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Kombucha: o chá milenar que promete emagrecer e dar energia

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O consumo do chá, que contém “bactérias do bem”, tem crescido no Brasil

A pintora Suzzana Schelmm, diz sentir disposição com o consumo do Kombucha (Felipe Cotrim/VEJA)

A pintora Suzzana Schelmm, diz sentir disposição com o consumo do Kombucha (Felipe Cotrim/VEJA)

Já ouviu falar do chá de Kombucha ou “Kombutchá”, como se pronuncia? Com propriedades para melhorar o sistema imunológico, regularizar as funções do intestino, aumentar a energia e até mesmo emagrecer, essa bebida chinesa milenar está ganhando adeptos no Brasil. Basta clicar o nome na internet. Inúmeras páginas nas redes sociais e sites oferecem de dão aulas de como preparar o produto.

A apresentação do Kombucha é tão estranha como seu nome. Trata-se de uma bebida artesanal, levemente gaseificada, que surge da fermentação do chá preto adoçado com açúcar. O líquido resultante é uma combinação de microorganismos (leveduras e bactérias), benéficos à saúde. Os adeptos consomem de dois a três copos do chá por dia e afirmam sentir melhoras na saúde como um todo.

Para produzir o Kombucha é preciso cultivar um scoby (uma cultura viva, de aspecto gelatinoso, parecida com uma massa de panqueca, composta por bactérias e leveduras) junto a 10% do chá da safra anterior. Esse scoby é adicionado a um recipiente de vidro com aproximadamente três litros de chá preto com açúcar em temperatura ambiente, coberto com um pano limpo para que ele possa respirar e se reproduzir. Ao fim de dez dias, em média, oscoby resulta em um “filhote” e a bebida finalmente está pronta para o consumo. Ah, sim. Antes deve ser coada…

A pintora Suzzana Carlota Schelmm, de 45 anos, consome o chá há seis meses e se surpreendeu com a quantidade de pessoas interessadas em tomar a bebida depois que publicou um post em uma rede social dizendo que tinha dois “filhotes” de Kombucha para doar. Mais de 40 pessoas entraram na fila virtual em poucas horas.“Fiquei até assustada com a repercussão. Vou doar para os primeiros da fila. Espero que essas pessoas, depois de dez dias, doem seus “filhotes” também. Essa é a beleza da coisa, doar e não vender”, afirma ela, que diz sentir uma “disposição diferente” desde que começou a tomar o chá. “Durmo melhor, acordo melhor.”

O aposentado Luiz Guilherme Bender, de 66, é um dos interessados em iniciar o consumo do Kombucha. Sua filha, Martha, conseguiu uma colônia em um grupo de doação e está produzindo a bebida. “Quero ter uma vida mais natural e mais saudável, além de querer perder uma sobrebarriga de seis quilos”, brincou.

Outro adepto do Kombucha é o programador web Marcus Vinicius Dutra Paiva, de 44 anos. Ele toma o chá há mais de 10 anos e afirma que chegou a perder 10% do peso. “Nunca pensei em emagrecer nem havia um problema de saúde que me levasse a buscar o Kombucha. Sempre usei o chá como alternativa a refrescos e refrigerantes, geralmente após o almoço”, diz Paiva, que mantém um blog (Kombucha Blog do Brasil) com informações, dicas e dúvidas sobre o produto.

A publicitária Tammy Bocaiuva Villella, de 51 anos, se declara apaixonada pelo Kombucha e diz que o consumo do chá pode ser considerado uma “filosofia de vida”. Vegetariana desde os 7 anos e vegana desde os 16 anos, ela diz que a bebida tem uma fartura de vitaminas, enzimas e outros agentes que beneficiariam a saúde. “Tomo todos os dias em jejum. Sinto muita energia vital, flexibilidade, disposição, entusiasmo e um bem estar incrível”, afirma ela, que toma a bebida há dois anos e já doou “filhotes” de Kombucha para várias pessoas.

Riscos e benefícios

Os principais microorganismos presentes no chá de Kombucha são  Acetobacter xylinum,  Acetobacter xylinoides, Acetobacter ketogenum, Saceharomycodes ludwigii, Saccharomycodes apiculatus, Schizosaccharomyces pombe,Zygosaccharomyces, e Saccharomyces cerevisiae. Um laudo técnico realizado pelo Laboratório Aqualab, de Porto Alegre, atesta a qualidade do Kombucha e afirma que o produto está livre de bactérias patogênicas causadoras de gastroenterites, sendo próprio para o consumo.

