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sexta-feira, 13/02/2026

Investimento dos EUA aumenta participação em mineradora brasileira de terras raras

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PEDRO LOVISI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

A Serra Verde, que é a única mineradora de terras raras em funcionamento no Brasil, anunciou nesta quinta-feira (5) que um banco estadual dos Estados Unidos elevou o financiamento para a empresa para US$ 565 milhões. Com isso, o governo dos EUA poderá adquirir uma pequena parte das ações da mineradora.

Em novembro, a mineradora já havia divulgado que o DFC (Development Finance Corporation) iria investir US$ 465 milhões na empresa, mas naquela ocasião não se falou sobre a possibilidade de o governo americano se tornar acionista.

A Serra Verde tem uma mina de terras raras no norte de Goiás e atualmente exporta toda a produção para a China, que domina grande parte da extração e do processamento desses minerais. A empresa, que pertence a dois fundos de investimento norte-americanos e um britânico, informou no ano passado que alterou contratos com empresas chinesas para vender parte da produção para clientes do ocidente, sem especificar a nacionalidade.

Devido a dificuldades operacionais, a mineradora não consegue produzir seu total máximo de 5.000 toneladas de óxido de terras raras por enquanto. Porém, há planos para ampliar a produção para 6.500 toneladas até o final de 2027.

Segundo o CEO da Serra Verde, Thras Moraitis, “Esse anúncio mostra o quanto a Serra Verde é importante no cenário global. Somos muito gratos pelo apoio do governo dos Estados Unidos e esperamos trabalhar juntos para criar novas cadeias de fornecimento independentes”.

Thras Moraitis também declarou: “O investimento significativo de quase US$ 600 milhões da DFC garante um futuro promissor para a Serra Verde e para as várias empresas que dependem das nossas terras raras em etapas finais de produção”.

Não está claro se o acordo obriga a Serra Verde a vender sua produção a empresas americanas, especialmente para os setores de carros elétricos e defesa, que usam ímãs feitos com elementos das terras raras. Especialistas indicam que essa obrigação é comum em contratos desse tipo.

Este anúncio reforça a estratégia dos EUA de firmar contratos diretamente com mineradoras no Brasil, sem esperar acordos com o governo brasileiro, que exige o processamento dos minerais dentro do país. O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras e é visto como uma alternativa importante ao fornecimento da China.

Conforme informado anteriormente, o governo americano tem usado a DFC para concluir acordos com essas empresas.

Em setembro, o banco firmou um contrato de US$ 5 milhões com a Aclara, que tem projeto avançado para explorar terras raras também no norte de Goiás. Esses recursos poderão ser convertidos em ações da empresa e serão usados para concluir o estudo de viabilidade da mina.

Um mês depois, a Aclara anunciou planos para construir uma refinaria nos EUA até 2028 para processar o concentrado de terras raras brasileiro. O investimento previsto para essa construção é de US$ 277 milhões, menor que o previsto para Goiás, que é de US$ 680 milhões.

A instalação de refinarias em outros países é estratégica para um setor ainda dependente da China. De acordo com a mineradora, a planta nos EUA poderá atender mais de 75% da demanda americana por elementos pesados de terras raras para veículos elétricos até 2028.

Na quarta-feira (4), o governo americano anunciou alianças com países da União Europeia, Japão e México para reforçar a segurança e resiliência das cadeias de fornecimento de minerais críticos. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, foi convidado para o evento, mas enviou o ministro-conselheiro Fernando Sena como representante. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também participou.

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