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‘Fico com pena e levo pra casa’: o guarda de SP que acolhe usuários de crack e moradores de rua

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Em oito anos, Marcos de Moraes já levou cerca de 50 pessoas para abrigos para dependentes químicos ou de volta para a família.

Paulo, acolhido por Marcos em São Paulo, voltou para a casa de sua família no Rio Grande do Sul, onde vive até hoje (Foto: BBC)

Paulo, acolhido por Marcos em São Paulo, voltou para a casa de sua família no Rio Grande do Sul, onde vive até hoje (Foto: BBC)

Com as mãos trêmulas, cobertor nos ombros e o olhar perdido, centenas de pessoas se aglomeram num quadrilátero de ruas estreitas no centro de São Paulo na busca incessante por uma pedra de crack. De uma farda azul marinho, cassetete e revólver na cintura, o guarda municipal Marcos de Moraes, de 51 anos, observa a multidão na cracolândia durante sua patrulha.

À distância, ele analisa o comportamento dos usuários de drogas que frequentam o local. Moraes se aproxima de alguns e oferece apoio para aqueles que mais o comovem. “Você aceita ajuda? Eu não estou brincando. Se você confiar em mim, eu posso te tirar das ruas”, diz o guarda com firmeza na voz e olhar acolhedor, enquanto segura a mão de seu interlocutor.

Em oito anos na Guarda Civil Metropolitana (GCM), Moraes já encaminhou para abrigos, levou de volta para os braços da família e até para morar dentro de sua própria casa cerca de 50 usuários de crack e moradores de rua.

“Levo para casa mesmo. Sei que é um número pequeno, mas não me importo com quantidade, e sim com a qualidade. Quando pego um caso, vou até o fim”, disse em entrevista à BBC Brasil.

Marcos de Moraes: ‘Sempre queria ser o mocinho nas brincadeiras de polícia e bandido’ (Foto: BBC)

O Facebook é uma das principais ferramentas que Moraes usa para encontrar as famílias dos moradores de rua.

Mas os compartilhamentos na rede também o levaram a conhecer sua mulher, Karyne Santana Xavier de Moraes, 29. “Eu sempre compartilhava as postagens dele e a gente começou a conversar. Nos encontramos, namoramos dois anos e casamos”, contou ela.

Hoje, Moraes vive em uma casa alugada em Mogi das Cruzes (Grande São Paulo) com a mulher Karyne e o pedreiro Geraldo Martins, de 63 anos, que foi resgatado quando morava nas ruas de São Bernardo do Campo, também na Grande SP.

O guarda levou o desconhecido para dentro de sua casa em fevereiro depois de ver um alerta no Facebook para o caso dele – o senhor que saíra de Pernambuco em busca de um emprego e estava morando na rua.

“Ele trabalha em São Paulo e a esposa dele fica sozinha. Não sei como ele teve coragem de me trazer. Ele confia demais em mim. É amizade demais nós, parece que ele é meu filho”, disse Geraldo com lágrima nos olhos. Até mesmo os dois gatos e o cão de estimação do guarda civil foram adotados da rua.

Leia o depoimento de Marcos de Moraes à BBC Brasil:
Eu nasci em Mogi das Cruzes (Grande SP), onde moro até hoje. Tive uma infância muito boa, embora eu tenha perdido meu pai com seis anos. Um pai faz falta, mas consegui me adaptar muito bem com meu padrastro.

Todo menino quer ser herói e na minha infância os meninos sonhavam em ser jogador de futebol. Eu também, mas eu jogava muito mal. Então, eu me direcionei para ser policial e sempre queria ser o mocinho nas brincadeiras de polícia e bandido.

Vendi ferro-velho e, em 1990, comecei a vender cachorro-quente na porta da Universidade Mogi das Cruzes. Foi quando comecei a me aproximar de moradores de rua.

No fim da noite, sempre chegavam um ou dois pedindo um lanche e, claro, eu dava. E aproveitava para perguntar o motivo de estarem na rua. Cada um tinha uma história e ali começou a despertar a minha atenção para o lado dessas pessoas excluídas da sociedade.

Alguns diziam até que o prefeito os transportavam para uma área afastada e eles só chegavam novamente à noite no centro da cidade.

Depois de 12 anos vendendo lanches, passei a vender cerveja e, em 2008, eu fiz concurso e entrei na Guarda Civil Metropolitana (GCM). Foi lá que me realizei profissionalmente.

