Luiz Inácio Lula da Silva usou parte de seu discurso na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para chamar a atenção sobre a crise na Faixa de Gaza. Ele alertou sobre os impactos graves do que chamou de “genocídio praticado pelo governo Netanyahu” contra milhares de palestinos.
O posicionamento do presidente do Brasil, que tem sido consistente desde o início de seu terceiro mandato, foi bem recebido pelo Hamas. Khaled Qaddoumi, representante político do grupo palestino no Irã, declarou que a postura de Lula é “positiva” e alinha-se com o caminho certo para a humanidade. Segundo ele, Netanyahu e outros são vistos como ameaças globais à paz e segurança.
Qaddoumi ainda destacou que Lula escolheu apoiar a causa certa e o considerou um defensor dos direitos dos palestinos, além de um ser humano íntegro.
Contexto do Conflito
A guerra na Faixa de Gaza começou em outubro de 2023, após um ataque do Hamas contra Israel, que causou a morte de 1.200 pessoas e o sequestro de 251. Em resposta, as Forças de Defesa de Israel invadiram Gaza prometendo desmantelar o Hamas.
Com o passar dos meses, a violência e os ataques contra civis palestinos provocaram críticas da comunidade internacional. Estima-se que mais de 71 mil palestinos tenham morrido e mais de 173 mil ficaram feridos desde o início dos confrontos. A ONU também relatou que cerca de 90% da população de Gaza foi deslocada de suas casas pelas hostilidades.
Em outubro de 2025, foi firmado um acordo de paz mediado pelos Estados Unidos, dividido em três fases e atualmente na segunda. Esta etapa prevê o fim do governo do Hamas em Gaza e o desarmamento do grupo, com Israel retirando suas tropas em troca. Entretanto, ataques israelenses continuam acontecendo enquanto o desarmamento não é concluído.
Discurso de Lula na ONU
No início da Assembleia Geral da ONU, Lula criticou abertamente as políticas de Israel em Gaza e na Cisjordânia, mencionando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que enfrenta um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra. Embora tenha criticado o Hamas, seu discurso foi visto como um posicionamento firme contra a violência e a favor dos direitos palestinos.
Impactos Diplomáticos
O discurso de Lula intensificou a crise diplomática entre Brasil e Israel, rebaixando as relações entre os países em 2025. Israel convocou o embaixador brasileiro para esclarecimentos e retirou sua indicação de novo embaixador para o Brasil como resposta a um episódio envolvendo uma visita ao Museu do Holocausto.
Desde então, as embaixadas do Brasil em Tel Aviv e de Israel em Brasília são geridas apenas por encarregados de negócios, indicando uma crise diplomática significativa. O assessor especial de Lula, Celso Amorim, explicou que a decisão do Brasil visou responder a uma humilhação contra o ex-embaixador brasileiro.
