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Lâmpadas ultravioletas podem ser usadas para destruir vírus?

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Pesquisadores da Universidade de Columbia trabalham há anos em diferentes ultravioletas que são eficazes na morte de vírus, sem riscos à saúde

Lâmpadas ultravioletas já são utilizadas na limpeza do metrô de Nova York e em metrôs da China (afp/AFP)

Pesquisadores da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, trabalham na criação de lâmpadas ultravioletas para destruir vírus há anos, e a pandemia de coronavírus, que obrigou o confinamento de metade da população do planeta, poderá em breve coroar seus esforços.

As lâmpadas UV-C são usadas para matar micróbios há muito tempo, especialmente em hospitais e na indústria de alimentos. É uma tecnologia em plena expansão na pandemia.

Mas os raios UV-C, perigosos para a pele e os olhos, não podem ser usados na presença de pessoas. O metrô de Nova York, seguindo o exemplo dos metrôs da China, será parcialmente desinfetado com luz ultravioleta, mas apenas no início da manhã, quando estiver fechado.

A equipe do Centro de Pesquisa Radiológica de Columbia trabalha há anos em diferentes ultravioletas, chamados “distantes” (sua frequência é de 222 nanômetros), para demonstrar que são eficazes na morte de vírus, sem riscos à saúde, explicou à AFP David Brenner, diretor da unidade.

Segundo Brenner, nessas frequências, os raios não penetram na superfície da pele ou nos olhos. Isso significa que os UV-Cs podem ser usados em locais fechados de alta frequência, onde a contaminação é particularmente temida.

No final de abril, o presidente Donald Trump mencionou, de maneira não muito clara, a ideia de utilizar luz ultravioleta no corpo para matar o coronavírus, com base em um estudo sobre luz natural realizado por um laboratório federal, que não inclui as UV-Cs.

Inicialmente, a equipe de Brenner estudou a eficácia desses UV-C distantes contra bactérias resistentes a medicamentos. Em seguida, concentrou em seu uso contra os vírus, começando com a gripe. Até o novo coronavírus chegar.

“Nos perguntamos como aplicar o que fazemos”, explicou Brenner.

Para testar esses raios com o coronavírus SARS-Cov-2 seus equipamentos tiveram que ser transferidos para um laboratório universitário mais seguro.

Os experimentos começaram “três a quatro semanas atrás”, disse. Os pesquisadores estão próximos de estabelecer que essas lâmpadas destroem o coronavírus presente nas superfícies em poucos minutos. Agora eles esperam demonstrar com o vírus na forma de gotas.

Paralelamente, foram realizados testes para confirmar que os raios são inofensivos à saúde. Camundongos de laboratório foram expostos a UV-Cs distantes por 40 semanas, oito horas por dia, “20 vezes mais intensos do que usaríamos em humanos”, disse ele.

“Testamos a pele e os olhos e não encontramos nada. Eles estão muito felizes”, disse Brenner.

O experimento vai durar 60 semanas. A equipe já explicou o que está fazendo no site Research Square, da revista Nature, mas até que todas as etapas sejam cumpridas, nenhuma conclusão será validada pela comunidade científica.

 Insônia

A pressão para reabrir as economias mundiais é enorme, o que leva as indústrias a acelerar a produção dessas lâmpadas a partir de agora.

“Precisamos de soluções para escritórios, restaurantes, aviões, hospitais”, disse Brenner.

Embora essas lâmpadas sejam vendidas há três anos para outros usos, agora existem legiões de clientes interessados, segundo os responsáveis por duas marcas nos Estados Unidos.

“Há muito tempo pensamos em como seria formidável o uso dessa tecnologia, mas o trabalho científico deve ser concluído”, disse John Yerger, diretor da Eden Park, uma pequena empresa de Illinois.

Após a pandemia, a agência reguladora federal, a FDA, flexibilizou a burocracia para a aprovação das ferramentas de desinfecção, enfatizou.

As lâmpadas de 222 nanômetros, vendida entre US$ 500 e US$ 800, já é utilizada em hospitais japoneses e sua produção será acelerada em outubro.

Enquanto isso, Brenner às vezes tem problemas para dormir.

“À noite, imagino o que teria acontecido se tivéssemos começado esse projeto em UV-C distantes um ou dois anos antes”, disse ele. “Talvez poderíamos ter evitado a crise, talvez não completamente, mas pelo menos evitado a pandemia”.

