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Empresário que comprou patente de remédio e aumentou preço em 5.000% é preso nos EUA

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O empresário da indústria farmacêutica que aumentou o preço de um remédio para Aids em mais de 5.000% após comprar a patente do medicamento, em setembro, foi preso por fraude financeira nesta quinta-feira. Martin Shkreli, de 32 anos, foi detido por agentes federais na manhã desta quinta-feira em sua casa, em Nova York.

Shkreli tornou-se um dos homens mais odiados do planeta quando sua empresa, Turing Pharmaceuticals, adquiriu os direitos de produção do Daraprim, utilizado no tratamento de pacientes com Aids, e aumentou de 13.50 dólares para 750 dólares o preço de cada comprimido. Sua prisão nesta quinta-feira, no entanto, não tem relação com o caso, reportou a Bloomberg News.

A Justiça americana acusa Shkreli de usar ilegalmente ações de uma empresa de biotecnologia fundada por ele em 2011para pagar dívidas não-relacionadas com a companhia. Em 2014, ele foi expulso da empresa, onde ocupava o cargo de CEO, e processado pelo conselho. Os promotores também afirmam que Shkreli envolveu-se em um complicado esquema financeiro ilícito depois que sua empresa MSMB Capital Management, especializada em operações financeiras de alto risco, perdeu milhões de dólares.

Exclusividade – Em maio, o grupo de hip hop Wu-Tang Clan produziu uma única cópia do álbum Once Upon A Time in Shaolin e vendeu-a com exclusividade ao então desconhecido empresário Martin Shkreli por 2 milhões de dólares. Após a controvérsia relacionada ao preço do medicamento, o grupo veio a público para criticar o empresário e anunciar que doaria parte do dinheiro arrecadado com a venda do disco para instituições de caridade. As declarações enfureceram Shkreli. “Eu sou o albanês mais bem sucedido a andar sobre o planeta Terra. (…) Se eu te entrego 2 milhões de dólares, é melhor você mostrar algum respeito. Pelo menos tenha a decência de não dizer nada ou apenas ‘nada a declarar'”, disse Shkreli, segundo o jornal britânico Independent.

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Biden inclui mulheres e imigrante em equipe de política externa dos EUA

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Todos os integrantes da equipe de política externa de Biden são defensores do multilateralismo e devem priorizar as questões ambientais

(Brian Snyder/Reuters)

O presidente eleito dos EUA, Joe Biden, anunciou na segunda-feira, 23, sua equipe de política externa e a estratégia de segurança nacional de seu governo. O democrata privilegiou a diversidade e incluiu duas mulheres e um imigrante no time, todos com experiência e defensores do multilateralismo, sinalizando uma importância especial para as questões ambientais. O posto de chefe da diplomacia – secretário de Estado – ficou com Antony Blinken.

O mundo está mais complexo, mas dá para começar com o básico. Veja como, no Manual do Investidor

Ex-conselheiro de Segurança Nacional de Biden, quando ele era vice de Obama, Blinken trabalhou com o democrata também no Comitê de Relações Exteriores no Senado. Ele chegou a ser número dois do Departamento de Estado então chefiado por John Kerry, que também está de volta.

Kerry, um dos nomes mais conhecidos da política externa americana, terá um cargo novo, de “czar do clima”, responsável no Conselho de Segurança Nacional (NSC, na sigla em inglês) pelas discussões ambientais – uma prioridade do novo governo americano. É a primeira vez que um nome dedicado ao tema terá assento no NSC.

Biden e Kerry são amigos de longa data e ex-colegas de Senado. O ex-chanceler foi um dos principais entusiastas da candidatura do democrata à presidência e, durante a campanha, trabalhou nas políticas ambientais de Biden com o time de assessores do senador Bernie Sanders. No segundo mandato de Obama, como chefe da diplomacia dos EUA, Kerry negociou o Acordo de Paris – ao qual Biden prometeu retornar no primeiro dia de mandato.

