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sábado, 29/11/2025

Governadores evitam comentar medidas de Trump e procuram sair de situação difícil

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JULIANA ARREGUY
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e Ratinho Jr. (PSD-PR) não se manifestaram sobre a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impôs uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, medida anunciada nesta quarta-feira (9).

Na carta enviada ao presidente Lula (PT) comunicando a tarifa, Trump defendia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está sendo investigado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por envolvimento na trama golpista. Os governadores são vistos como possíveis candidatos a presidente nas eleições de 2026 e têm apoio de parte do eleitorado bolsonarista.

Nenhum dos três governadores comentou publicamente a decisão de Trump, que impactará diretamente as economias de seus estados. A mesma reação ocorreu em fevereiro, quando Trump anunciou tarifas de 25% sobre importações de aço e alumínio.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também cotado para 2026, criticou o presidente Lula. Ele afirmou que empresas e trabalhadores brasileiros pagarão por decisões do governo atual e que a postura diplomática está custando caro para o Brasil.

Aliados dos governadores revelaram à Folha de S.Paulo que eles estão em uma situação complicada.

Enquanto bolsonaristas mais radicais já comentaram nas redes sociais, colocando a culpa das ações de Trump no presidente Lula e no ministro do STF Alexandre de Moraes, os governadores tentam manter uma imagem equilibrada diante do cenário atual.

Além disso, temem que empresas e investidores prejudicados pela tarifa possam ver negativamente qualquer defesa a Bolsonaro e Trump. Dados da Folha indicam que, de janeiro a junho deste ano, os quatro estados arrecadaram R$ 9,9 bilhões com exportações para os EUA, sendo R$ 6,3 bilhões somente de São Paulo.

Ratinho Jr., apesar de não ter falado diretamente sobre Trump, compartilhou um trecho de entrevista destacando que é contra a polarização. “Eu não perco tempo brigando, porque o povo paga para trabalhar”, disse ele no vídeo.

A maior expectativa dos governadores é pelo posicionamento de Tarcísio em defesa de Bolsonaro.

Como afilhado político do ex-presidente, o governador de São Paulo é considerado favorito para a presidência no próximo ano, embora afirme que será candidato à reeleição no estado.

Recentemente, Tarcísio compartilhou uma publicação de Trump em apoio a Bolsonaro e criticando o STF.

Ele disse que seu padrinho político “deve ser avaliado apenas pelo povo brasileiro nas eleições”. Mesmo assim, poupa críticas ao Supremo e tenta manter relação cordial com seus ministros.

Bolsonaro afirma ser vítima de perseguição política. Já o presidente Lula convocou uma reunião urgente com ministros e divulgou nota afirmando que o Brasil é soberano e tem instituições independentes que não aceitarão tutoria externa.

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