 

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Em outra pandemia, Brasil já perdeu presidente em 1919

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A gripe espanhola foi uma grave pandemia que deixou cerca de 500 milhões de mortos em todo o mundo. Entre eles, o presidente do Brasil

Rodrigues Alves: presidente morreu poucos meses após ser infectado durante a gripe espanhola (Divulgação/Wikimedia Commons)

No Brasil, a doença veio através do navio Demerara, procedente da Europa, que desembarcou passageiros infectados no Recife, em Salvador e no Rio de Janeiro. Em um mês, o país todo registrava casos da epidemia, considerada até hoje a mais violenta da história. No total, mais de 300 mil brasileiros morreram.

Nem mesmo o presidente brasileiro foi poupado. Reeleito em março de 1918, Rodrigues Alves foi infectado durante a pandemia, apresentou fortes sintomas da doença e não conseguiu tomar posse. Menos de um ano depois, em ele veio a falecer.

 

Arte gripe espanhola

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Coronavírus: frustração, negócios e rivalidade no caminho para a vacina

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A busca de uma vacina contra a COVID-19 é uma intensa corrida de obstáculos planetária marcada por desafios financeiros e expectativas frustradas

Pandemia do coronavírus: questões financeiras e política no caminho da ciência (Robert Bonet/NurPhoto/Getty Images)

A busca de uma vacina contra a COVID-19 é uma intensa corrida de obstáculos planetária marcada por desafios financeiros, expectativas frustradas e problemas de segurança, de acordo com os especialistas.

Quantas vacinas?

Em seu último comunicado a respeito, em 6 de julho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) registra 21 vacinas candidatas que estão em testes clínicos com seres humanos em todo o mundo (contra 11 em meados de junho).

Um terço dos testes acontece na China. O país, onde surgiu o SARS-CoV-2, vírus responsável pela pandemia, deseja ser o primeiro a oferecer uma vacina e não hesita em multiplicar as pesquisas.

Muitos testes estão em fase 1, ou seja, quando a segurança do produto é avaliada, ou em fase 2, quando a eficácia começa a ser analisada.

Dois estudos estão em fase mais avançada, a 3, quando a eficácia é medida em larga escala. São o projeto europeu da Universidade de Oxford, em cooperação com a empresa farmacêutica AstraZeneca, e o projeto chinês do laboratório Sinovac, em associação com o instituto de pesquisas brasileiro Butantan.

Neste último, o governo do estado de São Paulo começará a testar em 20 de julho a vacina do laboratório chinês em 9.000 voluntários.

Além dos testes já iniciados, a OMS registra 139 projetos de vacinas candidatas que estão em fase pré-clínica.

Quais técnicas?

Algumas equipes trabalham com vacinas clássicas, ou seja, as inativadas, que utilizam a versão morta do germe que provoca a doença, ou as chamadas ‘vivas’, que usam uma forma debilitada (ou atenuada) do germe que provoca uma enfermidade.

Também existem as vacinas de subunidades, que utilizam partes específicas do germe, como sua proteína, para oferecer uma resposta imune.

Há também as que utilizam outros vírus como suporte, o transformam e o usam para combater o que provoca a COVID-19.

E por fim, outros métodos novos promissores são explorados, que usam DNA ou RNA, as moléculas portadoras de instruções genéticas, para fabricar uma vacina.

“Quanto mais vacinas candidatas, mais oportunidades teremos para conseguir algo coisa”, resume à AFP Daniel Floret, vice-presidente da Comissão Técnica de Vacinas da França.

Resultados?

Até o momento há apenas resultados parciais publicados, alguns deles considerados “promissores” pelos laboratórios.

Mas a prudência deve imperar, destaca o imunologista francês Jean-François Delfraissy.

Por exemplo, “uma injeção aplicada em 30 pessoas não pode ser considerada um resultado”, explica.

Os comunicados dos laboratórios são destinados ao grande público, mas também estão impregnados de interesses financeiros. As empresas querem mostrar que os processos avançam, mas o que conta são os resultados. “E no momento não há resultados”, disse Floret.

Rápido e eficiente?

Em todo o mundo, as pesquisas aceleram, em um movimento inédito.