Biden definiu o grupo como “experiente e testado em crises”. “Eles reunirão o mundo para enfrentar desafios inéditos, que nenhum país pode enfrentar sozinho. É tempo de restaurar a liderança americana. Eu confio nesse grupo para fazer isso”, disse.

O presidente eleito promete recolocar os EUA nos principais fóruns globais e se afastar do isolacionismo de Donald Trump. A previsibilidade nas nomeações e a escolha de velhos conhecidos marca a diferença com o governo atual, conhecido pela impulsividade na escolha de nomes.

Blinken é um exemplo disso, um diplomata que defende o multilateralismo, a cooperação internacional e alianças sólidas. O futuro secretário de Estado, porém, traz na bagagem a defesa de intervenções militares desastrosas, como a guerra no Iraque. Foi ele quem fez as honras da casa quando a então presidente do Brasil, Dilma Rousseff, visitou o Departamento de Estado, em 2015.

Ao fazer o discurso de abertura de um almoço em homenagem a Dilma, Blinken lamentou a morte do compositor Fernando Brant e citou a música Canção da América e o cantor Milton Nascimento para falar da amizade entre EUA e Brasil. Além de Kerry e Blinken, Biden anunciou mais quatro nomes que confirmam o compromisso com a diversidade: duas mulheres, sendo uma delas negra, um latino e um jovem democrata.

Alejandro Mayorkas será o primeiro latino a chefiar o Departamento de Segurança Interna, responsável pelas políticas de imigração. Mayorkas nasceu em Cuba e foi procurador da Califórnia, antes de atuar como diretor de cidadania e serviços imigratórios no governo Obama.

Em sua primeira mensagem após a escolha, Mayorkas lembrou que sua família buscou refúgio nos EUA e afirmou que supervisionará a segurança de todos os americanos “e daqueles que fogem de perseguição em busca de uma vida melhor”.

Os anúncios incluíram ainda a primeira mulher a chefiar a Diretoria de Inteligência Nacional, Avril Haines, e o mais jovem Conselheiro de Segurança Nacional da história recente, Jake Sullivan, além da diplomata Linda Thomas-Greenfield, uma negra, como embaixadora dos EUA na ONU.

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Suécia vai mudar estratégia diante do avanço do coronavírus

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A Suécia está revendo sua política de combate à covid-19 sem quarentena diante taxa de mortalidade e a rápida ocupação dos leitos de UTI

A covid-19 já matou mais de 6.400 dos 10,2 milhões de habitantes da Suécia (Anadolu Agency / Colaborador/Getty Images)

O primeiro-ministro da Suécia, Stefan Lofven, fez um raro pronunciamento nacional domingo, 22, à noite para alertar a população sobre a crescente ameaça que o coronavírus representa, em meio a temores de que a estratégia usada até agora possa não ser suficiente para combater uma pandemia cada vez mais mortal. O país, que se destacou entre os demais europeus por não recorrer a quarentenas obrigatórias no combate à pandemia, confiando na responsabilidade pessoal dos cidadãos, com adesão voluntária a restrições, registrou em 2020 sua maior contagem de mortes no primeiro semestre em 150 anos, segundo o Escritório de Estatísticas.

Lofven, o terceiro premier na História do país a fazer um discurso em cadeia nacional, disse que “muitas pessoas têm sido descuidadas em seguir as recomendações” que as autoridades de saúde apontam como fundamentais para controlar o vírus.

Diante da taxa de mortalidade consideravelmente mais alta do que a dos outros países nórdicos e de leitos de terapia intensiva sendo rapidamente ocupados, as autoridades estão agora recalibrando sua política.

A decisão de Lofven de se dirigir à nação desencadeou uma onda de análises nos maiores jornais da Suécia nesta segunda-feira, com as páginas editoriais avaliando a seriedade do momento.

Apenas dois primeiros-ministros suecos fizeram discursos semelhantes no passado: Carl Bildt, em 1992, após uma série de ataques a tiros por motivos raciais, e Goran Persson, em 2003, após o assassinato da chanceler Anna Lindh.

