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Inovações que naufragaram, e as que brilharam, em 2018

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O ano foi especialmente problemático para as redes sociais, mas positivo para IAs. Confira outros exemplos do que deu certo e do que deu chabu

Fortnite: o game bocó resume, de certa forma, muito do que deu errado em 2018 com várias tecnologias que antes eram celebradas em demasia (Epic Games/Divulgação)

Turning point é um termo muito usado em dramaturgia. Ele define o momento no qual há uma reviravolta emocionante que faz a história caminhar para um clímax. O ano de 2018 representou um turning point para a indústria da tecnologia. Em especial para o ritmo de ascensão das redes sociais, antes celebradíssimas e que agora foram colocada em xeque, tanto como inovação quanto pelos interesses (cada vez mais amedrontadores) das empresas por trás desses sites e apps.

Abaixo listo algumas tecnologias que, como as mídias sociais, deram chabu em 2018 e exigem agora certo reparo para seguirem firmes e fortes nos anos vindouros. Além disso, destaco novidades que brilharam no ano que passou.

AS INOVAÇÕES QUE EXIGEM REPAROS

Redes sociais

Desde que surgiu, no que já parece o bem distante ano de 2004, o Facebook estava acostumado a receber elogios ano após ano. Ele e outras mídias sociais, a exemplo do Twitter e do Instagram, eram consagrados por terem servido de plataforma para manifestantes contra ditaduras, meio de ignição para a Primavera Árabe em 2010, auxílio para a aproximação de pessoas de distintas culturas e/ou visões de mundo. Esses sites foram e são, sim, bem-vindos. Sem dúvida colaboraram ainda para auxiliar atingidos por desastres naturais a procurar ajuda – o que ocorreu, com muita efetividade, durante o furacão Katrina (em 2005), o terremoto e tsunami que atingiu o Japão (2011) ou mesmo bem recentemente, no tsunami que impactou a Indonésia. Ao cortar por quase metade os 6 graus de separação que antes separavam quaisquer seres humanos do planeta, essas inovações revolucionaram quase todos os aspectos de nossas vidas em sociedade. Porém…

… o ano de 2018 ficará marcado como aquele em que fomos cobrados por essa conta toda. Já haviam indícios anteriores de que o cenário não estava bom. Em 2016, durante as eleições americanas à presidência, Facebook e Twitter serviram de forma de disseminação de uma variada sorte de mentiras sobre Hilary Clinton e Donald Trump, no que pode ter afetado o resultado do pleito – ainda se investiga o tamanho dessa influência virtual. Vale lembrar, por exemplo, que muita gente ignorante teve como verdade a fake news de que Hillary Clinton teria arquitetado uma rede de pedofilia a partir de uma pizzaria em Washington. Já em 2017 as redes sociais serviram de óbvia plataforma para a divulgação de crimes (como estupros e assassinatos) via lives e de mensagens de supremacistas brancos – que naquele ano resolveram tomar de assalto a cidade de Charlottesville.

Só que ocorreram situações bem mais graves no ano que passou. Parece que já faz um tempo, mas foi em 2018 em que se descobriu que o Facebook repassou dados de quase 90 milhões de usuários, sem consentimento, à consultoria Cambridge Analytica, que aí os usou para manipular eleições nos EUA e na Inglaterra (e tinha a intenção de fazer o mesmo no Brasil). Já no último pleito presidencial brasileiro, o Facebook prometeu que faria de tudo para conter a disseminação de fake news e outros males já típicos das redes. Isso em nada deu certo. O WhatsApp, de propriedade da mesma gigante da tecnologia, virou o preferido daqueles – de todos os lados ideológicos – que só queriam ver o circo pegar fogo ou então que adoraram criar e compartilhar mentiras de toda sorte. E tudo sem falar da presepada na qual se transformou o Twitter.

