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A jovem Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, que perdeu a perna após um ataque de tubarão em uma praia no Recife, informou em um vídeo feito dentro da UTI que está se recuperando bem.
O vídeo foi registrado pelo médico Mike Andrade, que prestou os primeiros socorros ainda na praia logo após o ataque. “Oi, gente, estou bem. Vai dar tudo certo, seguindo minha vida”, disse Marcela no vídeo.
Marcela conversou com o médico, agradecendo por ele ter salvado sua vida. Mike Andrade improvisou um torniquete com o cordão do short de Marcela e aplicou pressão direta no ferimento para tentar controlar o sangramento.
Os dois se encontraram novamente na UTI do Hospital da Restauração, onde Marcela está internada. O menino de 11 anos atacado por tubarão no último domingo (31) em Jaboatão dos Guararapes, na região metropolitana do Recife, está na UTI Pediátrica do mesmo hospital. Nenhuma das vítimas tem previsão de alta.
Mike Andrade, natural de Minas Gerais, estava passeando na praia quando o ataque aconteceu. “O hotel onde eu estava hospedado fica em frente ao local do incidente. Eu e minha mãe estávamos indo para Olinda, mas ela não se sentiu bem e optou por voltar ao hotel. Aproveitamos para colocar os pés na areia”, contou Mike à TV Globo. Ele viu tudo acontecer ao atravessar a rua.
No domingo, o menino de 11 anos sofreu mordidas na coxa e na mão por um tubarão na praia de Piedade. Ele recebeu os primeiros socorros no Hospital da Aeronáutica e foi transferido para o Hospital da Restauração, onde teve a perna amputada.
No dia seguinte, Marcela foi atacada na praia de Boa Viagem. Ela teve a perna direita arrancada pelo tubarão e foi levada ao Hospital Alfa, onde passou por cirurgia para controlar o sangramento.
A praia de Piedade é conhecida pelo maior número de ataques de tubarão, com um alerta ativo desde 1999 que orienta os banhistas a respeitarem as recomendações dos salva-vidas e as placas de advertência.
A praia de Boa Viagem registra menos ataques, com 25 desde 1992, mas também possui sinalização. Um dos últimos ataques na região ocorreu em 2013, quando uma turista de São Paulo morreu. Desde 1992, Pernambuco contabiliza 84 ataques de tubarão, conforme dados do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões.
A construção do Complexo Portuário de Suape modificou estuários que serviam como berçários e áreas de alimentação para tubarões. Especialistas afirmam que o aterramento dessas áreas fez com que os tubarões perdessem locais importantes para alimentação e reprodução, o que contribuiu para o aumento de ataques a partir dos anos 1980.
Canais profundos próximos às águas rasas das praias de Piedade e Boa Viagem funcionam como corredores para tubarões, aproximando-os da faixa de areia, especialmente quando a maré sobe. Esses canais podem ter de 6 a 8 metros de profundidade e são utilizados por espécies como tubarão-tigre e cabeça-chata, comuns na costa do estado.
O desrespeito às placas e a proibição de banho aumentam o risco para os banhistas. Apesar da sinalização, há registros de pessoas entrando no mar mesmo após ataques, o que contribui para novos incidentes.
Especialistas sugerem retomar o monitoramento ambiental para avaliar o crescimento da população de tubarões e identificar as espécies presentes na região. Eles afirmam que, se as restrições forem respeitadas, o número de ataques pode cair a zero, mas, se continuar o acesso ao mar nessas áreas, os incidentes tendem a aumentar.