25 anos na rua
Na GCM, tive a oportunidade de me aproximar das pessoas em situação de rua para tentar ajudá-las da forma que eu pudesse.

Em oito anos na GCM, eu já encaminhei cerca de 50 moradores de rua para clínicas de reabilitação ou de volta para suas famílias. Até hoje eu tenho contato com alguns deles e até ligo para saber como estão.

Eu sempre converso com a família do senhor Claudiocir, que era viciado em crack e morou 25 anos na rua. Quando o conheci, perguntei se ele deixaria as drogas se eu encontrasse sua família, que morava em Poções, na Bahia.

Claudiocir quando morava na rua e (à esq.) e quando voltou para a sua família (Foto: BBC)

Ele, que morava sob uma tábua, disse que sim e eu fui atrás. Pedi ajuda na rádio da cidade de Poções até encontrar a mãe dele. Vizinhos que ouviram o apelo e até o próprio radialista foram até a casa dela.

Disseram que a senhora até deixou o café no fogo e deu pulos de alegria quando soube notícias do filho.

O reencontro foi maravilhoso. A TV Record se interessou pelo caso, levou o rapaz para uma clínica de reabilitação e depois pagou a passagem de volta.

Pedreiro de Olinda
Alguém encontrou o seu Geraldo na rodoviária de São Bernardo do Campo, na Grande SP, e publicaram a foto dele no Facebook dizendo que ele quer voltar para casa, mas ninguém o ajudava.

Eu e minha esposa fomos lá para ajudá-lo. Fizemos uma selfie na frente com uma brincadeira para ver o que faria. Ele brincou com a gente falando que estávamos fazendo uma foto dele. Em seguida, disse que não tinha problema.

Perguntei se ele queria mudar de vida porque eu estava disposto a ajudá-lo. Ele falou que queria porque aquilo não era vida.

Ele veio de Pernambuco com a promessa de um trabalho, mas não conseguiu e foi para a rua. Isso acontece com a maior parte das pessoas que moram na rua.

O Geraldo tinha um pequeno problema com álcool porque hoje é praticamente impossível alguém estar na rua e não ser usuário, no mínimo, de bebida alcoólica por conta do frio.

Eu então o chamei para ir embora comigo. Perguntei se ele não era pedreiro e disse que também tinha um serviço na minha casa que ele poderia fazer e ainda encontraria mais trabalho para ele.

Ele nem parou para pensar na resposta. Se despediu dos amigos, entrou no meu carro e a gente foi embora.

Ele dorme em um cômodo no fundo da minha casa e me ajuda em uma obra. O seu Geraldo já faz parte da minha família. A comida que ele almoça é a mesma que a nossa, toma café da manhã com a gente, passeia, viaja. Ele está bem feliz.

O Geraldo tem 52 anos e é muito respeitoso. Eu saio de casa e deixo ele sozinho com a minha mulher, mas nunca tive nenhum tipo de problema.

Ele até nos mostrou na internet a casa onde ele mora em Pernambuco, onde os filhos e a mulher estão. A intenção dele agora é guardar um dinheiro através do trabalho e visitar a família em outubro.

Mas ele não quer morar lá. Ele quer passear e voltar para São Paulo. Ele diz que aqui é o lugar onde ele se sente feliz. Ele colocou uma arcada dentária nova, comprou roupas. O único mal dele hoje é o cigarro, mas ele prometeu que vai parar.

‘Está com dó? Leva para casa’
Eu já ouvi muita gente dizer: “Está com dó, leva para casa”. Esses são os primeiros a apontar, a dizer que eles estão ali [na rua] porque querem.

Não é assim. Os moradores de rua merecem no mínimo serem ouvidos, merecem atenção.
Isso é antigo. Tem uma passagem na bíblia com o homem caído que é ignorado pelas pessoas que poderiam ajudá-lo. Mas um passa e vê para ajudá-lo. Esse sou eu. Se tiver no meu alcance, vou ajudar na hora.

E tem muita gente assim. Tem gente que não aguenta só ver, mas também ajuda. Se eu puder dividir um prato de comida eu divido.

Com o seu Geraldo não foi diferente. Ele se propôs a mudar de vida e está comigo até hoje. Levei para casa mesmo.

Fim da vida em casa
Eu encontrei o Felipe Furlán, de 23 anos, na porta de um mercado na avenida Ipiranga, no centro de São Paulo. Me aproximei e perguntei se ele queria voltar para casa.

