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domingo, 15/02/2026

dólar sobe pouco em dia difícil para moedas de países emergentes

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Em São Paulo, no dia 5 de outubro, o dólar fechou em alta leve, cotado a R$ 5,2535, mesmo em um cenário difícil para moedas de países emergentes. O real se destacou ao resistir às pressões externas, como a valorização global do dólar, queda do petróleo, preocupações com o setor de tecnologia e dados negativos do mercado de trabalho nos Estados Unidos.

Especialistas consultados pelo sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, Broadcast, apontam que o real se beneficia da continuidade do fluxo de investimentos estrangeiros na bolsa brasileira, que teve alta, contrariando o desempenho negativo dos mercados de Nova York, e pelo diferencial pronunciado entre as taxas de juros internas e externas. No momento, as questões locais, como a aprovação de aumentos nos gastos públicos e as nomeações para as diretorias do Banco Central, têm pouco impacto no câmbio.

O dólar teve variações conforme o ambiente global: atingiu picos acima de R$ 5,28 durante momentos de maior instabilidade internacional, mas recuou conforme o medo global diminuiu, embora não tenha alcançado a mínima do dia de R$ 5,2353.

Marco Antonio Mecchi, diretor de investimentos da Azimut Brasil Wealth Management, destaca que a volatilidade institucional nos Estados Unidos, influenciada pelo presidente Donald Trump, e a piora fiscal nos países desenvolvidos enfraquecem o dólar, estimulando uma diversificação dos investimentos que favorece os países emergentes.

Segundo Mecchi, “a tendência é que o dólar continue mais fraco. Dias como este são oportunidades para investir no real”, ressaltando que outras moedas emergentes apresentaram desempenho ruim diante da alta do índice VIX e do pessimismo nos mercados americanos.

Ele também aponta que o real conta com um diferencial favorável entre juros e volatilidade, o que é atrativo para investidores. A expectativa é que a taxa Selic caia para entre 12% e 12,5%, o que mantém a tendência de valorização do real, podendo o dólar ficar abaixo de R$ 5,10 no primeiro trimestre.

Externamente, o índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de moedas fortes, operou em alta modesta durante o dia. A libra também caiu contra o dólar após o Banco da Inglaterra manter sua taxa de juros estável. Da mesma forma, o Banco Central Europeu manteve suas taxas inalteradas.

Um dos principais indicadores divulgados, o relatório Jolts mostrou que a abertura de vagas de emprego nos EUA caiu para 6,5 milhões em dezembro, bem abaixo do esperado pelos analistas, indicando desaceleração do mercado de trabalho. Isso aumentou as apostas de que o Federal Reserve possa reduzir a taxa de juros em sua próxima reunião.

Bolsa

Após uma forte queda no dia anterior, o índice Ibovespa fechou a quinta-feira com leve alta de 0,23%, aos 182.127 pontos. O volume financeiro foi de R$ 34,3 bilhões. Apesar do desempenho misto dos bancos, o Itaú se destacou com alta após divulgar um balanço positivo do quarto trimestre.

Por outro lado, ações da Vale tiveram queda significativa, ainda que mantenham bons ganhos no acumulado do ano. O setor de metais também sofreu com a queda nos preços internacionais do minério de ferro e do petróleo.

A CSN foi pressionada negativamente após notícias sobre negociações para empréstimos destinados a reduzir sua dívida, afetando também suas subsidiárias.

Entre os maiores ganhos do dia estiveram as ações da MRV, Vamos e Cury, enquanto Braskem, Porto Seguro, Hapvida e Vale estiveram entre as que mais caíram.

João Paulo Fonseca, chefe de renda variável da HCI Advisors, comentou que o Itaú apresentou um desempenho robusto, alinhado às expectativas do mercado.

Luis Ferreira, CIO do EFG Private Wealth Management, destacou que o ingresso maciço de capital estrangeiro, principalmente via investimentos passivos como ETFs, tem impulsionado o Ibovespa de forma ampla, beneficiando até empresas com fundamentos menos fortes, o que pode criar condições para correções futuras.

Juros

O mercado de juros futuros teve leve queda, com reduções pequenas nas taxas de curto e médio prazo. Nos Estados Unidos, os rendimentos dos títulos do Tesouro caíram em resposta aos dados econômicos frágeis e ao movimento por segurança dos investidores, o que também ajudou a manter os juros locais estáveis.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 fechou com taxa de 13,395%, enquanto prazos mais longos permaneceram estáveis. A taxa dos títulos americanos de 2 e 10 anos caiu cerca de 8 pontos-base, refletindo preocupação com o mercado de trabalho e expectativas de relaxamento na política monetária.

Relatórios mostram aumento nas demissões nos EUA e queda nas vagas abertas, sinalizando desaquecimento do emprego, o que pode influenciar a política dos juros no futuro próximo.

Gustavo Okuyama, gestor de renda fixa da Porto Asset, afirmou que a redução dos yields indica preocupação com a desaceleração econômica e aumento do desemprego, o que leva investidores a buscarem ativos mais seguros, como os títulos do Tesouro americano, enquanto no mercado local os juros apresentaram boa performance mesmo com pouca influência externa.

Okuyama também comentou que a volatilidade das taxas de juros tem se estabilizado recentemente, com o mercado encontrando novo patamar baseado em fundamentos econômicos, após revisões das expectativas para a Selic e câmbio.

Na área de oferta, o Tesouro Nacional realizou leilões de títulos prefixados com resultados medianos, sem causar grandes impactos na curva de juros. Foram totalmente vendidos lotes de Letras do Tesouro Nacional e Notas do Tesouro Nacional série F, com risco ao mercado 41% menor que o leilão anterior.

Texto elaborado com informações do Estadão Conteúdo.

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