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IBGE faz teste do Censo 2022 em comunidade quilombola

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Será em Campinho da Independência, em Paraty, no sul fluminense

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

Recenseadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fazem hoje (24) um teste do Censo 2022 na comunidade quilombola Campinho da Independência, em Paraty, no sul fluminense. Neste censo, pela primeira vez, o IBGE fará um recorte específico sobre as características demográficas, sociais e econômicas dos quilombolas, de acordo com o instituto.

As comunidades remanescentes de quilombos, agrupamentos formados por escravos que escapavam do cativeiro para se libertar dessa condição, são grupos reconhecidos pela Constituição de 1988 como portadores de direitos territoriais coletivos.

Hoje, serão testados protocolos sanitários de segurança, normas de abordagem e o questionário específico para essas populações.

Os testes para o Censo 2022, voltados para a população em geral, começaram em vários municípios brasileiros, nas 27 unidades da Federação, no dia 4 de novembro e se estenderão até meados de dezembro.

O Censo 2022 começa em junho do ano que vem e visitará todos os domicílios do país. Agência Brasil

 

Economia

IBGE: desemprego cai 1,6% e atinge em 12,6% no primeiro trimestre

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Queda na taxa de desocupação do país se estendeu a todas as regiões

© Rovena Rosa/Agência Brasil

 

A taxa de desemprego atingiu 12,6% no terceiro trimestre deste ano, o que significa queda de 1,6 ponto percentual na comparação com o segundo trimestre de 2021. O número de pessoas em busca de emprego no país recuou 9,3% e, com isso, chegou a 13,5 milhões. Os ocupados tiveram um crescimento de 4%, alcançando 93 milhões de pessoas. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), foram divulgados hoje (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy, o crescimento da ocupação no período foi relevante. “No terceiro trimestre, houve um processo significativo de crescimento da ocupação, permitindo, inclusive, a redução da população desocupada, que busca trabalho, como também da própria população que estava fora da força de trabalho”, observou.

A população fora da força de trabalho é o contingente daqueles que não estão ocupados e nem buscando emprego. Com o crescimento no número de ocupados, o nível da ocupação, que é o percentual de pessoas em idade de trabalhar que estão no mercado de trabalho, subiu para 54,1%, enquanto no trimestre anterior tinha sido de 52,1%.

Doméstico

De acordo com a coordenadora, dentro desse crescimento, a informalidade representa 54%. Os empregados do setor privado sem carteira assinada (10,2%), que somaram 11,7 milhões de pessoas, estão entre as categorias de emprego que mais cresceram na comparação com o trimestre anterior. No mesmo período, o número de trabalhadores domésticos atingiu 5,4 milhões – o que equivale a uma expansão de 9,2%, o maior desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012.

No primeiro trimestre do ano passado, seis milhões de pessoas eram trabalhadores domésticos. Se considerados apenas os trabalhadores sem carteira, houve aumento de 10,8%, sendo 396 mil pessoas a mais.

Segundo Adriana Beringuy esse é um processo de recuperação que já vinha ocorrendo desde junho. “A categoria dos empregados domésticos foi a mais afetada na ocupação no ano passado e, nos últimos meses, há uma expansão importante. Embora haja essa recuperação nos últimos trimestres da pesquisa, o contingente atual desses trabalhadores é inferior ao período pré-pandemia”, afirmou.

Conta própria

O contingente de trabalhadores por conta própria (3,3%) também cresceu. As 25,5 milhões de pessoas nessa categoria representam o maior número desde o início da série histórica da pesquisa. Aí estão incluídos os trabalhadores que não têm CNPJ, que cresceram 1,9% ante o último trimestre. Com isso, a taxa de informalidade chegou a 40,6% da população. São 38 milhões de trabalhadores nessa situação.

Conforme a pesquisa, o crescimento na ocupação também está relacionado principalmente às atividades de comércio (7,5%), que equivale a mais 1,2 milhão de trabalhadores; indústria (6,3%), 721 mil pessoas a mais; construção (7,3%) com 486 mil pessoas a mais; e serviços domésticos (8,9%), com adição de 444 mil pessoas.