Ele respondeu que sim e que sua família era de Piracicaba (a 160 km da capital). Lancei uma campanha no Facebook e os compartilhamentos chegaram até o irmão dele, que viu e me procurou. A família já tinha até feito um boletim de ocorrência por desaparecimento.

No dia do reencontro, paguei um banho para o Felipe numa pensão e fui na [rua] 25 [de Março] e comprar umas roupas para ele. Quando a mãe dele chegou, até passou direto porque não o reconheceu porque ela tinha como base as fotos que eu havia passado, dele com roupas sujas, barbudo e cabeludo.

Quando eles se encontraram, foi só alegria. Essa é a melhor parte da história. Nada pagar ver um filho voltar para casa nos braços da mãe, do irmão e de um primo.

O Felipe voltou para casa com eles e, passados dois anos, infelizmente ele sofreu um acidente veio a faceler. Mas a minha parte nessa história de vida é que ele passou os dois últimos anos de vida ao lado da família. E isso não tem preço.”

O dilema
Em 2008, me aproximei de um senhor na praça Buenos Aires, em Higienópolis, no centro de São Paulo. Era o senhor Antônio, que falou: “A coisa que eu mais queria era rever meu filho, que hoje deve ter 25 anos. Eu não o vejo desde os 3 anos, quando briguei com minha mulher e saí de casa.”

Achei o nome do filho dele numa lista de concurso público e descobri que ele trabalhava como carcereiro. Consegui o telefone dele em um boletim de ocorrência e liguei empolgado para dizer que tinha achado seu pai.

Ele atendeu o telefone e respondeu, exaltado, que seu pai estava em casa e que eu estava louco. Pedi desculpas e disse que me enganei.

Eu tinha certeza que aquele era o filho do Antônio, mas preferi tomar essa decisão para não estragar a família. A mãe dele deve ter encontrado outro homem e disse que era o pai dele, quando ainda tinha 3 anos. E nessa área, eu não posso entrar.

Voltei e disse para o Antônio que não encontrei o filho dele.

Ampliação
Eu dependo da ajuda de muita gente para fazer esse trabalho social porque ninguém faz nada sozinho. E eu preciso de muita gente para me ajudar. Não financeiramente. Quando há gastos, são meus.

A primeira coisa que a pessoa precisa é se alimentar, mas isso é o de menos. Se a pessoa precisa de uma passagem, eu que pago, comprar roupa, eu compro. O que tiver que fazer eu faço com o maior prazer, nunca me faltou nada.

Algumas pessoas já quiseram me ajudar com passagens. É sempre bem-vindo, mas eu quero profissionalizar isso, talvez criando uma ONG.

O meu comandante na GCM, Gilson de Meneses, me dá todo o apoio necessário dentro da corporação. Se eu precisar de carro, tenho à disposição. Isso é muito importante.
Quando eu preciso fazer uma busca, o computador da guarda está à minha disposição também. Mas eu também faço isso em casa como uma extensão desse trabalho social. Esse é o meu dom.

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Sobe para 49 o número de cidades do PI que decretaram emergência devido à seca

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O Piauí também apresentou uma alta na área com seca, entre os meses de agosto e setembro de 2020, de 79,29% para 92,11%, conforme os dados divulgados pelo Monitor das Secas na quarta-feira (21).

Mais de 40 municípios declararam situação de emergência por causa da seca — Foto: reprodução tv clube

Subiu para 49 o número de municípios do Piauí que já decretaram emergência devido à seca em 2020, de acordo com a Secretaria de Defesa Civil Estadual. O aumento de cidades atingidas por este fenômeno reflete na expansão da área com estiagem de 79,29% para 92,11%, entre agosto e setembro, no estado, segundo os dados divulgados pelo Monitor de Secas na quarta-feira (21).

Na quinta-feira (22), o Governo do Piauí reconheceu a situação de emergência em mais sete municípios. Foram eles: Campo Grande do Piauí, Conceição do Canindé, Itainópolis, Isaías Coelho, Picos, São Lourenço do Piauí e Vera Mendes.

O secretário de Defesa Civil, Geraldo Magela, informou  que, neste ano, foi observada a expansão da estiagem para a região mais central do estado. “O decreto é baseado também nesse monitoramento, onde foi observado que a seca avançou mais para a região central do estado, mesmo começando na região que faz limite com os estados do Ceará e Maranhão”, disse.