“Avança muito rápido, talvez mais rápido do que se previa”, explica à AFP Christophe d’Enfert, do Instituto Pasteur.

Governos e fundações iniciaram campanhas para arrecadar fundos e os Estados Unidos estão sozinhos na corrida, ao contrário de outros países, que uniram esforços.

O governo de Donald Trump lançou a operação que recebeu o nome “Warp Speed” para tentar produzir 300 milhões de doses de vacina efetiva até janeiro de 2021, com o objetivo de fornecer o produto de maneira prioritária aos americanos.

As empresas estão pesquisando e ao mesmo tempo preparando o sistema industrial para fabricar a vacina, quando normalmente “se espera os resultados” antes de lançar a segunda etapa, afirma Delfraissy.

Problemas de segurança?

“Para autorizar uma vacina contra a COVID-19, os testes clínicos terão que apresentar provas suficientes sobre sua segurança, eficácia e qualidade”, advertiu a Agência Europeia de Medicamentos (EMA).

E seguir muito rápido “pode gerar problemas” em termos de segurança, de acordo com Daniel Floret, que destaca que “um dos pontos chave é fornecer a prova de que a vacina não pode exacerbar a doença”, ou seja, agravar o quadro médico das pessoas vacinada, o cenário totalmente oposto do que é almejado.

Já aconteceu no passado com os macacos, “quando foram testadas vacinas contra o MERS-CoV e a Sars”, outros dois coronavírus.

No homem, o fenômeno do agravamento da doença aconteceu nos anos 1960 com vacinas contra o sarampo, que foram retiradas do mercado, e a bronquiolite do recém-nascido, recorda Floret.

Quando chegará a vacina?

A EMA calcula que será necessário aguardar “pelo menos até o início de 2021 para que uma vacina contra a COVID-19 esteja pronta para a aprovação e disponível em quantidades suficientes” para uso mundial.

Os mais otimistas acreditam em um prazo mais rápido.

“Não tenho certeza de que é muito realista afirmar isto. Precisamos moderar o entusiasmo”, afirma Floret.

“Se conseguirmos no primeiro trimestre de 2021 já será uma grande conquista, porque estes processos levam normalmente vários anos”, completa.

E se nunca for produzida?

O mundo sonha com a vacina, mas é possível que nunca seja produzida?

Efetivamente, “não é algo que deve ser considerado como certo”, admite Delfraissy. “Nunca fabricamos uma vacina contra um coronavírus, mas também nunca tivemos tantos meios para fazer isto”, considera.

“Há uma certa preocupação sobre a capacidade de conseguir fazer isto (…) mas temos os recursos. Várias técnicas estão sendo examinadas e seria surpreendente se não conseguíssemos”.

E quando a pesquisa terminar, uma pergunta permanecerá no ar: as pessoas aceitarão a vacina apesar do receio crescente sobre a vacinação ao redor do planeta?

“Como as sucessivas epidemias de sarampo demonstram, não somos muito bons no momento de responder à preocupação das pessoas a respeito das vacinas. Se não aprendermos com os erros, todo o programa de vacinas contra o coronavírus estará condenado de antemão”, escreveu a pediatra americana Phoebe Danziger, em uma coluna publicada na quinta-feira pelo New York Times.

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Cientistas buscam vida em Marte, prioridade das viagens espaciais

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Marte é o único local do universo em que a humanidade tem possibilidades concretas de encontrar provas de vida extraterrestre do passado

Espaço: a busca por sinais de vida em Marte – presente ou passada – ocupa os cientistas há séculos e produziu imagens de ficção científica (AFP/AFP Photo)

Marte é o único local do universo em que a humanidade tem possibilidades concretas de encontrar provas de vida extraterrestre pretérita e essa busca intensa poderia, enfim, render frutos com o envio de três novas missões ao planeta vermelho.

Estados Unidos, China e Emirados Árabes Unidos vão aproveitar o posicionamento celeste favorável deste verão no hemisfério norte para enviar uma série de robôs, tanto para orbitar quanto para pousar em Marte.

“Marte é a prioridade das explorações espaciais, visto que sabemos que há bilhões de anos era habitável”, explicou Jean-Yves Le Gall, presidente da agência espacial francesa CNES, responsável por um dos principais instrumentos da missão “Marte 2020”, da Nasa.