Rendimento

O avanço no número de pessoas ocupadas não veio com melhorias no rendimento real habitual de todos os trabalhos. Ficou em R$2.459, uma queda de 4% relativo ao último trimestre e de 11,1% em relação ao terceiro trimestre do ano passado.

Com o valor de R$223,5 bilhões, a massa de rendimento ficou estável nas duas comparações. Para a coordenadora, esses números indicam que o aumento da ocupação foi puxado por postos de trabalho com salários menores. “Há um crescimento em ocupações com menores rendimentos e também há perda do poder de compra devido ao avanço da inflação”, completou.

Regiões

A queda na taxa de desocupação do país se estendeu a todas as regiões. No Sudeste, que é a região com o maior número de pessoas desempregadas (6,3 milhões), a taxa passou de 14,6% no segundo trimestre para 13,1%. No Nordeste, saiu de 18,3% para 16,4%. Ainda assim, a região permanece tendo a maior taxa de desocupação do país.

“Essa queda na desocupação no nível nacional também está sendo observada regionalmente em vários estados. Isso indica que há um processo de recuperação de trabalho que ocorre de maneira disseminada no país”, disse.

Mesmo com a a maior taxa de desocupação do país (18,7%), a Bahia apresentou estabilidade nesse indicador e no número de pessoas que estão buscando por uma vaga no mercado de trabalho (1,3 milhão). O número de ocupados do estado cresceu 6,5%. O motivo foi o aumento de trabalhadores domésticos (18,3%) e por contra própria (12,3%). Conforme a pesquisa, depois da Bahia, as maiores taxas de desocupação foram registradas por Amapá (17,5%) e Rio Grande do Norte (14,5%).

Entre os 93 milhões de pessoas ocupadas no Brasil, após a alta de 4,0% no terceiro trimestre, 66,4% de empregados, 4,1% de empregadores, 2,1% de trabalhadores familiares auxiliares e 27,4% de pessoas que trabalhavam por conta própria. Este último grupo foi maior no Norte (34,5%) e no Nordeste (31,1%). Conforme a pesquisa, dos 17 estados que tiveram taxas de informalidade maiores que a nacional, 16 são do Norte e do Nordeste. O Pará (62,2%) registrou a maior.

A coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE disse que essas regiões, de maneira geral, têm um percentual grande desse tipo de trabalho. “A informalidade é maior nessas duas regiões. E esse perfil de trabalhador está contribuindo para a recuperação do trabalho local. Parte importante do trabalho nessas duas regiões é atribuída aos trabalhadores informais, que tem nos trabalhadores por conta própria um contingente importante”, concluiu.

Pretos e pardos

Enquanto a taxa de desocupação das pessoas brancas (10,3%) ficou abaixo da média nacional, a dos pretos (15,8%) e dos pardos (14,2%) teve movimento contrário. Todos tiveram queda frente ao último trimestre. Os pardos representavam 46,8% da população fora da força de trabalho, seguidos pelos brancos (43,1%) e pelos pretos (8,9%). Já se comparada ao segundo trimestre, a participação dos pardos diminuiu e a dos brancos e pretos aumentou.

Na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, o nível de ocupação aumentou para todas as pessoas. Os brancos saíram de 51,4% para 55,8%, os pardos, de 46,7 a 52,1% e os pretos, de 49,0% a 55,6%.

Reponderação

A divulgação de hoje da Pnad Contínua é com base na nova série elaborada pelo IBGE, a partir da reponderação das projeções por causa da mudança na forma de coleta da pesquisa durante a pandemia da covid-19. Com as medidas de isolamento social em março de 2020, a coleta começou a ser feita de maneira remota, excepcionalmente por telefone.

“A nova reponderação busca mitigar possíveis vieses de disponibilidade em grupos populacionais, intensificados pela queda da taxa de aproveitamento das entrevistas”, observou Adriana.

Pesquisa

De acordo com o IBGE, a Pnad Contínua é o principal instrumento para monitoramento da força de trabalho no país. “A amostra da pesquisa por trimestre no Brasil corresponde a 211 mil domicílios pesquisados. Cerca de dois mil entrevistadores trabalham na pesquisa, em 26 estados e Distrito Federal, integrados à rede de coleta de mais de 500 agências do IBGE”, informou o Instituto.

