PEDRO S. TEIXEIRA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A Tether, que é a maior empresa de criptomoedas no mundo, anunciou nesta terça-feira (7) que está investindo R$ 100 milhões na plataforma brasileira de ativos digitais, Mercado Bitcoin.
O Mercado Bitcoin usará esse dinheiro para melhorar sua infraestrutura de pagamentos com criptomoedas, fortalecer serviços de crédito e empréstimos, além de desenvolver mercados financeiros usando tecnologia blockchain. Esse investimento também ajudará a empresa a crescer fora do Brasil.
Essa decisão segue a estratégia da Tether de apoiar a criação de infraestrutura financeira para aplicações reais. Por exemplo, o USDT, uma criptomoeda da Tether lastreada em dólar, é muito usada em transações internacionais e pagamentos.
Atualmente, o Mercado Bitcoin tem 4,5 milhões de usuários e é regulamentado pelo Banco Central como instituição de pagamento e corretora. A empresa possui mais de dez licenças regulatórias no Brasil e Europa, e já movimentou mais de R$ 155 bilhões em criptomoedas.
Esse investimento ainda não está totalmente fechado e será acompanhado pelo SoftBank, um banco japonês que investiu US$ 200 milhões no Mercado Bitcoin em 2021, momento em que a empresa se tornou o primeiro unicórnio de criptoativos da América Latina com valor de US$ 2,15 bilhões.
Segundo o anúncio do Mercado Bitcoin, a Tether está interessada em investir em plataformas que tenham regulamentação, grande alcance de mercado e tecnologia avançada para oferecer produtos financeiros acessíveis.
Paolo Ardoino, CEO da Tether, destacou que o Mercado Bitcoin criou uma plataforma regulada e integrada que atende milhões de usuários em um dos mercados financeiros mais ativos do mundo.
Desde 2021, o USDT é a criptomoeda mais utilizada no Brasil, respondendo por cerca de dois terços das operações declaradas à Receita Federal. A popularidade do USDT se deve à sua estabilidade e rapidez nas transações, que são concluídas em segundos, enquanto uma transferência de bitcoin demora pelo menos 10 minutos.
Por outro lado, a Circle, principal concorrente da Tether, também tem crescido no Brasil, ultrapassando 10% de adoção no último ano.
Roberto Dagnoni, CEO do Mercado Bitcoin, comentou que a mudança dos serviços financeiros para sistemas baseados em blockchain já está acontecendo e que o foco agora é desenvolver a infraestrutura para suportar tokenização, stablecoins, pagamentos e mercados financeiros em grande escala, transformando a forma como o dinheiro circula e os investimentos são feitos.
O Brasil é o maior mercado de criptomoedas na América Latina, segundo relatórios da plataforma Chainalysis, que indicam que entre julho de 2024 e junho de 2025 o país movimentou cerca de US$ 318 bilhões em criptomoedas, representando um terço da movimentação na região.
A Chainalysis também destaca que o Brasil é atrativo por sua população jovem, setor fintech ativo que facilitou o acesso a serviços financeiros e a forte demanda por stablecoins como proteção contra a inflação.
Além disso, o Brasil é considerado um exemplo em regulamentação, com normas publicadas pelo Banco Central desde 2025, embora ainda esteja definindo como aplicar essas novas regras.