Em seu discurso de domingo, Lofven disse que “todos devem fazer mais” para combater o vírus. “A saúde e a vida das pessoas ainda estão em perigo, e o risco está aumentando”, alertou.

A covid-19 já matou mais de 6.400 dos 10,2 milhões de habitantes da Suécia, com um total de casos que já passa de 208 mil.

Ao mesmo tempo, os leitos de terapia intensiva estão enchendo rapidamente, com o dobro de pacientes infectados por coronavírus em 19 de novembro, em relação à quinzena anterior.

Em comparação, a vizinha Noruega, com população de 5,4 milhões, registrou apenas 32 mil casos e pouco mais de 300 mortes.

Em um recente relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a Suécia consistentemente se classificou entre as nações mais duramente atingidas na Europa, como medido pelas taxas relativas de mortalidade e casos da covid-19. A OCDE também observou que a Suécia ficou muito atrás de seus pares na redução da taxa de transmissão.

“O objetivo das intervenções de prevenção, incluindo estratégias de contenção e mitigação, é trazer a taxa de transmissão para menos de um, isto é, quando o número de pessoas infectadas diminuirá com o tempo. Em média, os países levaram 34 dias para trazer esse indicador para menos de um depois que a epidemia começou a se espalhar. O país com o período mais curto foi Malta (11 dias), com a Suécia relatando o período mais longo (58 dias)”, informou a OCDE.

Mas o ministro do Interior, Mikael Damberg, disse que ainda é muito cedo para tirar conclusões sobre a estratégia sueca.

“Vemos que grande parte da Europa foi atingida pela segunda onda”, disse Damberg em entrevista à emissora pública SVT. “Nossa responsabilidade agora é que a Suécia não seja arrastada para uma situação tão séria quanto a dos outros países.”

O governo, entretanto, parece reconhecer que as medidas até o momento têm sido inadequadas.

No início deste mês, o primeiro-ministro optou pelo que chamou de medida “sem precedentes” de proibir reuniões públicas de mais de oito pessoas.

A partir de 20 de novembro, as vendas de álcool também foram proibidas após 22h. Ambas as decisões foram um sinal de que medidas voluntárias não são mais suficientes.

A mensagem do premier foi igualmente inequívoca na noite de domingo: a trégua da covid-19 durante o verão e o outono acabou. “Tudo o que você gostaria de fazer, mas não é fundamental, cancele, cancele, adie”, disse.

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Universidade de Cambridge denuncia roubo de dois cadernos de Darwin

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Avaliados em milhões de libras, os cadernos com o primeiro esboço da “Árvore da Vida” foram adicionados ao arquivo da Interpol de obras de arte roubadas

Esboço de Charles Darwin de 1837, seu primeiro diagrama de uma árvore evolutiva de seu primeiro caderno sobre a transmutação das espécies (1837). (Reprodução/Wikimedia Commons)

A Universidade de Cambridge denunciou como “roubados” dois cadernos de Charles Darwin que desapareceram de sua biblioteca há 20 anos, um dos quais contém seu desenho da “árvore da vida”, que se tornou o símbolo de sua teoria da evolução.

Depois de uma busca exaustiva, a mais importante da história da biblioteca, os curadores chegaram à conclusão de que os cadernos, cujo desaparecimento foi relatado pela primeira vez em janeiro de 2001, foram provavelmente roubados”, disse a prestigiosa universidade nesta terça-feira. O desaparecimento foi denunciado à polícia e os cadernos, avaliados em vários milhões de libras, foram adicionados ao arquivo da Interpol de obras de arte roubadas.

“Lamento profundamente que esses cadernos continuem desaparecidos, apesar das inúmeras buscas em grande escala nos últimos 20 anos, incluindo a maior da história desta biblioteca no início deste ano”, disse Jessica Gardner, diretora do serviços bibliográfico.