A coleta de informações da pesquisa por telefone é feita desde 17 de março de 2020. A identidade do entrevistador pode ser confirmada no site Respondendo ao IBGE ou via Central de atendimento (0800 721 8181), conferindo a matrícula, RG ou CPF do entrevistador, dados que podem ser solicitados pelo informante.

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Desemprego cai para 12,6% e atinge 13,5 milhões, diz IBGE

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Em igual período de 2020, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua estava em 14,6%. No trimestre até agosto, a taxa de desocupação estava em 13,2%

Desemprego: Apesar da melhora na taxa de desemprego, a renda do brasileiro sofreu um baque (Jornal Brasil em Folhas/Flickr)

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 12,6% no trimestre encerrado em setembro, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta terça-feira, 30, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda assim, há 13,5 milhões de pessoas em busca de uma vaga.

O resultado ficou pouco acima do piso de 12,5% e levemente abaixo da mediana de 12,7% das expectativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, cujo teto era 13,3%.

Em igual período de 2020, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua estava em 14,6%. No trimestre até agosto, a taxa de desocupação estava em 13,2%.

A renda média real do trabalhador foi de R$ 2.459 no trimestre encerrado em setembro. O resultado representa queda de 11,10% em relação ao mesmo período do ano anterior. Na comparação ante o segundo trimestre, o recuo foi de 4%.

A massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 223.549 bilhões no trimestre até setembro, queda de 5,7% ante igual período do ano anterior.

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Economia

Ibovespa futuro cai com temores globais sobre variante Ômicron

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Preocupações com efeitos econômicos de nova cepa do coronavírus crescem em meio ao endurecimento de medidas restritivas

(Getty Images)

Ibovespa futuro recua 0,68%, às 9h46 desta terça-feira, 30, em linha com as bolsas internacionais, que operam em queda em meio às preocupações sobre os potenciais danos econômicos da variante Ômicron do coronavírus. Nos Estados Unidos, os índices futuros operam em terreno negativo, antes da abertura do pregão à vista, às 11h30. Na Europa, os principais índices de ações chegam a cair mais de 1%.

Além das preocupações com a nova cepa da covid-19, que tem aumentado as restrições no continente, o mercado europeu ainda lida com a inflação crescente. Divulgado nesta manhã, o Índice de Preço ao Consumidor (IPC) subiu acima do esperado na Zona do Euro, de 4,1% para 4,9%, jogando ainda mais pressão para que o Banco Central Europeu (BCE) adote políticas contracionistas para controlar a inflação. A expectativa era de que o IPC ficasse em 4,5%.

Por outro lado, a ameaça econômica da nova variante joga do lado contrário, de permanência de estímulos. O tema será abordado nesta terça em testemunho do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, no Senado americano.

Em discurso divulgado na última noite – e que deve ser lido hoje -, Powell pondera que o recente aumento de casos de covid e o surgimento da nova variante “representam riscos negativos para o emprego e a atividade econômica e aumentam a incerteza para a inflação”. Powell deve iniciar seu testemunho às 12h de Brasília.

Apesar das incertezas sobre a inflação, o primeiro impacto da variante tem sido sobre o as commodities energéticas, que vinham pressionando os índices de preços no mundo. Nesta manhã, o petróleo brent cai cerca de 3,2%, sendo negociado na casa dos 70 reais. Desde a última sexta-feira, 26, quando os temores sobre a nova cepa começaram a ser precificados de forma mais intensa pelo mercado, o petróleo já caiu mais de 13%.

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Economia

Brasileiros no exterior enviam recorde de dinheiro ao país

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Real desvalorizado, desemprego no Brasil e avanço da emigração favorecem remessas

Cristina Costa, de 50 anos e moradora há 20 deles de Marlborough, no Estado americano de Massachusetts, conta que nunca esteve tão vantajoso mandar dinheiro de volta ao Brasil.

“Hoje tenho uma empresa de limpeza, uma de paisagismo e também trabalho em tempo parcial num supermercado”, conta a mineira de Belo Horizonte.

“Eu sempre mando US$ 4 mil a US$ 5 mil por mês ao Brasil e ultimamente está melhor ainda para mandar, com o dólar na faixa de R$ 5,50, R$ 5,40”, diz a empreendedora, que no Brasil investe em cavalos da raça Quarto de Milha, além de ajudar familiares.