Mais para o fim do ano, quando se achava que o cenário iria acalmar… piorou. Revelou-se que hackers tiveram acesso a 50 milhões de perfis do Facebook. Pouco depois, soube-se que a cria de Mark Zuckerberg manobrava informações de usuários para se beneficiar nos negócios e prejudicar rivais. Não demorou para ainda se revelar que Sheryl Sandberg, a segunda em comando, havia encomendado uma investigação sigilosa na tentativa de prejudicar um dos maiores críticos do… Facebook. O alvo foi o bilionário George Soros. Quer mais? Teve também vazamento de fotos privadas de usuários, invasão de WhatsApp de jornalistas, a saída abrupta dos fundadores do Instagram do app que eles mesmos fizeram (ao que tudo indica, por discordarem de posições de Zuckerberg e cia. no comando do aplicativo), dentre outras desventuras.

Será que em 2019 as redes sociais, lideradas pelo Facebook, vão tomar jeito? Ou a coisa só vai degringolar ainda mais?

iPhones e iPads

Recorda-se de quando se faziam filas enormes para comprar um novo modelo de iPhone? Quando colegas e familiares viajavam para os Estados Unidos quase que apenas para ter acesso antecipado a uma nova versão de iPad? Quando uma apresentação da Apple – especialmente quando era capitaneada pelo genial Steve Jobs – parava o mundo? Nada mais disso ocorre.

Os aparelhos da Apple não mais trazem novidades estarrecedoras em suas novas edições anuais. Em 2018, também foi assim. Tanto que ao se entrar no site da Apple, o que se vende do último iPhone? Que sua tela é maior, que faz vídeos em 4k, que é resistente à água, e uma ou outra coisa a mais. Todas inovações que já tinham sido apresentadas em dispositivos de fabricantes concorrentes, a exemplo da Samsung.

Por efeito da falta de empolgação com a Apple, outras empresas de tecnologia, em especial a Amazon e o Google, consolidaram-se como marcas mais atraentes para os que são vidrados para valer em novidades tecnológicos – e não caem apenas na lábia do marketing. Na bolsa de valores, a Microsoft se destacou e chegou a passar em valor a sua inimiga história, a Apple. Em efeito disso tudo, o iPhone nem é o celular mais buscado no Google, no posto que antes ocupou por anos. No Brasil, consumidores se interessaram mais até por um Motorola, o modelo One.

Fortnite e outros games casuais

Está ficando para trás o tempo em que a maioria dos jovens quebravam a cabeça para vencer em jogos complexos como Zelda. Ou mesmo tinham de exercitar habilidades diversas para se superaram num Call of Duty. Por anos os games eram tidos como ótimos campos de treinamento para a mente de adolescentes. Só que aí veio Fortnite.

Surgiram lançamentos excelentes de games neste ano. Como o magnífico Red Dead Redemption 2, de faroeste. Ou o embasbacaste – e muito complexo – RPG Divinity: Original Sin II, que surgiu primeiro no fim de 2017 para PCs, mas ganhou força mesmo neste ano, nos consoles. A lista de bons jogos é enorme. No entanto, a meninada só quis saber de… Fortnite.

O game de tiro que se espalhou feito gripe e foi imitado aos montes é bocó, facílimo, nada desafiante, repetitivo e, por isso tudo, viciante paca. Crianças e adolescentes ficaram vidrados na tela, gastando energia com um jogo que realmente nada teve a acrescentar à mente. Fortnite só servirá àqueles que insistem em dizer que jogos eletrônicos em nada acrescentam às crianças, que são perda de tempo, que apenas instigam a violência etc. Tudo mentira. Mas Fortnite (fica a dica aos chatos de plantão) pode servir de exemplo para os detratores da cultura gamer. Principalmente por ter se popularizado tanto e ofuscado a onda de jogos maravilhosos que vinham ganhando repercussão ano após ano, de Baldur’s Gate e GTA a belíssimas histórias como Superbrothers: Sword & Sworcery ou Monument Valley.

AS INOVAÇÕES QUE BRILHARAM EM 2018

Os métodos de controle de tempo gasto com apps, redes sociais, smartphones

Nisso é preciso tirar o chapéu para Apple e Facebook. Ambos resolveram incorporar, em seus produtos, aplicativos nativos de controle de tempo de uso de sites, apps e afins. E funciona muito bem.