O médico nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), afirma que os benefícios do Kombucha estão no fato de esses microorganismos habitarem a microbiota intestinal. “Tais bactérias são as chamadas bactérias do bem. Se você as tem em grandes quantidades no organismo, tem uma boa imunidade”, afirma.

Ainda segundo Ribas Filho, essas bactérias do bem, quando fermentadas, liberam substâncias que vão agir no núcleo da saciedade, o que ajudaria na perda de peso. “Esses microorganismos também agem melhorando o metabolismo, o que provoca as sensações de bem-estar, energia e disposição.

A pintora Suzanna Schlemm mostra uma cultura simbiótica para a produção do Kombucha

A pintora Suzanna Schlemm mostra uma cultura para a produção do Kombucha (Felipe Cotrim/Kombucha: o chá milenar que promete emagrecer e dar energia)

Os benefícios não eliminam os riscos, claro. Em especial por se tratar de uma cultura de bactérias. “Se o produto mofar e for contaminado por fungos ou bactérias chamadas do mal, pode causar, sim, problemas de saúde.”

A nutricionista e professora universitária Andréa Esquivel, colaboradora da Associação Paulista de Nutrição (Apan), diz que é preciso ter cautela no consumo de forma indiscriminada e sem acompanhamento, pois os compostos da bebida podem interagir com outras substâncias, como medicamentos, causando problemas ou reações adversas indesejadas. “Há relatos de toxicidade no fígado e nos rins após o consumo do chá”, afirma.

Andréa também destaca a questão da manipulação do produto.Ele é feito artesanalmente. “Deve-se ter um critério rígido de assepsia, levar em consideração o ambiente, a qualidade da água, usar vidro e não plástico. Caso contrário, a colônia pode ser contaminada e desenvolver outros fungos e bactérias prejudiciais à saúde.”

Ela reforça que o chá não deve ser consumido por pessoas com baixa imunidade, gestantes, crianças e idosos, pois eles possuem o sistema imunológico mais frágil e suscetível à infecções oportunistas. “Não é porque é natural que não faz mal”, diz. Para ela, o consumo do chá é um modismo que chegou no Brasil que pode ser perigoso. “É leigo indicando e doando a cultura para leigo”.

Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informa que o chá de Kombucha pode ser comercializado no Brasil, mas que não há alegações sobre os benefícios à saúde autorizadas para esse produto. Ainda segundo a agência, os chás são alimentos dispensados de registro e, por serem alimentos, não podem indicar propriedades terapêuticas ou medicamentosas.

 

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Servidores que atuam no combate à pandemia terão adicional de insalubridade

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Nova lei estabelece critérios para o adicional de insalubridade aos servidores públicos do DF que atuem diretamente no combate à pandemia. Norma foi publicada no DODF desta terça-feira

(crédito: Minervino Junior/CB/D.A Press).

Agentes públicos do Distrito Federal que atuam diretamente na prevenção e no combate de pandemias, assim como os que atuam nos serviços essenciais durante o período da crise sanitária, passam a se enquadrar no grau máximo de insalubridade. A mudança foi regida pela Lei Complementar nº 974 publicada no Diário Oficial do DF desta terça-feira (27/10).

O projeto é de autoria da deputada distrital Arlete Sampaio (PT) e foi promulgado pelo presidente da Câmara Legislativa do DF, Rafael Prudente (MDB).

Segundo o texto, para os agentes públicos que atuem diretamente na prevenção e no combate de pandemias declaradas pelo poder público se aplicará o grau máximo de insalubridade, assim como para os agentes públicos que atuem em serviços essenciais pelo tempo que perdurar a pandemia.

Também aplica-se o grau máximo de insalubridade aos servidores da carreira de Auditoria de Atividades Urbanas, de Atividades de Defesa do Consumidor do Instituto de Defesa do Consumidor do DF (Procon) e de Policiamento e Fiscalização de Trânsito do Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF) que atuem em serviços essenciais enquanto durar o estado de calamidade pública.

Servidores da saúde que atuam diretamente na prevenção e no combate de epidemias e doenças contagiosas, durante período de emergência em saúde pública também se enquadram nas novas regras.

Insalubridade

O adicional de insalubridade é um direito de trabalhadores que são trabalham expostos a agentes que podem ser nocivos à saúde. Estes recebem um percentual do salário de acordo com o grau de insalubridade estabelecido por lei. Segundo a Consolidação das Leis do Trabalho, há três graus: mínimo, médio e máximo.