Coincidindo com o “dia da evolução”, que comemora o aniversário da primeira publicação em 24 de novembro de 1859 de “A Origem das Espécies”, a grande obra do naturalista inglês, Cambridge lançou um convite à participação dos cidadãos para encontrar as obras.

A universidade explicou que os dois cadernos foram retirados em setembro de 2000 da sala onde os livros mais valiosos para fotografia eram guardados. Durante uma verificação de rotina, em janeiro de 2001, foi descoberto que a pequena caixa que os preservava, do tamanho de uma brochura, não estava em seu devido lugar. Por muitos anos, os bibliotecários acreditaram que os cadernos haviam sido colocados no lugar errado da biblioteca, que abriga cerca de 10 milhões de livros, mapas, manuscritos e outros itens.

A obra de Charles Darwin (1809-1882), pai da teoria da evolução, possibilitou entender que o ser humano não estava no centro da vida. No verão de 1837, quando voltou de uma viagem pelo mundo a bordo de um navio científico da Marinha britânica, ele esboçou em seu caderno uma “árvore da vida” que forma a base de sua teoria da seleção natural.

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UE fecha acordo para 160 mi de doses de vacina contra covid-19 da Moderna

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Na semana passada, a Moderna disse que sua vacina experimental é 94,5% eficaz na prevenção da covid-19

UE: é o sexto acordo de suprimento que o bloco negocia com fabricantes de vacina para obter imunizantes contra covid-19 (Divulgação/Reuters)

A União Europeia firmou um acordo com a empresa de biotecnologia norte-americana Moderna para receber um suprimento de 160 milhões de doses de sua candidata a vacina contra covid-19, disse a chefe da Comissão Europeia nesta terça-feira.

Na semana passada, a Moderna disse que sua vacina experimental é 94,5% eficaz na prevenção da covid-19, com base em dados provisórios de um teste clínico de estágio avançado.

“É com prazer que anuncio que amanhã aprovaremos um novo contrato para obter outra vacina contra Covid-19”, disse Ursula von der Leyen, acrescentando que o acordo “nos permite comprar até 160 milhões de doses de uma vacina produzida pela Moderna”.

Em agosto, a Comissão, que é o Executivo da UE e colidera as negociações com fabricantes de vacina em nome dos países-membros do bloco, disse que conversas preliminares com a Moderna foram concluídas com o objetivo de assinar um contrato para o suprimento de 80 milhões de doses de sua vacina, com a opção de comprar outras 80 milhões.

É o sexto acordo de suprimento que o bloco negocia com fabricantes de vacina para obter imunizantes contra Covid-19.

 

 

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Portugal realizará eleição presidencial em 24 de janeiro

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O atual presidente Marcelo Rebelo de Sousa é o favorito em uma eleição em que os socialistas (PS) não devem apresentar um candidato oficial

(Alexander Spatari/Getty Images)

As próximas eleições presidenciais portuguesas serão realizadas em 24 de janeiro, anunciou nesta terça-feira (24) o atual presidente, o conservador Marcelo Rebelo de Sousa, favorito em uma eleição em que os socialistas (PS), atualmente no poder, não devem apresentar um candidato oficial.

O chefe de Estado, de 71 anos, também não anunciou oficialmente se vai se candidatar para um segundo – e último – mandato de cinco anos, mas as pesquisas revelam que sua reeleição é quase certa.

Se receber mais de 50% dos votos em 24 de janeiro, como preveem as pesquisas, este ex-professor de Direito e ex-presidente do Partido Social-Democrata (PSD, centro-direita), que se tornou popular comentando notícias políticas na televisão, seria reeleito em primeiro turno.

Entre os candidatos já anunciados, a socialista Ana Gomes é a segunda nas pesquisas, mas não conta com o apoio do primeiro-ministro Antonio Costa, que criticou em várias ocasiões.

Questionado recentemente sobre seu posicionamento nessas eleições presidenciais, o PS decidiu oficialmente não apoiar nenhum candidato, deixando seus militantes decidirem sozinhos.