Sabe quando o nutricionista te fala que é bom se pesar todo dia na balança, ou ao menos uma vez por semana, caso queira emagrecer? A ideia é que só de ver o sobrepeso na balança o indivíduo já se controla mais e acaba por perder uns quilinhos de forma mais fácil. Essas ferramentas de controle de tempo operam de forma parecida.

Em 2017, o Google realizou o teste com alguns usuários de Android. E foi isso mesmo. Só de acompanharem o tempo gasto com o celular, passaram a recorrer menos ao mesmo celular. Comigo e com colegas que provaram tais recursos, o resultado foi similar.

Em 2018, Google (no Android), a Apple (no iPhone) e o Facebook (em seu site e no filhote Instagram) foram alguns dos que passaram a incorporar recursos de tal linha. Apenas de receber relatórios semanais de meus hábitos no iPhone, o tempo dedicado a isso caiu semana a semana, por vezes até em quase 30%. Tendência similar ocorreu em meus perfis de Instagram, Facebook e Twitter.

Não é que passei a ter ojeriza de tecnologia. Muito pelo contrário. Menos viciado nelas, nessas tecnologias, passei a controlá-las melhor – e não o contrário. O proveito e a produtividade cresceram em toada similar à diminuição de horas conectado. O stress diminuiu. Enfim, poderia listar diversas e mais diversas vantagens por aqui. Em vez disso, só sugiro: teste por você.

Em tempo: em paralelo, também merece destaque o crescimento de conteúdos pagos em muitas plataformas, como o YouTube, e dos bloqueadores legalizados de anúncios. A propaganda online estava cada vez mais caótica, muito efetiva em determinar os hábitos da clientela, mas pouco em cativá-los. Só estava irritando. O maior controle das mesmas acabou por ter até uma consequência inesperada (ao menos em teste em minha vida e no que relatam profissionais da indústria de tecnologia): agora, após os filtros, quando aparece uma publicidade na rede, ela realmente tem mais chance de saltar aos olhos.

A inteligência artificial que começou a realmente nos entender

Por anos isso foi uma promessa: a criação de uma IA capaz de se comunicar com humanos como só humanos fazem. Todavia, só haviam aparecido decepções nesse sentido.

Por exemplo, até o ano passado um robô não conseguia prever nem o que ocorreria numa situação banal do cotidiano. Caso ele visse uma mulher andando em direção ao piano, não saberia dizer se a intenção dela seria se sentar no banco para cantarolar, ou se iria dançar em cima do instrumento, ou se apenas estava com dor no pé e queria descansar, ou se (alternativa correta) fazia isso para… tocar o piano.

Neste ano o Allen Institute for Artificial Intelligence, dos EUA, apresentou uma IA que é capaz de deduzir, com nós fazemos, o que pode ocorrer em situações rotineiras justamente como a descrita no parágrafo anterior. Logo o Google também revelou uma tecnologia similar.

Não só isso. O mesmo Google deu uns passos além e lançou, com fins comerciais, o Duplex. Trata-se de um assistente virtual que finalmente faz o que assistentes virtuais sempre prometeram fazer. Ele é capaz de se comunicar com pessoas como pessoas fazem. Pode, por exemplo, ligar para um cabeleireiro, passar-se por um humano qualquer, e marcar um horário de corte de cabelo para você. Ou reservar uma mesa no restaurante; ou conduzir uma reunião online; ou… enfim, cada vez mais se parece com a voz de Scarlett Johansson no celular de Joaquin Phoenix no filme Ela.

As tecnologias inclusivas

Variadas inovações destinadas a auxiliar deficientes físicos e intelectuais ganharam versões comerciais, disponíveis a todos, em 2018. Tanto que a revista estadunidense Time dedicou uma seção apenas a essas novidades em sua tradicional lista de Melhores Invenções.

Há, por exemplo, óculos que podem ser acionados para que pessoas online auxiliam cegos a observar o que ocorre ao redor. Assim como dispositivos auditivos mais eficientes e discretos. E controles de videogame adaptados a deficientes físicos. Em outubro.