Piauí aumenta área de seca entre agosto e setembro de 2020 — Foto: Divulgação/Monitor das Secas

Piauí aumenta área de seca entre agosto e setembro de 2020 — Foto: Divulgação/Monitor das Secas

Apesar da alta da área de seca, segundo o gestor, o número de municípios afetados pelo fenômeno é quase o mesmo comparado ao ano passado. “A seca está um pouco maior neste ano do que no ano passado, que foi mais de 40, mas não chegou a 49. Normalmente essa é a média. Pode ser preocupante quando são menos que 40 ou mais de 50”, pontuou Geraldo Magela.

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Paraná atinge marca de 5 mil mortos pela Covid-19, diz secretaria

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Ajuda de R$ 30 milhões para Ibama e ICMBio deve estar disponível em 48 horas

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Ministério do Desenvolvimento Regional sai em socorro de órgãos de preservação e fiscalização, que acumulam aproximadamente R$ 25 milhões em contas a saldar por causa de restrições orçamentárias impostas pelo Ministério da Economia

Ministério do Desenvolvimento Regional sai em socorro de órgãos de preservação e fiscalização, que acumulam aproximadamente R$ 25 milhões em contas a saldar por causa de restrições orçamentárias impostas pelo Ministério da Economia

O Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) ofereceu um repasse de R$ 30 milhões de recursos de emergência da Defesa Civil para que o Ministério do Meio Ambiente (MMA) cubra as dívidas de mais de R$ 25 milhões acumuladas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio). A oferta foi feita diretamente pelo ministro Rogério Marinho (Desenvolvimento) ao colega Ricardo Salles (Meio Ambiente), que aceitou a oferta. O repasse de emergência sairá da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, que é vinculada ao MDR. A previsão é de que o recurso possa estar disponível em 48 horas.

O Ibama e o ICMBio estão com contas de serviços básicos em atrasos há pelo menos 90 dias. Há faturas em aberto de contratos de manutenção predial, contas de luz, abastecimento de veículos e aluguéis de aeronaves. No Ibama, o rombo acumulado chega a mais de R$ 16 milhões e, no ICMBio, as contas em aberto somam mais de R$ 8 milhões. São aproximadamente R$ 25 milhões em dívidas.

Operações suspensas

O governo publicou uma autorização que libera, de forma extraordinária, R$ 16 milhões ao MMA. A pasta deve repassar R$ 8 milhões para cada autarquia, mas isso não acaba com o rombo, que tende a crescer nas próximas semanas. Desde a meia-noite de ontem, o Ibama suspendeu, por causa da falta de recursos, as operações de seus 1,4 mil agentes que estavam em campo. A ordem partiu da Diretoria de Proteção Ambiental, que opera o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfog). A determinação incluiu os brigadistas que atuavam no Pantanal e na Amazônia, dois biomas que enfrentam forte onda de queimadas neste ano.

Até 20 de outubro, foram registradas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) altas acentuadas nos focos de calor, quando comparadas ao ano passado. Na Amazônia, houve alta em 211%; no cerrado, 86%; e, no Pantanal, 408%.

Não foi a primeira vez que as atividades foram temporariamente suspensas. No fim de agosto, Salles chegou a afirmar que, devido a bloqueios financeiros para o Ibama e para o ICMBio, as ações contra o desmatamento ilegal seriam paralisadas. Na ocasião, o vice-presidente Hamilton Mourão contestou, disse que não havia nenhum bloqueio e o governo voltou atrás.

Procurado pelo Correio, o Ibama afirmou que a falta de recurso ocorre desde setembro. “A autarquia passa por dificuldades quanto à liberação financeira por parte da Secretaria do Tesouro Nacional. Para a manutenção de suas atividades, o Ibama tem recorrido a créditos especiais, fundos e emendas. Mesmo assim, já contabiliza R$ 19 milhões de pagamentos atrasados, o que afeta todas as diretorias e ações do instituto, inclusive, as do Prevfogo”, disse o órgão, em nota.

Dinheiro sobrando

A dificuldade de pagamento deve-se, basicamente, a uma restrição de teto orçamentário que o MMA, Ibama e ICMBio sofreram, por imposição do Ministério da Economia. Neste ano, o orçamento total previsto para a pasta foi de R$ 563 milhões. A pasta de Paulo Guedes, porém, cortou uma cifra de R$ 230 milhões desses recursos para fazer caixa para o governo.