Enquanto a Lua é “desesperadamente vazia de vida”, Marte tem sido “promissor neste sentido desde o século XVII”, quando se observou a possível presença de água em forma de gelo em seu polo sul, explica o astrofísico Francis Rocard.

Em 1976, duas missões de pouso do programa americano Viking forneceram pela primeira vez dados ‘in situ’ sobre sua atmosfera e solo… Concluindo na ausência de vida na superfície.

“Foi uma decepção”, que desacelerou a exploração marciana durante 20 anos, explicou à AFP Rocard, especialista em sistema solar.

“Faltou mudar a estratégia com uma nova doutrina: ‘Seguir a água, o carbono, a luz!’”, os elementos que pressupõem a formação de organismos vivos, prosseguiu.

No começo dos anos 2000, a descoberta de que em algum momento houve água em estado líquido acendeu paixões e desde então cada missão aporta “cada vez mais provas de que Marte não está tão morto quanto se acredita”, segundo o biólogo Michel Viso.

Marte: cientistas acreditam que cerca de 4 bilhões de anos atrás, Terra e Marte tinham o potencial para abrigar a vida

Marte: cientistas acreditam que cerca de 4 bilhões de anos atrás, Terra e Marte tinham o potencial para abrigar a vida (AFP/AFP Photo)

Gráfico sobre a Perseverance, o novo veículo de exploção espacial da NASA que deverá chegar em Marte em 2021

Gráfico sobre a Perseverance, o novo veículo de exploção espacial da NASA que deverá chegar em Marte em 2021 (AFP/AFP Photo)

A história da água

O trabalho do veículo “rover” Perseverance, da Nasa, cuja chegada a Marte está prevista para fevereiro de 2021, gera grandes expectativas.

Complementar do robô Curiosity, que opera em uma cratera marciana desde 2012, o Perseverance elegeu domicílio em um entorno inexplorado até agora: a cratera Jezero, da qual recolherá amostras para trazê-las para a Terra, uma novidade completa.

Esta bacia de 45 km de diâmetro é um terreno ideal para conservar o rastro de uma vida passada na superfície: é rica em rochas sedimentares e seu relevo em forma de delta é atribuído à desembocadura de um antigo rio.

Além disso, ao estudar a geologia de Jezero, o “rover” poderá caracterizar o entorno geoquímico que deu origem à superfície aquática, permitindo compreender a “história da água” em Marte, segundo Rocard.

“De fato, houve água em Marte, mas a questão que nos deixa loucos é: por quanto tempo? Quanto mais longo fosse este período, mais possibilidades haveria de que se criasse alguma forma de vida”, segundo este astrofísico.

A ciência ignora quanto tempo foi necessário que houvesse água na Terra para permitir a vida, nem quando apareceu exatamente.

Consequentemente, decifrar a história de Marte suporia também esclarecer a da Terra, assim como compreender por que a vida desapareceu no primeiro e perdurou no segundo, apesar de ambos reunissem as mesmas condições há quatro milhões de anos.

No nosso planeta azul, os primeiros vestígios de vida datam de 3,5 bilhões de anos, mas “certamente começou antes”, segundo Jorge Vago, especialista científico da Agência Espacial Europeia (ESA), cuja missão “ExoMars” partirá em 2022 para esquadrinhar o solo marciano.

Mas a atividade tectônica das placas terrestres, que renova com frequência a crosta em profundidade, impede a preservação da vida ancestral e, por isso, impossibilita encontrar seus vestígios.

Marte, ao contrário, é isento de tectônica, razão pela qual é suscetível de ter conservado em suas entranhas a marca de uma vida “original”, de mais de 4 bilhões de anos.

Fragmentos decisivos

E se nunca houve vida? A análise de amostras marcianas na Terra, aguardada pelos cientistas há anos, será sem dúvida decisiva para determinar uma resposta, graças ao trabalho de instrumentos inovadores, como os síncrotrons (aceleradores de partículas).

“Se houver algo, saberemos através destas amostras”, resume Viso.

Mas não antes de dez anos, visto que o retorno à Terra será uma missão extremamente complexa.

“E cuidado: não vamos nos deparar com uma chave-mestre: o mais provável é um conjunto de presunções que poderia nos levar a dizer, ‘Sim, estas moléculas são, sem dúvida, restos de uma atividade metabólica, microbiana, por exemplo’”, afirma.