Críticas à parte, no ramo da inovação sempre se aguarda evolução, não regressão. Logo, para os próximos anos a torcida é para que se repare o que deu errado e se invista mais no que tem dado certo. Fonte: Portal Veja

 

 

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Conheça o Discord, app de comunicação que pode valer 7 bi de dólares

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Serviço de bate-papo que ganhou popularidade durante a quarentena pode dobrar seu financiamento em menos de um ano

Aplicativo Discord (Divulgação/Fonte padrão)

Se você se reuniu virtualmente com amigos nos últimos meses, talvez tenha ouvido falar do Discord. O aplicativo permite realizar chamadas de vídeo, áudio ou conversas via chat, funções que o levaram a ter um crescimento explosivo na quarentena.

Hoje, a empresa está perto de fechar uma nova rodada de financiamento que pode avaliá-la em quase 7 bilhões de dólares — quase o dobro do que tinha alguns meses atrás.

De acordo com reportagem da TechCrunch, o novo financiamento surge meses depois de um investimento de 100 milhões de dólares que levou a empresa a uma avaliação de 3,5 milhões. Atualmente, seus principais investidores são a Index VenturesGreylockBenchmark e Tencent Holdings.

Disponível para celular ou desktop, o Discord teve seu sucesso inicial com a comunidade gamer, que utiliza o serviço para conversar durante jogos. Em outubro, chegou a receber 800.000 downloads por dia quando o jogo multiplayer “Among Us” viralizou nas redes sociais.

Mas, como afirmaram os co-fundadores Jason Citron e Stanislav Vishnevskiy em uma postagem em julho, o aplicativo alcançou outras esferas sociais: “Acontece que, para muitos de vocês, não se tratava mais apenas de videogames”, dizem.

Citron e Vishnevskiy descrevem o Discord como “um lugar para ter conversas genuínas e passar tempo com as pessoas”, projetado para o usuário ficar no conforto de seus próprios grupos ao dividi-los em servidores, ferramenta que se assemelha as comunidades do Orkut.

Apesar da diversidade em quem utiliza o serviço atualmente, a empresa já teve um escândalo em 2017 por conta de grupos de supremacistas brancos que passaram a usar o Discord para promover discurso de ódio pelo aplicativo.

Para combater o crescimento dessas comunidades, a empresa criou a “Central de Segurança” e passou a aplicar as regras e regulamentos que garantem “uma experiência segura, positiva e inclusiva”.

Em vez de usar anúncios, o Discord concentra seu crescimento em assinaturas, oferecendo um plano opcional chamado Nitro para usuários interessados em personalizar seus perfis.

O Nitro, que cobra 5 dólares por mês (aproximadamente 26 reais), tinha cerca de 1 milhão de assinantes em junho, um número que tende a crescer à medida que o aplicativo recebe mais atenção do público geral. Hoje, o Discord tem 120 milhões de usuários ativos mensais.

O co-fundador da Index Ventures, Danny Rimer, um dos investidores que apoiou o investimento de 100 milhões de dólares no Discord em junho, é um grande defensor da visão da empresa.

“Acredito que o Discord é o futuro das plataformas”, escreveu Rimer em um comunicado. “Em vez de jogar conteúdo em cima de você, como o Facebook, ele fornece uma experiência compartilhada para você e seus amigos”, diz.

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Por que a Xiaomi se chama assim? A origem do nome foi finalmente explicada

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Empresa chinesa quase foi chamada de “Red Star” ou “Black Rice”, mas executivos mudaram de ideia e decidiram adotar o nome atual

Xiaomi: companhia ganhou este nome após uma reunião dos fundadores com investidores (SOPA Images / Colaborador/Getty Images)

Lei Jun, executivo que comanda a Xiaomi, resolveu explicar a origem do nome da fabricante chinesa de aparelhos eletrônicos – e que recentemente ultrapassou a Apple no mercado de smartphones. A história é curiosa e mostra que por pouco a companhia não teve um nome totalmente americanizado.

De acordo com o executivo, em entrevista para o site GizChina, nomes como “Red Pepper”, “Red Star” e “Black Rice” foram colocados em discussão, mas nenhum agradou completamente aos executivos. A ideia era dar um nome tive pronúncia simples para consumidores do mundo inteiro e não apenas na China.