Ex-presidente do Ibama, Suely Araújo rebate a justificativa. “Tem dinheiro sobrando. O governo é que não se programou para pagar os fornecedores. É problema de gestão do MMA e do Ministério da Economia, e mostra uma desarticulação inaceitável”, acusou.

Ambientalistas reagiram à suspensão dos trabalhos. “Esta é mais uma prova da política antiambiental adotada por este governo. Alegar falta de recursos para combater as queimadas, sendo que o próprio governo inviabilizou o Fundo Amazônia, que contava com mais de R$ 1 bilhão que poderiam ter sido utilizados para isso, é a evidência da total falta de interesse em combater toda a destruição que, infelizmente, acompanhamos nos últimos dois anos”, lamentou Rômulo Batista, porta-voz da Campanha da Amazônia.

Para o secretário-geral do Observatório do Clima, Marcio Astrini, o Fundo Amazônia, que foi congelado por conta da política ambiental do governo Bolsonaro, financiava o combate às queimadas em alguns estados. “O congelamento também impacta na redução de orçamento”, destacou.

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Auxílio emergencial chegou a 29,9 mi de domicílios em setembro, diz IBGE

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A proporção de domicílios que recebeu algum auxílio relacionado à pandemia diminuiu de 43,9% em agosto para 43,6% em setembro.

Auxílio emergencial tem sido utilizado mais para pagar contas do que para gastos, revela Nubank (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

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Com foco nas periferias, SP amplia centros de testagens da Coronavac

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Inclusão de voluntários em regiões mais afetadas pelo vírus pode adiantar conclusão dos estudo de eficácia do imunizante para “meados de dezembro”

Coronavac: teste com a vacina chinesa serão ampliados em SP para acelerar conclusão sobre eficácia (Peter Ilicciev/Fiocruz/Agência Brasil)

O governador de São Paulo, João Dória (PSDB) anunciou nesta sexta-feira (23) que a região metropolitana de São Paulo ganhará seis novos centros de testagem da vacina chinesa Coronavac. Sob supervisão do Hospital Emílio Ribas, os novos centros serão instalados em áreas periféricas da região metropolitana, onde as taxas de contaminação pelo vírus são mais altas. São elas: Guaianases, Mandaqui e Santo Amaro, além de outros dois centros em São Caetano do Sul, na região do ABC paulista, e mais um em Osasco.

“Os novos centros ampliam a base de captação de voluntários para acelerar a conclusão dessa fase de testes“, explicou Dimas Covas. O diretor do Instituto Butantã estima que, com mais voluntários, o estudo atinja a marca mínima de 61 contaminados entre os voluntários mais rapidamente, permitindo confirmação da eficácia da vacina. “Esperamos que isso aconteça em novembro, meados de dezembro.”

Assim que a eficácia da vacina for comprovada pelo estudo, um relatório será enviado à ANVISA, que analisará os dados e deliberará sobre a liberação do imunizante para vacinação da população.

As conclusões sobre eficácia dependem da ocorrência de um número mínimo de infecções por covid-19 entre os voluntários. Esse índice, definido por cálculos estatísticos, é necessário para que os pesquisadores comparem quantos dos contaminados estavam no grupo vacinado e quantos faziam parte do grupo que recebeu o placebo. Se o total no segundo grupo for significativamente superior ao do primeiro, haverá evidência de que a vacina foi capaz de proteger contra a Covid.

Covas afirmou, também, que as linhas de produção da vacina no Instituto Butantã estão prontas para iniciar a produção. Como a matéria-prima vem da China, a importação também depende de um aval da ANVISA, que deve sair em cinco dias úteis.

“Tivemos um certo atraso nessa liberação, mas ontem houve uma sinalização da ANVISA de que ela será expedida em cinco dias úteis”, disse o Covas. “Com essa autorização, a importação leva mais três dias e, então, já podemos começar a produção das 40 milhões de doses que serão fabricadas pelo Instituto Butantã.”

Somadas às 6 milhões de doses que serão importadas da China já prontas para aplicação, o Estado de SP terá doses suficientes para imunizar toda sua população, de 46 milhões de habitantes.

 

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Prefeitura de SP autoriza volta às aulas presenciais apenas para o Ensino Médio em 3 de novembro

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Aulas estão suspensas desde março devido a pandemia de Covid-19. Primeira etapa do censo sorológico da Educação apontou que 13,2% dos alunos, professores e funcionários da rede municipal testados tiveram contato com a doença.