Há outros locais com potencial para abrigar vida extraterrestre no universo, como Encélado e Europa, luas que orbitam, respectivamente, Saturno e Júpiter. Mas partir em busca de amostras ou perfurar sua espessa camada de gelo por enquanto está nos domínios da ficção científica

 

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Pesquisadores estudam existência de dinossauro que media apenas 40 cm

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Descrito como um “matador de insetos”, o Kongonaphon Kely foi descoberto a partir de fósseis resgatados em Madagáscar

Konganaphon Kely: novo dinossauro foi encontrado em fósseis de Madagáscar (Frank Ippolito/© American Museum of Natural History/Reprodução)

A análise de fósseis encontrados em Madagascar pode ter revelado a existência de um novo tipo de dinossauro. Mas um bem diferente dos répteis gigantes e carnívoros retratados no cinema. Segundo os pesquisadores, o Kongonaphon Kely media apenas 40 cm de comprimento e tinha somente 4 cm de altura. Com este tamanho, sua alimentação era basicamente composta por insetos.

O espécime que viveu há 237 milhões de anos foi descrito como um “matador de insetos”. Cientistas apontam que o animal se movimentava utilizando as patas traseiras, tinha dentes pequenos, cônicos e não-raspados. Ele é caracterizado também como uma miniatura ancestral dos repteis que dominaram a Terra graças ao processo de evolução das espécies.

“Com base em análises estatísticas do tamanho do corpo, argumentamos que dinossauros e pterossauros evoluíram a partir de um ancestral miniaturizado”, disse Christian Kammerer, paleontólogo do Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte, para o The Guardian. Kammerer é o principal autor da pesquisa publicada no Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Segundo John Flynn, paleontólogo do Museu Americano de História Natural de Nova York e coautor da pesquisa, supor que esses pequenos répteis evoluíram para se tornarem dinossauros imensos não é algo impossível. “A evolução do gigantismo de pequenos antepassados não é incomum ao registro fóssil”, afirmou.

Vale lembrar que nem todos os dinossauros eram imensos. O espécime Eudimorphodon, por exemplo, tinha tamanho semelhante ao de um pombo. Já o Argentinosauros, por sua vez, media 35 metros de comprimento.

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Covid-19: uso de máscaras pode reduzir contaminações em 40%, diz estudo

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Estudo alemão mostrou que a exigência de máscaras no estágio inicial da epidemia em determinados locais foi crucial para a desaceleração dos casos

Uso de máscara: estudo estima que a máscara facial é capaz de reduzir em torno de 40% o número de novos contágios pela covid-19 (David Cliff/Getty Images)

Um estudo realizado por pesquisadores alemães estimou que o uso de máscaras faciais é capaz de reduzir em torno de 40% o número de novos contágios pelo novo coronavírus. Publicado no portal VoxEU, a pesquisa usa o caso de Jena — cidade na região central da Alemanha com cerca de 110.000 habitantes —, que decretou a obrigatoriedade do uso de proteção facial para conter a pandemia no dia 6 de abril, antes da medida ser adotada na maior parte das cidades alemãs, no dia 27 do mesmo mês. Assim como ocorre no Brasil, a Alemanha determinou que estados e municípios são os responsáveis por decretar políticas para segurar o avanço do vírus.

Os cientistas relatam que a taxa de novas contaminações diminuiu a quase zero em Jena nos primeiros dias após a cidade tornar o uso de máscaras obrigatório, indicando um “efeito positivo” relacionado à medida. Para se certificar de que a redução dos casos diários ocorreu por causa das máscaras faciais, os pesquisadores criaram uma Jena fictícia para tentar estimar como teria sido a evolução da covid-19 na cidade caso a determinação não fosse aplicada. O município fictício teria as mesmas características de Jena, como sua densidade populacional regional, idade média da população, proporção de idosos e média do número de médicos e farmácias por habitante.

“Vinte dias depois da introdução da obrigatoriedade de máscaras em Jena, o número acumulado de novos casos de covid-19 cresceu ‘apenas’ de 142 para 158. Na Jena sintética, o número aumentou de 143 para 205. Isso corresponde a uma redução de 23% do número de casos”, destacou a equipe de cientistas. Em relação à quantidade de novos casos neste período, a redução estimada pelo grupo é de 40%.