Jun afirma que em determinado momento da reunião se lembrou de uma de suas frases favoritas, que diz “Buda vê um grão de arroz com tanta atenção como quando olha para o monte Meru”, montanha sagrada mitológica na Tanzânia e que faz parte das culturas hindu, jainista e budista.

Em chinês, a palavra arroz é traduzida para o termo “Mi”. Os executivos gostaram e o nome passou a ser considerado. Só que Mi não era o suficiente. Com medo de que o ambiente online fosse muito evasivo, executivos sugeriram que a companhia adotasse o prefixo Xiao (que significa “pequeno”, em chinês). Daí nasce o nome Xiaomi, ou pequeno grão de arroz.

Nomes de empresas são curiosos. A Apple, por exemplo, é chamada desta forma porque Steve Jobs, cofundador da empresa, estava fazendo uma dieta a base de frutas e havia acabado de visitar uma fazenda de maçãs. Ele achou que o nome da fruta era simples, divertido e pouco intimidador.

A sul-coreana Samsung, por sua vez, adotou o nome que, em coreano, pode ser traduzido para “três estrelas”. As estrelas seriam uma forma da companhia enxergar um futuro em que pudesse alcançar o estrelato. O número três é visto na cultura local como poderoso (da mesma forma que o número 7 é considerado como “de sorte” e 13 poderia significar “azar”.

 

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“Estamos sendo usados na disputa entre superpotências”, diz Huawei

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Diretor global da Huawei, Marcelo Motta, acredita que muitos países podem reavaliar seu posicionamento em razão da mudança no governo dos Estados Unidos

5G: Até o terceiro trimestre de 2020, a Huawei registrava receitas de US$ 100 bilhões, alta de 9,9% em relação ao mesmo período do ano anterior (Hannibal Hanschke/Reuters)

Principal alvo da pressão americana no 5G e acusada de ser um braço de espionagem do governo chinês, a Huawei diz esperar “racionalidade” do governo brasileiro na decisão que norteará o futuro da tecnologia no País.

“Estamos sendo usados para uma disputa entre duas superpotências mundiais”, diz o diretor global de cibersegurança da empresa chinesa, Marcelo Motta, ao Estadão/Broadcast. Segundo ele, muitos países podem reavaliar seu posicionamento em razão da mudança no governo dos Estados Unidos, com a vitória do democrata Joe Biden, enquanto outros adiaram sua decisão em razão disso.

Nove dias após o subsecretário para Crescimento Econômico, Energia e Meio Ambiente do Departamento de Estado dos EUA, Keith Krach, pregar o banimento da Huawei no Brasil, a direção mundial da empresa reagiu. Na terça-feira, a Embaixada da China em Brasília reagiu à acusação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, de que o país praticaria espionagem por meio de sua rede de tecnologia 5G.

Brasileiro, Motta está na Huawei desde 2002 e vive na China há oito anos, quando assumiu a chefia global da área de cibersegurança da empresa. Ele relata que as acusações sobre a empresa não são novas, mas subiram de tom quando a Huawei começou a se expandir. Mundialmente, a empresa faturou US$ 123 bilhões em 2019, aumento de 19% ante 2018. Até o terceiro trimestre de 2020, a Huawei registrava receitas de US$ 100 bilhões, alta de 9,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

No Brasil, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) estima que a Huawei esteja presente em algo entre 35% a 40% das redes atuais. Banir a empresa é uma decisão que depende de decreto presidencial – até agora, não há um posicionamento claro sobre o tema.

Qual a expectativa da Huawei em relação à decisão do governo brasileiro no 5G?

Esperamos que a racionalidade impere e que qualquer decisão não seja tomada com base em rumores. Fazemos todo o esforço para mostrar nossa transparência e expressar isso para além das operadoras, mas também para o governo. Estamos ativamente em contato com governo e Congresso. Colocamos nossos equipamentos à disposição para testes com seu próprio time de técnicos, para que o governo se blinde de comentários externos e tome suas decisões de forma soberana. É nesse sentido que temos atuado e estamos confiantes de que a racionalidade vai prevalecer. Nossa exclusão faria com que muitos processos envolvendo o 5G atrasassem no País. Seria uma pena de isso de fato ocorrer.