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Resposta para tratamento da covid-19 pode estar em recuperados

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Terapia com foco nas células T pode ajudar pacientes com imunidade baixa na luta contra o novo coronavírus

Coronavírus: (Getty Images/Getty Images)

As células T de pessoas recuperadas do novo coronavírus podem servir como um tratamento potente para a doença. Um novo estudo publicado nesta segunda-feira, 26, aponta que os linfócitos reativos que ajudam o organismo na defesa de infecções encontrado em pessoas que já se curaram da covid-19 pode ajudar pacientes imunocomprometidos a criar uma resposta imune antes de uma exposição ao vírus, o que os protegeria de quadros mais sérios da infecção.

Essas células foram encontradas principalmente em doadores de sangue que tiveram casos confirmados do SARS-CoV-2 e que os linfócios diretos se adaptaram para atacar partes específicas das proteínas virais. A descoberta de que as células T estão atacando com sucesso uma membrana da proteína do vírus pode ajudar também os desenvolvedores de vacinas a pensarem em formas diferentes de fazer uma imunização para o vírus.

“Descobrimos que muitas pessoas que se recuperaram da covid-19 têm a célula T que reconhecem e atacam as proteínas virais da doença, o que dá a elas imunidade porque essas células estão treinadas para lutar”, explica Michael Keller, um dos autores do estudo e pediatra no Children’s National Hospital, nos Estados Unidos.

O próximo passo dos pesquisadores é conseguir uma aprovação do Food and Drug Administration (órgão americano análogo a Anvisa) para realizar a primeira fase de testes de células T específicas da covid-19 para induzir e melhorar a resposta imune de indivíduos vulneráveis.

“Isso sugere que adotar a imunoterapia usando células T convalescentes para atacar regiões do vírus pode ser um jeito eficaz de proteger pessoas vulneráveis, em especial aquelas que têm o sistema imunológico comprometido por tratamentos contra o câncer ou que fizeram transplantes recentemente”, continua Keller.

 

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Covid-19: governo reconhece calamidade pública na Bahia e no Ceará

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Medida facilita acesso a recursos da União

Covid-19: Fiocruz amplia capacidade nacional de testagem

O governo federal reconheceu o estado de calamidade pública na Bahia e no Ceará em razão da pandemia da covid-19. A portaria da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil foi publicada hoje (26) no Diário Oficial da União.

O reconhecimento de situação de emergência ou estado de calamidade pública pelo governo federal reduz a burocracia e facilita, a estados e municípios, o acesso aos recursos da União para ações de socorro.

Balanço divulgado neste domingo (25) pela Secretaria de Saúde da Bahia mostra que o estado registrou 691 novos casos da covid-19, nas últimas 24 horas. No total, o estado acumula 344.705 casos, desde o início da pandemia. O boletim traz ainda o registro de 22 novas mortes, totalizando 7.475 óbitos no estado.

No Ceará, o boletim do Ministério da Saúde, divulgado ontem (25), aponta 872 novos casos e dois óbitos registrados nas últimas 24 horas no estado. O estado acumula 270.264 casos, e as mortes já chegam a 9.248.

Agencia Brasil

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Brasil volta a ter menor média móvel de óbitos por covid-19 desde maio

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O país tem um total de 156.528 óbitos e 5.355.650 casos confirmados da doença. Nas últimas 24 horas foram mais 566 vítimas

Covid-19: Brasil voltou a ter menor média móvel de óbitos por covid desde maio, com 471 por dia (Pedro Vilela/Getty Images)

O Brasil tem 156.528 óbitos e 5.325.682 casos confirmados de covid-19, segundo levantamento dos veículos de imprensa junto às secretarias estaduais de Saúde e divulgado nesta sexta-feira, 23.

O balanço, atualizado às 20 horas, mostra que no período de um dia foram registradas 566 vítimas e 29.968 testes reagentes para o coronavírus.

Os dados são compilados pelo consórcio de imprensa que reúne UOL, Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, G1 e Extra.

A média móvel, que contabiliza o número de casos dos últimos sete dias, foi de 22.011 por dia. Isso significa uma variação de -12% em relação à semana anterior.

Testes da vacina de Oxford da covid-19 são retomados

Os testes clínicos da vacina contra o novo coronavírus da universidade britânica de Oxford em parceria com a farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca tiveram permissão para ser retomados nos Estados Unidos após uma pausa de mais de um mês. O Food and Drugs Administration ainda não havia permitido que os estudos voltassem a acontecer depois que um paciente apresentou um efeito colateral grave, mesmo com a confirmação do comitê de que ele não tinha relação com a vacina experimental.