Ex-diplomata e eurodeputada, de 66 anos, Gomes tornou-se uma proeminente ativista anticorrupção, especialmente junto ao ‘hacker’ Rui Pinto, que esteve por trás das revelações do “Football Leaks” e do “Luanda Leaks”.

Em Portugal, o presidente da República é eleito por voto universal, mas não tem nenhum poder executivo. No entanto, seus discursos pesam no debate público e desempenha um papel de árbitro em caso de crises ou de um impasse político, além de dispor da escolha de dissolver a Assembleia e convocar eleições legislativas antecipadas.

 

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Pompeo faz visita controversa à Cisjordânia e ao Golã

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Mike Pompeo torna-se o primeiro secretário de Estado dos EUA a viajar a colônia judaica e às colinas disputadas por Istael e Síria. Embaixador palestino em Brasília critica “gesto desesperado” do governo Trump. Damasco condena gesto “provocador”

(crédito: AFP / POOL / Patrick Semansky)

A 62 dias de o presidente Donald Trump deixar a Casa Branca e o poder, o secretário de Estado norte-americano despertou a ira dos palestinos, do governo da Síria e de ativistas que defendem um movimento a favor de boicote econômico, cultural e político a Israel. Mike Pompeo tornou-se o primeiro chefe da diplomacia de Washington a visitar uma colônia israelense encravada na Cisjordânia e as Colinas do Golã, região capturada da Síria, na Guerra dos Seis Dias (1967), e anexada por Israel em 1981. Um forte aparato de segurança marcou a chegada de Pompeo; da mulher, Susan Pompeo; e do ministro das Relações Exteriores israelense, Gabi Ashkenazi, à vinícola Psâgot, no assentamento judaico de mesmo nome, situado na Cisjordânia, entre Jerusalém e Ramallah. “As vinhas dos vinhedos israelenses deste lugar contam uma história de 2 mil anos, a da relação de um povo e sua terra”, declarou a equipe de Pompeo, depois da visita.

Depois de desembarcar de um helicóptero Blackhwak no Monte Bental, situado nas Colinas do Golã, Pompeo fez uma declaração que em nada agradou ao presidente sírio, Bashar Al-Assad. “Não se pode chegar aqui, ver o que está do outro lado da fronteira e negar a parte essencial do que o presidente Trump reconheceu: isso é parte de Israel”, disse. “Imagine o risco que representaria para o Ocidente e para Israel se esse território estivesse sob o controle de Al-Assad”, alfinetou. “A visita de Pompeo é um passo provocador antes do fim do mandato de Trump, e uma flagrante violação da soberania da República Árabe Síria”, reagiu o Ministério das Relações Exteriroes sírio, em nota divulgada pela agência de notícias estatal Sana. “A Síria afirma que tal visita criminosa encoraja (Israel) a continuar com sua perigosa abordagem hostil.”

A presença inédita de um secretário de Estado norte-americano na região seria polêmica por si só. Duas afirmações de Pompeo acirraram os ânimos no Oriente Médio. O enviado de Trump anunciou que o Departamento de Estado classificaram oficialmente de “antissemita” o movimento global Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS, pela sigla em inglês) — uma forma de punir Israel contra a ocupação e a colonização dos territórios palestinos. Pompeo chegou a compará-lo a um câncer”. Depois da ida a Psagot, vizinha do vilarejo palestino de Mukhmas, ele avisou que os Estados Unidos passarão a rotular produtos exportados das colônias da Cisjordânia com a menção “Made in Israel” (“Fabricado em Israel”). “Por um longo tempo, o Departamento de Estado adotou uma visão errada sobre os assentamentos, uma visão que não reconhecia a história deste lugar especial. Em vez disso, agora, o Departamento de Estado dos EUA defende firmemente o reconhecimento de que os assentamentos podem ser feitos de modo que seja lícito, apropriado e adequado, “delarou Pompeo.