O que a Huawei tem feito para rebater as acusações de espionagem por parte de outros países?

Segurança cibernética e proteção de dados são prioridades máximas para a empresa e isso é de longa data. Sabemos que estaremos acabados se tivermos qualquer problema nessa área. Por isso, aprimoramos o processo de governança em segurança cibernética. Laboratórios independentes testam cada solução antes que ela seja lançada no mercado. Somos a única empresa a ter centros globais de segurança cibernética, em Dongguan (China) e Bruxelas (Bélgica). Nesses centros, clientes, operadoras e governos podem ter acesso ao código-fonte de nossas soluções e fazer auditorias usando seu pessoal e ferramentas, para que tirem as próprias conclusões, sem a influência de acusações infundadas e sem provas.

Como a Huawei vê a pressão dos EUA pela adesão do Brasil à Clean Network e pelo banimento da companhia?

A iniciativa Clean Network não cobre única e exclusivamente telecom, mas aplicativos, smartphones e cabos intercontinentais submarinos. O nome Rede Limpa” é bonito, e quem não conhece pode até cair e se deixar seduzir, mas a definição está na página da Clean Network na internet. O objetivo é muito claro: tirar qualquer fornecedor chinês do espaço cibernético. O problema não é específico contra a Huawei. Estamos sendo usados para uma disputa entre duas superpotências.

Quais benefícios o 5G pode trazer para a economia mundial?

Quando o 5G estiver instalado e desenvolvido, os benefícios vão muito além de velocidade alta e tempo de resposta baixo. Em vez de um único fornecedor global de aplicativos, muitos aplicativos serão locais, desenvolvidos primordialmente por empresas locais. No agronegócio e na manufatura inteligente, o processamento de dados de aplicações será local. O 5G trará investimento para as economias com ganhos de eficiência e desenvolvimento. Quando se colocam restrições para o avanço do 5G, simplesmente se trava o desenvolvimento da economia local.

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Apple pode parar produção de iPad e MacBook na China por guerra comercial

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A maçã americana não caiu longe da árvore e quer evitar se tornar vítima da guerra comercial iniciada por Donald Trump

Apple: companhia quer evitar se tornar vítima de guerra comercial (SOPA Images / Colaborador/Getty Images)

A Apple pode estar prestes a deixar de fabricar seus iPads e MacBooks na China como uma resposta à guerra comercial entre o país asiático e os Estados Unidos, que tem sido aquecida nos últimos anos com o governo do republicano Donald Trump. A informação é da agência de notícias Reuters e indica que o próximo destino das fábricas dos dispositivos da Apple pode ser o Vietnã. Se o fato se concretizar, esta será a primeira vez que um iPad será produzido fora do território chinês.

O pedido da mudança de parte da fabricação dos produtos foi feito à gigante Foxconn, maior fabricante de componentes eletrônicos no mundo. Uma fonte especializada no assunto disse à Reuters que a Apple quer “diversificar sua cadeia de suprimentos”.

A Foxconn está construindo linhas de produção para o iPad e o MacBook em sua planta no Vietnã e deve ficar pronta já na primeira metade de 2021, segundo a Reuters, que não identificou quais modelos dos dispositivos não serão mais fabricados na China e qual é a porcentagem exata dos produtos que deixarão de ser fabricados no país. Cerca de 270 milhões de dólares estão sendo investidos pela companhia taiwanesa para a extensão fabril.

Essa não é a primeira mudança da Apple em termos de produção para evitar os efeitos da guerra. No começo deste ano, a produção de unidades dos fones de ouvido AirPod Pro foram transferidas para o Vietnã. Alguns modelos do iPhone também começaram a ser produzidos na Índia durante um curto período de tempo.

A decisão da Apple é um movimento claro para evitar ficar no centro de forças geopolíticas. Apesar de ter conseguido evitar algumas das tarifas impostas à China pelos Estados Unidos, a companhia liderada por Tim Cook parece estar preferindo evitar qualquer tipo de dependência chinesa para se tornar “menos vulnerável” a futuras decisões de ambos os países.