Na pandemia, com os negócios indo bem nos Estados Unidos e a situação econômica se agravando no Brasil, ela enviou dinheiro também para ajudar famílias mineiras com a compra de cestas básicas.

“Durante 2020, quase o ano todo, eu ajudei 22 famílias. Até hoje, sigo ajudando três delas”, conta Cristina. “Uma cesta básica estava custando cerca de R$ 77, com o dólar a R$ 5,50, você manda US$ 100, são R$ 550, dá para ajudar várias famílias com isso.”

Cristina não está sozinha ao aproveitar o real desvalorizado para enviar dinheiro ao Brasil.

Gráfico de barras mostra as transferências pessoais do exterior ao Brasil entre janeiro e setembro de 2012 a 2021

Segundo o Banco Central, de janeiro a setembro deste ano, as transferências pessoais com origem em outros países e destino ao Brasil já somam US$ 2,84 bilhões (R$ 15,9 bilhões), maior valor da série histórica com início em 1995 e alta de 18% sobre igual período de 2020.

No ano passado inteiro, o Brasil recebeu US$ 3,31 bilhões em transferências pessoais vindas do exterior, recorde para o indicador até então, que deverá ser superado em 2021.

Conforme especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, uma combinação de fatores explica as transferências recordes em meio à pandemia.

A forte desvalorização do real em relação a moedas como dólar, euro e libra; a recuperação mais rápida das economias de países desenvolvidos do que a brasileira; o desemprego elevado no Brasil; e a nova onda de emigração de brasileiros, particularmente aos EUA, estão entre as causas citadas.

Os EUA foram responsáveis pelo maior crescimento no volume de remessas, somando US$ 1,47 bilhão entre janeiro e setembro, alta de 33% na comparação anual.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, a comunidade brasileira no exterior ultrapassou os 4,2 milhões em 2020, crescimento de 17% sobre 2018, quando o último levantamento havia sido feito. Desse total, 42% ou 1,78 milhão viviam nos EUA, seguidos por Portugal (276 mil), Paraguai (240 mil), Reino Unido (220 mil) e Japão (211 mil).

Segundo dados da Receita Federal, de janeiro a novembro deste ano, 15,5 mil brasileiros entregaram declarações de saída definitiva do país ao Fisco. No ano todo de 2020, foram 20,9 mil, mesmo em meio à pandemia. Entre 2017 e 2019, as declarações superaram 23 mil a cada ano, quase o dobro da média anual de 12,8 mil declarações entregues nos seis anos anteriores.

Dólar em alta de 40%
Para Leonardo Cavalcanti, professor da Universidade de Brasília (UnB) e coordenador do Observatório das Migrações Internacionais (OBmigra), a desvalorização da moeda brasileira é o principal motivo para o recorde de remessas vindas do exterior em 2020 e 2021.

Desde o fim de 2019, o dólar passou de R$ 4,019 a R$ 5,609 (cotação de sexta-feira, 26/11), uma alta de 40% em relação ao real.

No período mais recente, a desvalorização da moeda brasileira tem sido reforçada pelo aumento da incerteza nas contas públicos, devido ao avanço da PEC dos Precatórios, proposta que muda o cálculo do teto de gastos e permite ao governo dar um calote em algumas obrigações financeiras.

O dólar também ganha força diante dos temores do mercado com relação à nova variante ômicron do coronavírus.

“Se você está ganhando em dólar, para converter isso em real, o ganho que você obtém é quase o dobro de anos atrás, quando a moeda americana não superava os R$ 3”, diz Cavalcanti.

“Muitos imigrantes que planejam voltar aproveitam, por exemplo, para investir em imóveis aqui no Brasil, porque isso é um símbolo de sucesso para o imigrante”, observa o pesquisador.

Desemprego elevado no Brasil
Para Pedro Barreiro, líder de Banking e Expansão para o Brasil da Wise (antiga TransferWise, um dos principais serviços utilizados pelos brasileiros para transferência de recursos entre países), a ajuda a familiares é outro motivo importante por trás do aumento de remessas.

