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segunda-feira, 20/07/2026

Duas em cada três mulheres já sofreram abuso doméstico, revela pesquisa

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De acordo com uma pesquisa, duas em cada três mulheres que buscaram ajuda médica após sofrerem agressões em casa, já tinham vivido situações de violência anteriormente.

O estudo foi realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), com base nos dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.

No total, os serviços de saúde do Brasil atenderam 186.177 mulheres vítimas de violência doméstica, e 100.800 dessas relataram que já tinham sofrido algum ato de violência antes.

Segundo o relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o ciclo de violência muitas vezes é mantido por meio de controle e isolamento, onde o agressor limita o contato da mulher com familiares, amigos e outros serviços, aumentando sua dependência. Muitas mulheres voltam frequentemente ao sistema de saúde após novas agressões, mas sem que esse ciclo seja interrompido, o que pode levar a casos fatais, evidenciando como as desigualdades de gênero estão presentes de forma estrutural e podem resultar em feminicídio.

Em 2024, 3.642 mulheres foram assassinadas no Brasil, representando uma taxa de 3,4 mortes para cada 100 mil mulheres, uma redução de 6,7% em comparação com 2023.

Apesar da queda no número de mortes, o Atlas da Violência mostra que a quantidade ainda é muito alta. Desde 2014, houve uma diminuição de 27,7% na taxa de homicídios de mulheres notificados pelo sistema de saúde, porém, entre 2014 e 2024, foram assassinadas 46.336 mulheres no país.

Mulheres negras são as mais afetadas

Em 2024, foram registradas 2.457 mortes de mulheres negras, correspondendo a 67,5% do total de homicídios femininos, com uma taxa de 4,0 para cada 100 mil mulheres negras.

Essa taxa de homicídios entre mulheres negras foi 66,7% maior do que a verificada entre mulheres não negras (2,4 por 100 mil).

O estudo destaca que as mulheres negras, que incluem pretas e pardas, são as maiores vítimas da violência letal de gênero, segundo os dados do sistema de saúde.

Estadão Conteúdo

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