JULIA CHAIB E RICARDO DELLA COLETTA
WASHINGTON, EUA, E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Itamaraty convocou novamente o chefe da embaixada dos Estados Unidos em Brasília, Gabriel Escobar, para uma reunião na chancelaria nesta quarta-feira (9), demonstrando descontentamento com as ações do ex-presidente Donald Trump contra o governo do petista.
Nesse encontro, o Itamaraty devolveu simbolicamente a carta enviada por Trump ao presidente Lula, onde o republicano defende Jair Bolsonaro e anuncia uma taxa extra de 50% sobre produtos brasileiros.
Trump publicou a carta em uma rede social também nesta quarta-feira.
O ex-presidente americano reclama que o tratamento dado ao Brasil em relação a Bolsonaro é uma “vergonha” e chama o processo judicial contra o ex-presidente de uma “caça às bruxas” que deve acabar imediatamente.
A carta informa que as tarifas começarão a valer a partir de 1º de agosto. Trump também menciona ordens “secretas e ilegais” contra plataformas de mídia nos EUA e acusa violação da “liberdade de expressão dos americanos”.
Mais cedo, o ministério das Relações Exteriores já havia chamado Escobar para explicar a situação. O governo Lula rejeitou as declarações de Trump que alegam que Bolsonaro sofre perseguição política do governo e do Judiciário.
Depois do anúncio das tarifas, Escobar foi reconvocado.
Em comunicado, a embaixada dos EUA em Brasília afirmou que Escobar participou das reuniões no Itamaraty e declarou: “Como política, não comentamos conversas diplomáticas privadas”.
Em reação à sobretaxa, Lula disse que o Brasil responderá com base na lei de reciprocidade.
“É falsa a informação sobre o suposto déficit comercial entre Brasil e EUA. Estatísticas oficiais dos EUA mostram um superávit de US$ 410 bilhões para os americanos nos últimos 15 anos”, publicou Lula no X (antigo Twitter).
“O Brasil é um país soberano com instituições independentes e não aceita ser tutelado por ninguém. O processo judicial contra os envolvidos no golpe de estado é competência exclusiva da Justiça Brasileira e não pode sofrer interferência ou ameaça que comprometa a independência nacional. No que diz respeito às plataformas digitais, a sociedade brasileira rejeita conteúdos que promovam ódio, racismo, pornografia infantil, fraudes, discursos contra direitos humanos e a democracia”, acrescenta nota do Planalto.