“Desde o início da pandemia, notamos que cada vez mais brasileiros e pessoas no exterior têm enviado dinheiro ao Brasil, não só dos EUA, mas também de outras regiões desenvolvidas, como Europa e Reino Unido”, observa Barreiro.

“Pelos destinatários no Brasil, percebemos que muito dos envios são de pessoas dando suporte financeiro a familiares que foram afetados pela pandemia”, diz o executivo, destacando o elevado desemprego no Brasil e a retomada mais rápida da economia particularmente nos EUA.

No Brasil, a taxa de desocupação estava em 13,2% no trimestre encerrado em agosto, com 13,7 milhões de desempregados, segundo o dado mais recente disponível pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Já nos EUA, a taxa de desemprego caiu a 4,6% em outubro, e o número de pedidos de auxílio-desemprego no país recuou em novembro ao menor patamar em 52 anos.

Segundo Barreiro, em março de 2020, os envios de recursos ao Brasil através da Wise cresceram 250% na comparação anual e, em março deste ano, houve nova alta de 30%.

“Não houve um pico e depois uma queda, o que nos mostra que não é um comportamento de tomar a vantagem do câmbio num momento específico. No começo da pandemia, o envio triplicou e estabilizou nesse patamar três vezes maior”, diz o porta-voz da empresa.

Na perspectiva da Wise, o elevado volume de remessas ao Brasil deve se manter em 2022.

“Nossa previsão é que isso se mantenha, especialmente considerando que o ano que vem é um ano eleitoral, que costuma ser marcado por muitas instabilidades no Brasil”, afirma Barreiro.

“Então o real deve sofrer muita volatilidade, a atividade econômica deve seguir afetada e muitas famílias no Brasil ainda devem depender de seus familiares no exterior. Por isso não esperamos que o influxo de valores vá se reduzir no curto prazo.”

Nova onda imigratória para os EUA
Eduardo Siqueira, professor da Universidade de Massachusetts em Boston e pesquisador há 20 anos da imigração brasileira aos EUA, destaca ainda um último fator que pode explicar o aumento recente das remessas: a nova onda de brasileiros deixando o país.Gráfico de barras mostra as transferências pessoais do exterior ao Brasil entre janeiro e setembro de 2012 a 2021

“Normalmente o envio de remessas tem a ver com a necessidade das famílias no Brasil, quanto maior a crise, maiores as remessas”, diz Siqueira.

“Mas é preciso também considerar o tamanho da população brasileira saída do país nos últimos anos. Não é surpresa que haja um aumento das remessas, se o tamanho da população brasileira no exterior aumentou”, considera o pesquisador.

Ele destaca que, nos EUA, parte considerável da comunidade brasileira vive sem os devidos documentos e por isso sequer aparece nas estatísticas oficiais.

Segundo dados da agência americana de Alfândega e Proteção de Fronteiras, o número de brasileiros cruzando ilegalmente a fronteira sul do país bateu recorde histórico no ano fiscal de 2021 (que vai de 1º de outubro de 2020 a 30 de setembro de 2021). Foram 56.881 brasileiros detidos, um aumento de 700% em relação ao mesmo período de 2020.

Até então, o auge da migração ilegal de brasileiros havia sido em 2019, quando cerca de 18 mil tentaram entrar nos EUA ilegalmente pela fronteira terrestre com o México.

Por conta desse aumento na imigração ilegal de brasileiros aos EUA via México, o governo mexicano informou na sexta-feira (26/11) que voltará a exigir visto de viajantes brasileiros.

Os EUA são historicamente o principal destino da imigração brasileira, com destaque para os Estados americanos de Massachusetts, Flórida, Nova York e Nova Jersey. A existência de uma comunidade brasileira estabelecida nesses locais estimula a continuidade da imigração, devido aos vínculos entre imigrantes.

“É o que chamamos de imigração em cadeia: quem veio primeiro foi voltando para o Brasil e anunciando a possibilidade de ter melhoria de vida nos Estados Unidos. Isso começou fundamentalmente no vale do Rio Doce, ao redor do município de Governador Valadares, mas depois se expandiu para muitas outras regiões do Brasil”, observa Siqueira.

