O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, afirmou nesta quinta-feira (1º/10) que as decisões recentes de proibir as apostas esportivas e reajustar o Bolsa Família não foram feitas com objetivos eleitorais. As medidas foram anunciadas pouco antes do primeiro turno das eleições, que acontece no domingo (4/10), e receberam críticas de seus adversários.
Em entrevista ao Flow Podcast, Lula explicou que decidiu acabar com as apostas após entender o impacto negativo delas no endividamento das famílias. Em 25 de setembro, o governo publicou uma medida provisória que proibiu a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no país.
Lula disse que tomou essa decisão porque as apostas estavam causando prejuízos às famílias brasileiras. Ele contou que conheceu uma pessoa a quem havia emprestado dinheiro para quitar dívidas, mas depois descobriu que essa pessoa tinha outras dívidas relacionadas a apostas.
O presidente ressaltou que sabia que sofreria críticas de influenciadores ligados ao setor, mas negou que a decisão tenha sido tomada para conquistar votos. Ele destacou que seu objetivo foi proteger as famílias mais pobres da exploração financeira.
Lula também admitiu que a proximidade das eleições influenciou o momento de anunciar a medida, mas reforçou que a decisão já estava tomada.
Reajuste do Bolsa Família
Lula negou que o aumento do Bolsa Família seja uma estratégia para as eleições. Em setembro, o governo anunciou um reajuste de 15,04% no benefício, elevando o valor mínimo de R$ 600 para R$ 691 e a média de R$ 675 para R$ 777. Essa atualização leva em conta a inflação acumulada entre março de 2023 e agosto de 2026 e começou a valer em outubro.
Segundo Lula, o aumento foi possível porque havia espaço no orçamento, e ele criticou integrantes da equipe econômica por não terem atualizado o benefício antes. Ele explicou que o reajuste é apenas para repor a inflação, não um aumento real no valor.
Alguns candidatos à Presidência criticaram as medidas. Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) consideraram o reajuste do Bolsa Família como uma ação eleitoral. Flávio Bolsonaro (PL) chamou a decisão de “ato de desespero”, e Zema classificou as duas medidas recentes do governo como uma “aberração eleitoral”.
