Mariana Brasil, Catia Seabra e Ricardo Della Coletta
Brasília, DF (FolhaPress) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, em nota, o aumento de 50% nas tarifas para produtos brasileiros imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quarta-feira (9). Lula indicou que o Brasil responderá essa medida aplicando a lei de reciprocidade.
Ele destacou que é incorreta a ideia de que o Brasil tem um déficit comercial com os Estados Unidos. Conforme dados do governo americano, o país tem um superávit no comércio de bens e serviços com o Brasil de cerca de 410 bilhões de dólares nos últimos 15 anos, declarou Lula em sua conta no X (antigo Twitter).
Para tratar da decisão de Trump, o governo brasileiro realizou uma reunião de emergência com ministros nesta quarta-feira (9).
Na nota, Lula reforçou que o Brasil é um país soberano com instituições independentes e não aceitará interferências externas. Ele frisou que o processo judicial relacionado ao golpe de estado é competência exclusiva da Justiça Brasileira e que o país rejeita conteúdos prejudiciais como ódio, racismo, pornografia infantil, golpes, fraudes, e discursos que atentem contra os direitos humanos e a democracia.
Participaram das discussões os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), além do vice-presidente Geraldo Alckmin.
Donald Trump confirmou o aumento das tarifas a produtos brasileiros para 50%, enquanto anteriormente a sobretaxa era de 10%. Essa mudança ocorre no contexto das tarifas recíprocas que Trump anunciou em abril.
A decisão dos Estados Unidos foi comunicada em carta dirigida a Lula, mencionando diretamente o tratamento dado pelo Brasil ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
De acordo com a carta, as novas tarifas terão início em 1º de agosto. Trump acusa ações “secretas e ilegais” contra plataformas de mídia nos EUA e alega violação da “liberdade de expressão” dos americanos, incluindo referências ao Supremo Tribunal Federal.
Mais cedo, o presidente americano já havia ameaçado essa elevação, afirmando que “o Brasil, por exemplo, não tem sido bom para nós”.
Membros aliados do governo Lula interpretam o anúncio de Trump como uma interferência direta na política brasileira, visando beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores. Eles acreditam ser necessário associar os prejuízos econômicos causados pela medida de Washington com a oposição política.

