Gustavo Cerqueira Ataíde, ministro em exercício de Minas e Energia, afirmou à Câmara dos Deputados que o governo vai prosseguir com os leilões de energia para assegurar o fornecimento ao país. Ele destacou que a estratégia envolve um mix entre usinas termelétricas e fontes renováveis para garantir a estabilidade do sistema elétrico.
Segundo o ministro, o crescimento econômico e a eletrificação demandam a utilização de todas as tecnologias energéticas, e é importante evitar a oposição entre fontes renováveis e termelétricas. Para acompanhar essa transição, anunciou um leilão de baterias previsto para 2026, que ajudará no armazenamento de energia e na integração das fontes renováveis.
Importância das termelétricas no sistema
Alexandre Zucarato, diretor do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), ressaltou que, sem a contratação de potência adicional por meio das termelétricas, o risco de apagões aumentaria até 2030. Ele explicou que o modelo atual de contratação valoriza a disponibilidade das usinas, o que permite o avanço das fontes renováveis.
Críticas sobre custos
Por outro lado, parlamentares expressaram preocupações a respeito dos impactos financeiros. Evair Vieira de Melo, autor do debate, afirmou que os leilões elevam o custo da energia elétrica e contribuem para a inflação, além de criar concentração econômica e reduzir a competitividade.
Danilo Forte alertou que os custos do leilão podem ultrapassar R$ 1 trilhão, onerando industriais e consumidores domésticos significativamente. Já Joaquim Passarinho criticou o aumento quase que dobrado dos preços estabelecidos antes da disputa, questionando as justificativas apresentadas pelo governo.
Distribuição dos encargos
Thiago Prado explicou que, anteriormente, os custos para manter a reserva de energia eram pagos apenas pelos consumidores das distribuidoras. Com as novas regras, esse encargo passa a ser dividido entre todos os usuários do sistema, como indústrias e grandes consumidores, reduzindo o impacto tarifário individual.
Gustavo Cerqueira Ataíde acrescentou que grande parte do leilão renovou o parque termelétrico com contratos mais econômicos e flexíveis, beneficiando a operação do sistema.