Por ser um fenômeno principalmente econômico, de pessoas em busca de melhoria nas condições de vida, a imigração aos Estados Unidos tem caráter cíclico, crescendo quando a situação econômica no Brasil fica pior.

“Aconteceu isso no período do [governo do ex-presidente Fernando] Collor e está acontecendo de novo nesse período mais recente. Até antes do governo Bolsonaro, no fim do governo Dilma já começou a haver de novo um pico de imigração para cá”, diz o professor.

“O que explica isso é a profunda crise brasileira, que não é só econômica, mas política e social e da insegurança em que as pessoas vivem”, afirma o pesquisador.

“Com as pessoas perdendo seus empregos, fechando negócios e não vendo alternativas para ficar no Brasil, elas resolvem explorar a possiblidade de vir para os Estados Unidos. Mas a situação aqui também não é fácil e as pessoas muitas vezes sofrem bastante.”

Dinheiro do Brasil para fora
Enquanto as remessas do exterior ao Brasil cresceram fortemente em 2020 e 2021, as transferências em sentido contrário, do Brasil para outros países, registraram forte queda no ano passado, mas mostram recuperação em 2021, porém em níveis ainda abaixo do pré-pandemia.

Em 2020, as transferências pessoais do Brasil ao exterior somaram US$ 1,47 bilhão (R$ 8,18 bilhões), queda de 30% em relação aos US$ 2,09 bilhões enviados para fora em 2019.

De janeiro a setembro de 2021, as remessas para outros países já somam US$ 1,17 bilhão, aumento de 10% em relação a igual período de 2020, mas ainda abaixo do US$ 1,54 bilhão transferido para fora de janeiro a setembro de 2019.Gráfico de barras mostra as transferências do Brasil ao exterior por país de destino

Em volume de dinheiro enviado, os principais destinos são EUA, Portugal e Reino Unido, em linha com as maiores comunidades brasileiras no exterior.

Mas os maiores crescimentos no envio de dinheiro em 2021 foram para Bolívia (29%) e Haiti (19%), refletindo a retomada da economia brasileira, que permitiu aos imigrantes desses países que vivem no Brasil voltar a enviar recursos para suas famílias.

Segundo o Ministério da Justiça, o Brasil recebeu pouco mais de 1 milhão de imigrantes entre 2011 e 2019, dos quais 660 mil de longo termo, que são aqueles que permanecem no país por período longo. Neste segundo grupo, as maiores comunidades são as de venezuelanos (142 mil), paraguaios (97 mil), bolivianos (58 mil) e haitianos (54 mil).

Apesar do número significativo de imigrantes no Brasil, a Venezuela não se destaca nas remessas registradas pelo Banco Central, devido à baixa confiança no sistema financeira do país — os imigrantes venezuelanos tendem a mandar dinheiro para suas famílias fisicamente, cruzando a fronteira, ou por meios alternativos ao sistema financeiro oficial.

Rosana Camacho, presidente da Associação de Residentes Bolivianos, avalia que a queda de 45% nas remessas à Bolívia no ano passado e a alta de 29% este ano são um retrato das dificuldades e da recuperação vividas pelos trabalhadores bolivianos no Brasil.

“Boa parte da comunidade boliviana trabalha no comércio e na área têxtil. Quando fechou tudo, paralisou a produção e as vendas, muitos ficaram desempregados e muitos também retornaram para a Bolívia devido à falta de trabalho”, conta Camacho.

Com a reabertura da economia, a situações dos imigrantes melhorou, mas ainda assim, eles estão sofrendo com os mesmo problemas que os brasileiros: escassez de matérias primas vindas da China, alta de custos de produção e aumento do custo de vida devido à inflação.

“Todos os problemas que afligem os brasileiros, afligem os imigrantes, mas um pouquinho pior, porque o imigrante em geral está na informalidade e no subemprego”, observa a presidente da associação dos bolivianos. “Subiu gás, subiu luz, subiu a alimentação, o que o imigrante consegue poupar para mandar fica menor.”

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Economia

Pix Saque e Pix Troco estão disponíveis a partir de hoje

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Os usuários poderão fazer saques em locais como padarias, lojas de departamento e supermercados, não apenas em caixas eletrônicos.

