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Brasil

Expedição brasileira vai explorar abismos da Zona de Fratura Romanche

© Univali/Divulgação

Uma expedição científica partirá neste domingo, 20, de Fortaleza (CE), com o objetivo de explorar e mapear a Zona de Fratura Romanche, que é uma formação submarina de aproximadamente 1.000 quilômetros entre a costa Nordeste do Brasil e o oeste da África.

Nomeada The Gap, a missão usará um rover e um submarino autônomo operados a partir do navio de pesquisa Falkor (too) para mapear duas regiões diferentes e recolher amostras de pedras e de vida marinha em paredões que chegam a 4.500 metros de profundidade.

A equipe investigará o fenômeno da ressurgência equatorial, que eleva águas frias e ricas em nutrientes para a superfície do mar. O professor José Angel Perez, da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e líder da expedição, explica que o foco principal é entender como esse processo afeta as comunidades marinhas profundas, além de estudar como as correntes e o fundo do mar interagem nesses habitats.

Perez destaca que conhecer esses processos é crucial, pois mais de 99% da crosta terrestre está em áreas profundas do oceano, que ainda são pouco exploradas. A equipe também quer reunir dados científicos sobre a riqueza desses ecossistemas e o impacto do ser humano, para contribuir com estudos futuros e reforçar a importância da conservação dessas áreas.

Outro ponto importante é avaliar como as mudanças climáticas influenciam essas comunidades, pois alterações nos ventos e o processo de acidificação dos oceanos podem ameaçar a cadeia alimentar e habitats, como os recifes de corais.

O trabalho começará com o mapeamento da região usando uma sonda acústica no navio, durante cerca de dois dias. Após isso, os cientistas descerão com o robô SuBastian, capaz de alcançar 4.500 metros de profundidade para coletar amostras submarinas. Essa operação será transmitida ao vivo no canal do Schmidt Ocean Institute, que apoia a expedição e forneceu os equipamentos.

Nas áreas com maiores possibilidades, será utilizado ainda um submarino autônomo, que pode chegar mais próximo do fundo e fazer mapas detalhados em centímetros. Essa operação será repetida em uma segunda área perto da costa africana.

A expedição conta com a participação de cinco professores universitários brasileiros, sete estudantes, um pesquisador e a tripulação. No total, 25 especialistas de cinco países fazem parte da equipe, que deve chegar a Gana no dia 26 de outubro. O navio Falkor (too) foi disponibilizado pelo Schmidt Ocean Institute, que apoia pesquisas oceanográficas sem fins lucrativos e planeja outras oito expedições no Atlântico Sul e Caribe em 2026, sempre com divulgação aberta dos resultados.

A equipe espera organizar os primeiros resultados em cerca de dois anos, mas o professor Perez acredita que as informações coletadas pelos especialistas e estudantes a bordo poderão render dados relevantes por até uma década.

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