Os resultados coletados pelos cientistas mostraram uma redução do número de novos casos em três cidades e um distrito da Alemanha que adotaram a medida no dia 22 de abril. O período analisado para estas regiões foi de dez dias após a determinação.

“Em suma, a introdução da obrigatoriedade do uso de máscaras conteve a disseminação da covid-19 na Alemanha. Este resultado concorda com as descobertas de epidemiologistas e virologistas que explicam que as proteções faciais limitam a circulação de ar ao falar, reduzindo, assim, a transmissão de doenças infecciosas”, concluem os cientistas.

 

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Coronavírus atual é versão mais contagiosa do que a original, diz estudo

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Depois de deixar a China e entrar na Europa, uma variante do novo coronavírus, tornou-se dominante e foi essa versão europeia que se estabeleceu nos EUA

Pesquisa publica na revista Cell analisa as mutações genéticas do novo coronavírus (Taechit Taechamanodom/Getty Images)

A variante do SARS-CoV-2 dominante infecta células com mais facilidade do que o que apareceu na China, o que provavelmente o torna mais contagioso entre os seres humanos, embora isso ainda deva ser confirmado, revela um estudo publicado nesta quinta-feira (2) na revista Cell.

“Parece que o vírus se replica melhor e pode ser mais transmissível, mas ainda estamos na etapa de tentar confirmar isso. Existem geneticistas de vírus muito bons trabalhando nisso”, disse Anthony Fauci, diretor do Instituto de Doenças Infecciosas dos Estados Unidos  à revista Jama nesta quinta-feira (2)

Depois de deixar a China e entrar na Europa, uma variante do novo coronavírus, que constantemente sofre mutações como qualquer vírus, tornou-se dominante e foi essa versão europeia que se estabeleceu nos Estados Unidos. A variante chamada D614G refere-se a uma única letra no DNA do vírus, em um local onde controla a entrada nas células humanas.

Pesquisadores rastreiam mutações genéticas no coronavírus em todo o mundo. Aqueles que sequenciam o genoma do vírus o compartilham em um banco de dados internacional (GISAID), um tesouro de mais de 30.000 sequências contabilizadas até o momento.

O novo estudo, realizado pelas universidades Sheffield e Duke Universities e pelo Laboratório Nacional Los Álamos, estabeleceu em abril que o D614G é dominante e mais tarde determinou que a mutação tornava o vírus “mais transmissível”.

Os resultados do estudo já haviam sido publicados on-line em um site de pré-publicação científica.

Essa afirmação atraiu críticas porque a equipe não demonstrou que a mutação foi a causa de ter se tornado dominante. A versão do vírus poderia ter se beneficiado de outros fatores ou do acaso.

Por essas críticas, os cientistas realizaram trabalhos e experimentos adicionais, a pedido dos editores da publicação especializada Cell.

Um vírus mais eficiente?

Os pesquisadores analisaram, primeiramente, dados de 999 pacientes britânicos hospitalizados por COVID-19 e observaram que aqueles com a variante tinham mais partículas virais, mas isso não mudou a gravidade de sua doença.

Por outro lado, experimentos de laboratório mostraram que a variante é três a seis vezes mais capaz de infectar células humanas.

“Parece provável que seja um vírus mais eficiente”, diz Erica Ollmann Saphire, que conduziu um desses experimentos no Instituto de Imunologia La Jolla.

No entanto, um experimento in vitro não pode reproduzir a dinâmica real de uma pandemia. Portanto, a conclusão mais estrita é que, embora o coronavírus atualmente em circulação seja provavelmente mais “infeccioso”, não é necessariamente mais “transmissível” entre humanos.

Em qualquer cenário, “essa variante é agora a pandemia”, diz Nathan Graubaugh, da Universidade de Yale, junto com colegas em um artigo separado.

“O D614G não deve alterar nossas medidas de restrição ou piorar as infecções individuais”, acrescenta.

A conclusão dos especialistas é que “estamos testemunhando um trabalho científico em tempo real: essa é uma descoberta interessante que afeta potencialmente milhões de pessoas, mas cujo impacto final ainda não é conhecido. Descobrimos esse vírus há seis meses e aprenderemos muito mais nos próximos seis meses “, concluem.

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terça-feira, 14 de julho de 2020

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