Anvisa autoriza compra de 6 milhões de doses da Coronavac

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou nesta sexta-feira a importação de 6 milhões de doses da vacina para covid-19 fabricada pela chinesa Sinovac, em atendimento a pedido feito em caráter excepcional pelo Instituto Butantan, informou o órgão regulador em comunicado.

A vacina desenvolvida pela Sinovac, que será produzida no Brasil pelo Butantan, encontra-se atualmente em estágio final de estudo clínico com milhares de voluntários. O possível imunizante ainda não tem registro sanitário para aplicação no Brasil.

(Com informações da Agência Estado)

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Transfusão de plasma pode não ser tão eficaz para tratar a covid-19

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Estudo realizado na Índia questiona a eficácia da técnica que está sendo utilizada para tratar pacientes com o novo coronavírus

Transfusão de plasma: tratamento tem sido utilizado em pacientes com o novo coronavírus (Anadolu Agency/Getty Images)

Um estudo realizado na Índia e publicado na quinta-feira (22) aponta que o uso da técnica de transfusão de plasma sanguíneo como forma de tratar pacientes diagnosticados com a covid-19 pode não ser tão eficaz como se imagina. De acordo com os pesquisadores, a transfusão não diminui as chances de piora do quadro de saúde dos pacientes.

“O plasma de convalescentes mostrou eficácia limitada” em relação ao tratamento de novos pacientes infectados com a doença, informa a pesquisa que foi publicada na revista científica British Medical Journal. A prática é eficaz no tratamento do Ebola ou da SARS, mas não do novo coronavírus. Cansaço? Estafa? Burnout? Faça da pandemia uma oportunidade de reset mental.

Conforme relatado no The Guardian, a tese ainda carece de mais fontes. Dessa forma, novos estudos em relação ao tema devem ser feitos antes que autoridades médicas mudem os tratamentos aplicados atualmente. Isso porque os testes foram feitos em uma escala pequena e, por isso, podem não ser tão conclusivos.

Foram testados 464 pacientes adultos, sendo que 229 pacientes foram tratados com cuidados habituais e outros 235 receberam transfusões de plasma. Entre os participantes que pioraram ou morreram da doença após quase um mês, 44 pertencem ao primeiro grupo e outras 41 pessoas pertencem ao segundo grupo. Números semelhantes.

O estudo, porém, relata que as transfusões de plasma entre os pacientes tiveram efeito positivo na melhora dos sintomas relacionados com dificuldades respiratórias e fadiga enquanto o vírus SARS-CoV-2 ainda estava em seu estágio inicial de infecção, nos primeiros sete dias.

Os pesquisadores responsáveis pelo estudo concordam que é preciso que sejam feitas novas análises sobre o tema. Vale lembrar que uma pesquisa com 136 pacientes no Hospital Metodista de Houston, no Texas, mostrou uma redução considerável no número de mortes de pacientes de covid-19 que receberam plasma com altos níveis de anticorpos.

 

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Novo estudo aponta que anticorpos da covid-19 podem durar até 7 meses

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Os pesquisadores também descobriram que a severidade da doença, mais do que a idade, pode afetar diretamente a produção de anticorpos

Coronavírus: doença já deixou mais de 1 milhão de mortos no mundo (Kiyoshi Hijiki/Getty Images)

 

A maior prevalência de anticorpos em estágios iniciais da pesquisa havia sido encontrada em homens, mas o fator gênero foi equilibrado ao longo dos meses após uma infecção pelo SARS-CoV-2. Na fase aguda da resposta do sistema imunológico do corpo humano, o time de pesquisadores observou que a produção de anticorpos era maior naqueles que apresentavam casos graves da doença. Nenhuma diferença relevante entre idades foi encontrada.

“Nosso sistema imunológico reconhece o vírus como prejudicial e produz uma resposta de anticorpos contra ele, o que ajuda a combatê-lo. Nossos resultados mostram um padrão clássico de um aumento rápido de anticorpos nas primeiras três semanas depois dos primeiros sintomas da doença, como o esperado, e existe uma redução depois”, explicou o coautor do estudo Marc Veldhoen.

Em parceria com o Instituto Português do Sangue e Transplantação (IPST), os pesquisadores também avaliaram a função dos anticorpos na neutralização do vírus. Apesar da redução nos níveis, os resultados mostraram que os anticorpos eram neutralizantes robustos.

A ideia é que, nos próximos meses, eles continuem a monitorar os pacientes para entender melhor quanto tempo os anticorpos podem realmente durar e quando o risco de reinfecção pode ser apresentado.

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quinta-feira, 29 de outubro de 2020

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