“Formidável”

O Correio entrevistou, por telefone, Yaakov Berg, proprietário da vinícola Psâgot e anfitrião de Pompeo. “Eu acho que a importância da visita do secretário de Estado está no fato de que, pela primeira vez, não somos chamados de ladrões de terras. Depois de tantos anos, Mike Pompeo levantou-se e disse, em alto e bom som, que as terras da Samaria e da Judeia pertencem ao povo judeu, por causa da história e da Bíblia”, afirmou. “Por 2 mil anos, temos rezado e esperado pelo dia em que nossa terra será devolvida. Ninguém pode negar. O secretário pôs fim às fake news que o ex-presidente Barack Obama propagou.”

Berg classificou a visita como “formidável”. “O casal Pompeo é formado por pessoas adoráveis, abertas. Creio que ele escolheu a nossa vinícola pelo fato de as pessoas daqui sofrerem com as consequências do movimento BDS e do boicote aos nossos produtos”, comentou. O vincultor israelense rejeita as condenações das nações árabes ao tour de Pompeo. “Para produzirmos vinho, pagamos aos nossos funcionários palestinos três ou quatro vezes mais do que receberuam da Autoridade Palestina. Nós os respeitamos e damos a eles os mesmos direitos dos judeus. Nós, judeus, vivemos em paz com nossos vizinhos palestinos”, assegurou.

Ibrahim Alzeben, embaixador da Palestina em Brasília, criticou a ida de Pompeo ao assentamento judeu de Psagot. “É um gesto de desespero da atual administração norte-americana. Uma corrida contra o tempo para legitimar a ocupação de Israel dos territórios árabes e palestinos”, denunciou o diplomata ao Correio. “O Estado palestino condena energicamente a visita a assentamentos ilegalmente construídos no nosso território. A ocupação e as visitas de pessoas que estão de saída do cenário político não geram legitimidade”, destacou.

Segundo Alzeben, os assentamentos israelenses são desprovidos de legalidade. “Os seus habitantes e seus produtos são contrário ao direito internacional e ao direito legítimo do povo palestino”, afirmou. O embaixador também destacou que o BDS é “um movimento contra a ocupação”. “Confundir a opinião pública com gestos desesperados e com jogos de palavras não muda a realidade”, disse o diplomata.
Em nota oficial à imprensa, o movimento BDS considerou “bastante irônico que o governo Trump, impulsionado pelo regime de apartheid de Israel, continue a permitir e a normalizar a supremacia branca e o antissemitismo nos Estados Unidos e no mundo, enquanto difama o BDS”. “Nós rejeitamos, de forma categórica, todas as formas de racismo, incluindo o racismo antissemita, por uma questão de princípios”, afirma o comunicado.

Vinho “Pompeo” de presente ao visitante

Yaakov Berg, proprietário da vinícola Psâgot, presenteou Mike Pompeo com uma garrafa do vinho blend tinto Psâgot Pompeo, produzido especialmente para o visitante. Fabricado com quatro variedades de uvas — Merlot, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Cabernet Franc —, o vinho traz o rótulo “Produzido na legalidade” e o nome “Jerusalém” abaixo. “Para honrar o secretário de Estado e para mostrar o quanto o amamos, e o quão importante são suas declarações para nós, que moramos nesta região, decidimos em 2019, produzir um vinho especial para ele”, afirmou Berg ao Correio, por telefone. “Enviamos este vinho a quase todas as autoridades de Washington, inclusive congressistas que gostam, ou não, de Pompeo. Ninguém devolveu uma garrafa sequer.”

» Eu acho…

“Israel ocupa os territórios palestinos e árabe, como o Golã e parte do sul do Líbano. Esta situação que acabar, para reconstruirmos a paz no Oriente Médio. O caminho para a paz e a legitimidade é claro e visível: o fim da ocupação e de todas as suas consequências, tanto os assentamentos, quanto os muros; além do estabelecimento do Estado da Palestina, soberano, mediante um processo de negociação garantida por uma conferência internacional.” Ibrahim Alzeben, embaixador da Palestina em Brasília.

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terça-feira, 24 de novembro de 2020

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