próxima sexta-feira (26/2). A Secretaria de Saúde informou que, até o início do dia, cerca de 1.145 brasilienses haviam feito o agendamento. Apenas pontos drive-thru receberam esse público.

A reportagem percorreu alguns dos locais de atendimento, incluindo unidades básicas de saúde (UBSs), e verificou que, enquanto alguns pontos não tinham fila e estavam com movimento tranquilo, outros ficaram sem doses antes de meio-dia dessa segunda-feira (22/2). Na UBS nº 1 da Asa Sul, na Quadra 612, havia 10 unidades disponíveis, mas elas acabaram no início do dia. Cada uma é suficiente para vacinar uma pessoa. No bairro Lucio Costa, a situação era semelhante. Entre 8h e 10h, não havia imunizantes disponíveis. As entregas de vacinas ocorrem diariamente, mas não há previsão da chegada de mais ao DF.

Maria Aparecida Silva Santos completou 79 anos no domingo (21/2) e foi uma das 10 pessoas que conseguiram se vacinar na manhã de segunda-feira (22/2), na 612 Sul. Moradora da região, ela chegou cedo para garantir a primeira dose. “Estava aflita para me vacinar, com aquela angústia de que chegasse o dia (do aniversário), acabassem a dose e eu ficasse sem vacinar. Ainda bem que chegamos mais cedo”, comemorou.

Outra aniversariante que passou pela UBS nº 1 foi Maria Francisca de Jesus. Desde o início da pandemia, ela estava isolada com o marido. em um sítio em Abadiânia (GO). Ela precisou esperar até segunda-feira (22/2), quando completou 79 anos, para tomar a primeira dose, pois passou a integrar o grupo prioritário. “É um presente que estou ganhando. Agora, só espero boas coisas”, disse. A Secretaria de Saúde garante que há vacinas para a aplicação em todos que precisam da segunda dose da CoronaVac, pois as unidades estão reservadas. Quem foi imunizado com a Covishield tem até três meses para receber o reforço. (SS)

Situação no DF exige prevenção

Prevemos que as próximas semanas serão as piores no Distrito Federal, em relação ao número de casos e à ocupação de leitos em hospitais que tratam covid-19, devido às aglomerações e festas clandestinas registradas no feriado de Carnaval. O impacto da pausa da vacinação não será imediato, mas, quanto mais tempo demorarmos para vacinar as pessoas e ampliar a campanha de imunização, mais casos vão aparecer, mais pessoas vão precisar ser hospitalizadas e, consequentemente, teremos mais mortes. Isso tudo somado pode levar a vários outros problemas, como surgimento de mais variantes do novo coronavírus e sobrecarga do sistema de saúde. Reforço que, neste momento, é necessário prevenção. A falta de vacinas é um problema que atinge todo o país, mas é preciso que, enquanto os imunizantes não chegarem, todos façam sua parte. Usem máscaras, realmente evitem aglomerações e higienizem as mãos constantemente.

Leandro Machado, infectologista e professor da Universidade Católica de Brasília (UCB)

 

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domingo, 28 de fevereiro de 2021

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