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segunda-feira, 20/07/2026

Dólar sobe para R$ 5,15 por tensão entre EUA e Irã

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O dólar americano voltou a subir, alcançando o valor de R$ 5,15, devido ao aumento das tensões políticas entre os Estados Unidos e o Irã. A pressão começou após os EUA decidirem cancelar a permissão para compra de petróleo iraniano, uma reação aos ataques sofridos por navios petroleiros perto do Estreito de Ormuz.

O preço do petróleo também subiu, influenciando as expectativas sobre a inflação e os juros nos Estados Unidos. O preço do barril do petróleo tipo Brent subiu mais de 3%, chegando a valores superiores a 5% em algumas negociações eletrônicas, o que afetou negativamente as moedas de mercados emergentes, como o real brasileiro.

Na última sessão, o dólar atingiu R$ 5,16 no momento mais alto do dia, fechando em R$ 5,15, revertendo a queda dos dias anteriores. No começo do mês, a moeda americana apresentou pequena queda, mas ainda acumula perda considerável no ano.

Fabrizio Velloni, economista, destacou que a alta do petróleo pode aumentar as expectativas de aumento dos juros nos EUA, especialmente depois das declarações firmes do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh. Segundo ele, a instabilidade global favorece a valorização do dólar, já que investidores buscam uma moeda segura diante da incerteza na negociação entre EUA e Irã.

O índice que mede o valor do dólar frente a uma cesta de moedas fortes (DXY) também mostra leve alta, indicando que o dólar permanece forte no mercado internacional.

Os investidores esperam pela publicação da ata da última reunião do Federal Reserve, onde foi discutida a possibilidade de aumento dos juros ainda este ano. Embora o presidente do Fed de Nova York, John Williams, tenha demonstrado menos preocupação com a inflação no curto prazo devido à queda nos preços da energia, dados recentes indicam que as expectativas de inflação para os consumidores americanos subiram para o maior nível desde setembro de 2023.

Andres Abadia, economista-chefe para a América Latina da Pantheon Macroeconomics, observa que o dólar forte e a perspectiva de redução da diferença entre taxas de juros estão tornando menos atrativo o investimento em moedas emergentes como o real, apesar de o real ainda apresentar bom desempenho no ano.

Mercado de ações

Em decorrência da tensão no Oriente Médio, a bolsa de valores brasileira, Ibovespa, enfrentou sua segunda queda consecutiva. Apesar disso, caiu menos em comparação com índices americanos como Nasdaq e S&P 500, graças à valorização das ações da Petrobras, beneficiadas pela alta do petróleo.

Além disso, atenção foi dada às declarações do candidato à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, durante audiência sobre práticas comerciais. Para analistas, o impacto dessas falas é mais político que econômico, principalmente por causa das proximidades das eleições.

Apesar de uma leve queda no índice geral de preços ao produtor (IGP-DI), o mercado de juros futuros apresentou alta, influenciado pela aversão ao risco gerada pelo cenário geopolítico.

O Ibovespa variou bastante durante o dia, mas terminou com queda leve, enquanto as ações da Petrobras tiveram ganhos expressivos. O cenário foi marcado por preocupações com ataques no Estreito de Ormuz e a revogação da autorização para importação de petróleo iraniano pelos EUA, fazendo com que os preços do petróleo subissem acima de 5% em algumas negociações.

Felipe Cima, especialista em renda variável, considera que a incerteza sobre o desfecho do conflito no Oriente Médio foi o principal motivo para a queda do Ibovespa nesta terça-feira.

Juros e mercado de petróleo

No mercado futuro de juros, foi observada uma tendência de aumento nas taxas após o anúncio da revogação da licença para venda de petróleo iraniano. As taxas dos contratos para 2027, 2029 e 2031 registraram elevações, refletindo o aumento do risco percebido pelo mercado.

O Departamento do Tesouro dos EUA informou que cancelou a autorização para comercialização de petróleo iraniano, que havia sido emitida em 21 de junho, prevista para durar 60 dias para permitir negociações de paz entre Washington e Teerã.

Essas notícias geraram um aumento nos rendimentos dos títulos públicos americanos e fizeram o dólar atingir níveis elevados.

Os contratos futuros de petróleo fecharam o dia com alta de aproximadamente 3%, impulsionados pelas tensões na região do Golfo Pérsico. Analistas do setor energético avaliam que, apesar da alta recente, a oferta abundante de petróleo tem ajudado a conter pressões maiores nos preços, a menos que o tráfego no Estreito de Ormuz seja prejudicado ou que as negociações de paz falhem de vez.

Antes das medidas americanas, o mercado de petróleo já indicava alta, mas o anuncio aumentou o impacto da valorização. No mercado brasileiro, a curva de juros local respondeu com estabilidade e leve queda, ajudada pelas declarações do secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, que afirmou que o governo dispõe de recursos e paciência para emitir títulos públicos conforme necessário, tranquilizando o mercado.

Luis Felipe Vital, estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública, informou que as declarações do Tesouro foram interpretadas como um sinal de que intervenções podem ocorrer se necessárias, mas que não há indicação imediata de ação.

O leilão recente do Tesouro brasileiro vendeu 150 mil títulos atrelados à inflação, totalmente absorvidos sem pressão nas taxas de juros de longo prazo.

Fonte: Estadão Conteúdo.

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