À Reuters, a Foxconn afirmou que “não comenta nenhum aspecto de nosso trabalho para nenhum cliente ou produtos” como “política da companhia” e por “razões de sensibilidade comercial”.

Parece, então, que a maçã americana não caiu longe da árvore — e quer se distanciar ao máximo da China para não acabar se tornando vítima.

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Carro da Tesla é hackeado em dois minutos; veja o vídeo

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Para evitar mais ataques, a empresa do bilionário Elon Musk já atualizou o software do veículo

Tesla: carro foi hackeado em tempo recorde (Michele Tantussi/Reuters)

Pesquisadores do grupo de Segurança de Computadores e Criptografia Industrial (COSIC), da Universidade KU Leuven, na Bélgica, conseguiram hackear o sistema de entrada sem chave do Model X, um dos carros elétricos produzido pela fabricante americana Tesla, em menos de dois minutos. Este é o terceiro hack em três anos organizado por Lennert Wouters, participante do grupo de pesquisa, contra a empresa do bilionário Elon Musk.

A equipe de hackers se aproveitou de uma falha na atualização do firmware da chave eletrônica do Model X, utilizando uma unidade de controle eletrônico (ECU) de um modelo antigo da Tesla, um computador Raspberry Pi e uma nova chave que pode ser adquirida facilmente na internet por cerca de 200 dólares.

Para realizar o ataque, os invasores ficaram em uma distância de até cinco metros do carro elétrico. Dessa forma, o ECU modificado reconheceu o Tesla. Após o reconhecimento, a atualização do firmware foi enviada para o chaveiro da vítima e as informações de desbloqueio do carro foram extraídas, garantindo o acesso ao veículo e uma chance do invasor emparelhar o ECU ao Model X.

“Ao destravar o carro, conseguimos nos conectar à interface de diagnóstico normalmente usada pelos técnicos”, explica Wouters. “Devido a uma vulnerabilidade, podemos emparelhar um chaveiro modificado ao carro, proporcionando acesso permanente ao veículo”, diz.

O grupo de pesquisa relatou o bug à Tesla em agosto, mas só publicaram suas descobertas no fim de novembro, logo após a empresa divulgar uma atualização de software para todos os veículos Model X.

Assista ao vídeo:

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Situação ideal para Jogos de Tóquio é ter torcedores, diz governadora

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Os organizadores olímpicos ainda não decidiram se permitirão a presença de torcedores no ano que vem, e nem quantos, em caso positivo

Koike: Os organizadores haviam dito que não tomarão uma decisão sobre a quantidade de torcedores antes da primavera local (Issei Kato/Reuters)

A governadora de Tóquio, Yuriko Koike, disse nesta terça-feira (24) que a situação ideal para a Olimpíada de 2020, adiada para o ano que vem, é ver os locais de competição repletos de torcedores, enquanto os organizadores lutam para planejar os Jogos em meio à pandemia do novo coronavírus.

Como as infecções de covid-19 estão em alta em muitos países, os organizadores olímpicos ainda não decidiram se permitirão a presença de torcedores no ano que vem – e nem quantos, em caso positivo.

Falando no Clube de Correspondentes Estrangeiros do Japão, Koike disse que os organizadores ainda têm esperança de ter torcedores nos locais de competição quando a Olimpíada começar, em julho.

“A situação ideal… seria todos os atletas de todos os países virem aqui em segurança e com paz de espírito e a Olimpíada poder, como em anos anteriores, ser realizada com a presença plena dos torcedores também”, disse a governadora.

Os organizadores haviam dito que não tomarão uma decisão sobre a quantidade de torcedores antes da primavera local.

Embora o Japão tenha praticamente evitado os números altos de infecções de covid-19 vistos em outros países, na semana passada os casos diários de Tóquio atingiram recordes acima de 500.

Koike alertou que a capital japonesa está testemunhando um aumento de infecções entre moradores mais velhos, incluindo casos de pessoas que contraíram o vírus comendo fora e o transmitiram a parentes idosos em casa.

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sábado, 28 de novembro de 2020

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