Cadeiras serão bloqueadas para uso para ampliar o distanciamento entre os estudantes — Foto: Bárbara Muniz Vieira/G1

A Prefeitura de São Paulo autorizou o retorno das aulas regulares presenciais somente para os alunos do Ensino Médio no dia 3 de novembro. Já para os estudantes dos ensinos infantil e fundamental foram mantidas as atividades extracurriculares, segundo informou o prefeito Bruno Covas (PSDB), no início da tarde desta quinta-feira (22).

A autorização é válida para alunos das redes municipal, estadual e privada na capital paulista. E o retorno às aulas é facultativo. As aulas estavam suspensas desde março devido a quarentena provocada pela pandemia de coronavírus.

Veja como fica a volta às aulas:

  • Ensino Infantil: estão permitidas apenas atividades extracurriculares
  • Ensino Fundamental: mantidas atividades extracurriculares
  • Ensino Médio: retorno às aulas presenciais em 3 de novembro

“Seguindo a recomendação da área da saúde, a Prefeitura de São Paulo vai manter apenas as atividades extracurriculares para o ensino infantil e para o ensino fundamental e vai autorizar o retorno às aulas para o ensino médio a partir do dia 3 de novembro aqui na cidade. Lembrando que essa autorização para o retorno é para as três redes: a rede municipal, a rede estadual e a rede privada. Ela é voluntária para os pais, de acordo com a decisão já do Conselho Nacional de Educação, e ela deve seguir os protocolos sanitários já estabelecidos”, afirmou Covas.

Após a divulgação da segunda fase do censo sorológico, em 19 de novembro, será definido a data de retorno dos demais alunos.

“Queria anunciar também que no dia 19 de novembro, com base na segunda fase do censo sorológico e com a evolução da pandemia na cidade de São Paulo, nós teremos uma nova coletiva para anunciar o que acontece e o que fica autorizado na cidade de São Paulo em relação a área da educação a partir do dia 1º de dezembro”, disse o prefeito.

Os alunos do Ensino Médio que decidirem voltar para as escolas farão uma prova para medir o que aprenderam no período de aulas remotas. Com o resultado dessa avaliação, serão definidas estratégias de reforço pedagógico.

O anúncio foi feito durante coletiva de imprensa da divulgação da primeira etapa do censo sorológico realizada com alunos, professores e funcionários da rede municipal de ensino. A primeira fase realizou testes em 65.400 mil pessoas até 21 de outubro e foi detectado que 13,2% do público alvo já teve contato com o vírus da Covid-19. Entre os positivos, as crianças e adolescentes são a maioria dos infectados.

De acordo com Covas, somente os docentes que já tiveram a doença retornarão para as escolas. “Nós vamos chamar para voltar para dentro da sala de aula apenas os professores que já estão imunizados de acordo com o censo que está sendo realizado pela Prefeitura de São Paulo.”

Ao todo, a Prefeitura de São Paulo estima realizar testes em 675 mil alunos e 120 mil professores e funcionários. A realização dos testes não é obrigatória.

O censo realiza exames sorológicos que avaliam a presença de anticorpos específicos no sangue e identifica quem já teve a doença. No entanto, a presença de anticorpos no organismo não significa que a pessoa esteja imune.

O retorno às aulas presenciais para os estudantes do ensino superior estavam autorizadas na cidade desde o dia 7 de outubro, além de atividades extracurriculares para os ensinos infantil, fundamental e médio.

Rede municipal

Segundo o secretário municipal da Educação, Bruno Caetano, as escolas da rede estão preparadas para receber os alunos tanto para aulas regulares como para as atividades extracurriculares com o cumprimento de todas as regras sanitárias.

Atividades extracurriculares

Desde o dia 7 de outubro, as escolas do estado de São Paulo estavam autorizadas a receber alunos presencialmente, mas apenas para a realização de atividades extracurriculares nos ensinos infantil, fundamental e médio. O governo do estado deixou a decisão do retorno às aulas presenciais para cada município definir.

Na capital paulista, a retomada para atividades extracurriculares foi autorizada na mesma data, mas a ocupação máxima foi de 20% da capacidade de alunos das escolas e com frequência de, no máximo, duas vezes por semana e pelo período de até duas horas para atividades culturais, cursos de idiomas, atividades esportivas que não sejam coletivas, aulas de música, aulas de reforço e acolhimento (veja as regras aqui).

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sexta-feira, 23 de outubro de 2020

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