(crédito: Marcello Casal JrAgência Brasil)

A partir desta segunda-feira (29) passam a valer duas novas modalidades do Pix: Saque e Troco. Os usuários poderão fazer saques em locais como padarias, lojas de departamento e supermercados, não apenas em caixas eletrônicos.

Segundo o Banco Central (BC), a oferta dos dois novos produtos da ferramenta aos usuários é opcional, cabendo a decisão final aos estabelecimentos comerciais, às empresas proprietárias de redes de autoatendimento e às instituições financeiras.

Pix Saque
O Pix Saque permitirá que os clientes de qualquer instituição participante do sistema realizem saque em um dos pontos que ofertar o serviço.

Estabelecimentos comerciais, redes de caixas eletrônicos compartilhados e participantes do Pix, por meio de seus serviços de autoatendimento próprios, poderão ofertar o serviço. Para ter acesso aos recursos em espécie, o cliente fará um Pix para o agente de saque, em dinâmica similar à de um Pix normal, a partir da leitura de um QR Code ou do aplicativo do prestador do serviço.

Pix Troco
No Pix Troco, a dinâmica é praticamente idêntica. A diferença é que o saque de recursos em espécie pode ser feito durante o pagamento de uma compra ao estabelecimento. Nesse caso, o Pix é feito pelo valor total, ou seja, da compra mais o saque. No extrato do cliente aparecerá o valor correspondente ao saque e à compra.

Limite
O limite máximo das transações do Pix Saque e do Pix Troco será de R$ 500,00 durante o dia, e de R$ 100,00 no período noturno (das 20h às 6h). De acordo com o BC, haverá, no entanto, liberdade para que os ofertantes dos novos produtos do Pix trabalhem com limites inferiores a esses valores, caso considerem mais adequado aos seus fins.

Tarifas
De acordo com o BC, não haverá cobrança de tarifas para clientes pessoas naturais (pessoas físicas e microempreendedores individuais) por parte da instituição detentora da conta de depósitos ou da conta de pagamento pré-paga para a realização do Pix Saque ou do Pix Troco em até oito transações mensais. A partir da nona transação realizada por mês, as instituições financeiras ou de pagamentos detentoras da conta do usuário pagador podem cobrar uma tarifa pela transação.

O valor da tarifa cobrada é de livre estabelecimento pela instituição e deve ser informado ao usuário pagador antes da etapa de confirmação da transação. “Os usuários nunca poderão ser cobrados diretamente pelos agentes de saque”, destacou a instituição.

O BC explica ainda que os quatro saques tradicionais gratuitos realizados pelo usuário fora do âmbito do Pix Saque e Pix Troco podem ser descontados da franquia de gratuidades (oito por mês). Ou seja, se o usuário realizar um saque da sua conta, sem ser por meio do Pix Saque ou Pix Troco, esse saque poderá ser contabilizado e sua franquia de gratuidades poderá ser reduzida de oito para sete, a critério da instituição.

Para o comércio que disponibilizar o serviço, as operações do Pix Saque e do Pix Troco representarão o recebimento de uma tarifa que pode variar de R$ 0,25 a R$ 0,95 por transação, a depender da negociação com a sua instituição de relacionamento.

 

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Economia

Inflação do aluguel é de 17,89% em 12 meses

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O Índice Geral de Preços-Mercado usado no reajuste dos contratos de aluguel, registrou inflação de 0,02% em novembro deste ano, taxa mais baixa do que as do mês anterior

(crédito: Andre Borges/Agência Brasília)

O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), usado no reajuste dos contratos de aluguel, registrou inflação de 0,02% em novembro deste ano, taxa mais baixa do que as do mês anterior (0,64%) e de novembro de 2020 (3,28%). Segundo a Fundação Getulio Vargas, o indicador acumula 16,77% no ano e 17,89% em 12 meses.

A queda da taxa de outubro para novembro foi puxada pelos três subíndices que compõem o IGP-M. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede o atacado, teve deflação (queda de preços) de 0,29% em novembro. Em outubro, houve inflação de 0,53%.

A inflação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede o varejo, recuou de 1,05% em outubro para 0,93% em novembro. Já o Índice Nacional de Custo da Construção passou de 0,80% para 0,71% no período.

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