O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou que o Brics cumpre seu papel na preservação do meio ambiente, enquanto criticou o negacionismo e o unilateralismo que prejudicam os avanços e comprometem o futuro. Segundo ele, o desenvolvimento sustentável precisa ser o foco principal das discussões.
As declarações ocorreram na abertura da sessão plenária “Meio Ambiente, COP 30 e Saúde Global”, durante a última reunião da Cúpula dos Brics, que reúne as maiores economias emergentes, entre elas Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
O encontro está sendo realizado no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro. Espera-se que ao final da sessão sejam aprovadas duas resoluções sobre o tema. Às 13h, Lula concederá uma entrevista coletiva à imprensa.
O presidente ressaltou que o aquecimento global está acelerando mais rápido do que o previsto e apontou que, após uma década do acordo de Paris, faltam recursos para uma transição justa. Destacou que os países em desenvolvimento sofrerão mais com os impactos ambientais e enfatizou a urgência de uma transição justa para eliminar o uso de combustíveis fósseis.
Falando sobre doenças sociais, Lula observou que se essas enfermidades afetassem países ricos, já teriam sido eliminadas, destacando a necessidade de garantir espaço fiscal para combatê-las. “No Brasil e no mundo, fatores como renda, educação, gênero e local de nascimento influenciam quem adoece e quem morre. Muitas doenças que matam milhares, como o Mal de Chagas e a cólera, teriam sido erradicadas caso atingissem o norte global. Implementar o ODS 3 (Saúde e Bem-estar) exige espaço fiscal”, afirmou.
Lula anunciou que o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que será lançado na COP 30, terá o objetivo de recompensar os serviços ambientais prestados ao planeta.
Ele criticou os incentivos do mercado que andam contra a sustentabilidade, citando que, em 2024, os 65 maiores bancos globais prometeram investir US$ 869 bilhões no setor de combustíveis fósseis. “Taxonomias sustentáveis e sistemas justos e inclusivos de contabilidade de carbono podem atrair investimentos verdes e produtivos”, concluiu.
Além disso, o presidente informou que a Declaração-Quadro sobre Finanças Climáticas do Brics, a ser adotada no mesmo dia, apresentará fontes necessárias e modelos alternativos para o financiamento do clima.

